Archive for the ‘Fotos Antigas’ Category

Nova Friburgo, 1962

13 de agosto de 2011

Praça Dr. Derval Alberto Moreira e Av. Alberto Braune

Quando penso em Friburgo me lembro do lugar na serra que visitei quando criança e outras poucas vezes desde então… do clima frio que a faz especialmente diferente do Rio de Janeiro… da sua origem germânica…

Ao fundo os prédios de 1962

…da forma afetuosa como a ela se referem os que frequentam a cidade e, principalmente, das boas pessoas que de lá vieram e com quem convivi na escola e no trabalho aqui no Rio.  Um carinho especial pela família Cardinali com quem por tanto tempo tive o prazer de estar próximo.

(Nas fotos acima: o colégio São José no canto da esquerda se tornou um shopping)

Caledonia Valley

Do passeio em 1962 pouco me lembro mas não  esqueço do almoço no Caledonia Valley, um clube no meio da mata Atlântica.  Creio que ainda exista.

Nas últimas vezes que Friburgo apareceu nos noticiários foi para retratar a tragédia dos deslizamentos ocorridos em janeiro passado. A esta tragédia natural seguiram-se as patrocinadas pelos homens, com o já comum mal uso das verbas enviadas para a recuperação da cidade. Documentos foram forjados para beneficiar empresas, serviços foram pagos e não concluídos e por aí vai. 

Nada muito diferente das outras cidades serranas na mesma situação (veja aqui). Uma tragédia moral que se repete por todo o Brasil. Triste.

Av. Alberto Brasão

Ainda assim Nova Friburgo segue em frente como todo o país.

É interessante comparar as fotos de então com a cidade hoje para ver que alguns dos prédios seguem por lá.  A foto de 1962 retrata uma banda militar e, à direita, a loja “O Dragão” que, na foto atual, tem um nome bem menos interessante. 

Os mesmos prédios na esquina, 48 anos depois

Na internet a cidade está muito bem retratada no trabalho de Osmar de Castro que postou centenas de fotos da região. Quem quiser conhecer Nova Friburgo sem ir até lá basta clicar nos links abaixo:
Acervo Nova Friburgo
Nova Friburgo no Panoramio

Fotos de Nova Friburgo em 1962 do arquivo pessoal Cariocadorio; Fotos atuais de Osmar de Castro.

Teresópolis, 1962

29 de julho de 2011
Nas tardes de sábado ou domingo a família fazia passeios até a longínqua Barra da Tijuca ou pelo Alto da Boa Vista. Às vezes o pessoal arriscava um passeio mais longo. Mais raros, estes eram os meus favoritos.

DKW Vemag na Av. Brasil

Nestas ocasiões marcava-se encontro no início da Av. Brasil.  Era um local adequado para todos os que saíam do Rio de Janeiro vindos da zona norte ou da zona sul.  Naturalmente, uma coisa pouco recomendável para se fazer atualmente.

Vovô, grande incentivador destes passeios, era invariavelmente o primeiro a chegar.  

A Vemaguete 58 do Horácio em frente ao Bife Grande

Desta vez o destino era Teresópolis.  O que nunca saiu da minha memória deste passeio foi o restaurante no centro de Teresópolis: Bife Grande.  Ficava na avenida principal, a Feliciano Sodré, acho eu. Não creio que ainda exista.

Cariocadorio e o relevo típico de Teresópolis ao fundo

 

Dauphine, fuscas, aero e charangas

No início dos anos sessenta, com o progresso dos anos JK, as famílias de classe média podiam ter um carro e uma casa com os eletro-domésticos básicos sem problemas.  A educação não era exemplar mas o acesso à escola pública assegurava uma instrução razoável.  As escolas particulares tampouco eram a preço de universidade americana como são hoje.  Tipicamente, bastava o homem ter um emprego enquanto a mulher cuidava da casa para que a vida fosse razoavelmente tranquila para a família.   Passeios como este eram bem acessíveis para a classe média.

