Archive for the ‘Animais’ Category

Meg, uma doce criatura

24 de maio de 2014
Meg

Meg

Meg era uma destas criaturas que parecem estar fora de seu ambiente na Terra de tão boas que são. Seu porte físico de pastor alemão contrastava com a doçura do seu olhar e a bondade de suas atitudes.  Tenho a impressão de que se humana fosse, Meg seria alguem como a Madre Teresa de Calcutá.

Quando a bebê Ruby chegou, Meg abraçou a pequena intrusa com o carinho de mãe que nunca fora. A agitadíssima boxer alegrou a velhice da Meg.

"Mamãe" Meg e Rubi

“Mamãe” Meg e Ruby

Já bem velhinha sofreu com a fraqueza das pernas traseiras. Ficou rabugenta mas até nisso era boa.  Às vezes latia de ciúmes da outra sem jamais ser agressiva.

Esta semana finalmente se foi.

Megs como esta são criaturas raras na Terra e cada uma que se vai diminui o já carente estoque de bondade do planeta.  Espero que Deus tenha tido o cuidado de colocar outra Meg na Terra.

 

Fotos by Cariocadorio: Meg na piscina; Meg e Rubi (2010)

 

Feliz Natal e próspero 2012

17 de dezembro de 2011
Para todas as espécies do planeta

Foto by Cariocadorio: Papagaios de Natal (julho, dezembro/2011)

Boa Vista, RR, uma grata surpresa

3 de agosto de 2011

A cidade muito bem arrumada surpreende o carioca recém chegado.  Avenidas larguíssimas de mão única com enormes praças nos canteiros centrais seguem a urbanização planejada.  Não há problema de tráfego para os seus cerca de  250.000 habitantes. 

Orla Taunaman

Cachoeira do Paiva, Tepequem

Nas serras de Tepequem, a 200 Km da capital, encontra-se um clima agradável embora com uma infra-estrutura insípida para o turismo.  Depois de um bom banho em uma das várias cachoeiras admirando o belo cenário que a natureza oferece não há muito que reclamar do pouco que os estabelecimentos locais oferecem.

Infelizmente, não precisa muito tempo para perceber as mazelas típicas do resto do Brasil.  A classe política controla as oportunidades e  as leis são mais iguais para alguns que para maioria.
Nas palavras dos locais um pouco da realidade brasileira: 

  • “O parque Anauá ta abandonado.  O Governador Fulano de Tal fez o parque.  Quando outro entra deixa de lado. Quando ele volta ajeita pro seguinte abandonar de novo.” (sobre um enorme parque que poderia ser formidável).

Praça das Águas

  • “A Praça das Águas só teve água no início, depois roubaram as bombas e as válvulas.  Funciona uma vez ou outra mas roubam tudo de novo.” (a bela praça seria ainda mais bonita se os chafarizes funcionassem).
Boa Vista vista do Rio Branco
  • “O empresário fez uma pesquisa e disse que tinha mercado. Tem uns anos já e ele não vendeu tudo” … “Acho que o limite era de 3 ou 4 andares mas já não se fala nisso”  (sobre o inexplicável edifício residencial de 8 ou 10 andares  que se destaca na foto)

Lá no fim do Brasil não é muito fácil encontrar quem faça turismo. O  barqueiro explicou de forma simples e direta, com a experiência de uma vida inteira em  Boa Vista.

  • “Aqui não vem muito turista não. Só quem tem algum parente e vem visitar ou quem vem a negócios e aproveita pra conhecer é que faz turismo em Boa Vista”, afirmou ele durante o passeio pelo Rio Branco.   

Onça Pintada

Dias depois, finda a visita,  a constatação de que Boa Vista é uma cidade mais limpa, mais humana e com menos problemas sociais que outras capitais brasileiras. 

A cidade, entretanto, é administrativa e vive principalmente do salário pago aos empregados dos governos locais e federal.

Há um grande contingente do exército na região. Policiam as fronteiras, fazem incursões de treinamento na  selva e preparam o pessoal que vai para missões internacionais, como ao Haiti, De quebra ainda cuidam de animais, desde jandaias a onças de todos os tipos, antes de retorná-los à vida selvagem.  

Fotos by Cariocadorio: Orla Taumanan no rio Branco, Boa Vista; Cachoeira do Paiva, Tepequem, RR; Praça das Águas, Boa vista; Boa Vista vista do rio Branco; Onça pintada (julho de 2011)

A gata Tai, vivendo perigosamente

25 de maio de 2011

Por mim não teríamos um segundo gato, ou uma segunda gata. Mas a Tai acabou ficando.  Expliquei isso quando falei da Tigue, em “Um dia um gato”.

