Archive for maio \29\UTC 2010

Copa de 82, Espanha

29 de maio de 2010

Naquele 5 de julho de 1982, Nilton Santos se preparou para assistir o jogo mais importante da sua vida. Não era por acaso que ostentava este nome glorioso.  Vovô Santos não permitiria qualquer outro que não fosse o do seu maior ídolo.  Já bastava que a mulher não lhe havia permitido colocar este nome no filho, exigindo batizá-lo de Edilson. Marlene homenageava  assim o seu próprio pai que não teria a oportunidade de conhecer o neto.  Tudo bem, pois o pai de Nilton Santos acabou sendo conhecido como Didi. 

A família reuniu-se para este grande dia. Nilton Santos vestiu sua camisa canarinho, presente do avô, e enrolou-se na bandeira do seu amado Botafogo.  Antes do jogo a  TV mostrava  os gols da formidável campanha brasileira. Nada parecido desde 70.  Depois da vitória apertada sobre a Rússia na estréia, o Brasil arrasara Escócia e Nova Zelândia. 

Melhor ainda, aplicou um convincente 3 x 1 na Argentina ao som de “voa canarinho voa”.   E como jogava bonito o time de Telê!  Quantos craques, Zico, Sócrates, Falcão, só pra falar nos mais votados. E no gol ninguém menos que Waldir Peres…bom, nada é perfeito.

Mas a coisa não começou como esperado.  De cara Paolo Rossi abria o marcador.  Mas o que é isso?  Como aquela itália que chegou ali aos tropeços, empatando os três jogos da primeira fase, ia criar problema?  Claro que não, Sócrates empataria logo depois. Fez-se a ordem e a alegria voltou a imperar na casa da família Santos. Alegria que foi esbarrar em outro gol do endiabrado italiano. No segundo empate do Brasil a confiança retornou até que Paolo Rossi fizesse o terceiro, colocando a Itália definitivamente na frente. 

O jogo chegou ao fim.  Consumava-se a tragédia do Sarrià.  Na sala do apartamento de Niterói ouvia-se um silêncio sepulcral. Diante da TV, Nilton Santos não podia acreditar no que via. Tinha que haver uma saída.  Quase em prantos, o menino buscou-a nos olhos do pai:

“E agora, papai?”
“Agora fodeu!”,  sentenciou um perplexo Didi.

A história das copas por Cariocadorio:
https://cariocadorio.wordpress.com/category/copas-do-mundo/

Fotos obtidas na Internet

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A partir de …

23 de maio de 2010

Os anúncios de jornais e outras midias estão cheios destas ofertas promocionais a partir de um certo preço.  Quase sempre é empulhação.  Carro a partir de é sem o básico e, mesmo que você o queira assim, dificilmente a concessionária tem um por aquele preço.  Sempre vem com alguns acessórios básicos e aí o preço já é mais caro.  Sempre o que você realmente quer custa muito mais.  Mas falemos de bermudas.

Na vitrine de uma conhecida loja de roupas lá estavam duas bermudas cargo .  O preço era claríssimo: R$51,00.  Na saída conferi, nada de a partir de… Entrei na loja. Atrás da mesma vitrine uma estante baixa com as bermudas empilhadas.  Logo a bonita e simpática vendedora me ofereceu:

“Lá atrás temos as bermudas penduradas, mais fácil de escolher.”

Vendedores às vezes atrapalham mas desta vez fazia sentido.  Segui a atenciosa vendedora e comecei a escolher as bermudas. Variavam em cor e em detalhes mas eram praticamente iguais. Após prová-las escolhi duas.  A vendedora as levou para o balcão e informou o preço:

“São cento e trinta e oito reais. Em dinheiro ou cartão?”

Nesta hora entrou em ação o meu rápido e brilhante raciocínio matemático.  Em fração de seguntos percebi que havia algo errado e disse à tal da vendodora.

“Mas não seria cento e dois reais?”

A dita cuja me levou até a pilha de bermudas da entrada da loja e me mostrou do alto do seu cinismo:

“Veja, o preço é a partir de R$51,00…”

De fato, em letras bastante pequenas, como soe ser, lá estava o maldito a partir de.  Claro que eu havia escolhido o mais caro.  Ficava eu entre deixar as bermudas ali ou levá-las por um preço 35,3% mais caro que o da vitrine.  Aliás, na vitrine não havia nem o sacana do a partir de.  Mas como custa-me escolher bermudas, levei assim mesmo.  Eles sabem bem como é, você já escolheu e acaba levando, nos dois sentidos.