Águas limpas

 O passeio incluiu esta incursão a um rio de Teresópolis que, se estiver como os que conheço atualmente, não seria tão atrativo hoje em dia.   A poluição tomou conta dos rios da serra do estado que passam por dentro das cidades.

Embora precárias, as estradas tinham pouco trânsito o que diminuía os riscos. 
Era fácil o ir e vir sem o perigo de um grande engarrafamento na Av. Brasil, por exemplo, e muito menos um arrastão por aí.

Pelo álbum de fotos, concluo que voltamos por Petrópolis.  A estrada que liga Teresópolis a Petrópolis era famosa então pela beleza do visual e das hortências ao longo da via. Após 50 anos,  a estrada não mudou para melhor. Tradicionalmente mal cuidada, ficou ainda pior com o temporal do início do ano.   

Estrada Petrópolis-Teresópolis

Espero que Teresópolis, Friburgo e partes de Petrópolis afetadas pela calamidade do início do ano se recuperem logo.  Apesar de os nossos “homens públicos” roubarem até merenda de criancinha carente.

Fotos: Viagem a Teresópolis, 1962 (acervo pessoal Cariocadorio; proibida a reprodução sem autrorização)

Fonte da Saudade em 2 tempos

5 de julho de 2011
Fonte da Saudade, 1890

Fonte da saudade, 1890

No princípio do século XIX, lavadeiras portuguesas cantavam fados e lavavam roupas junto a uma fonte nas margens da lagoa de Sacopenapã,  relembrando a terra distante . A fonte ficou então conhecida como a “Fonte da Saudade”,.
Desta fonte se bebia uma água mágica. Diziam que aquele que bebesse sua água, nunca mais esqueceria a pureza do lugar.  Já não existe a fonte e muito menos as suas águas puras e mágicas.

Lagoa Rodrigo de Freitas, 2011

A região continua até hoje conhecida como Fonte da Saudade.  A lagoa tomou o nome do último proprietário do engenho de cana-de açúcar que ali ficava. 

Onde efetivamente ficava a “Fonte da Saudade” retratada na fotografia de fins do século XIX ? 

Desde então muito já se roubou do espelho d’água da atual lagoa Rodrigo de Freitas, dificultando precisar o local. Observando a posição das montanhas ao fundo,  concluí que a fonte ficava, aproximadamente, onde hoje temos a igreja de Santa Margarida Maria. A foto atual procura retratar a mesma posição relativa da Pedra da Gávea e do morro à sua direita.

Fica aqui a proposta para que alguem indique a localização exata da “Fonte da Saudade”.

Lagoa Rodrigo de Freitas


Fotos:
Fonte da Saudade, 1890 (postal da editora Melhoramentos); Lagoa Rodrigo de Freitas e panorâmica da Lagoa, 2011, by Cariocadorio
.
Informações p/ texto: PUC-Rio / Departamento de Artes & Design, Análise Gráfica / 2005.1 Prof. Edna Lúcia Cunha Lima e Aluna Mary Court

Rio de Janeiro, 1970

5 de junho de 2011

Praia Vermelha

Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 1970

 Querida Madrinha Ana,

Semana passada o Papai pegou o carro novo, que ele comprou de um moço lá do prédio, e nos levou para passear pelo Rio de Janeiro. O dia não estava bonito mas mesmo assim deu pra ver como a cidade é moderna.

Praia de ipanema

Primeiro fomos na Praia Vermelha, de onde se pega o bondinho para o Pão de Açúcar.  Como tinha muitas nuvens a gente não subiu lá.  Uma pena mas fica para a próxima vez.  

A praia de Copacabana é muito legal mas Ipanema parece mais chique.  São praias enormes, muito maiores que as do Guarujá.  É engraçado como aqui no Rio de janeiro todo mundo estaciona o carro em cima da calçada. 

Almoçamos em São Conrado, churrasquinho com batata frita no restaurante Bar Bem.  Mas antes desci num escorrega enorme que chamam de tobogã.  Depois fomos pra Barra da Tijuca. 