No início a pequena era desconfiadíssima, mal dava pra chegar perto.  E hoje não é muito diferente. Depois cresceu e começou a entrar no cio, outro problema.  Para seguir o ritmo da vida, teve filhotes. 

Macho de qualquer raça é bobo mas persistente. O que veio cruzar com ela tomou muita  lanhada mas não desistiu.  Certo dia pegou ela de jeito e o resultado foram cinco filhotes parecidos com ele.

A Tai tratou bem dos filhotes mas logo que se livrou deles ficou abusada. Olhar pela janela ou através da grade da varanda tudo bem.  Agora, andar pelo lado de fora da grade, deitar por lá e ficar corujando passarinho já era um pouco demais. 

Eu, que já tomo remédio pra pressão alta, decidi que tinha que me livrar do problema.  O máximo que consegui foi que concordassem em colocar uma tela junto à grade.  Felizmente ela ainda não se interessou em escalar a tela e passar por cima da grade.

Fotos by Cariocadorio: Outubro de 2010 e Maio de 2011

A graça da garça e o Judas

23 de abril de 2011

Aquela era apenas mais uma caminhada em torno do agradável laguinho de Nogueira. Local dos mais aprazíveis descontando-se a convivência com o odor dos cavalinhos.  Mas há que ser tolerante, os cavalinhos estão ali fazendo a alegria da criançada há décadas.

Nos primeiros passos a branquíssima garça chamou atenção.  Saquei o celular e me dispus a fotografá-la. Só que a paciente ave não permite a aproximação humana, um bípede em que ela mui sabiamente não confia nem um pouco.  Antes que eu pudesse chegar suficientemente perto já estava ela em seu gracioso vôo na direção oposta.

Ficamos, eu e a garça, naquele jogo de aproxima e se manda durante algum tempo.  O zoom do celular também não ajudava.  Até que o bicho cansou-se da brincadeira e foi aninhar-se no alto da árvore onde sabia estar a salvo daquele humano chatinho.  

No outro lado do lago encontramos um elemento tradicional dos sábados de aleluia que vem perdendo espaço no Rio de Janeiro:  um Judas.
Sempre achei uma tradição um tanto agressiva esse negócio de pegar um boneco e sair malhando e tacando fogo. Alguma coisa que deve ter sua origem nos tempos da “santa” inquisição, um dos períodos mais nefastos da história das religiões. Mas tradição é tradição e aqui vai o registro em prol da curiosidade.  Que Judas você malharia este ano?

O laguinho de Nogueira e sua “pista para caminhada” andam carecendo de uma boa repaginada.  Jardins abandonados, pessoas fazendo churrasco em local impróprio e barracas instaladas na calçada impedindo a caminhada são apenas algumas das mazelas locais.

Fotos by Cariocadorio (abril de 2011)

Ruby

12 de julho de 2010

Ruby

De repente alguem chegou com a novidade:
“Você quer uma cadelinha boxer que a mãe está começando a rejeitar?”
“Claro que não”,  foi uma resposta fácil e rápida.
Como uma imagem vale mais que mil palavras, a conclusão deste diálogo está na foto. 

E assim chegou a Ruby que logo foi levada para conhecer a Meg (aqui), dona da casa há mais tempo que nós.  Recém saída de uma cirurgia a Meg recebeu muito bem a nova companheira.  Pode-se dizer que a adotou como o filhote que nunca teve.

Meg e Ruby

Depois veio uma conversa de que boxer tem que cortar o rabo.  Eles crescem e o rabo fica desproporcional e deselegante.  Felizmente ficou só na conversa. Ninguém pergunta pro bicho se ele está preocupado com a “elegância” ou se prefere ficar inteiro.  Cometem-se atrocidades com animais em nome da estética humana. Cachorros e gatos são os que mais passam por essas alterações que às vezes os agridem funcionalmente. 

O nome dos bichos também é uma questão interessante.  Por que será que tem tanto nome de bicho em inglês?  Certamente tem a ver com ídolos de cinema e uma certa dominação cultural.  O brasileiro tem fascinação por inglês nas coisas mais simples. Os marqueteiros sabem disso e preferem “sale” e “delivery” aos similares nacionais.  Tem até “rebolation”…

Pensei que ela poderia chamar-se como um ídolo brasileiro: Ivete, Vanessa ou Claudia Leite, assim, com nome e sobrenome. Alguém sugeriu Ruby e  pegou rapidinho. 
No further questions…

Fotos by Cariocadorio: Meg e Ruby, junho 2010.

