Arquivo da categoria ‘Copas do Mundo’

APO, CPO, RDC e a gastança olímpica

junho 26, 2011

Quando anunciaram o nome de Henrique Meireles para ser o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), senti aquela vã esperança de que a gastança olímpica poderia ser controlada.  Esta semana a presidente Dilma indicou o ex-ministro das Cidades para ser o responsável pela APO.  Diferente da austeridade do ex-presidente do Banco Central, Marcio Fortes é apenas um político cuja participação no governo Lula resumiu-se a ocupar um cargo político. 

Márcio Fortes

Suas primeiras declarações dão bem conta do que ele entende da posição que vai exercer.

“Tem um negócio que ninguém fala. As perguntas são sempre sobre obras. Eu quero ganhar as medalhas. O Brasil está se preparando pra isso também. Eu vejo uma oportunidade de a gente se afirmar no esporte. Vamos ganhar o máximo de medalhas. Estamos esquecendo disso. O objetivo da olimpíada qual é? A vitória. Claro que pelo espírito olímpico o importante é participar. Mas é muito melhor participar vencendo.”

Vamos e venhamos, isto nada tem a haver com a sua responsabilidade na APO que é controlar recursos e cronogramas físico e financeiro das obras.  Além disso, Fortes teria dito que “o Rio de Janeiro tem uma experiência muito boa quanto à realização dos eventos esportivos. Os Jogos Pan-Americanos não foram uma prévia das Olimpíadas? E qual foi a avaliação desse evento? O melhor Pan-Americano que já houve.”

Isso demonstra que o ex-Ministro das Cidades não tem a menor idéia do que foram os malditos Pan-Americanos para o Rio de Janeiro.  Não sobrou nada que prestasse para a cidade e a utilização política dos ingressos para os eventos foi uma vergonha digna da administração do Pan e desta cidade, nas mãos de Cesar Maia na época.  Só o Maracanã está sendo totalmente reformado para a Copa de 2014 ao custo de R$1 bilhão após ter sido, por duas vezes, reformado nos governos Garotinho e Garotinha para os tais Pan-Americanos.

É bem verdade que Fortes também declarou que seguirá com cuidado o cronograma das obras e rechaçou as comparações com a organização da Copa do Mundo de 2014, que preocupa pelas reiteradas demoras.

A APO estará subordinada a outro novo órgão público, o Conselho Público Olímpico (CPO). Henrique Meireles foi indicado por Dilma para ser o representante da União neste órgão. Junto com ele o governador do estado e o prefeito do Rio de Janeiro.  Os arranjos políticos mais uma vez venceram a austeridade gerencial da Presidente.  

O CPO é mais um órgão público para gastar dinheiro do nosso bolso com um sem número de empregos para acomodar indicações políticas. Não creio que Meireles tenha a menor chance de exercer sua capacidade técnica e administrativa neste meio.  É provável que saia do circuito muito antes de 2016.

Assim como já está claro que o mau uso do dinheiro público (leia-se “roubalheira”) será a tônica da organização da Copa do Mundo de 2014, são poucas as esperanças de uma Olimpíada no Rio de Janeiro que não nos leve à falência.  

Como se isso fosse pouco, o governo põe em campo suas novas damas (Ideli Salvatti e Gleise Hoffmann) para manter o Regime Diferenciado de Contratações (RDC), aprovado na Câmara, que determina o sigilo de orçamentos para obras da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.  Se com o sistema de licitações transparentes acontecem as maiores falcatruas imagina a farra que será este sigiloso RDC.   

Pelo Brasil afora vamos continuar vendo bilhões gastos com estádios super faturados que servirão para manter os mesmos que há tanto tempo controlam o mercado do futebol no Brasil.

Posso debulhar lágrimas de tristeza ou de raiva sobre o teclado mas isto não fará a menor diferença .  Colocar este texto na rede tampouco ajudará a resolver o problema.  Talvez algumas gerações adiante se a propaganda da coca-cola estiver certa…

Fontes: reportagem de Claudia Andrade no Terra.com e do Globo.com de 21 de junho de 2011.  Fotos obtidas na internet.

