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Rio de Copas e Olimpíadas

22 de fevereiro de 2010

Após décadas de contínua degradação, o Rio de Janeiro tem uma real oportunidade de desenvolvimento. O essencial alinhamento de interesses políticos nas esferas municipal, estadual e federal assegura o apoio de todas estas forças.  A estabilidade econômica permite esperar que estejam disponíveis os recursos necessários para este desenvolvimento. Cabe ainda defender os direitos sobre os royalties do petróleo para que os recursos do estado sejam mantidos. 

Praça Mauá vista do píer

Por outro lado, os eventos internacionais da Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 nos obrigam a firmar compromissos com a comunidade internacional.  Estes eventos, entretanto, não devem ser vistos como garantia de que os recursos que serão aportados à cidade serão gastos em benefício do Rio de Janeiro.  Muito menos são garantias de que serão aplicados com o necessário cuidado com o bem público.  O retumbante fracasso dos Jogos Pan-americanos de 2007 em deixar para a cidade um legado mínimo de obras de infra-estrutura que poderiam trazer benefícios para o cidadão carioca não nos deixa ter perspectivas elevadas.  

Infelizmente este processo está começando francamente mal.  As notícias sobre as formas de financiamento dos estádios da copa do mundo indicam que a conta para o nosso bolso será muito mais alta do que havia sido prometido.  A captação de recursos privados esbarra na fragilidade das análises de viabilidade econômica e acabam não acontecendo. Em suma, estes eventos em vez de contribuir para o desenvolvimento das nossas cidades,  particularmente o Rio, já prometem ser mais um dreno dos cofres das mesmas o que impactará negativamente na capacidade de realização de obras realmente úteis para o cidadão.

Em outra frente, os planos megalômanos de construção do Porto Maravilha, realmente uma maravilha mesmo que o índice de materialização seja da ordem de 50%, já dá sinais de muita retórica e pouca obra.  Anunciadas pomposamente em setembro passado, a primeira fase está custando a decolar.  A belíssima placa com mais de 40 m colocada na praça Mauá é tudo o que se vê da obra no píer até o momento, passados 4 meses.

Mas independente disso temos que seguir discutindo o que será melhor para o Rio de Janeiro.  Mal ou bem alguma coisa acabará acontecendo. 

  • Qual deverá ser a prioridade do Rio de Janeiro?
  • Onde deverão ser empregados estes recursos?
  • Quem se incumbirá de cuidar para que o nosso dinheiro tenha o destino de melhorar o Rio de Janeiro para as futuras gerações e não apenas alguns e suas futuras gerações?

Por enquanto ficam as perguntas mas breve voltarei com pontos mais específicos sobre o futuro do Rio de Janeiro.

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Foto by Cariocadorio: Paredes do Rio, a Praça Mauá desde o Píer (fevereiro de 2010)

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