Tobogã em São Conrado

Papai parou no Joá e lá de cima deu pra ver uma estrada de dois andares que eles estão construindo junto do mar. Eu só não entendi porque lá na Barra tem uma praia enorme, maior ainda do que Copacabana, mas tirando uma cidadezinha no início, é tudo muito deserto.  Não sei pra que uma estrada de dois andares.

Estrada de dois andares do Joá

Eu sinto saudades da casa do Ibirapuera mas acho que eu vou gostar de morar aqui.  Não se preocupe que eu logo vou visitar a senhora aí em Jundiaí.  Manda um beijo pra Cidinha e vê se qualquer dia desses vem aqui me visitar.  Mamãe falou que o apartamento tem um quarto só pra quem vier passar o fim de semana.

Beijos
Vitorinha 

PS.  Seguem as fotos que a gente tirou no passeio

Transcrição da carta da menina Vitorinha à sua madrinha Ana.
Fotos: arquivo pessoal Cariocadorio (Setembro de 1970).  Proibida a reprodução sem autorização prévia.

Praia de Copacabana em 3 tempos

27 de maio de 2011

A imagem do entardecer na Praia de Copacabana é do dia 30 de maio.  O Brasil havia vencido a Costa do Marfim mantendo vivas as vãs esperanças na Copa de 2010.  Destacam-se as luzes que se acendiam, as camisetas amarelas e o telão FIFA instalado na praia.   

A Praia de Copacabana em 2002, vendo-se ao fundo a Praia do Leme e o Pão de Açúcar. À esquerda, a torre do Rio Sul.  Interessante que o Pão de Açúcar só se vê neste ângulo, não aparecendo nas outras duas fotos.

A foto em preto e branco é da década de 50. Pode-se ver a Av. Atlântica ainda estreita, antes do grande aterro hidráulico do início da década de 70 que aumentou a praia e permitiu alargar as pistas da Avenida.  O calçamento em pedras portuguesas que a fez famosa em todo o mundo data da década de 20.

Clique nas fotos para vê-las ampliadas. Para quem se interessar, qualquer busca na internet resultará em milhares de fotos de Copacabana. 

Fotos: Praia de Copacabana ao entardecer (30/05/10) by Cariocadorio; Copacabana em 2002, by Odervan Santiago e Copacabana na década de 50 são postais da Editora Melhoramentos.

Túnel do Pasmado em dois tempos

8 de maio de 2011

Estas fotos são de cartões postais da Editora Melhoramentos mostrando o túnel do Pasmado em 2002 e na década de 50.

O Túnel do Pasmado foi construído no final da década de 40 e inaugurado em 1952. 

Na foto da década de 50 pode-se observar a favela do Pasmado que foi removida em 1962.  Em seu lugar existe hoje o Mirante do Pasmado que oferece um belo visual da Enseada de Botafogo.
Ainda na mesma foto, vê-se a estreita guia central que separa  as pistas do túnel que não era utilizada para separar o tráfego em dois sentidos.  O tráfego era todo no sentido Copacabana como se pode observar no excelente vídeo da inauguração (clique aqui).

Já há algum tempo, de 7:00 às 10:00 da manhã dos dias úteis, a mão fica invertida nas duas pistas da direita, mesmo sem a guia central original que foi retirada faz tempo. Embora o efeito seja positivo para aliviar o tráfego que vem de Copacabana e Botafogo para o Aterro do Flamengo, este recurso provoca inúmeros acidentes, alguns bastante graves.

A comparação entre os veículos nestes cinquenta anos que separam as fotos também é interessante.

Uma das imagens mais curiosas deste túnel vem de uma sequência de helicóptero do filme  Roberto Carlos em ritmo de aventura, quando o herói voa por dentro do túnel. Veja clicando aqui e aproveite para curtir um pouco mais do Rio de Janeiro de 1967, ao som de Namoradinha de um amigo meu.
Os mais jovens aprenderão que já havia vida no Rio de Janeiro antes da existência do Shopping Rio Sul.

Fotos: Túnel do Pasmado, 2002 (by Odervan Santiago) e Túnel do Pasmado, década de 50.

