Contrastes cariocas

A igreja da Penha

Ficamos apreciando fotos antigas do Rio de Janeiro na esperança de resgatarmos os momentos mais belos da cidade, quando os verdes das florestas e os azuis dos céus e dos mares ainda não haviam sido violentados por intervenções, arranha-céus e poluições.   Estas intervenções podem ser favoráveis à natureza, podando-lhe arestas, domesticando seus impulsos e tornando-a mais em harmonia com o homem. Infelizmente para o Rio, a natureza que se traduz em Cidade Maravilhosa tem sido muito mal tratada. Imensos blocos de concreto, ocupação irracional, usurpação de florestas e o pior dos males, a poluição: ampla, geral e irrestrita. 

Se olharmos para o contorno da ilha do Governador a partir da Linha Vermelha o que vemos são milhares de garrafas pet.  Após uma cheia nos rios os sacos plásticos são o que vemos presos nas margens.  E na Lagoa Rodrigo de Freitas, plásticos.  Não precisa ser ambientalista xiita nem estudioso do tema para concluir que estes produtos do petróleo são vilões da mais alta estirpe.  Todo mundo já leu alguma coisa sobre quanto tempo levam para se decomporem.  Enquanto isso, resistentes, vão se acumulando, sujando, entupindo, alimentando enchentes  e outras mazelas.

Não faz tanto tempo assim, para os mais velhos é claro, vivíamos muito bem com garrafas de vidro e sacolas de papel nos supermercados.  Um pouco antes, trocávamos as garrafas vazias, levávamos às compras nossas próprias bolsas de pano e carrinhos de feira. Não era tanto sacrifício assim. 

Educação ajuda mas precisa de ajuda.  A gente só aprende quando mexem no nosso bolso.  Se não fossem as multas até hoje ninguém usaria cinto de segurança.  A solução não é difícil:  imposto alto para estas coisas práticas e  incorrigíveis.  No mínimo façamos com que valha a pena reciclá-las para tirá-las de circulação.  

Mas a natureza aqui é tão pujante que parece resistir a tudo.  Por mais que nos esforcemos, custa muito acabar com essa beleza toda. Se olharmos pelo ângulo certo o Rio de Janeiro continua lindo, apesar de sujo e cheirando mal.

O Cristo Redentor

Fotos by Cariocadorio:  A igreja da Penha (novembro de 2009); O Cristo Redentor (outubro de 2009)

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3 Respostas to “Contrastes cariocas”

  1. Angela Says:

    Minha avó era devota e não deixava de ir a Igreja da Penha. Então sabiamos que vez por outra tinhamos que levá-la e subir todos aqueles degraus, sempre que alguém da familia passava por alguma dificuldade.Era um sacrificio enorme, mas iamos! Uma devoção tão forte, quando as coisas pareciam impossíveis e sem outros recursos, suas orações pareciam atingir as alturas. E não faltavam pedidos , velas acesas, santinhos, e medalhinhas. Coisas tão bonitas da devoção popular…no Rio.

  2. cariocadorio Says:

    Ângela, conheço a igreja da Penha desde pequeno como na foto. De longe. Mas minha mãe sempre foi à igreja no largo da Carioca, devota de Santo Antônio. Ela fazia pedidos e cumpria promessas com muita fé. Recentemente vivi um belo ato de devoção e doação que o seu comentário me estimula a trazer para este espaço. Vou preparar.

  3. Eduardo Says:

    Garrafas pet e sacos plásticos não vão sozinhas para os rios e para o mar. Elas chegam nesses lugares graças à gente porca e sem noção nenhuma de civilidade. Essa sujeira vem quase toda de favelas à margem dos rios da Baixada e do Rio de janeiro e que desaguam na Baía da Guanabara. Pessoas porcas simplesmente atiram o lixo nos rios emporcalhando tudo e depois reclamam das cheias dos rios. Sou morador da Ilha do Governador e outro dia li em um jornal do bairro que lixeiros foram deslocados para fazer a limpeza de uma encosta do morro do Boogue woogue, repleta de lixo. Alguns moradores entrevistados confirmaram que jogavam mesmo lixo na encosta, com a justificativa de que “todo mundo joga”. O representante da comlurb afirmou que o local é servido por serviço regular de coleta de lixo, o que nos permite afirmar que o problema é falta de educação e de civilidade do povo. Sou morador do Jardim Guanabara, bairro de classe-média da Ilha e posso afirmar que várias vezes vi entulho de obras realizadas em casas chics jogado em terrenos vazios e em pequenos bosques existentes na área. Quer dizer, falta de civilidade e gente porca são coisas que não escolhem classe social.

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