Archive for junho \29\UTC 2013

A iraquização do Brasil

29 de junho de 2013

130628 tomorrow bel t meSucedeu em um Cabaret, pouco antes da metade do século passado. Enquanto um grupo de jovens nacionalistas cantava tomorrow belongs to me,no idioma de Beckenbauer, um velho pensava quietinho com os seus botões:
“Essa porra não vai dar certo”, no mesmo idioma. 
Deu no que deu. A coisa foi tão feia que o velho nem teve coragem de dizer:
“Habe Ich nicht gesprochen?”

Dá pra ficar preocupado quando a gente observa recentes escolhas tupiniquins.
Diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és.
Optamos por fazer amizade com uns tipos que têm futuro mais do que incerto. Como se não bastasse, estão mais para amigos da onça, pois só fazem nos passar a perna. Sobretaxam nossos produtos, dão calote, tomam nossas empresas, são parceiros em refinarias mas só nós que botamos dinheiro…
Que vantagem o Brasil leva com isso? 

O pior é que nos servem de exemplo.  O Executivo sonha com a argentinização do Brasil, doido para acabar com a liberdade de imprensa e com quem possa investigar suas ações.  

São também vários os seguidores bolivarianos, por quem nossa política externa nutre simpatias explícitas. O mensalão foi uma ótima ideia para a tão almejada venezuelização do país. E hoje, será que o racha maniqueista pobre x rico, bem x mal, não é interessante para um governo questionado nas ruas?

E tá rolando uma PEC que faz a 37 ruborizar. A PEC 99/11 está a dois passos do paraíso. Ela dá a entidades religiosas o direito de propor ação direta de inconstitucionalidade ou de constitucionalidade ao Supremo (STF). Se a proposta de mexer no status de estado laico deste grande país ganhar no tapetão, estaremos acelerando a iranização do Brasil.
Vai ser ótimo para quem acha legal apedrejar adúlteras.  Que tal?

130628 mesopotamia0Ao mesmo tempo em que se tenta impedir o preconceito por decreto, vivemos um momento de intolerância e radicalização pouco comuns. Basta lembrar do Newton, aquele da maçã, para perceber o risco que corremos de viver para ver a mesopotamização do Brasil, com consequências de dimensões iraquianas.

Cada um quer um pedaço de tomorrow pra chamar de seu, sem fazer questão de uma ideologia para viver. Este cenário tem uma coisa que remete ao tal Cabaret: o pensamento do velho bávaro. 
“Essa porra não vai dar certo”, em bom brasileiro.  

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Fotos: partitura de “Tomorrow Belongs to me” site http://www.sheetmusicplus.com/look_inside/19410442
Para ver a cena de Cabaret  e ouvir a música clique aqui.
Mesopotamia, foto obtida na internet

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Hora de voltar ao trabalho

22 de junho de 2013

A mensagem está dada.
Embora a presidente tenha fingido não entender direito, ficou claro que estes que ela disse estar chamando para negociar não representam legitimamente aqueles que foram para as ruas nem mesmo os que ficaram em casa.

Espero que a turba política tenha entendido um pouco e comecem a desmontar o circo de deboches que se tornou o congresso.  Quanto mais odiado, mais controverso, mais impróprio para a função, mais certo chegar ao cargo.  É assim que condenados no STF continuam com o mandato, pastor defende os direitos humanos da Igreja dele, Renan se protege de seus crimes e comissão de ética tem gente que foi repudiada por não tê-la.  Muito piores são os que os levam a estes postos. 

Se insistirem neste momento, trabalhadores, estudantes e pessoas comuns em geral, correm o risco de servir de massa de manobra, se é que não já serviram.  

Grupos organizados utilizam as manifestações para seus próprios interesses. Mesmo legítimos, podem não ser exatamente os mesmos dos que estão ali engrossando as manifestações.  Há muito mais do que vinte centavos, PEC 37, cura gay, corrupção e fora Renan sendo colocado em pauta.  Coisas que passam longe do entendimento da maioria, na qual me incluo.

Sem falar na proteção que as manifestações promovem para vândalos, bandidos e ladrões vulgares.

É hora de voltar ao trabalho.

Sem partido!

21 de junho de 2013

Nas manifestações pelo Brasil afora destaca-se, entre tantas mensagens importantes, o repúdio a tudo que corrói as bases da democracia nacional.  O símbolo maior deste repúdio foi a intolerância ao uso do movimento por partidos políticos e sindicatos.  Os gritos de “sem partido”  que escutamos nas ruas mostram que a população considera que os atuais partidos políticos, base da democracia, não nos representa legitimamente. 

SEM PARTIDO !!!

SEM PARTIDO !!!

Estrutura alguma resiste muito tempo quando tem a sua base comprometida.  Que os partidos entendam esta mensagem de que é hora de trabalhar pelo coletivo mais amplo e não apenas para seus interesses mais próximos, muitos destes carentes de um mínimo de moralidade.

Por outro lado, que a triste ação de uma minoria de vândalos e bandidos, sem compromisso  algum com a democracia e o interesse público, não macule a representatividade deste movimento. Para a midia e para o interesse de muitos é fácil chamar a atenção para imagens de depredações e violência.  Vende muito mais que o lado pacífico do movimento. Um movimento popular sem similares na história do país. 

Aos bandidos e vândalos a força e o rigor da lei.

Aos partidos e sindicatos a mensagem de que têm que mudar para se aproximar de quem deveriam representar.

Aos governantes e demais políticos … Bem , o que dizer a maioria deles? 
Por considerarem legítimas suas ações em benefício próprio, por acharem que basta pão e circo para agradar a população, por acharem que é legítimo limitar a justiça e oprimir a imprensa, por acharem que os fins justificam os meios, por viverem uma rotina totalmente descolada da nossa e por tantas outras coisas impróprias, os políticos profissionais talvez nem entendam exatamente porque tanto barulho.   

Foto obtida em http://www.blogdomagno.com.br/

Fair-Play é o cacete, Sr. Blatter

16 de junho de 2013

130615 brasil-2014[1]O Sr. Joseph Blatter ainda não entendeu que a maracutaia entre a FIFA e a raça política brasileira excedeu os limites. Mas que limites? Este senhor está acostumado a todos os tipos de sacanagens internacionais.  A FIFA jamais explica as jogadas ilícitas em que participa no mundo todo.  O Brasil não foi escolhido por acaso para sediar a Copa e as Olimpíadas.  Aqui temos o ambiente perfeito para jogadas campeãs de corrupção. Um esquema infalível para ambos os lados. 

Foi emblemático o episódio no estádio Mané Garrincha na abertura da Copa das Confederações. Diante da sonora vaia para a presidente do país, o Sr. Blatter teve a cara-de-pau de reclamar de quem vaia este conluio:

“Amigos do futebol brasileiro, onde estão o respeito e o fair-play, por favor?”, disse o Sr. Blatter.

130615 Joseph-Blatter-300x199Fair-play é o cacete, Sr. Blatter… Onde está o fair-play quando se constroem estádios pelo dobro do valor razoável? Onde está o fair-play quando se adotam 12 sedes em vez das 8 necessárias só para gastar mais?  Onde está o fair-play nas suas associações com dirigentes de países terceiro mundistas, dirigentes das CBFs da vida e políticos brasileiros? Onde está o fair-play quando tudo isto é feito para que a população que financia as obras superfaturadas veja os jogos nos telões das praças?
E ai de quem precisar de assistência médica porque a grana dos hospitais está metade nas “arenas” e a outra metade em bolsos indevidos.

E antes que eu me esqueça, arena é o cacete.  O nome destes elefantes brancos é estádio de futebol.  

As demonstrações de indignação da população já chegaram tarde.  É hora de dar um basta a esta política de Panis et Circensis. Que o mundo todo saiba o que se passa por aqui, com a conivência e a chancela internacional da “menos transparente” das entidades internacionais, a FIFA.  

Imagens obtidas na internet.