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Rio, Cidade mal Acabada

26 de setembro de 2010

(09/10/10)   Atualizando este artigo, temos boas novas .


O nosso amigo maníaco por filmes resolver bater um papo com um pessoal da obra em torno do Rio Maracanã e reclamou do acabamento da manilha. Tenha sido por isso ou por outro motivo, o fato é que temos o prazer de mostrar que a obra não ficou como estava.
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Um certo maníaco por filmes me passou uma mensagem.  Estava fuzilando com uma obra na Av. Maracanã que, segundo o site do Globo, a prefeitura deu por acabada na semana passada. Usou isso como exemplo, em complementação a uma recente discussão neste Cariocadorio sobre o tema “Obras Públicas” e o descaso com o dinheiro do contribuinte.  


Em abril passado, em frente à entrada do supermercado Extra  na Av. Maracanã, desabou um pedaço do muro de contenção do leito do rio. A recuperação foi uma autêntica obra de igreja.  Depois de cinco meses, as fotos mostram como ficaram o acabamento e os detritos deixados para a chuva carregar e entulhar o Rio Maracanã.

A cidade está repleta de reparos temporários que se dizem definitivos.   Já perceberam a qualidade do asfalto do programa “asfalto liso”?  Tão propalado pela prefeitura, é pouco perto do necessário, não é tão liso assim nem parece que vai durar muito. 

Av. Pres. Vargas x R. Uruguaiana

Bueiro = buraco

Tampouco se cuida de aprender com os grandes erros.  Por enquanto as poças são criadoros de aedes egipt.  E quando começar a chover, o que vai acontecer com uma cidade que tem os seus drenos tampados?

Bueiro na Rua dos Andradas

Dá pra drenar água?

A falta de cuidado com o bem público, a falta de vontade de fazer alguma coisa que dure mais que um mandato de governo e a má qualidade dos materiais  e da mão de obra utilizados são alguns dos grandes problemas da administração pública do Rio de Janeiro.  Não desta apenas, isto já é uma regra bem estabelecida faz tempo. 

Triste!

Contribuição: Maníaco por filmes
Fotos: Obras na Av. Maracanã,  setembro de 2010, asfalto “liso” na Pres. Vargas e bueiro na Gonçalves Dias  (by Maníacoporfilmes)

Rio – São Lourenço, 1949

19 de setembro de 2010

Resende, parada para o almoço

O ônibus era um Mack, americano, uma marca até hoje importante em terras do Tio Sam mas que não teve muito sucesso por aqui.  Surpreendeu-me vê-lo pela primeira vez no Brasil. Primeira e última.  Depois disso, não vi mais um Mack por aqui.  

A viagem era longa até São Lourenço.  Paramos pela primeira vez em Resende, para o almoço.  Seguimos pela estreita rodovia Rio-São Paulo e depois partimos para terras mineiras.  Difícil a subida pela estrada cheia de curvas.  Chegando no alto da serra, e que serra, tivemos que dar uma paradinha para recuperar o fôlego.  

Alto da serra

Achei interessantísssima esta bomba de gasolina, parecia que estávamos no século passado.  Tomamos um cafezinho bem mineiro e seguimos  para São Lourenço.  Parecia um nunca chegar.  Mas, quem se importava?  A viagem estava ótima e tempo não era problema.   

São Lourenço foi uma grande surpresa, o Parque das Águas muito melhor do que se esperava.  
Saindo da Capital, a gente não imagina um lugar tão bonito e bem cuidado neste interior de Brasil. 

A patroa resolveu fazer pose.  
Poxa, não é que ela ficou muito bem na foto, com esse jeitão Hollywoodiano.  

Estes dias de novembro de 1949 ficarão para sempre na nossa memória.  Voltaremos certamente.  Quem sabe poderemos trazer as crianças na próxima vez. 

Fotos: Viagem a São Lourenço, Novembro de 1949 (Acervo pessoal Cariocadorio.  Proibida a reprodução sem autorização prévia.)

Museu do Amanhã no Pier Mauá

18 de setembro de 2010

Na segunda-feira passada uma grossa coluna de fumaça se ergueu na baía de Guanabara. Foi um incêndio em uma lancha da Marinha que felizmente, apesar das mais de 100 pessoas a bordo , não causou vítimas. 