Um rapaz de Bebedouro no Rio de Janeiro (II)

23 de abril de 2011
Talvez os seus tumultuados primeiros meses no Rio de Janeiro (veja aqui) tenham incentivado Edgar Baroni a buscar o oposto. O certo é que, em 1939, ele transferiu-se das noitadas na Capital para a Escola da Polícia Militar do Distrito Federal. 
Baroni na Escola de Polícia Militar do Distrito Federal

Logo suas habilidades com armas e cavalos fizeram com que se destacasse. Formado com alta recomendação, Baroni ganhou o respeito e a admiração dos colegas e superiores. Não foi difícil que fosse aceita sua escolha pelo 5º Regimento de Polícia Montada do Distrito Federal. Não demorou muito foi promovido a Cabo.

Cabo Baroni e o cavalo Biguá

O simpático Cabo Edgar Baroni tinha tudo para fazer uma ótima carreira na polícia. Mas nem tudo eram flores. Suas convicções a respeito de como tratar cavalos começaram a azedar a relação com seus superiores.  Certa vez o Cabo Baroni se recusou a colocar o Biguá, sua montaria favorita, na operação de contenção de uma manifestação popular.  Aquilo maltratava muito o animal. Desceu do bicho, partiu pra cima dos manifestantes e fez o serviço na mão. 

5o Regimento de Cavalaria da PM do DF

LeCoq e o "Fluminense"

O ato teve seu lado de heroismo reconhecido.  Apesar da bem sucedida “estratégia”, o Tenente LeCoq, seu amigo e comandante daquela operação, não teve alternativa senão relatar o ocorrido aos superiores.

E lá se foi o nosso querido Cabo Baroni ver o sol nascer quadrado no xadrez do regimento.  

Aquela não foi a primeira nem a última vez. Era sempre o mesmo motivo: insubordinação quando se tratava de botar o cavalo pra trabalhar mais duro.

Aquele início de vida na Capital Federal rendeu-lhe um monte de pequenas confusões mas também a namorada que depois se tornaria sua esposa de toda a vida. O lado profissional se encontrou na área do comércio e assim, sob a rédea curta imposta pela patroa, Baroni progrediu e sustentou muito bem sua família.

Edgar Baroni viveu por muito tempo uma vida simples e feliz, fazendo as coisas sempre, ou quase sempre, do jeito que queria. Até a hora de ir embora parece que ele escolheu para que fosse do seu jeito.

(a semelhança da saga de Edgar Baroni no Rio de Janeiro com a vida real de pessoas conhecidas não é mera coincidência)

Fotos: Baroni na Escola de Polícia Militar do Distrito Federal (outubro de 1939);  Cabo Baroni e o cavalo Biguá (setembro de 1940); Pátio interno do 5o Regimento de Cavalaria da Polícia Militar do Distrito Federal (setembro de 1940);  Tenente LeCoq e cavalo “Fluminense” (setembro de 1940).  

Um rapaz de Bebedouro no Rio de Janeiro (I)

22 de abril de 2011

Uma turma de Primeira

A formatura dos bacharelandos de 1937 foi muito festejada em Bebedouro.  Logo alguns daqueles rapazes oriundos da elite da região viriam para o Rio de Janeiro a fim de continuar seus estudos. Os que eram apenas um rosto no quadro do Ginásio Municipal de Bebebedouro  se formariam médicos, advogados ou seguiriam bem sucedidas carreiras militares. 

Não foi o caso do Edgar Baroni. Ele estava no grupo que se aventurou ao Rio embora estudar não fosse o que pretendia.  Na verdade ele não sabia bem o que queria. Criado na fazenda dos pais, Baroni era exímio cavaleiro e atirador.  Com o cavalo Prata e sua fiel carabina, presente do seu avô quando fez 13 anos, era imbatível nas competições de tiro:
“Onde ponho o olho ponho a bala”, gabava-se ele com justa imodéstia.