Copa de 2010, África do Sul (Maradunga)

julho 31, 2010

Tempo para uma reflexão tardia sobre a Copa de 2010 na África do Sul onde ficou longe a final sonhada por argentinos e brasileiros.  É muito interessante como estas coisas acontecem. Brasil e Argentina tinham muitas coisas em comum e chegaram exatamente ao mesmo lugar.

Ambos tinham como técnicos ex-jogadores, campeões do mundo, com experiência zero na função.

Ambos procuraram fazer crer que estávamos no caminho certo.  Dunga apregoava a eficiência do seu “método”, afinal de contas bem sucedido até aquele momento.   Maradona preferia uma propaganda ufanista baseada no seu próprio prestígio e carisma aliado a ter, sem dúvida alguma, o melhor elenco.  Os resultados, porém, eram pífios até ali.

Maradona, com uma enorme ânsia de vedetismo e monopolização das atenções, e Dunga, com suas grosserias contra tudo e contra todos, seus ataques de raiva e excessos nos modelitos à beira do campo, pareciam mais preocupados com seus egos do que com suas funções de treinadores.    

Ambos ficaram estupefatos diante da adversidade definitiva e, do alto da sua inexperiência, não tiveram resposta quando o adversário lhes impôs um nó estratégico incapaz de ser superado pela genialidade de alguns de seus jogadores, no caso da Argentina, e pelas  opções de jogo no caso do Brasil.  

Como auxiliares, Maradona tinha Mancuso, o amigo de todas as horas, do futebol, das festas e das noitadas, enquanto Dunga, na sua obsessão por controle, tinha um capataz na figura de Jorginho.  Um e outro tão carentes de experiência como seus chefes.   

Argentinos e brasileiros pouco podiam esperar de suas equipes antes de começar a copa. Após os primeiros jogos, vendo que não tinha nenhum bicho papão, passaram a acreditar em uma fantástica final sul-americana.

Ambos perderam para europeus nas oitavas-de-final.  Seus grandes destaques, Messi e Kaká, renderam abaixo do esperado.

Com tantas coisas em comum, por caminhos diversos, Brasil e Argentina perderam exatamente como era de se prever.    
A Argentina pela falta de organização do seu elenco de craques e pela sua defesa ruim, frutos da incapacidade do seu treinador.
O Brasil pela previsibilidade de suas ações, pela impossibilidade de tentar alguma coisa diferente ao ter no banco um bando de cabeças de área e de bagre (alguns deles no ocaso das suas carreiras) e pelo nervosismo do time em campo, reflexo do que via no seu comando fora dele.   

Mas pouco importa a atuação de Brasil e Argentina na Copa. Mais importante é discutir como isto nos afeta como país que pretende ser civilizado algum dia. 

A derrota brasileira  (creio que a argentina também) começa a ser desenhada muito antes de uma Copa do Mundo. Culpar jogadores e treinadores é equivocado. O erro está na forma como se conduz o futebol nestes países, reflexo do que somos como países. Disto resultou em treinadores de primeira viagem como Dunga e Maradona serem guindados à posição de treinadores dos selecionados nacionais sem experiência alguma para tal.  Acontece com treinadores, administradores de nossas instituições, cidades e estados.

O responsável pela entidade máxima do futebol brasileiro tem poderes absolutos na condução do futebol no Brasil. Administra fortunas em suas mãos da mesma forma que determina quem será o próximo treinador da seleção.  O presidente da CBF se perpetua no poder eleito por um grupo de federações cujos presidentes o fazem da mesma forma.  E neste jogo de protege daqui beneficia dali e é dando que se recebe vão se mantendo à frente da maior paixão nacional.  Nem o presidente da república nem o congresso nacional têm influência sobre o futebol. 

Deveria ser simples assim: nenhum indivíduo poderia ficar mais de 8 anos no comando da entidade máxima do futebol brasileiro, o mesmo valendo para os presidentes de federação, do Comitê Olímpico Brasileiro e qualquer federação de esporte.

