Archive for outubro \28\UTC 2012

José Dirceu; herói ou vilão do mensalão?

28 de outubro de 2012

A defesa de José Dirceu alega que deve ser dado crédito à vida pública pregressa deste senhor para efeito de avaliação da sua pena.
Diz o memorial da defesa:

“A análise dos fatos relevantes da vida de José Dirceu se inicia na década de sessenta, quando era um dos líderes do movimento estudantil na luta contra um regime político violentíssimo, que desrespeitava inúmeras garantias individuais e fazia uso da tortura. Em 1968 foi preso ao participar de um congresso estudantil, permanecendo encarcerado por quase um ano, quando então foi banido do país”. 

Ora, José Dirceu e os demais não foram julgados pelo que fizeram no passado mas sim por um repugnante crime que buscava acabar com a democracia brasileira. Desta vez a violência das armas partindo dos quartéis foi substuída pela violência moral da corrupção que encontrou no congresso nacional o ambiente propício para prosperar. 

Estudantes dos anos 70 viam com simpatia a luta que alguns destes réus travavam contra a ditadura.  Por isso, incomoda também a decepção com os que pensávamos  seriam uma alternativa democrática ao regime militar.  

O STF em dia de julgamento de mensalão

O STF em dia de julgamento de mensalão

As evidências e a conclusão do STF apontam para uma possível falta de nobreza de  alguns dos que diziam lutar pela democracia contra a ditadura militar.  A julgar pela intenção retratada na  jornada do mensalão, aquela pode  ser entendida como uma luta para substituir a ditadura militar  por outra, a favor dos seus interesses e convicções pessoais.  Esta possibilidade ajuda a desqualificar a  linha de defesa apresentada. Se naquela época tínhamos uma ditadura a combater, qual a sustentação para a tentativa de golpe na realidade atual?

Não podemos esperar que políticos profissionais se pautem na ética para julgar situações relevantes.  Interesses pessoais, disfarçados ou não de convicção ideológica, são predominantes em quase todos os casos.  Apesar de tudo a esperança ainda fica na democracia e no equilíbrio dos poderes, cujo aperfeiçoamento pode demorar gerações, mas ainda assim é a única chance de fazer do Brasil um grande país.

Tentativas de interromper este processo com golpes, fraldes e corrupção têm que ser vigorosamente combatidas pela sociedade.

Fontes: site Globo.com e Manchete.com

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Os esquecidos do Eduardo Paes

20 de outubro de 2012

Reflexões de um cidadão sobre as eleições 2012 do Rio de Janeiro. 

A Barra da Tijuca é a grande vedete das Olimpíadas do Rio de Janeiro.  Os Trans isso, Trans aquilo, metrô e outras obras de infra-estrutura estão concentradas na Zona Oeste. 

Tirando a Zona Oeste, só a região portuária, graças a uma mudança de última hora, tem investimentos específicos.  Realmente o Porto Maravilha é um conjunto de obras que vai mudar o perfil da região. Os bairros mais tradicionais do Rio, porém, pouco ou nada terão como legado olímpico.

A disparidade com relação aos outros bairros do Rio é tão flagrante que o objetivo de concentrar os investimentos na Barra parece ser o de regar os interesses separatistas da região (veja em Barra da Tijuca, 2017).

Paes após votar no Gávea GC.

Paes após votar no Gávea GC.

Os resultados das eleições refletem este cenário. Campeão absoluto no Rio de Janeiro (mais de 64% dos votos), Eduardo Paes perdeu para Marcelo Freixo em Laranjeiras e no Cosme Velho, tendo vitórias apertadas em Botafogo, Urca, Humaitá, Catete, Jardim Botânico e Lagoa. Justamente nas regiões esquecidas pelo projeto Olímpico. Já no lado Oeste (Guaratiba, Recreio, Santa Cruz e Campo Grande), Eduardo Paes teve mais de 70% dos votos. Faz sentido. 

