Independência ou Morte

7 de setembro de 2016
"Independência ou Morte", 1888, de Pedro Américo

“Independência ou Morte”, 1888, de Pedro Américo

O prazer mórbido que tem o brasileiro em se desmerecer parece interminável.

Após as partidas contra o Equador e a Colômbia, comentaristas da mesa redonda da ESPN pareciam procurar “uma desculpa” para as vitórias.

Na CBN um participante do “hora de expediente”, um programa de 3 minutos de duração, fez questão de citar, detalhe por detalhe, que tudo no quadro de Pedro Américo era uma mentira. Nada sobre celebrar a independência do Brasil neste Sete de Setembro.  Aliás o que mais faz o trio daquele programa é enaltecer a cultura estrangeira e ridicularizar a brasileiro.

O fato de ser o quadro uma representação livre e certamente irreal do ocorrido é irrelevante.

Todas as nações tem o seu imaginário montado em cenas não necessariamente fruto de um sério documentário jornalístico.  Há sempre uma dose de ufanismo que dá sentido de união aos seus cidadãos. Aqui não, somos sempre tentados a acreditar ou mesmo preferimos acreditar na versão que desmereça um feito nacional.  Se dissermos que Pedro I estava bêbado e fazendo cocô atrás da moita todo mundo acredita.

Não tem chance de progredir um país se desacredita a cada momento histórico. Que valoriza cada coisa estrangeira em detrimento do que este mesmo povo faz.  Isso só é conveniente para os que preferem a eternização do país de coitadinhos que veementemente recuso-me a acreditar que somos.

Foto:  http://commons.wikimwdia.org

Hora de torcer pelo Rio

1 de agosto de 2016
O Rio Olímpico

O Rio Olímpico

Já basta alguns gringos quererem nos desmoralizar.  Como se eles não tivessem seus próprios problemas, seus atiradores psicopatas, o terror em suas cidades, suas histórias de violência e erros. Não vamos fazer coro a interesses mesquinhos.

Para os que vem aqui para competir ou se divertir, tapete vermelho e o nosso maior carinho.  Mas que não esperem uma Olimpíada suíça porque isso aqui é o Brasil.  É o Rio de Janeiro com seu pacote completo.  Vejam a parte meio cheia do cálice.

Não é vergonha querer que os Jogos sejam um grande sucesso.  Já que começou, melhor que termine bem porque só assim será bom pra nós, brasileiros.
Cariocas de todo o Brasil;  agora é hora de curtir as Olimpíadas, é hora de torcer pra dar certo.

 

PS: Depois a gente volta a reclamar da falência do Estado, das bobagens do Prefeito, das mal acabadas obras, das roubalheiras do Congresso e de tudo mais que a gente tem direito. 

 

Rio de Janeiro, a Cidade do Amanhã

1 de janeiro de 2016
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A Cidade do Amanhã

Sou obrigado a reconhecer que os cariocas, nascidos ou não no Rio de Janeiro, somos uns mal-agradecidos.  Não contentes em viver numa cidade de beleza incomparável, cuidadosamente talhada entre montanhas verdes e mares azuis, ainda queremos ter segurança, escolas e hospitais que funcionem.

É verdade que não se pode passar em certas vias públicas a tantas horas do dia sob o risco de aumentar a probabilidade de assalto dos normais 48 para inaceitáveis 92,5%.  Também é verdade que às vezes algum incauto fica doente sem que haja UPA que o atenda, ou que uma grávida inescrupulosa decida dar à luz na hora da troca de turno.  Particularmente quando o governo não pagou ninguém e o hospital não tem médico em turno algum pra fazer a troca.

Mas não se pode querer tanto quando se tem a Quinta da Boa Vista, o Pão de Açúcar, a Floresta da Tijuca, as praias do Leme ao Pontal, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Jardim Botânico, a nova Praça Mauá, e vou parar por aqui se não acabo esquecendo do Cristo Redentor, com seus braços abertos sobre a Guanabara.

Há que escolher entre uma cidade maravilhosa e um governo que preste.  O fato é que, antes mesmo de 1° de março de 1565, o carioca já havia feito a sua opção pelo belo.  Mais do que isso é descabida ambição.

Foto by Cariocadorio: Cidade do Amanhã, dezembro de 2015

Nota: baseado em crônica de Machado de Assis (15/09/1876)

Os três Volumes de Machado de Assis

27 de dezembro de 2015
Obras Completas

Machado de Assis, Obra Completa em 3 volumes

A nova casa é, digamos, “vintage” e guarda interessantes surpresas. Mobília, plantas, objetos de decoração, livros… tudo impregnado de memórias.  A coleção de três pequenos volumes “Machado de Assis, Obra Completa” me chamou a atenção desde o início. Minhas poucas incursões pela literatura, coisa que tardiamente lamento, me ensinaram Machado de Assis. Inesquecível o impacto de “O Alienista”.