A perpetuação dos mesmos nestes cargos dá margem para muita coisa ruim, muita roubalheira. Mas diante da anarquia moral em que vivemos neste país, perder uma copa do mundo é o menos importante.

No mais, parabéns para os espanhóis, um povo que vive intensamente o futebol e que finalmente ve sua seleção brilhar internacionalmente. Méritos para o Uruguai, que volta ao cenário internacional depois de tantos anos de ostracismo.  Para os anfitriões, resta saber o que fazer com os estádios que construíram para a grandeza da FIFA.  

Incorrigível, ainda quero um “Brasil x Argentina” na final da copa do mundo, quem sabe no Maracanã, com vitória da selação nacional.

Copa de 86, México

junho 5, 2010

A ADEG informa: Sai Evaristo de Macedo, entra Telê Santana. Repetia-se o técnico de 82. Chamaram os craques de 82 mas estes, já uma pouco passados, dissolveram-se em dores e lesões. Será que dá pro Zico? Acabou dando. Pessoal  bichado a parte, tudo certo, vamos pro México outra vez.

“Perá aí Renato, você não vai.  Indicisplina não se tolera neste time.”
E Renato gaúcho foi cortado na hora H.

“Então também não vou”, decidiu Leandro na hora do embarque.  Estranha solidariedade.  Melhor não tentar entender. 
Mas que idéia do Telê levar o Josimar no lugar dele. Desde quando esse cara joga bola para estar na seleção.  Mas lá foi ele.

Michel fez gol pra Espanha mas o juiz não gostou. Sócrates tava impedido mas valeu. Brasil 1 x 0. E vamos passando:  Argélia, Irlanda do Norte, 4 x 0 na Polônia e dá-le Josimar. Quem diria heim?

Lá vem a França com Platini e sua turma. 1 x 1, tá difícil. Pênalti pro Brasil; “…não, Zico não! O cara entrou agora, tá frio” … Perdeu. Disputa de pênaltis:”… assim não, Sócrates! Toma distância, Sócrates”… Não tomou. Perdeu.  Fim da Copa pro Brasil.

A Argentina de Maradona com gol de placa e outro com “la mano de Dios” venceu a Inglaterra e a pouco mais que esforçada Alemanha de Rummenigge para ganhar a copa pela segunda vez.

O México se recuperou de um terrível terremoto e fez a copa, substituindo a Colômbia que desistiu.
Foi a copa de Diego Armando Maradona.      

Fotos tiradas da Intrernet.

Copa de 82, Espanha

maio 29, 2010

Naquele 5 de julho de 1982, Nilton Santos se preparou para assistir o jogo mais importante da sua vida. Não era por acaso que ostentava este nome glorioso.  Vovô Santos não permitiria qualquer outro que não fosse o do seu maior ídolo.  Já bastava que a mulher não lhe havia permitido colocar este nome no filho, exigindo batizá-lo de Edilson. Marlene homenageava  assim o seu próprio pai que não teria a oportunidade de conhecer o neto.  Tudo bem, pois o pai de Nilton Santos acabou sendo conhecido como Didi. 

A família reuniu-se para este grande dia. Nilton Santos vestiu sua camisa canarinho, presente do avô, e enrolou-se na bandeira do seu amado Botafogo.  Antes do jogo a  TV mostrava  os gols da formidável campanha brasileira. Nada parecido desde 70.  Depois da vitória apertada sobre a Rússia na estréia, o Brasil arrasara Escócia e Nova Zelândia. 

Melhor ainda, aplicou um convincente 3 x 1 na Argentina ao som de “voa canarinho voa”.   E como jogava bonito o time de Telê!  Quantos craques, Zico, Sócrates, Falcão, só pra falar nos mais votados. E no gol ninguém menos que Waldir Peres…bom, nada é perfeito.

Mas a coisa não começou como esperado.  De cara Paolo Rossi abria o marcador.  Mas o que é isso?  Como aquela itália que chegou ali aos tropeços, empatando os três jogos da primeira fase, ia criar problema?  Claro que não, Sócrates empataria logo depois. Fez-se a ordem e a alegria voltou a imperar na casa da família Santos. Alegria que foi esbarrar em outro gol do endiabrado italiano. No segundo empate do Brasil a confiança retornou até que Paolo Rossi fizesse o terceiro, colocando a Itália definitivamente na frente. 

