Ken Tyrrell, Rio 1978

Ken Tyrrell no Autódromo do Rio

Este é um nome que não se ouve mais no noticiário da Fórmula 1.
Ken Tyrrell não tinha o carisma de um Colin Chapman nem sua equipe o poder midiático da Ferrari ou mesmo da Lotus com quem competiu e venceu várias vezes no início da sua carreira na fórmula 1. Uma característica que o distinguia era a de considerar sua palavra como o mais contundente dos contratos. 
Fato pouco comum nos homens da categoria.

Para mim a Tyrrell marcou uma época na Fórmula 1. No final dos anos sessenta comecei a me interessar por automobilismo e lá estavam Jackie Stewart e Ken Tyrrell.  

Esta parceria foi tão emblemática quanto a de Jim Clark com a Lotus pouco antes.  Em 1968 Ken Tyrrel levou a Matra para a fórmula 1 e em 1969 Stewart ganhou com um Matra-Ford o seu primeiro campeonato. Em 1971, no primeiro ano do Tyrrel-Ford, nova vitória de Stewart. 

Aquela que foi a melhor temporada da Tyrrel foi também a de maior tristeza.  Jackie Stewart conquistava seu terceiro título em 1973 quando François Cevert, o segundo piloto da equipe, faleceu no GP dos EUA.

Depois do tão bem sucedido início, seu momento de maior projeção na mídia foi em 1976 quando lançou o revolucionário carro de 6 rodas, o Tyrrel P34, projeto de Derek Gardner, que chegou a vencer uma corrida.

Jody Scheckter no Tyrel-Ford P34 de 6 rodas

No ano da foto no  Rio de Janeiro, 1978, Ken tyrrel trouxe dois carros para Patrick Depailer e Didier Pironi, que chegou em sexto neste GP do Brasil.  A Tyrrel não voltaria a conquistar um campeonato e, apesar de diversas fases difíceis, ainda teve bons momentos com Jody Scheckter, Michele Alboreto e Jean Alesi. Em 1997 Ken Tyrrel vendeu a equipe e abandonou a categoria. Mais um sinal do fim dos tempos românticos da Fórmula 1.  

Em agosto de 2001 Ken Tyrrel juntou-se a Colin Chapman e, de algum lugar improvável, vê a McLaren, cujo fundador Bruce Mclaren começou junto com ele na F1,  brigar com as eternas Ferraris e alguns novos entrantes pela supremacia da categoria máxima do automobilismo.    De vez em quando se pergunta o que outro contemporâneo seu, Frank Williams, ainda está fazendo ali.  

Fotos: Ken Tyrrell no autódromo do Rio (28/01/78 ) by Cariocadorio; Jody Schekter no Tyrrel-Ford P34 (31/07/1976), Wikimedia Commons. 

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4 Respostas to “Ken Tyrrell, Rio 1978”

  1. Gustavo Sirelli Says:

    Grande Carioca, você está certo. Os tempos românticos acabaram há muito tempo. Mas ainda é fascinante ver as baratas passarem voando por uma reta ou imaginar como o piloto precisa ter peito para fazer uma curva de alta com o pé embaixo (impossível esquecer das curvas 1 e 2 de interlagos ou mesmo da eau rouge que ainda está lá), mesmo nesse tempo em que o carro mais parece um videogame com todos os seus botões.

    O lado comercial dominou a categoria há bastante tempo, mas desde o início – mesmo que timidamente – foi uma grande plataforma de negócios, uma maneira das empresas (das montadoras às de pequenas peças) mostrarem que são melhores que as outras.

    Mas é fato que chegamos a níveis estratosféricos. Tanto que até a BBC está abrindo mão da F1 por causa dos custos absurdos impostos pelo Bernie e sua turma.

    De qualquer maneira, a competição e o desafio ainda está lá. Então ainda há esperança. Os paraísos cheios de grana, cedo ou tarde, vão secar e acredito que um certo choque de realidade (mesmo que não imediatamente) nos fará ter de volta um grande programa para as nossas manhãs de domingo.

    Grande abraço.

    • cariocadorio Says:

      É verdade, Gustavo.
      Na F1, no futebol e em todos os esportes em geral há uma grande dose de ganância que controla a coisa. Mas a paixão do aficcionado é quem governa no final. Aguardemos a temporada de 2011.
      Obrigado pela visita.
      Saudações Cariocas

  2. Cosworth DFV Says:

    Vale lembrar que Jackie Stewart e François Cevert foi a melhor dupla que a F1 já teve. Porque eles não eram só colegas de equipe, eram amigos dentro e fora das pistas, não tinha aquela de um querer “puxar o tapete do outro”. Stewart era o professor dele, e Cevert seu pupilo. O respeito era tanto que o Stewart queria se aposentar já no final de 73 para o Cevert ser o primeiro piloto. Amizade do tipo na F1 como essa, só me recordo uma outra no final dos anos 50. Peter Collins e Mike Hawthorn, onde Collins e Hawthorn corriam pela ferrari, Collins como 2º piloto e Hawthorn como 1º. Se davam super bem, dentro e fora das pistas, eram muito amigos. O interessante é que quando o “mon ami mate” (apelido que Hawthorn se referia a Collins) morreu, no final da temporada, afetou tanto o Hawthorn que ele prometeu abandonar a categoria, ganhando ou não o campeonato. Cumpriu a promessa assim como fez Stewart. O irônico é que 1 ano depois de Collins morrer, Hawthorn teve a vida ceifada em um acidente de carro. Se Cevert não tivesse morrido, Ken Tyrrel teria levado mais 1 ou 2 campeonatos para sua coleção. Pena!

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