L’Ermitage

16 de janeiro de 2010

Quando eu comecei a utilizar termos como cultura corporativa, treinamento de pessoal, “service delivery” e o escambau, senti que estava no caminho errado.  O título deste artigo acabaria sendo algo do tipo “A  transcendência da interação  colaborador/cliente no sucesso qualitativo das empresas prestadoras de serviço nas áreas de saúde e estética”.  Então simplifiquei o título e resolvi começar de novo.

Piscina no Spa L'Ermitage

Atualmente é comum empresas chamarem  empregado de colaborador e cliente de parceiro.  As que mais fazem propaganda destes termos são as que mais acham que empregado é um mal necessário e parceiro não passa de freguês mesmo.  Gastam fortunas com treinamento de pessoal e muitas vezes o processo não é bem sucedido porque na verdade a direção não “walk the talk” (lá vou eu de novo).  Na primeira virada da maré vai um monte de colaborador pra rua.

Nota-se a diferença quando se tem um serviço prestado com a devida atenção e profissionalismo. Não porque isto foi “ensinado” mas porque esse tipo de atitude esta impregnada na própria estrutura operacional da empresa e, muito mais do que isso, no caráter e na sensibilidade das pessoas que diretamente prestam o serviço. 

Arara simpática...mas deixa o dedo longe

Vivi esta experiência todas as vezes que fui ao Spa L’Ermitage.  Da pessoa que atende o telefone no primeiro contato ao porteiro que dá tchau na hora de ir embora, todos são atenciosos por princípio.  Seja no refeitório, na secretaria, nas sessões de ginástica, nas salas de massagem e estética, enfim, todas as atividades são conduzidas de forma simples e profissional com o mesmo clima, a mesma atenção e um sorriso sincero nos lábios. 

Muitos procuram o L’Ermitage para resolver um problema de saúde, às vezes até mais mental do que física propriamente dita.  E os empregados sabem escutar, sabem entender personalidades diferentes e cuidar de todos com a devida atenção.  Como em qualquer lugar, os clientes têm críticas a alguns aspectos do spa mas a simpatia e a qualidade do pessoal que trabalha no L’Ermitage são uma unanimidade.  Por isso é comum encontrar pessoas que vão ali com freqüência, muitas delas há mais de 20 anos.

L'Ermitage

Empresas não conseguem este tipo de atitude dos empregados apenas com programas, salas de treinamento ou quadros de avisos.  As pessoas têm que ser selecionadas considerando a importância dessa característica da personalidade e mantendo um ambiente que honestamente permita que elas exerçam esta característica.  Gostar de gente.

Em um mundo complicado e de permanente atrito entre as pessoas, quem não gosta de estar em um ambiente tranqüilo onde as pessoas lhe dêem atenção e lhe tratem bem?   A empresa que logra fazê-lo terá, certamente, a fidelidade deste cliente e manterá uma real vantagem competitiva no mercado (opa! …desculpe a recaída no final).

Estação de trem de Werneck

O Spa L’Ermitage fica em Werneck, distrito de Paraíba do Sul, RJ.  Um lugar pequeno onde tem uma fábrica de doces formidável pra quem passou uma semana no spa.

Nota: O autor não tem relação alguma com o Spa L’Ermitage, exceto ser frequentador do mesmo.

Fotos by Cariocadorio: Piscina do L’Ermitage (Janeiro 2007); Arara (Janeiro 2007); L’Ermitage (Janeiro 2007)Estação de Werneck (Janeiro 2010)

A gata de Natal

23 de dezembro de 2009

Gato é gato, gata é gata.  Cada gato é um gato, cada gata é diferente. E por falar em gatos, cada gata no seu galho, eu não me canso de falar.  De galho em galho, a gata enche o gato, como se lhe fosse quebrar um galho.  Um galho de fim de dezembro, dessa árvore de dezembro, um dezembro que ainda fica entre janeiro e novembro. Embora  já não se façam dezembros como antigamente, dezembro ainda é mês de Natal.  Pois seja esta uma árvore de Natal, de uma gata carioca, uma gata de Natal.     

A gata de Natal

 Foto: A Gata de Natal (by Cariocadorio, 19/12/09)

Um dia, um cão

22 de novembro de 2009

Depois de muito pensar decidimos ter uma casa na serra. Tranquilidade, esportes e um clima mais gostoso que o calor do Rio de Janeiro fazem muito bem para recarregar as baterias no fim de semana.  Encontramos uma casa  do jeito que queríamos.  Um pouco mais do que podíamos mas ainda assim fechamos o negócio. 