O jogo chegou ao fim.  Consumava-se a tragédia do Sarrià.  Na sala do apartamento de Niterói ouvia-se um silêncio sepulcral. Diante da TV, Nilton Santos não podia acreditar no que via. Tinha que haver uma saída.  Quase em prantos, o menino buscou-a nos olhos do pai:

“E agora, papai?”
“Agora fodeu!”,  sentenciou um perplexo Didi.

A história das copas por Cariocadorio:
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Fotos obtidas na Internet

Copa de 78, Argentina

maio 22, 2010

Parei de trabalhar mais cedo e voltei para o meu quarto de hotel naquela fria tarde de São Paulo em 1978.  Rodada decisiva para a definição do finalista.  O Brasil fez sua parte derrotando a Polônia.  Só faltava acompanhar de perto como seria Argentina x Peru, partida essencial para a classificação do Brasil.   A Argentina precisava de 4 gols, o que seria nada fácil contra o bom time do Peru… ledo engano. 


Foi muito fácil, 6 x 0.  A euforia pela vitória sobre a Polônia dava lugar à desolação nas ainda mais frias ruas de São Paulo. Não me lembro bem de como vi a partida do Brasil contra a Polônia mas me lembro perfeitamente  da certeza que tive de que a Argentina, se preciso fosse, faria  10 gols naquele dia.  O juiz francês Robert Wurtz (um bailarino no campo) deixava o jogo correr livremente.  Os peruanos caminhavam, aparentando enorme desinteresse pela partida.  Tempos depois o caso de suborno foi confirmado.  

O Brasil perdeu a Copa no empate de 0 x 0 com os donos da casa. 

A Holanda, mesmo sem Johan Cruiffy, chegava mais uma vez à final e ainda faria um jogo duro com a Argentina, resolvido na prorrogação.  Ao Brasil restou ver o belíssimo gol de Nelinho, um fortíssimo chute da direita fazendo uma curva improvável e entrando no ângulo de Zoft. A vitória sobre a Itália  nos assegurava o terceiro lugar.  O Brasil sairia invicto da Argentina.

Los hermanos, de Mario Kempes y Ardiles, eran campeones pela primeira vez.  Justiça seja feita, os caras sempre jogaram muita bola.  Mas a política sempre teve sua influência em copas do mundo.  Como no Brasil em 70, a ditadura militar argentina soube utilizar muito bem a vitória para manter a dura repressão no país.

Todos los presos políticos, los perseguidos, los torturados y los familiares de los desaparecidos estábamos esperando que Menotti dijera algo, que tuviera un gesto solidario, pero no dijo nada. Fue doloroso y muy jodido de su parte. Él también estaba haciendo política con su silencio.” Quien formula el cargo es Adolfo Pérez Esquivel, Premio Nobel de la Paz en 1980, que logró salir de la Unidad 9 de La Plata gracias a la presión internacional, el 23 de junio de 1978, dos días antes de la final. De su cautiverio recuerda el nudo de una contradicción para muchos incomprensible: “En la cárcel, como los guardias también querían escuchar los partidos, el relato radial nos llegaba por altoparlantes. Era extraño, pero en un grito de gol nos uníamos los guardias y los prisioneros. Me da la sensación de que en ese momento, por encima de la situación que vivíamos, estaba el sentimiento por Argentina.
Do site:  http://www.elortiba.org/mundial78.html

Foto da equipe argentina obtida da internet.

Copa de 74, Alemanha

maio 13, 2010

A  primeira copa ao vivo e a cores não nos trás boas lembranças.  Fazia frio no Rio de Janeiro e eu não via  meios de aprender Cálculo III.  A matéria já era difícil e o professor não ajudava.  Aquele time meio envelhecido de 70 e mal renovado também não.  Rivelino que era o astro parecia um possesso e o PC Caju estava mais preocupado em ir para o Olimpique de Marseille.

