Copa de 58, Suécia

É claro que, aos 3 anos de idade, eu não estava nem aí pra copa do mundo. Mas o resto da família sabia muito bem da importância do evento. Para os meus pais, que assistiram a final de 50 no Maracanã,  estava mais do que na hora de vencer uma Copa do Mundo. Só fui saber da copa da Suécia muitos anos mais tarde, na época da copa seguinte, quando meu interesse pelo esporte já começava a se aguçar.  

Fiquei vidrado ao ver esta tabela da Copa da Suécia guardada pelo meu irmão, louco por futebol já naquela época.  A tabela foi distribuída pela Contigráfica, uma tradicional papelaria de Laranjeiras.  Jogo após jogo, minha mãe foi preenchedo o  resultado dos jogos e anotando as seleções das quartas-de-final, da semi e da final.  Hoje chamam isto de “play-offs”, coisa mais sem graça que nada tem a ver com o futebol.    

Tabela da Copa da Suécia. Clique para ampliar.

A copa da Suécia é a pimeira da qual se tem grandes lembranças. Os dribles de Garrincha, o chapéu do Pelé dentro da área, o choro do rei ao final e a imagem de Beline levantando a taça são apenas algumas destas imagens inesquecíveis.  

O choro do rei

O caminho brasileiro até o título não foi tão fácil como fazem parecer os 5 x 2 contra França e Suécia.  O Brasil venceu com dificuldade a Inglaterra e teve que lutar muito para superar  a seleção dos empates, País de Gales, com um sofrido 1 x 0. Nunca mais estes caras apareceram.   

A guerra fria ia de vento em popa.  Duas nações da cortina de ferro, Rússia e Iugoslávia, chegaram até às oitavas-de-final mas não foram bem.   Desde pequenos nos acostumamos a ver a Iugoslávia, país que já não existe,  como uma referência em esportes.  Nas copas mais recentes pouco apareceram os países do leste europeu. As coisas mudaram muito nestes cinquenta e poucos anos.    Bem, na verdade nem tudo.

A Contigráfica continua no mesmo lugar, fornecendo material escolar a gerações de estudantes de Laranjeiras, particularmente os do Liceu Franco-Brasileiro, como o meu irmão naquela  época e eu, anos mais tarde.

A história das copas por Cariocadorio:
https://cariocadorio.wordpress.com/category/copas-do-mundo/

Fotos: tabela da copa, arquivo Cariocadorio; fotos obtidas da internet.

Anúncios

Tags: , , , , , , , , , , , , ,

11 Respostas to “Copa de 58, Suécia”

  1. Luís Cardoso - Veleiro Big Rider Says:

    Quem, depois deste relato, pode dizer que não se deve guardar coisas velhas? Eu ainda não me perdoei por não ter guardado os meus ingressos patra o primeiro “Rock in Rio”. Lembro deles até hoje!
    Um abraço, Luís.

    • cariocadorio Says:

      Luís,
      As coisas começam ficando velhas, depois tornam-se antigas e muito mais tarde, relíquias. Aí passam a ter valor novamente, mesmo que seja apenas sentimental. Abraço
      João Carlos.

  2. Gilda Says:

    Não me lembro da Copa da Suécia, nem sei se tínhamos televisão em casa naquela época e muito menos se os jogos eram transmitidos. Provavelmente só apareciam nos jornais televisivos e no cinema com o Canal 100 do Carlinhos Niemeyer. No entanto, me lembro muito bem da Contigráfica, do Seu Vicente, Dona Aída, Pedro e Vicentinho. Acho que todos aqueles que moraram no Baixo Laranjeiras os conheceram, particularmente os que estudaram no Franco-Brasileiro. Muitas vezes íamos lá – eu e minhas amigas Aparecida, Elisabete e Lubelinha – apenas para conversar. Seu Vicente morreu há algum tempo. Não sei se Dona Aída ainda está viva. Pedro – e creio que Vicentinho também – continua à frente da Contigráfica, no mesmo lugar e sem grandes mudanças. Com relação ao comentário do Luís, mais pena tenho eu que tinha uma camiseta da empresa encarregada da faxina do Rock in Rio e joguei fora. Ela me eu direito a ver o James Taylor bem de perto e a limpar o camarim da Elba Ramalho. Mas isto é estória para contar no dia em que eu tiver um blog…

  3. Aparecida Barbosa Says:

    Caramba,eu pensei que fosse a única a curtir essas lembranças! Realmente a Contigrafica era tão especial para nós ( o quarteto citado pela Gilda) que seu Conti nos presenteava com champagne todo final de ano. Mas era cansativo o início de ano escolar pois enfrentávamos enorme fila p/ comprar os livros já que forneciam as listas de todos colégios de Laranjeiras e imediações.
    Já na Copa de 58 foi o radinho de pilha, Gilda nosso companheiro. Mas Laranjeiras (O Fluminense) abrigou ainda os treinos da seleção nas Copas seguintes e ficávamos cercando a entrada e saída dos jogadores para pegar autógrafos. Lamento ter sumido minha nota de CR$ 10,00 (dez cruzeiros), toda autografada pela seleção de 64.

  4. cariocadorio Says:

    Meninas,
    Acho que o maior sucesso desta copa da Suécia foi mesmo a Contigráfica. Eu frequentei mas não sabia que vocês eram quase sócias de lá. Foram os comentários mais entusiasmados até hoje.
    Abraços
    João Carlos

  5. Gilda Says:

    Realmente a Contigráfica e o Nada Além, onde a Elisabete comprava aviamentos (eta palavra antiga!) um dia sim e o outro também, povoaram a nossa adolescência. Eu lamento mais ainda – na mudança de Laranjeiras para Ipanema – a venda por R$ 1,00 do Quadrante autografado pela seleção de 70… Se o dono do blog der espaço para os tricolores, um dia eu e Aparecida trocaremos figurinha sobre nossas lembranças do glorioso Fluzão, como o jogo contra o Botafogo em 71 com a vitória aos 43 minutos do segundo tempo que assistimos no último andar da arquibancada!

    • cariocadorio Says:

      Seleção de 70, você não perde pr esperar. Contigráfica e Nada Além e aviamnentos tudo bem…mas trocar figurinha sobre o … no Cariocadorio é meio muito, né?
      Saudações rubro…, digo, Cariocas

  6. Copa de 62, Chile « Cariocadorio's Blog Says:

    […] (Aqui, Suécia 58) (Aqui, Brasil 50 e Suiça 54) […]

  7. Valéria Says:

    Caramba, sabe que eu guardo poucas coisas? às vezes penso nisso, amanhã será importante, será curioso. Dificilmente guardaria uma tabela dessas. Quantas relíquias já foram para o lixo 😦

  8. Gilda Says:

    Ontem foi publicada em O Globo uma notícia triste para nós, que éramos mais que clientes, amigos: a Contigráfica, depois de 62 anos de atividades, vai fechar as portas, rumo ao mundo virtual. O link para a matéria segue abaixo. Entrando no site, há um vídeo com o Pedro Conti mostrando algumas relíquias da loja. Pena…
    http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/09/25/papelaria-contigrafica-fecha-as-portas-depois-de-61-anos-921313264.asp

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: