Archive for setembro \28\UTC 2014

A Igreja Católica e o Vermífugo Fahnestock

28 de setembro de 2014
Frente e verso

Frente e verso

Naquele tempo não havia internet, televisão nem mesmo rádio. Como faziam os fabricantes para anunciar seus produtos?

Certamente através dos jornais, revistas e anúncios em cartazes e espaços públicos. Os santinhos no baú de fotos da família revelaram uma forma de propaganda que eu não esperava. No início do século passado a igreja católica tinha tanta influência que até os santinhos vendiam.

Cem anos depois o que se vê é o maior país católico do mundo se tornando evangélico. A igreja católica pouco a pouco perde influência. Seu lugar vai sendo ocupado por pastores que, com suas igrejas e franquias, se aproximaram do povo suprindo suas carências espirituais.

Em quantas eleições teremos um pastor (a) presidente?

 

Ilustração: santinho do baú da família

 

Nas asas do Electra II, da VARIG

27 de setembro de 2014
130920 saleta do electra

Saleta na cauda do Electra

Ameaçava chover e, antes que ficasse sem teto,  corri para Congonhas. Não queria perder a noite de sexta-feira no Rio.  Cheguei a tempo do voo das 17:00 horas. Fui um dos últimos a entrar no Electra e sentei no banco lateral da “sala de estar”, na cauda do avião.  Logo caiu um toró indescritível.

Decolamos após mais de uma hora de espera na pista. A comissária veio dar um aviso mas não terminou de falar.  Um forte solavanco jogou a moça no chão, lá no meio da aeronave. Daí por diante sentimos o Electra tremer, mergulhar e subir violentamente inúmeras vezes. Raios pareciam acender a fuselagem do avião dando um susto atrás do outro.

O pior ainda estava por vir. Acabou o estoque de saquinhos de enjoo. Um odor azedo insuportável tomou conta da cabine. Quem ainda estava inteiro não resistiu…

Cheguei a ver as luzes do Rio de Janeiro lá em baixo mas por pouco tempo. O piloto deu meia volta e retornou a São Paulo. Continuou o violento e interminável sobe-e-desce. Sem teto para descer em Congonhas seguimos para Vira-copos. Com um motor a menos, o bravo turbo-hélice finalmente aterrizou em Campinas. Aliviados, passageiros se davam as mãos, sorriam, choravam,  alguns se prometiam amar até o fim dos tempos.

Às 4 da manhã de sábado, a bordo de outro Electra que saiu do Rio para nos buscar em Campinas, pousávamos tranquilamente no Santos Dumont. Umas poucas horas de sono e eu já estava pronto para o fim de semana. Eram outros tempos.

Apesar do sufoco, em momento algum pensei no pior. Afinal, em 1978 nada podia causar dano àquele jovem engenheiro.

Nem imagino como me sentiria se acontecesse hoje. Aprendi muito desde então, principalmente que não sou imortal.

Electra II da VARIG

Electra II da VARIG

Fotos obtidas na internet.

Gerundismo; será que veio para ficar?

21 de setembro de 2014

140921 GerundismoA invasão gerundista começou como forma de enrolar o cliente:
“Estaremos enviando sua compra na próxima terça-feira.”

A principal característica do gerúndio é que ele indica uma ação contínua, que está, esteve ou estará em andamento, ou seja, um processo verbal não finalizado. Fonte: Info escola .

Portanto, “estaremos enviando” não é o mesmo que “enviaremos” sua compra na terça. Podem começar a enviar na  terça e continuar enviando por meses sem que a compra chegue.

O gerundismo acabou ganhando contornos de erudição.  As pessoas honestamente acham que estão falando bonito. Ontem mesmo, a simpática garçonete perguntou ao trazer a conta.

“Podemos estar incluindo a gorjeta?”

Tudo bem, inclui a gorjeta mas por favor não gerundia uma coisa tão simples.

Em São Paulo o gerundismo tem uma dimensão a mais.  O paulista tem a estranha mania de adicionar um “i” aos gerúndios:
Cê tá entendeiiiindo?”.

O português é suficientemente difícil.  Some-se a isso a deficiência do ensino e já temos aí uma base sólida para maltratar o idioma. Não precisamos de mais nada. 

Voto no candidato que prometer acabar com o gerundismo.

Ilustração obtido aqui.

Porto Maravilha, tomando forma

7 de setembro de 2014
A Perimetral e o sol

A Perimetral e o sol

Enquanto passado e futuro ainda convivem, começa a tomar forma a nova região portuária do Rio de Janeiro.

A demolição da Perimetral permitiu que uma luz há muito não vista voltasse a banhar  a Av. Rodrigues Alves e a Praça Mauá.

O Museu de Arte do Rio é, já há algum tempo, uma realidade.  Acho interessante aquele teto ondulado sobre o edifício e o Palacete D. João VI. A polêmica arquitetura é mais uma atração para a Praça Mauá.

O Museu do Amanhã também começa a tomar forma ao mesmo tempo em que se removem os restos da Perimetral.

Obras do Museu do Amanhã e restos da Perimetral

Obras do Museu do Amanhã e restos da Perimetral

Ainda há muita coisa por fazer, como arranjar uma solução para o triste e abandonado edifício A Noite, aquele que foi o maior arranha céu da América Latina. Quem sabe um dia caminharemos tranquilamente por modernas vias e pelas vielas do Morro da Conceição, berço do Rio de Janeiro.

A Perimetral já foi mesmo demolida, não adianta continuar reclamando. Melhor torcer para que a maior transformação urbana no Rio de Janeiro nos últimos quarenta anos nos permita melhor desfrutar da Cidade Maravilhosa.

Artigos sobre este assunto:
https://cariocadorio.wordpress.com/2011/11/26/as-obras-do-mar/
https://cariocadorio.wordpress.com/2011/04/18/palacio-d-joao-vi-segue-a-obra/
https://cariocadorio.wordpress.com/2010/05/22/palacio-d-joao-vi-em-obras/
https://cariocadorio.wordpress.com/2014/01/26/tchau-tchau-perimetral/
https://cariocadorio.wordpress.com/2011/04/18/palacio-d-joao-vi-segue-a-obra/

Fotos by Cariocadorio, agosto de 2014.