TACO

Não há razão para tal diferença de preço da vitrine até o fundo da loja, 8 metros mais atrás. Exceto a técnica desleal de venda praticada pela loja.  Some-se a isso a cuidadosa atenção da vendedora e estamos diante de um caso puro e simples de falta de ética. Triste.
E você, já passou por isso?

Palácio D. João VI, em obras

22 de maio de 2010
Atualizando este artigo, vemos as novas redes de proteção decoradas no Palácio D.João VI na Praça Mauá.  Quando esta tela decorada for retirada, teremos o novo Museu de Artes do Rio (MAR). Segundo anuncia a prefeitura, o prédio será integrado ao prédio que hoje abriga uma delegacia de polícia civil e o terminal intermunicipal de ônibus formando um grande centro cultural.  Agora já tem placa mas também tem obra.

MAR

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Restauração da cúpula do palácio

As obras de restauração do palácio D. João VI começaram há cerca de dois meses e seguem em ritmo frenético.  Rapidamenente o prédio foi cercado de andaimes e telas de proteção e logo já se viam os operários de capacetes amarelos trabalhando na reforma. Tudo parece estar muito bem organizado.  Interessante que não se vê nada de placa descrevendo a obra. 

Operários trabalhando

Enquanto isso, em frente ao pier Mauá, segue a enorme placa.  Atrás dela acontece de tudo:  estacionamento, exposição de veleiros,  jantar em mesa elevada por uma grua, área de apoio para o “air race” e por aí vai.  Do grande parque do pier cujo início das obras foram anunciadas há seis meses atrás, nada ainda.   

Veja como estavam a cúpula do palácio, o pier e a placa em outubro de 2009 aqui: https://cariocadorio.wordpress.com/2009/10/27/praca-maua-o-renascer/

Fotos by Cariocadorio: Palácio D. João VI, Restauração da Cúpula (Maio/2010), Operários trabalhando (Abril/2010)

Copa de 78, Argentina

22 de maio de 2010

Parei de trabalhar mais cedo e voltei para o meu quarto de hotel naquela fria tarde de São Paulo em 1978.  Rodada decisiva para a definição do finalista.  O Brasil fez sua parte derrotando a Polônia.  Só faltava acompanhar de perto como seria Argentina x Peru, partida essencial para a classificação do Brasil.   A Argentina precisava de 4 gols, o que seria nada fácil contra o bom time do Peru… ledo engano. 


Foi muito fácil, 6 x 0.  A euforia pela vitória sobre a Polônia dava lugar à desolação nas ainda mais frias ruas de São Paulo. Não me lembro bem de como vi a partida do Brasil contra a Polônia mas me lembro perfeitamente  da certeza que tive de que a Argentina, se preciso fosse, faria  10 gols naquele dia.  O juiz francês Robert Wurtz (um bailarino no campo) deixava o jogo correr livremente.  Os peruanos caminhavam, aparentando enorme desinteresse pela partida.  Tempos depois o caso de suborno foi confirmado.  

O Brasil perdeu a Copa no empate de 0 x 0 com os donos da casa. 

A Holanda, mesmo sem Johan Cruiffy, chegava mais uma vez à final e ainda faria um jogo duro com a Argentina, resolvido na prorrogação.  Ao Brasil restou ver o belíssimo gol de Nelinho, um fortíssimo chute da direita fazendo uma curva improvável e entrando no ângulo de Zoft. A vitória sobre a Itália  nos assegurava o terceiro lugar.  O Brasil sairia invicto da Argentina.

Los hermanos, de Mario Kempes y Ardiles, eran campeones pela primeira vez.  Justiça seja feita, os caras sempre jogaram muita bola.  Mas a política sempre teve sua influência em copas do mundo.  Como no Brasil em 70, a ditadura militar argentina soube utilizar muito bem a vitória para manter a dura repressão no país.

