Teresópolis, 1962

Nas tardes de sábado ou domingo a família fazia passeios até a longínqua Barra da Tijuca ou pelo Alto da Boa Vista. Às vezes o pessoal arriscava um passeio mais longo. Mais raros, estes eram os meus favoritos.

DKW Vemag na Av. Brasil

Nestas ocasiões marcava-se encontro no início da Av. Brasil.  Era um local adequado para todos os que saíam do Rio de Janeiro vindos da zona norte ou da zona sul.  Naturalmente, uma coisa pouco recomendável para se fazer atualmente.

Vovô, grande incentivador destes passeios, era invariavelmente o primeiro a chegar.  

A Vemaguete 58 do Horácio em frente ao Bife Grande

Desta vez o destino era Teresópolis.  O que nunca saiu da minha memória deste passeio foi o restaurante no centro de Teresópolis: Bife Grande.  Ficava na avenida principal, a Feliciano Sodré, acho eu. Não creio que ainda exista.

Cariocadorio e o relevo típico de Teresópolis ao fundo

 

Dauphine, fuscas, aero e charangas

No início dos anos sessenta, com o progresso dos anos JK, as famílias de classe média podiam ter um carro e uma casa com os eletro-domésticos básicos sem problemas.  A educação não era exemplar mas o acesso à escola pública assegurava uma instrução razoável.  As escolas particulares tampouco eram a preço de universidade americana como são hoje.  Tipicamente, bastava o homem ter um emprego enquanto a mulher cuidava da casa para que a vida fosse razoavelmente tranquila para a família.   Passeios como este eram bem acessíveis para a classe média.

Águas limpas

 O passeio incluiu esta incursão a um rio de Teresópolis que, se estiver como os que conheço atualmente, não seria tão atrativo hoje em dia.   A poluição tomou conta dos rios da serra do estado que passam por dentro das cidades.

Embora precárias, as estradas tinham pouco trânsito o que diminuía os riscos. 
Era fácil o ir e vir sem o perigo de um grande engarrafamento na Av. Brasil, por exemplo, e muito menos um arrastão por aí.

Pelo álbum de fotos, concluo que voltamos por Petrópolis.  A estrada que liga Teresópolis a Petrópolis era famosa então pela beleza do visual e das hortências ao longo da via. Após 50 anos,  a estrada não mudou para melhor. Tradicionalmente mal cuidada, ficou ainda pior com o temporal do início do ano.   

Estrada Petrópolis-Teresópolis

Espero que Teresópolis, Friburgo e partes de Petrópolis afetadas pela calamidade do início do ano se recuperem logo.  Apesar de os nossos “homens públicos” roubarem até merenda de criancinha carente.

Fotos: Viagem a Teresópolis, 1962 (acervo pessoal Cariocadorio; proibida a reprodução sem autrorização)

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3 Respostas to “Teresópolis, 1962”

  1. Luiz D´ Says:

    Estive outro dia em Teresópolis e fiquei impressionado de como está feia. Construções sem nenhum critério transformaram a antiga bela cidade.
    Muito boas as fotos.

  2. Luiz Roberto. Says:

    sou do Rio e moro atualmente em Teresópolis…estou vendendo minha casa e pretendo descer a serra novamente…conheci Teresópolis desde 1954 e tinha casa lá, na mesma época em que o Amigo conheceu…uma período mágico onde a beleza da cidade era impressionante…um lugar que tinha tudo para ser fantástico, com o descaso das autoridades e a constante falta de educação de nosso povo, está suja, feia mesmo…penso o mesmo do Rio, que apesar de ter um visual espetacular quando visto de cima, vai aos poucos caindo de qualidade…a turma do spray, pichadores com um QI extraordinário, contribui bastante para isso…rsss…

  3. Tainan Vieira Says:

    Nossa fico triste pela impressão ruim de Teresópolis, nossa cidade realmente não tem sido local de grande investimento por parte das autoridades, que infelizmente só acham que sabem administrar, mas não praticam muito suas palavras. apesar disso Teresópolis possui belas paisagens como o lago comary, que faz parte do cartão postal de Teresópolis e o parque nacional da serra dos órgãos que recebe turistas o ano todo, e de todos os lugares do mundo. As belezas naturais de Teresópolis, com certeza não se comparam com as vistas antigamente, mas ainda temos coisas bonitas, vale a pena visitar também a pedra da tartaruga, a pedra do sino (pra que tem disposição), são lugares impares.

    Apenas uma observação: A rua Feliciano Sodré existe e é hoje paralela a avenida principal na várzea.

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