Entre o conserto de um chuveiro, o sonho de uma obra na casa, um olhar perdido em uma planta do jardim, abri uma Hofbräu, presente do João (ou do Luiz?), e me dediquei a examinar a coleção.  Estão quase em perfeito estado as mais de mil páginas de cada um dos bem encadernados livrinhos. Li um pouco das crônicas no terceiro volume, um prazer mais que previsível.  De volta ao volume I, outra surpresa:  a nota fiscal datada 3/3/78. Com desconto ficou em Cr$ 1.600.00; não era pouco mil e seiscentos cruzeiros em 1978.

Levarei muito tempo para ler pequena parte desta relíquia.

Começo a perceber os mil tons de verde da densa vegetação lá fora. Uma ruidosa maritaca faz as vezes de galo da madrugada, talvez a mesma que cuspiu no meu ombro ontem a tarde.

Foto by Cariocadorio; “Os três volumes”

PS; antes que eu me esqueça… “vintage” é o cacete.

A Fábula da Vespinha

18 de dezembro de 2015
A Vespinha

A Vespinha

Marcello Senna fazia a barba quando percebeu no espelho uma vespinha que sobrevoava sua careca. Apenas espantou o inofensivo inseto que foi se acomodar na luminária. Mas não tolerou um segundo voo mais próximo. Com um tapa certeiro o fez cair dentro da pia. Molhada, a vespinha tentou subir pela pia mas foi arrastada pelo redemoinho provocado pela torneira aberta por Marcello. Seguro de que o infame e ousado inseto havia descido irrecuperavelmente pelo ralo, Marcello Senna continuou sua rotina matinal.

Minutos mais tarde voltou ao banheiro. Para sua surpresa, lá estava a vespinha, se arrastando pela louça da pia e cumprindo seu dever de perseguir a vida enquanto as forças permitissem.

A cena fez Marcello Senna pensar mil coisas em um instante. Com um papel resgatou o inseto e o colocou na mesinha da varanda. A vespinha girou um pouco tonta e coçou as costas com as patas traseiras. Marcello percebeu quando se lhe abriram as asas já secas. Na terceira tentativa a vespinha alçou voo e sumiu da sua vista, segundos depois de se deixar capturar pela câmera do iphone.

Salva pelo seu próprio algoz, a vespinha cumpriu sua missão de seguir vivendo. Cumprira também a missão de lembrar ao Marcello alguns valores relativos a poder, tolerância, persistência e respeito à vida.

Moral da história:… não tenho certeza, fica a seu critério.

Futebol e sociedade

8 de fevereiro de 2015

150208 sub20A participação do Brasil no sul-americano de futebol sub-20 reflete o momento da sociedade brasileira. Nossos jovens atletas, a maioria peças importantes em seus clubes, foram amplamente superados pelos rivais. Derrotas claras para Argentina, Uruguai e Colômbia, em todas as partidas que valiam alguma coisa.

Perdemos até nas vitórias. Quando não no placar, perdíamos no comportamento, no “fair-play” (…é o cacete), na inteligência emocional. Nossos jogadores aliavam a burrice à falta de caráter e à irresponsabilidade ao dar entradas covardes nos adversários aos 45 do segundo tempo, com o jogo decidido. Cartões amarelos e expulsões explicáveis apenas pelo instinto perverso de rapazes mal formados moral e psicologicamente.

E que dizer do técnico Gallo igualmente expulso de campo pelo juiz no final de uma partida? Incapaz de conduzir estrategicamente uma equipe ao jogo coletivo, à prática sadia do esporte. Incapaz de transmitir equilíbrio emocional a atletas perdidos em campo. Deixo o pífio desempenho técnico e tático para avaliação de quem entende disso.

Foi patético ver nossos fortíssimos atletas serem envolvidos pelos pequenos colombianos e argentinos. Superados pelos esforçados uruguaios. Um bando de pseudo-estrelas tentando resolver sua própria vida em vez de contribuir para o coletivo.

Estava em campo o Brasil que estamos formando. Fruto da tolerância às transgressões, da prevalência do indivíduo sobre o coletivo. Uma sociedade que busca objetivos pequenos e efêmeros em detrimento de conquistas maiores e perenes.

Árvore de Natal da Lagoa, 2014

26 de dezembro de 2014

A árvore de natal da Lagoa Rodrigo de Freitas já é uma tradição no Rio de Janeiro.

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Árvore de Natal da Lagoa, 2014; primeiro o sol do anoitecer

Todos os anos, ou quase todos, lá vou eu tentar fotografá-la com um equipamento vagabundinho. Um celular Blackberry, um I-phone ou uma câmera Sony que cabe na palma da mão.