Tinha que estudar muito e, com a bola rolando na Alemanha, quem conseguia se concentrar?  Era uma partida atrás da outra, derivada pra todo lado, integral de linha, de superfície, de volume de jogo pífio e toda a turma em prova final.  Eu até que vinha bem, jogando na retranca do Zagalo, me safei nos testes que deram uma ajudinha.   Precisávamos de 3 e foi o que deu,  pra mim e pro Brasil com um golzinho do Valdomiro já no fim do jogo contra o Zaire.  Eu passava de semestre e o Brasil pra fase seguinte.

É sempre bom ganhar da Argentina mas a Holanda nos deu um passeio memorável.  O “Carrossel Holandês” talvez tenha sido a maior novidade de todos os tempos em copas do mundo.  Ninguém jogou parecido com aquele time nem antes nem depois.  Nós ainda amargaríamos mais uma derrota, agora para o bom time da Polônia, pra ficar em 4º lugar.  Triste.

A Laranja Mecânica de 1974

A Holanda de Cruiffy e Neskens assombrou o mundo mas o título ficou com a Alemanha, firme e persistente como sempre, sob o  comando do grande Beckenbauer. No pódio só países daquela região da Europa.

Começava um período sombrio na história do futebol brasileiro.  Só nos restava torcer pelo segundo título mundial do Emerson Fittipaldi e para que Cálculo IV não fosse tão difícil.
Felizmente, assim foi.  E 1974 até que deu algumas alegrias.

A história das copas por Cariocadorio:
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Fotos:  fotos obtidas da internet.

Copa de 70, México

maio 9, 2010

Ao contrário de 1966 o Brasil teria uma equipe definida bem antes da copa.  “Só feras“, garantiu o treinador.  E as feras do Saldanha foram o início de uma campanha vitoriosa.  
O 1 x 0 sobre o Paraguai no Maracanã lotado em 1969 carimbou o passaporte brasileiro para o México.  

O caminho da seleção até o México estaria repleto de polêmicas. Nesta época o Brasil aprendeu o que é descolamento de retina, que Pelé estava velho e que, segundo alguns, Garrastazu convocava jogador.  Enquanto a seleção treinava no campo do Fluminense, a garotada de Laranjeiras corria atrás dos autógrafos. Alguns ficaram registrados nesta tabela, inclusive o de um tal de Edson.

Autógrafos de 70

O fato é que chegamos ao México com Zagalo no comando e cheios de desconfiança daquela que depois provaria ser a melhor seleção de todos os tempos. Só se falava no futebol força europeu. Os brasileiros não estariam preparados para vencer aqueles que tinham saúde de vaca premiada.  Na primeira fase teríamos que enfrentar  3 europeus, inclusive a Inglaterra, campeã do mundo. Era realmente um grupo difícil.

Pela primeira vez o Brasil se deslumbrava com uma transmissão de copa do mundo ao vivo na televisão. E assistimos o tcheco Petras fazer o primeiro gol sobre nós.  Ao vivo pudemos ver os gols que o Pelé não fez: o chute do meio de campo que passou raspando e o drible sem tocar na bola sobre Masurlievsky, goleiro do Uruguai.  Vimos a trama, inciada por Tostão caído no chão,  que resultou no 1 x 0 sobre a Inglaterra e a classificacão para as oitavas-de-final. Vimos um show inequecível da arte de jogar futebol.

Tabela da Copa do México

Na seqüência foram dois sul-americanos.  Peru e Uruguai.  Vinte anos depois o Uruguai.  Foi um jogo tenso pelo seu histórico embora a superioridade brasileira fosse flagrante. A coisa teria ficado complicada se Clodoaldo não empatasse no finzinho do primeiro tempo. É engraçado que nem mesmo a vitória sobre o Uruguai serviu como revanche para a tragédia de 50.  Na outra semi-final, alemães e italianos se degladiaram até a exaustão com vitória dramática para os italianos na prorrogação. Azar deles.

