Avenida Chile

Av. Chile, 1963

A Avenida República do Chile, no centro do Rio, foi aberta em 1960 quando o morro de Santo Antônio foi arrasado.  Sobrou pouco do morro, somente alguma coisa no final dos Arcos da Lapa e, do outro lado da avenida, sob o Convento de Santo Antônio.   Na altura do Largo da Carioca, entre a Av. 13 de Maio e a Senador Dantas, ficava o Tabuleiro da Baiana (click aqui para uma ótima foto de 1959), um terminal de bondes muito movimentado. Lembro-me de chegar até ele no bonde que vinha de  Águas Férreas e  passava por Laranjeiras. 

Frequentemente acompanhava minha mãe nas compras na Rua da Carioca, Uruguaiana e outras.  Era comum fazer compras no Centro naquele Rio de Janeiro sem shopping centers. O passeio só ficava bom na hora do lanche na confeitaria Colombo ou na Manon. Onde mesmo ficava a confeitaria Manon?

Av. Chile, 1963, pro outro lado

Em uma dessas idas ao Centro da cidade, provavelmente pela novidade da avenida, minha mãe posou para as lentes de uma provável Olympus trip.  A  Avenida Chile ainda não tinha os edifícios que a transformariam em uma das mais modernas áreas do Rio de Janeiro.   Na primeira foto vê-se o edifício que hoje tem o restaurante Braserie Europa e o início da rampa do EDISE, o edifício sede da Petrobras que seria inaugurado somente 11 anos depois.  Na foto “pro outro lado” aparece ao fundo o Corcovado. Hoje veríamos a Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro.

Embora a missa de Natal de 1972 tenha sido celebrada no local por D.Eugênio Sales, foi somente em 15 de agosto de 1979 que a Catedral Metropolitana de São Sebastião foi oficialmente inaugurada.

Na foto de 1979 encontrada neste link (click aqui) , ambas construções já aparecem na Av. Chile, vista do Largo da Carioca. Em construção, à direita, o prédio do BNDES.  Além de serem vizinhos e construídos na mesma época, o que o prédio da Petrobras e a Catedral têm de comum?  Eu diria que o gosto duvidoso de suas arquiteturas. 

Um detalhe interessante da Av. Chile é que ela termina da Rua do Lavradio, uma rua estreita comparada às 4 pistas da Avenida. Tenho a impressão de que a idéia era levar a Av. Chile um pouco mais longe mas a grana para as desapropiações deve ter ficado pelo caminho. 

Fontes e sites para consulta: 
Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro: http://www.catedral.com.br/ 
Rio de Janeiro, sua história e seus encantos: http://www.marcillio.com/rio/encechil.html

Fotos: Av. Chile, (1963); Acervo pessoal Cariocadorio, proibida a reprodução sem autorização prévia.

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4 Respostas to “Avenida Chile”

  1. Angela Says:

    Me lembro bem, de todos esses lugares. Tudo se fazia ali. O Tabuleiro da Baiana,a Colombo, as lojas de brinquedos da Av. Rio Branco, a Mesbla na Rua do Passeio, e o bonde. Um outro passeio que adorava era receber meus parentes no Santos Dumont vindos do norte.Sempre lanchava lá enquanto esperava . Sem falar na praia do Flamengo e de Botafogo antes do Atêrro. Havia um letreiro luminoso para propaganda na pedra do morro da Urca que à noite iluminava a Baía. Tudo no Rio mudou muito e com nostalgia passamos por esses lugares tão destituidos do seu glamour, como é o caso da Colombo de Copacabana, hoje Banco do Brasil. Em tempo: acho que a Manon ficava na Uruguaina.

  2. Marco Says:

    Cariocadorio .
    Meu caro grande “blogista” , estou beirando à terceira idade , jamais eu cidadão catarinense , aqui de Florianópolis , botou os pés nessa que é , apontada por todos como , a cidade maravilhosa .
    Quando guri , não lembro a idade , vi o filme brasileiro com Reginaldo Farias ( se não me engano ) chamado : ” assalto ao trem pagador ” .
    Lamentávelmente aquele filme passou-me uma imagem péssima dessa terra linda e maravilhosa que nunca tive coragem de fazer uma visita sequer nessa terra !
    Minha família saía daqui para ver Fla-Flu , meu irmão jogou basquete pelo Vasco da Gama no tempo do Macarrão , foram ver Brasil e Paraguai , fora diversos passeios por essa cidade , e eu … e eu sempre com medo nunca fui à esta tão exuberante cidade .
    Com certeza vou morrer sem conhecer .
    Abraços .

  3. Gilda Says:

    Marco
    Sempre é tempo de conhecer o Rio, particularmente na terceira idade. Eu, mineira de nascimento e carioca por opção e de coração, amo esta cidade com todas as suas maravilhas e seus defeitos. É uma cidade violenta, às vezes muito suja, desorganizada, com uma cidade ilegal que quase compete em tamanho com a legal. No entanto, é só ficar no Arpoador e ver o pôr do sol num dia de verão para a gente esquecer tudo. Ver a cidade do alto do Pão de Açúcar ou do Corcovado, admirar a enseada de Botafogo, o aterro do Flamengo, a Lagoa Rodrigo de Freitas são, como diria o poeta, momentos de beleza, uma alegria para sempre gravada nas nossas retinas e na nossa memória. Já viajei muito pelo mundo, mas, a cada volta, quando do avião se consegue ver o Cristo Redentor de braços abertos sobre a Baía de Guanabara, a impressão que se tem é de que não há lugar mais bonito no mundo. Além de todas as suas belezas naturais – que às vezes tentamos estragar – o Rio tem uma atração a mais que são os cariocas. Adriana Calcanhoto – que, como você, é do sul – definiu-os com propriedade: cariocas são bonitos, bacanas, sacanas, dourados, modernos e não gostam de dias nublados, nem de sinal fechado (nada mais verdadeiro e o pior defeito!).
    Tudo isso para dizer: venha ao Rio sim! Aproveite para ir à Lapa à noite, tomar um chopp ou uma caipirinha num pé sujo (ou limpo, se preferir) caminhar na orla e, quem sabe, numa sexta feira qualquer, ir até os Escravos da Mauá, um exemplo de como os cariocas são criativos na tentativa de resgatar lugares e hábitos que a vida por vezes estressante da cidade nos faz esquecer. O Rio era e continua sendo lindo.

  4. Salete Says:

    A Manon ainda existe e fica na Rua do Ouvidor quase no largo de São Francisco. Ainda tem aquele pão doce fininho com uma pitada de goiabada que não me lembro o nome agora . Sempre que vou ao centro passo por lá e compro 6 duzia de pãezinhos que hoje em dia vem em uma caixa de papelão com divisões, muito bem embalados para viagem, alem é claro de comer alguns lá acompanhado de uma coca cola bem gelada.

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