Tira a mão daí, menina

O vovô Abel sempre foi um homem entusiasmado pela tecnologia, embora sua grande habilidade fosse com os números.  Afinal, era guarda-livros (veja aqui) de formação. Reza a lenda que tinha mania de mexer em tudo dentro de casa, desde o quadro de fusíveis até os mais complexos aparelhos eletro domésticos.

Myrthes e o rádio, 1931

Uma das suas mais famosas criações foi este rádio que, segundo consta, ele montou com as próprias mãos. Depois ficava  horas sintonizando alguma estação distante, nas ondas-curtas. Daí também as histórias de que falava vários idiomas, coisa que ele nunca confirmou.  Até ficava zangado quando a vovó, orgulhosa, salientva sua erudição.  Conhecia francês e inglês, curioso e estudioso que sempre fora.  Mas o mais importante era sintonizar alguma estação estrangeira,  pouco importando entender o que estavam dizendo. 

Este rádio foi motivo de grande satisfação para ele. Não admitia que qualquer dos sete filhos chegasse  nem perto.  Ai de quem! .  Vovó certantamente nem pensava em tocar nele, tamanho o respeito pelo marido.  Os flhos o respeitavam e temiam.

Muito escutei sobre o pai severo e exigente, como devia ser em seu tempo. Mas creio que pintavam o bicho mais perigoso do que era na verdade.  Afinal, quem se não ele teria tirado esta foto da minha mãe, aos seis ou sete anos de idade, ameaçando perigosamente mexer onde não devia.

Foto: Myrthes e o Rádio (1931); acervo pessoal Cariocadorio.  proibida a reprodução sem autorização prévia.

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8 Respostas to “Tira a mão daí, menina”

  1. Rita (Mente) Says:

    Lí o seu comentário no meu Flog e cheguei até aqui, mas o que mais me chamou a atenção foi o seu nome porque quando criança tive um amiguinho chamado João Carlos, vulgo Cacau… o terror da rua, moleque branquinho dos olhos azuis e o cão! Não tinha idade, mas paquerava as menininhas todas, imagine que éramos todos na faixa de oito anos e ele já estava lá, dando a entender que já nascera sedutor!

    Andei pelo seu Blog e gostei muito do que vi, um veículo de comunicação em tons sérios, mas com bom humor, gostei muito da menina com o rádio, lembrei-me do meu pai ouvindo a Hora do Brasil, saudades do meu velho!

    Pelo jeito você apareceu trazendo no bolso um montão de saudades e quando chegou no meu Fotolog as soltou ao vento e eu vim aqui para recordar…

    Obrigada, uma noite maravilhosa para você e volte sempre ao meu Flog.

    Rita

    • cariocadorio Says:

      Oi Rita, tô longe do Cacau da sua infância.
      Achei muito legal a letra da Dolores Duran associada à foto. E Dolores é sinônimo de fossa e saudade. Lembrei de algumas coisas sobre ela e tentei contar no tom do seu flog que é super criativo. Apareça sempre.
      João Carlos

  2. Thelma Pacheco Says:

    Demorou um pouco, mas após ler este post, lembrei de algo que estava adormecido na minha memória… Papai tinha uma mala grande de couro claro. Ainda morávamos em São Paulo e eu devia ter uns 5, 6 anos, quando pela primeira vez ele pegou a tal mala e começou a abri-la. Cheguei logo ao seu lado, pois é claro que eu queria ver qual “tesouro” se escondia ali dentro, eu queria mexer naquele mundaréu de coisas… E ele foi logo dizendo:”Tira a mão daí, menina!” E é claro que obedeci, mas meus olhinhos seguiram, sedentos, registrando cada coisa que era tocada, e a história de cada coisa, cada lembrança evocada por meu pai. É muito bom lembrar da nossa história e de nossas fantasias!

  3. Valéria Says:

    Só podia chegar perto para posar para foto!! Essas histórias de pintar o bicho pior depende mesmo do olhar de cada um. Meu avô, pai de minha mãe, era tido como muito severo, só olhar e metia medo. Como ele se foi muito jovem, a lembrança da minha tia mais nova, é essa. Já minha tia mais velha, dizia que ele fazia muitas caras e bocas de brincadeira, que não era zanga.
    Ahh lembrei que já falei dele, naquela postagem da minha avó. A foto que ela usava no colar.

  4. Wagner Says:

    Na maioria das vezes julgamos as pessoas pelo que elas nos apresentam externamente, acreditando, dentro da nossa visão deturpada dos fatos, que elas são o que pensamos que elas sejam.
    Devemos antes de tudo, conhecer a essência dessas pessoas. Saber o que elas pensam e acreditam. Seus valores e sonhos.
    Nosso avô tinha uma personalidade ímpar. Tinha uma motivação inata. Transmitia a todos, uma verdade das coisas baseada na sua maturidade intelectual, a qual, era difícil para nós contestarmos de alguma forma. Isso o tornava meio austero em seu modo de falar e colocar suas idéias. Entretanto, nunca perdeu o foco da Família, do Trabalho e dos Estudos. Nos dando um verdadeiro exemplo de Honestidade, Virtude e Trabalho.
    Fui.

  5. Karina Almeida Says:

    Minha lemvrança do Vovô Abel (ne verdade ele era Bisavô) é muito vaga… uma imagem de alguém com idade avançada, sentado em uma cadeira, quietinho. É bom saber mais dele, por um ângulo dferente, muito bom!

    • cariocadorio Says:

      Oi Karina,
      Acho que o Wagner disse muito sobre o velho. Ele já era muito veelhinho quando vc o conheceu. Não era de ficar parado não, sempre foi muito ativo. Ele vai aparecer por aqui mais vezes.
      Beijos

  6. Rafaela de Oliveira Says:

    Ele devia ser legal. Que foto batuta.
    Obrigada pela visita ao blog.

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