Sujeito simpático, suas outras paixões eram o futebol e a sinuca. As pernas fortalecidas pelos exercícios físicos e as intermináveis cavalgadas no campo compensavam a pequena estatura e eram muito úteis para o centro-avante Baroni. Por outro lado a mira de atirador e o espírito boêmio ajudavam no salão de sinuca.

Foi este espírito boêmio que o desviou das salas de aula e o levou para as atrações das noites cariocas.  A habilidade com o taco ajudou-o muito em seus primeiros tempos na Capital Federal.  Foi em um salão da Lapa que Baroni aprendeu uma  lição fundamental para a sua vida.  Sim, porque ele não gostava de estudar mas aprendia muito rápido as lições da vida.

Edgar Baroni percebeu que a turma apostava muito mas jogava menos do que acreditava.  Percebeu que ali estava sua chance de ter um pouco mais de dinheiro do que os minguados caraminguás que lhe mandava o pai desde Bebedouro.
Não por coincidência, subtrair algum do novato com cara de interior seria uma tarefa simples para o malandro local, pensava o “parceiro” que Baroni conhecera naquela noite. 

Feitas as apostas, Baroni controlou o jogo sobre o adversário para que este não percebesse a disparidade de habilidade.  A noite foi seguindo neste ritmo até que o prejuízo do jogador local chegou a muitos dinheiros.

Na forma simples que sempre pontuou a sua vida, Baroni contava que foi nesta hora que o parceiro disse que ia “pedir uns pastéis” e escafedeu-se dali.  Além de não levar a grana da aposta, Baroni ainda teve que pagar as horas da mesa de sinuca.

A vida não foi fácil naquele Rio de Janeiro de 1938. O tal episódio demorou a ser digerido mas ele aprendeu a lição e nunca mais pensou em ganhar dinheiro jogando sinuca.  Por toda sua vida Edgar Baroni foi agradecido ao “parceiro”. Não sem deixar de referir-se a ele com os piores adjetivos que conhecia.

Polícia Montada do DF, 1940

Polícia Montada do DF, 1940

No próximo capítulo (veja aqui) eu conto como foi a vida do Cabo Edgar Baroni na Polícia Montada da Capital Federal.   

Foto: Bacharelandos de 1937, Ginásio Municipal de Bebedouro; Polícia Montada do Distrito Federal (setembro de 1940)
(Acervo pessoal Cariocadorio.  Não pode ser reproduzida sem autorização prévia)

Palácio Guanabara, em obras

7 de abril de 2011

Palácio Guanabara em obras

O Palácio Guanabarra é reconhecido pela beleza de sua arquitetura e pela harmonia com o belo cenário em seu entorno.  

Rua Paissandu

Rua Paissandu

Outro dia chamou-me a  atenção a reforma do palácio e suas novas cores.  Achei estranho, nunca havia visto o palácio vestido de ocre.  Busquei fotos antigas e todas mostravam tonalidades de bege e branco (como se ve na foto abaixo). 

Uma reportagem da Veja afirma que o tal ocre é a cor original. Por que será que foram descobrir esta cor “original”? Não faz muito tempo pintaram de forma parecida a Igreja da Imaculada Conceição na Praia de Botafogo e a casa de saúde São José.  Será que eram originais também? 

Minha impressão é que se trata da cor da moda para os arquitetos.

O Palácio Guanabara sofreu várias reformas desde a sua construção. Há pelo menos 50 anos tem cores claras.  A cor escolhida escurece e enfeia o Palácio.  Há muito espaço para criatividade mas esta seria uma ótima oportunidade para não mexer em time que está ganhando.  

Em cores claras

Breve hitórico do Palácio Guanabara (fonte Wickpedia):
O Palácio Guanabara foi construído em meados do século XIX pelo comerciante  português José Machado Coelho para ser sua residência. Em 1865 foi reformado para ser a residência da princesa Isabel e do conde d’Eu. Em 1947, tornou-se gabinete da Prefeitura do Distrito Federal. Em 1960, transferido para o então Estado da Guanabara, passou a ser sede administrativa do Governo do Estado. Finalmente, em 1975, com a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, passou a sede do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Fotos: Palácio GB em obras, by Cariocadorio (Março, 2011); Palácio GB e Rua Paissundu, by Peter von Fuss (circa 1940) fonte site João do Rio; Palácio Guanabara em cores claras, da Wickpedia.