Todos los presos políticos, los perseguidos, los torturados y los familiares de los desaparecidos estábamos esperando que Menotti dijera algo, que tuviera un gesto solidario, pero no dijo nada. Fue doloroso y muy jodido de su parte. Él también estaba haciendo política con su silencio.” Quien formula el cargo es Adolfo Pérez Esquivel, Premio Nobel de la Paz en 1980, que logró salir de la Unidad 9 de La Plata gracias a la presión internacional, el 23 de junio de 1978, dos días antes de la final. De su cautiverio recuerda el nudo de una contradicción para muchos incomprensible: “En la cárcel, como los guardias también querían escuchar los partidos, el relato radial nos llegaba por altoparlantes. Era extraño, pero en un grito de gol nos uníamos los guardias y los prisioneros. Me da la sensación de que en ese momento, por encima de la situación que vivíamos, estaba el sentimiento por Argentina.
Do site:  http://www.elortiba.org/mundial78.html

Foto da equipe argentina obtida da internet.

Copa de 74, Alemanha

13 de maio de 2010

A  primeira copa ao vivo e a cores não nos trás boas lembranças.  Fazia frio no Rio de Janeiro e eu não via  meios de aprender Cálculo III.  A matéria já era difícil e o professor não ajudava.  Aquele time meio envelhecido de 70 e mal renovado também não.  Rivelino que era o astro parecia um possesso e o PC Caju estava mais preocupado em ir para o Olimpique de Marseille.

Tinha que estudar muito e, com a bola rolando na Alemanha, quem conseguia se concentrar?  Era uma partida atrás da outra, derivada pra todo lado, integral de linha, de superfície, de volume de jogo pífio e toda a turma em prova final.  Eu até que vinha bem, jogando na retranca do Zagalo, me safei nos testes que deram uma ajudinha.   Precisávamos de 3 e foi o que deu,  pra mim e pro Brasil com um golzinho do Valdomiro já no fim do jogo contra o Zaire.  Eu passava de semestre e o Brasil pra fase seguinte.

É sempre bom ganhar da Argentina mas a Holanda nos deu um passeio memorável.  O “Carrossel Holandês” talvez tenha sido a maior novidade de todos os tempos em copas do mundo.  Ninguém jogou parecido com aquele time nem antes nem depois.  Nós ainda amargaríamos mais uma derrota, agora para o bom time da Polônia, pra ficar em 4º lugar.  Triste.

A Laranja Mecânica de 1974

A Holanda de Cruiffy e Neskens assombrou o mundo mas o título ficou com a Alemanha, firme e persistente como sempre, sob o  comando do grande Beckenbauer. No pódio só países daquela região da Europa.

Começava um período sombrio na história do futebol brasileiro.  Só nos restava torcer pelo segundo título mundial do Emerson Fittipaldi e para que Cálculo IV não fosse tão difícil.
Felizmente, assim foi.  E 1974 até que deu algumas alegrias.

A história das copas por Cariocadorio:
https://cariocadorio.wordpress.com/category/copas-do-mundo/

Fotos:  fotos obtidas da internet.

Copa de 70, México

9 de maio de 2010

Ao contrário de 1966 o Brasil teria uma equipe definida bem antes da copa.  “Só feras“, garantiu o treinador.  E as feras do Saldanha foram o início de uma campanha vitoriosa.  
O 1 x 0 sobre o Paraguai no Maracanã lotado em 1969 carimbou o passaporte brasileiro para o México.  

O caminho da seleção até o México estaria repleto de polêmicas. Nesta época o Brasil aprendeu o que é descolamento de retina, que Pelé estava velho e que, segundo alguns, Garrastazu convocava jogador.  Enquanto a seleção treinava no campo do Fluminense, a garotada de Laranjeiras corria atrás dos autógrafos. Alguns ficaram registrados nesta tabela, inclusive o de um tal de Edson.

Autógrafos de 70

O fato é que chegamos ao México com Zagalo no comando e cheios de desconfiança daquela que depois provaria ser a melhor seleção de todos os tempos. Só se falava no futebol força europeu. Os brasileiros não estariam preparados para vencer aqueles que tinham saúde de vaca premiada.  Na primeira fase teríamos que enfrentar  3 europeus, inclusive a Inglaterra, campeã do mundo. Era realmente um grupo difícil.

Pela primeira vez o Brasil se deslumbrava com uma transmissão de copa do mundo ao vivo na televisão. E assistimos o tcheco Petras fazer o primeiro gol sobre nós.  Ao vivo pudemos ver os gols que o Pelé não fez: o chute do meio de campo que passou raspando e o drible sem tocar na bola sobre Masurlievsky, goleiro do Uruguai.  Vimos a trama, inciada por Tostão caído no chão,  que resultou no 1 x 0 sobre a Inglaterra e a classificacão para as oitavas-de-final. Vimos um show inequecível da arte de jogar futebol.