A final decidiria a sorte da Copa Jules Rimet. Ambos com duas copas conquistadas, Brasil ou Itália levaria a taça definitivamente para casa.  A final assistida por “90 milhões de brasileiros” teve lances emocionantes e foi ponteada por gols belíssimos.  No último gol da copa a bola passa por todo o ataque brasileiro para que Pelé a entregue de bandeja para Carlos Alberto fulminar o arco italiano.   Os mexicanos, que trataram o Brasil como nenhum outro povo faria, pareciam tão felizes como nós.   


O Brasil, incontestavelmente o melhor no México,  levou a taça Jules Rimet  que deveríamos orgulhosamente guardar para sempre. Infelizmente alguém por aqui a derreteu e ficou com o ouro.  Hoje o que temos é uma réplica.       

Médice com a Taça

A ditadura militar soube tirar proveito desta conquista.  A propaganda ufanista e o caminhão de dinheiro que inundou o país sustentavam o milagre brasileiro. As décadas seguintes foram de inflação galopante, dívidas estratosféricas, estagnação econômica, uma crise social e moral sem tamanho e um jejum de 24 anos sem copas do mundo.

A história das copas por Cariocadorio:
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Fotos: tabela da copa, arquivo Cariocadorio; fotos obtidas da internet.

Copa de 66, Inglaterra

maio 2, 2010


Lembro-me vagamente de uma copa do mundo de futebol que aconteceu em 1966. Foi  naquela estranha ilha grande do continente europeu, terra de certos autores teatrais e grupos musicais que chegaram a fazer sucesso internacional. Foi lá também que inventaram o futebol que conhecemos no formato atual.

Recentemente, na mesma Inglaterra,  inventaram como ganhar muito dinheiro com o esporte.  Jogar bola mesmo nunca foi o forte dos caras.  Mas desta vez…

Bastaram duas copas (58 e 62) para que ficássemos mascarados.  Isso é coisa que Papai do Céu não perdoa.  Os dirigentes quiseram agradar todo mundo ou pensaram que podiam disputar a Copa com Brasil A e Brasil B e convocaram 40 e tantos jogadores.  Até jogador errado foi chamado.  Treinaram o Servílio durante meses ao lado do Pelé e nas vésperas da copa cortaram-no do grupo que ia para a Inglaterra. Os disparates não pararam por aí.  Além disso, tinha uma turma que já estava ficando um pouco velha. Alguns jogadores estavam mais preocupados em bater recorde de participações, arrumar o meião, procurar travesti… Pera aí!…  Isso já foi em outra copa.

Deu no que deu.  Perdemos para a Hungria e Portugal e fomos eliminados sem que o time pudesse ser definido.  As imagens da partida contra Portugal mostram Pelé sendo cassado em campo.  Não foi um caso isolado.  A FIFA européia estava cansada das vitórias sul-americanas e decidiu que esta copa não sairia da Europa.  Argentinos e uruguaios também apanharam um bocado antes de serem eliminados. 

A teoria da conspiração pode ser ou não verdade mas, conhecendo a politicagem dentro da FIFA, não é de se estranhar.  
Finda a festa, Inglaterra campeã. 
A Alemanha mais uma vez apareceu na final e Portugal, do grande Eusébio, fez bonito em terceiro. A CCCP, representando a cortina de ferro, completou o domínio europeu de 1966.  

O futebol força parecia se impor no cenário mundial.  Mas eles não perdiam por esperar.

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Fotos: Logo da Copa de 66 e Bob Moore com a Jules Rumet (da Internet)

Copa de 62, Chile

abril 22, 2010

A copa de 1962 nos lavou de vez a alma.  Após a vitória na Suécia em 58, o Brasil foi campeão mundial de basquete no mesmo Chile que nos veria levar a Taça Jules Rimet pela segunda vez consecutiva. 

Estávamos nos livrando por completo do complexo de cachorro vira-latas.    

Brasília era o símbolo de um novo país, capaz de criar cidades no meio do nada e uma indústria em crescente desenvolvimento.  País da bossa-nova, o Brasil já podia fabricar os seus próprios carros e, pasmem, mamadeiras para alimentar seus futuros jogadores de futebol, artistas e políticos. Se bem que estes últimos prefiram mamar em outras tetas.    