Meg atenta

Durante as negociações avisei ao proprietário que não poderíamos ficar com o caseiro e muito menos com o cão.   Conversa daqui e dali e ele nos convenceu que o Sr. Daniel  era ótimo e que valia a pena ficar também com o cão. Decidimos, em comum acordo com o Sr.Daniel, fazer uma experiência. 

 E lá estava eu com um segundo animal doméstico.  Uma gata (Tai, de “Um dia, um gato“) e  um cão.  Para não fugir da regra o cão é uma cadela, que atende pelo nome de Meg. Quer dizer, atende quando o Sr. Daniel manda, porque os donos da casa conseguem muito pouco com ela.  

A Meg é um pastor alemão que já vai para os seus 8 anos de idade. Tem sempre um ar um pouco triste, exceto talvez quando late ferozmente para os raros transeuntes daquela rua tranqüila.  Ela impõe respeito mas é extremamente afetuosa e carente da  companhia de humanos.  

Meg Tristonha

Quando o Sr. Daniel não está ela invariavelmente penetra na casa.  No início ainda conseguíamos que nos atendesse um pouco mas a Meg logo aprendeu que não podemos com ela.  Entra rápido e se joga no chão.  Quanto mais a gente tenta tira-la do lugar mais ela se ancora de alguma forma.  Já tentei arrastá-la pela coleira mas o bicho é muito pesado e além disso tem um bocão cheio de dentes.  Não acredito que vá  usar contra mim mas prefiro não abusar da certeza.  Certa vez neste processo de arraste ela simplesmente se agarrou na porta com as partas dianteiras. 

Mas sua maior arma é aquele olhar que pede para deixá-la onde está.  Eu não me deixo impressionar por isso mas acabo concordando que fique.  Só pra não contrariar a esposa, é claro.   A Meg é um ser boníssimo … e já faz parte…

Meg Tranquila

Fotos by Cariocadorio, Meg (novembro de 2009) 

Um dia, um gato

19 de outubro de 2009

Se ir ao cinema não é alguma coisa que eu faça com freqüência, este definitivamente não é o programa favorito do meu irmão.  Ainda assim, como quase todo mundo,  temos os nossos filmes preferidos.  Ele sempre menciona um filme dos anos 60 de cujo nome tomo emprestado o título deste post. O tal gato tinha o terrível poder de mudar a cor da pessoa que ele olhava, deixando de alguma forma exposto o seu caráter.  Imagina soltar o tal bichano no congresso nacional… 

O gato desta história é diferente.  Nem mesmo é um gato e sim uma gata que atendia pelo nome de Tigue.  Atendia é maneira de se dizer  porque, como é usual nestes bichos, a Tigue só atendia quando era do interesse dela.  

Picture 026Após alguns anos de resistência eu cedi aos demais membros da família e permiti que adquirissem um gato. Não sem antes estabelecer os limites para a vida do bichano, onde ele poderia ir ou não, a que horas etc.   Além disso, me garantiram que gato só faz suas necessidades no local apropriado o que provou ser verdade.  Mas ilusão minha achar que alguém impõe limites  a um gato.  A Tigue sempre freqüentou os lugares da casa que ela queria.  Miava pra entrar ou pra sair e algum humano dela acabava abrindo a porta.  Fomos muito bem ensinados.

Na primeira vez que ela entrou no cio o pessoal estava fora e eu passei uma noite em claro agüentando altíssimos e roucos miados. No cio seguinte decidimos arranjar um gato pra ela.  Não deu certo, eles não se entrosaram.   Do alto dos seus 12 anos de idade minha filha concluiu que precisávamos de um gato mais experiente. Funcionou.  Vários meses depois a Tigue deu a luz a cinco gatinhos que, uma vez amamentados e crescidinhos, foram sendo distribuídos. 

Ela tinha uma relação particular com cada um, este interessante animal que gera ódios e paixões.  Aprendi várias coisas com este convívio.  Sobre pessoas e animais.  Tenho certeza de que ela foi importante para a formação das crianças.  Não esperava sentir tanto como aconteceu quando a Tigue se foi.  De qualquer forma continuo não sendo favorável a ter animais dentro de um apartamento.  Apesar da saudável experiência, decidi que não teríamos outro bicho. 

Não atende pelo nome de Tai a nova gata da casa

Não atende pelo nome de Tai a nova gata da casa