Tabela da Copa do México

Na seqüência foram dois sul-americanos.  Peru e Uruguai.  Vinte anos depois o Uruguai.  Foi um jogo tenso pelo seu histórico embora a superioridade brasileira fosse flagrante. A coisa teria ficado complicada se Clodoaldo não empatasse no finzinho do primeiro tempo. É engraçado que nem mesmo a vitória sobre o Uruguai serviu como revanche para a tragédia de 50.  Na outra semi-final, alemães e italianos se degladiaram até a exaustão com vitória dramática para os italianos na prorrogação. Azar deles.

A final decidiria a sorte da Copa Jules Rimet. Ambos com duas copas conquistadas, Brasil ou Itália levaria a taça definitivamente para casa.  A final assistida por “90 milhões de brasileiros” teve lances emocionantes e foi ponteada por gols belíssimos.  No último gol da copa a bola passa por todo o ataque brasileiro para que Pelé a entregue de bandeja para Carlos Alberto fulminar o arco italiano.   Os mexicanos, que trataram o Brasil como nenhum outro povo faria, pareciam tão felizes como nós.   


O Brasil, incontestavelmente o melhor no México,  levou a taça Jules Rimet  que deveríamos orgulhosamente guardar para sempre. Infelizmente alguém por aqui a derreteu e ficou com o ouro.  Hoje o que temos é uma réplica.       

Médice com a Taça

A ditadura militar soube tirar proveito desta conquista.  A propaganda ufanista e o caminhão de dinheiro que inundou o país sustentavam o milagre brasileiro. As décadas seguintes foram de inflação galopante, dívidas estratosféricas, estagnação econômica, uma crise social e moral sem tamanho e um jejum de 24 anos sem copas do mundo.

A história das copas por Cariocadorio:
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Fotos: tabela da copa, arquivo Cariocadorio; fotos obtidas da internet.

Copa de 66, Inglaterra

2 de maio de 2010


Lembro-me vagamente de uma copa do mundo de futebol que aconteceu em 1966. Foi  naquela estranha ilha grande do continente europeu, terra de certos autores teatrais e grupos musicais que chegaram a fazer sucesso internacional. Foi lá também que inventaram o futebol que conhecemos no formato atual.

Recentemente, na mesma Inglaterra,  inventaram como ganhar muito dinheiro com o esporte.  Jogar bola mesmo nunca foi o forte dos caras.  Mas desta vez…

Bastaram duas copas (58 e 62) para que ficássemos mascarados.  Isso é coisa que Papai do Céu não perdoa.  Os dirigentes quiseram agradar todo mundo ou pensaram que podiam disputar a Copa com Brasil A e Brasil B e convocaram 40 e tantos jogadores.  Até jogador errado foi chamado.  Treinaram o Servílio durante meses ao lado do Pelé e nas vésperas da copa cortaram-no do grupo que ia para a Inglaterra. Os disparates não pararam por aí.  Além disso, tinha uma turma que já estava ficando um pouco velha. Alguns jogadores estavam mais preocupados em bater recorde de participações, arrumar o meião, procurar travesti… Pera aí!…  Isso já foi em outra copa.

Deu no que deu.  Perdemos para a Hungria e Portugal e fomos eliminados sem que o time pudesse ser definido.  As imagens da partida contra Portugal mostram Pelé sendo cassado em campo.  Não foi um caso isolado.  A FIFA européia estava cansada das vitórias sul-americanas e decidiu que esta copa não sairia da Europa.  Argentinos e uruguaios também apanharam um bocado antes de serem eliminados. 

A teoria da conspiração pode ser ou não verdade mas, conhecendo a politicagem dentro da FIFA, não é de se estranhar.  
Finda a festa, Inglaterra campeã. 
A Alemanha mais uma vez apareceu na final e Portugal, do grande Eusébio, fez bonito em terceiro. A CCCP, representando a cortina de ferro, completou o domínio europeu de 1966.  

O futebol força parecia se impor no cenário mundial.  Mas eles não perdiam por esperar.

A história das copas por Cariocadorio:
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Fotos: Logo da Copa de 66 e Bob Moore com a Jules Rumet (da Internet)