A prova deste momento está aí, nesta tabela patrocinada pelas mamadeiras EVEN, feitas em vidro siliconisado (seja lá o que isso for) e oferecida pela Farmácia Brasil, situada na Rua Dona Romana no Lins de Vasconcelos . Se isso tudo teria a devida continuidade depois é outra história…   

Antes do início do torneio, minha mãe preencheu a lápis o lugar de “campeão do mundo” : Brasil … e deu certo.  Na luta européia os países do Leste levaram a melhor:  4 seleções da cortina de ferro chegaram às oitavas-de-final e duas passaram às finais onde acabaram se dando mal contra os sul-americanos.  O Chile fez bonito em casa, chegando em terceiro.  

Tabela da Copa de 62 - Clique para ampliar

Garrincha no Chile

Sem Pelé, que se machucou no primeiro ou segundo jogo, restou ao Brasil contar com a maestria de Garrincha para desequilibrar a nosso favor. Garrincha foi o dono da Copa de 62. Driblou como nunca e fez até gol de cabeça, coisa que os russos haviam jurado que era coisa que ele não sabia fazer. Nilton Santos foi fundamental ao evitar um penalti conta a Espanha e Zito comandou o meio de campo para que Vavá fosse nosso artilheiro.

A vida pode seguir  tranquila até 1966, quando inexplicavelmente não houve a copa marcada para a a Inglaterra.  Só  nos restou aguardar até a edição seguinte, no México.

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Fotos: tabela da copa, arquivo Cariocadorio; fotos obtidas da internet.

Copa de 58, Suécia

abril 19, 2010

É claro que, aos 3 anos de idade, eu não estava nem aí pra copa do mundo. Mas o resto da família sabia muito bem da importância do evento. Para os meus pais, que assistiram a final de 50 no Maracanã,  estava mais do que na hora de vencer uma Copa do Mundo. Só fui saber da copa da Suécia muitos anos mais tarde, na época da copa seguinte, quando meu interesse pelo esporte já começava a se aguçar.  

Fiquei vidrado ao ver esta tabela da Copa da Suécia guardada pelo meu irmão, louco por futebol já naquela época.  A tabela foi distribuída pela Contigráfica, uma tradicional papelaria de Laranjeiras.  Jogo após jogo, minha mãe foi preenchedo o  resultado dos jogos e anotando as seleções das quartas-de-final, da semi e da final.  Hoje chamam isto de “play-offs”, coisa mais sem graça que nada tem a ver com o futebol.    

Tabela da Copa da Suécia. Clique para ampliar.

A copa da Suécia é a pimeira da qual se tem grandes lembranças. Os dribles de Garrincha, o chapéu do Pelé dentro da área, o choro do rei ao final e a imagem de Beline levantando a taça são apenas algumas destas imagens inesquecíveis.  

O choro do rei

O caminho brasileiro até o título não foi tão fácil como fazem parecer os 5 x 2 contra França e Suécia.  O Brasil venceu com dificuldade a Inglaterra e teve que lutar muito para superar  a seleção dos empates, País de Gales, com um sofrido 1 x 0. Nunca mais estes caras apareceram.   

A guerra fria ia de vento em popa.  Duas nações da cortina de ferro, Rússia e Iugoslávia, chegaram até às oitavas-de-final mas não foram bem.   Desde pequenos nos acostumamos a ver a Iugoslávia, país que já não existe,  como uma referência em esportes.  Nas copas mais recentes pouco apareceram os países do leste europeu. As coisas mudaram muito nestes cinquenta e poucos anos.    Bem, na verdade nem tudo.

A Contigráfica continua no mesmo lugar, fornecendo material escolar a gerações de estudantes de Laranjeiras, particularmente os do Liceu Franco-Brasileiro, como o meu irmão naquela  época e eu, anos mais tarde.

A história das copas por Cariocadorio:
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Fotos: tabela da copa, arquivo Cariocadorio; fotos obtidas da internet.


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