Padrões de luzes e cores mas só a partir do finzinho da tarde

Eu me esforço, prendo a respiração, tento me lembrar de tudo que em um passado distante li sobre fotografia.  Não tem jeito, sai sempre meio tremido.

Em tons de azul, a cor mais quente

Mas eu gosto assim mesmo.  Um dia eu compro uma daquelas câmeras bacanas, como a saudosa Nikon FB-10 que está esquecida no alto de um armário.  Só que moderna, digital, quem sabe até uma semi-pro… Talvez quando eu me aposentar.  Não falta muito, eu acho.  A coisa anda passando cada vez mais rápido.

Panorama da Lagoa Rodrigo de freitas

Panorama da Lagoa Rodrigo de Freitas

Espero ter mais fôlego para escrever no próximo ano.  Isso mesmo, fôlego, porque não posso alegar falta de tempo.
2014 não foi ruim…Também não foi tão bom assim (se me permite o Lulu Santos).

Por falar nisso… Que 2015 seja formidável para todos.  
Muita saúde, muito amor e felicidade. 

Fotos by Cariocadorio (novembro de 2014).

Árvore de Natal da Lagoa, o Lado B

30 de novembro de 2014

uruguay e lagoa 031A árvore de natal da Lagoa desperta os mais variados sentimentos.  Do amor pelo espírito natalino ao ódio mais primitivo de quem se vê usurpado de seus direitos de cidadão.  Este último é o tema deste ano.

Por que a má vontade? Simples; as pessoas têm sua rotina destruída por mais de um mês.  A ciclovia fica cheia de gente atrapalhando os que por ali se exercitam.  O trânsito se torna caótico e como se não bastasse, os moradores que estacionam seus carros no canteiro central das avenidas o ano todo ficam impedidos de fazê-lo.  E nem pensar em receber a visita de familiares para uma festa de natal.

Borges de Medeiros - proibido estacionar!

Borges de Medeiros – proibido estacionar!

É proibido estacionar em toda a volta da Lagoa, mesmo que no lado oposto ao da árvore.  Se fosse por um fim de semana, tudo bem, mas é por mais de um mês.

131208 iphone 018Resumindo, a árvore de natal da Lagoa é um suplício para os milhares de moradores da região que, por sinal, pagam dos mais caros IPTUs do Rio.  Tudo é feito para beneficiar quem não mora ali, às custas do seu sofrimento.

Quem sorri de orelha a orelha é o fabricante de cones.

Afinal, é justo fazer uma festa (com propaganda e incentivos fiscais para um banco) em detrimento do direito de muitos?

Fotos by Cariocadorio: Novembro de 2013 e novembro de 2014.

Clique aqui para ver fotos e posts sobre a árvore de Natal da Lagoa desde 2009.

Montevidéu, uma viagem no tempo

25 de novembro de 2014
A Uruguay 019

Arquitetura no centro

Montevidéu é uma cidade de outro tempo, onde parou de passar o tempo.

Parece haver tempo para tudo,  porque lá não se perde tempo.

Sair, chegar, estacionar, sem problema de lugar a qualquer tempo.

 

El Puerto

Parrilla

Umbu uruguaio; a erva.

Umbu uruguaio; a erva.

Pressa…Por que a pressa…? Não se preocupe…Dá tempo.

Mesmo que às vezes nos pregue uma peça o tempo … Fica feio, chove forte.

 

Del Rei; de outro tempo

Del Rey; de outro tempo

Comparada ao Rio, impensável tranquilidade. Digo o de Janeiro, não o de la Plata, a praia de lá…
A qualquer hora a água fervendo na térmica, a bombilha, a erva, o mate…

Dá vontade de voltar logo, sem esperar muito tempo.
Para ver uma vida, umas coisas, que há muito pareciam perdidas no tempo.

Montevidéu - panorâmica

Montevidéu – panorâmica

Fotos by Cariocadorio: Montevidéu





L’Ermitage, flores e cores

22 de outubro de 2014

Em Paraíba do Sul, a conversa girava em torno da seca e dos incêndios, criminosos ou não.  Vi muitas áreas queimadas desde Itaipava, na região serrana do Rio, até Werneck.
“Tem clima de chuva mas não chove”, resumiu um jardineiro local.
Não obstante é primavera. Nos jardins do L’Ermitage, preferi retratar os pequenos sinais da estação das flores.

Diana

Paula

Paula

Fernanda

Camila

Camila

Branca

Branca

Rosa

Rosa

Camila

Liana

Gisele

Raíra

Luz

Luz

 

Mas voltando ao assunto, falta chuva, é bem verdade.
Mas por que não pensamos nas consequencias quando  devastamos impiedosamente a Mata Atlântica?

 

Nota: desculpem, eu sempre quis usar este “não obstante” que só vi na escola, há uns 50 anos…

Fotos by Cariocdorio; flores e cores no Spa L’Ermitage (outubro de 2014)