Um rapaz de Bebedouro no Rio de Janeiro (II)

Talvez os seus tumultuados primeiros meses no Rio de Janeiro (veja aqui) tenham incentivado Edgar Baroni a buscar o oposto. O certo é que, em 1939, ele transferiu-se das noitadas na Capital para a Escola da Polícia Militar do Distrito Federal. 
Baroni na Escola de Polícia Militar do Distrito Federal

Logo suas habilidades com armas e cavalos fizeram com que se destacasse. Formado com alta recomendação, Baroni ganhou o respeito e a admiração dos colegas e superiores. Não foi difícil que fosse aceita sua escolha pelo 5º Regimento de Polícia Montada do Distrito Federal. Não demorou muito foi promovido a Cabo.

Cabo Baroni e o cavalo Biguá

O simpático Cabo Edgar Baroni tinha tudo para fazer uma ótima carreira na polícia. Mas nem tudo eram flores. Suas convicções a respeito de como tratar cavalos começaram a azedar a relação com seus superiores.  Certa vez o Cabo Baroni se recusou a colocar o Biguá, sua montaria favorita, na operação de contenção de uma manifestação popular.  Aquilo maltratava muito o animal. Desceu do bicho, partiu pra cima dos manifestantes e fez o serviço na mão. 

5o Regimento de Cavalaria da PM do DF

LeCoq e o "Fluminense"

O ato teve seu lado de heroismo reconhecido.  Apesar da bem sucedida “estratégia”, o Tenente LeCoq, seu amigo e comandante daquela operação, não teve alternativa senão relatar o ocorrido aos superiores.

E lá se foi o nosso querido Cabo Baroni ver o sol nascer quadrado no xadrez do regimento.  

Aquela não foi a primeira nem a última vez. Era sempre o mesmo motivo: insubordinação quando se tratava de botar o cavalo pra trabalhar mais duro.

Aquele início de vida na Capital Federal rendeu-lhe um monte de pequenas confusões mas também a namorada que depois se tornaria sua esposa de toda a vida. O lado profissional se encontrou na área do comércio e assim, sob a rédea curta imposta pela patroa, Baroni progrediu e sustentou muito bem sua família.

Edgar Baroni viveu por muito tempo uma vida simples e feliz, fazendo as coisas sempre, ou quase sempre, do jeito que queria. Até a hora de ir embora parece que ele escolheu para que fosse do seu jeito.

(a semelhança da saga de Edgar Baroni no Rio de Janeiro com a vida real de pessoas conhecidas não é mera coincidência)

Fotos: Baroni na Escola de Polícia Militar do Distrito Federal (outubro de 1939);  Cabo Baroni e o cavalo Biguá (setembro de 1940); Pátio interno do 5o Regimento de Cavalaria da Polícia Militar do Distrito Federal (setembro de 1940);  Tenente LeCoq e cavalo “Fluminense” (setembro de 1940).  

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7 Respostas to “Um rapaz de Bebedouro no Rio de Janeiro (II)”

  1. Um rapaz de Bebedouro no Rio de Janeiro (I) « Cariocadorio's Blog Says:

    […] Blog Sobre o Rio e outros assuntos « Porto Maravilha, seguem as obras Um rapaz de Bebedouro no Rio de Janeiro (II) […]

  2. Salete Says:

    Adorei o cabo Baroni e seu amor e proteção pelos cavalos. Os bichinhos não tem culpa das confusões que criamos.
    Uma vida, uma saga digna e plena.
    Gostei desse cara.
    beijuuus
    Salete

  3. Valéria Says:

    Adorei a saga do Baroni. O respeito aos animais me admira.

  4. Alcyone Says:

    O cabo Baroni me causou uma grande admiração. Já dizia meu pai, que conhecia os homens, pelo amor que sentiam pelos animais.

  5. Odone Bisaglia Filho Says:

    Montei muitas vezes neste Regimento, denominado Regimento Marechal Caetano de Farias.Ficava na Frei Caneca. A arquitetura era muito bonita. Observem que os alojamentos dos praças ficava elevado, sustentado por estrutura de ferro. Dos alojamentos partiam barras cilíndricas por onde os soldados “escorregavam”para o primeiro piso onde estavam as baias. Como era uma unidade que deveria entrar em ação rapidamente, eles estavam prontos em poucos minutos. Quando se esperava alguma agitação, os soldados dormiam fardados e os cavalos encilhados, apenas com a barrigueira frouxa. Tinham também uma banda composta apenas por cavalos brancos. Não era mole tocar trompete na mão direita e conduzir o cavalo na mão esquerda. Da baia número 6 saiu o cavalo do Mal. Deodoro da Fonseca para que ele “proclamasse”a República. Desde então foi mantido um cavalo baio nesta cocheira. Era muito fácil montar nesta unidade. Como aluno do Colégio Militar, chegava, apresentava-me ao oficial de dia e pedia permissão para montar. Todos respondiam assim: vai montando e vai lavando. Deste modo eu era agraciado com o brinde de montar 3 a 4 cavalos por dia. Um deles virou meu preferido pela franqueza na hora do salto, era o “387” e tinha este número marcado na anca. Pouco anos depois me vi frente a frente com o 387. Ele conduzindo um soldado com espada na mão e eu correndo dele em frente à Candelária na missa do Edson Luis. A vida dá voltas.

  6. alexandre pereira filho Says:

    Amigo boa tarde cabei de le o seu blog esta otimo querendo fazer uma visita ao meu e Alexandrepfilho.blogspot.com

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