Tampouco seria conveniente mudar de rumo com tantas obras por terminar. Os novos prefeitos sempre aplicam a perversa lógica de renegar as iniciativas dos antecessores, mesmo estando a obra próximo à conclusão.  Assim nos ensinou recentemente o próprio Eduardo Paes, deixando de lado a maldita Cidade da Sinfonia Inacabada.

O atual prefeito tirou bom proveito de uma enxurrada de dinheiro nunca vista no Rio de Janeiro e da bem costurada união com as esferas estadual e federal.  Na campanha, praticamente sem oposição, pode até se dar ao luxo de reconhecer deficiências da sua administração. 

Precisamos cobrar um mínimo de ação nestes bairros esquecidos pelo Prefeito.  Obras que desafoguem o tráfego, por exemplo. Caso contrário, só ficaremos com o dever de pagar as contas, a começar pelo novo IPTU.

Foto EFE, outubro de 2012.

O Garotinho Maia

12 de outubro de 2012

Reflexões de um cidadão sobre as eleições 2012 do Rio de Janeiro.

As urnas selaram a sorte da bizarra união entre as famílias políticas Maia e Garotinho.  Não poderia ser diferente dos pífios 2,9% de votos conquistados pelo candidato Rodrigo Maia.

Os caciques Cesar Maia e Garotinho fizeram governos de triste lembrança para as populações da cidade e do estado do Rio de Janeiro. Aliás, por mais de um período cada.  Rodrigo Maia, por sua vez, pouco tem a apresentar no seu currículo. No dia da votação da câmara sobre os royalties do petróleo, assunto importantíssimo para o estado, o deputado federal estava numa obscura missão na Alemanha. Uniram-se, portanto, a fome e a vontade de comer.

O resultado se configurava desde o início da campanha.  As pesquisas já apontavam o filho de Cesar como o maior índice de rejeição entre todos os candidatos.  

Eleito vereador, nem assim o ex-prefeito das obras mal-vindas pode celebrar uma  vitória completa. O resultado soou como uma derrota para os Democratas.  Os votos muito abaixo do esperado foram insuficientes para trazer com ele o número de vereadores que o partido pretendia eleger. O DEM viu sua bancada ser reduzida de 8 para 3 vereadores no Rio de Janeiro.   

Creio que poucas vezes as urnas foram tão justas como neste caso.

Gráfico obtido no site UOL

O teto do MAR (museu de arte do Rio)

7 de outubro de 2012

O teto ondulado do MAR

As obras do ousado projeto arquitetônico, que busca unir o palacete D.João VI e o edifício da antiga Rodoviária seguem em ritmo acelerado.
Retirados os moldes de isopor, começa a tomar forma o teto do Museu de Artes do Rio na Praça Mauá.  É justamente este o elemento que dá unidade aos dois prédios.  O resultado parece atingir plenamente o objetivo pois une Palacete D.João VI, construído em 1912, ao moderno prédio da rodoviária sem agredir exageradamente o estilo clássico do palacete. 

O mais interessante é que o conjunto será certamente objeto de muita polêmica. A polêmica despertará a  curiosidade e a atenção do público, ajudando a aumentar a frequencia do MAR. Espero que o acervo e as mostras temporárias sejam dignas do que se está investindo no museu.

Uma preocupação é o sistema de drenagem das partes mais baixas do teto.  Já trabalharam muito ali e a água continua se acumulando em vários lugares.  Continuaremos observando e comentando as obras do Porto Maravilha.  

O teto do MAR visto da Perimetral

O teto do MAR sobre o Palacete D.João VI

O teto do MAR sobre o Palacete D.João VI

Fotos by Cariocadorio, outubro de 2012.

Veja fotos sem o teto e outros posts sobre o MAR:
https://cariocadorio.wordpress.com/2011/11/26/as-obras-do-mar/
https://cariocadorio.wordpress.com/2011/04/18/palacio-d-joao-vi-segue-a-obra/
https://cariocadorio.wordpress.com/2010/05/22/palacio-d-joao-vi-em-obras/