Além da passagem do belo porta-container compondo a foto, o que mais me chamou a atenção foi o Pier Mauá. As obras continuam na estaca zero.  Há cerca de um ano, a prefeitura anunciou a urbanização do pier com um grande jardim aberto ao público.  Colocaram placas enormes, fizeram um  estardalhaço danado para alguns meses depois desistirem da idéia em prol de um museu no pier.  Tal qual o Gugenhein do ex-prefeito, aquele que fez as obras que o povo não queria.     

E veio o projeto do espanhol Santiago Calatrava, figura da hora nos modismos arquitetônicos.   Um prédio moderníssimo, com teto que se move para se ajustar aos raios solares e o escambau.  A apresentação artística chega a emocionar.  Não dá para não achar maravilhoso e que vai muito bem com o Porto maravilha.
 

Mas também não dá pra não ficar preocupado.  As obras, que começarão em 2011, estão orçadas em R$130 milhões.  Pode multiplicar por 2, como soe acontecer nestas obras. Como a realização é da Fundação Roberto Marinho, é provável que saia mesmo.   Na tímida pesquisa que fiz na internet não conssegui ter certeza de onde sairão as verbas para a obra.  Tampouco encontrei quanto custou este projeto do Calatrava e quem o pagou. 
 
Mas minha maior preocupação é como será mantido este museu com teto móvel de grandes proporções, sistemas de filtragem de água etc.  Não há de ser com a arrecadação da entrada dos visitantes.  Patrocinadores, então? O provável é que seja da mesma forma que os demais, ou seja, muito mal e porcamente.

Teremos mais uma Cidade da Sinfonia Inacabada? Aliás, não deveiram gastar um centavo em museus e afins enquanto não terminassem as obras daquela vergonha carioca.  Já que está quase pronta,  acaba logo para que tenha alguma utilidade. 

Sou totalamente a favor da cultura em suas várias vertentes mas é muito fácil desperdiçar dinheiro em nome dela.  Se gastar mal com viadutos e escolas fosse tão fácil como com obras ditas culturais, esta cidade estaria cheia de coisas úteis.

A proposta do museu é criar uma experiência da passagem do hoje para o amanhã, de modo que o presente opere como um portal. Um dos eixos ao longo dos quais se estrutura a construção é o da polaridade entre as ciências cósmicas e as terrestres. (do site PINIweb)

Foto: Incêndio na Lancha (13/09/10) by Cristina Ribeiro;
Museu do Amanhá (junho de 2010 divlugação)

De passagem, 1989

4 de setembro de 2010

A campanha eleitoral no Brasil, em vez de esperança, nos escancara a triste realidade política do país. A propaganda de baixo nível em todas as frentes, os mesmos candidatos de sempre muitas vezes seguidos por seus filhos e parentes e uma horda de famosos querendo uma boquinha nos cofres públicos.  

Foi neste clima que me lembrei de uma carta do meu amigo Marcello Senna, recebida há muitos anos.  Estávamos em lugares distintos ambos longe do Brasil quando ele passou umas férias no Rio.  Sem internet e DDI caríssimo, as notícias chegavam devagar, pelo correio.   Nesta expectativa abri a carta cheio de curiosidade. Para minha surpresa, no lugar das longas e detalhadas linhas que Marcello costumava enviar, apenas um improvável poema que, na realidade, parecia dizer tudo.      Encontrei-a no velho baú e a transcrevo fielmente.

De Passagem

Recebeu-me triste a minha terra.
Como era feio o cinza no céu
E a cinzenta Avenida’sil

Sobre antes cores
Pintaram collors e covas
E da esperança, tanto que antes,
Restava o nada
Nos olhos tristes de toda a gente

Mas ainda há praias
Onde crianças brincam
Avenidas
Onde se pisam os homens 

E o Rio continuará lindo,
Sujo,
Cheirando mal

Marcello S. Senna
 Do Rio de Janeiro, RJ, Brasil e
Suwanee, Georgia, EUA
Setembro 1989

Foto do site O Globo: Eleições 1989