Fórmula 1, GP da Espanha 1990

19 de março de 2011

Chegada ao Circuito de Jerez

Na Espanha pouco se falava de fórmula 1 naquela época.  Pesquisei como faria para chegar em Jerez e alguém me contou que um brasileiro, dono de uma agência de viagens em Madrid, vendia entradas para o GP da Espanha.  Como eu, outros foram até ele e assim formou-se aquele heterogêneo grupo de brazucas. 

O eficiente agente de viagens preparou um ótimo pacote para irmos até Jerez de la Frontera.    De Madrid a Sevilha fomos de trem e lá alugamos um Citroen BX, versão esportiva. Dividi a direção com a Mércia, uma publicitária que conhecia fórmula 1 a fundo, fã incondicional do Senna.  Eu preferia o Piquet, de quem era fã desde os tempos de Super Vê nos anos 70. 

Citroen BX no posto CEPSA

O Citroen, muito rápido e silencioso, era novidade para quem estava acostumado com as carroças brasileiras e com um ultrapassado, ainda que muito confortável, Peugeot 505.

Rubens lidera no europeu de F3

Torcida brasileira

A turma era tão versada em automobilismo que, terminada a preliminar de F3, o arquiteto baiano perguntou um tanto surpreso e decepcionado: 

   “Só isso? Já acabou?…”

O vencedor desta prova foi um brasileiro que, para o bem e para o mau, viria a ser muito conhecido e até hoje detem uma vaga na Fórmula 1.  Terceiro colocado nesta prova, outro brasileiro foi posteriormente parar em terras norte americanas.  Rubens Barrichedlo e Gil de Ferran representam bastante bem o automobilismo brasileiro.  Há controvérsias, é bem verdade.  

Senna lidera Prost e Mansel

Com Senna na pole position a corrida começou bem do nosso jeito.  Com a famosa McLaren ele saltou na ponta e liderou as Ferraris de Prost e Mansel nas primeiras voltas.  Um problema no radiador o fez perder posições e abandonar mais tarde.  

Senna, frustração

Na hora dos pit stops, ainda vimos uma liderança efêmera do Piquet.

No final tive que aturar o Alan Prost vencendo novamente assim como fizera na última vez que estive em um autódromo vendo a fórmula 1 no Rio em 87. Depois dele, Mansel e Nannini, de Beneton, completaram o pódio.  

Ao contrário das tantas idas a Interlagos e ao autódromo do Rio para ver a fórmula 1 de perto, esta foi uma viagem muito tranquila. Nada do tumulto e dos problemas tradicionais em solo brasileiro. O trânsito insuportável, o achaque dos flanelinhas para estacionar, a briga para arranjar um bom lugar na arquibancada e outras mazelas conhecidas.
A Espanha ainda não tinha um ídolo como o asturiano da Ferrari que leva multidões de espanhóis aos autódromos.  Aliás, a Espanha passou de mero coadjuvante a um país de ponta em vários esportes.  Até futebol, quem diria? 

Em 1990 a Espanha se preparava para ser uma nação européia de verdade.  As obras de infra-estrutura culminaram com a Olimpíada de Barcelona em 92 e a exposição de Sevilha. As gerações seguintes são fruto de um trabalho incansável por todos os esportes, uma paixão espanhola.  

Se o Brasil e o Rio de Janeiro conseguirem tirar da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 50%  do proveito que teve Espanha  em seu desenvolvimento teremos progredido enormemente após estes eventos.   

O passeio a Jerez de La Frontera e Sevilla, cidade formidável com uma história riquíssima,  foi muito divertido. 

Sevilha e sua herança árabe

Fotos by Cariocadorio (29 e 30 de setembro de 1990); exceto “Senna, frustação” que saiu de alguma reportagem em uma revista da época.


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