Archive for the ‘Automobilismo’ Category

Ford 1951, no retrovisor

5 de junho de 2010

A tranquila praça de Nogueira, neste bucólico bairro de Petrópolis na serra do Rio de Janeiro, tem um pequeno centro cultural que funciona na antiga estação de trem.  Na praça se concentram o comércio e as atividades culturais e religiosas locais.

Estação de Nogueira

Quase sempre a grande ateração da região são a tranquilidade e o clima ameno da região serrana do Rio, onde se vai para recarregar as baterias no fim de semana.  Mas Nogueira às vezes nos propociona algumas surpresas agradáveis.  Desta vez foi este belíssimo Ford 1951 que decidi fotografar quando já havia passado por ele.

No retrovisor

 Loga atrás dele a famosa delicatessen Pão & Pão, onde confesso que jamais comprei o que o nome indica.  Só vou ali para comer empadas, entre as melhores do Rio de janeiro.  Mas pra quem quer mesmo ver o Ford 51, aqui vai uma foto mais de perto.  Parabéns ao proprietário por mantê-lo assim para a alegria de quem aprecia carros antigos.

Ford 51

 Fotos by Cariocadorio: Praça de Nogueira (Janeiro dse 2005); Ford 51 (junho de 2010)

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Trampolim do Diabo

12 de abril de 2010

Acidente na Visconde de Albuquerque

Dos primeiros passos do automobilismo no Brasil a mais famosa pista de corridas é o Circuito da Gávea no Rio de Janeiro.  As dezesseis provas neste incrível circuito, entre 1933 e 1954, levaram o Brasil às páginas da imprensa internacional. O circuito estendia-se por 11,6 km, passando pela Viscionde de Albuquerque, Rocinha e Av. Niemayer.  Além do desafio de pisos variados, curvas de todos os tipos e sua beleza natural, este circuito tinha o perigo como uma de suas principais características. Daí o nome de Trampolim do Diabo.  

Nesta pista correram os primeiros ídolos do automobilismo brasileiro como Manuel de Tefé, Irineu Corrêa e Chico Landi.  Participaram vários estrangeiros famosos como o italiano Carlo Pintacuda, o alemão Hans Stuck e os argentinos Froilán Conzales e o grande Juan Manuel Fangio.  A francesa Helle-Nice, misto de piloto e dançarina, também ficou famosa no Brasil por correr no circutio.  

Uma ótima descrição do que foi o Circuito da Gávea pode ser vista no site Óbvio (clique aqui) de onde retiro este pequeno trecho sobre o piloto brasileiro Irineu Corrêa.
“O fato mais marcante foi na corrida de 1935 quando Irineu Corrêa, que vencera no ano anterior, morreu ainda na primeira volta após se chocar com uma árvore e cair no canal do Leblon. Um dos pilotos mais talentosos que este País já teve, Irineu se destacava também em provas na Argentina e chegou a vencer uma corrida nos Estados Unidos, provavelmente a primeira vitória de um brasileiro no Exterior. Sua morte chocou o público da então Capital Federal.”   

Detalhe

Mas o importante aqui é a foto acima. Eu era garoto quando a vi pela primeira vez.  Ela pertencia ao meu avô Abel. Entendo que tenha sido tirada por ele mesmo e que retrata o acidente que tirou a vida de Irineu Corrêa.  Infelizmente não posso ter certeza disso mas o certo é que o acidente ocorreu na Visconde de Albuquerque e que seu carro levava o numeral 32.   Clique na foto para ampliá-la e ver o número. Pesquisei na internet sem encontrar um intantâneo como este.  Portanto, esta foto pode ser um importante documento da história do automobilismo brasileiro.
A foto neste site mostra o carro de Irineu antes do acidente, com o numeral 32.
http://www.forix.com/8w/gavea/rio35-correa1.jpg  

Fica aqui o convite para que especialistas no assunto comentem e nos tirem as dúvidas.  

Foto: Acidente na Visconde de Albuquerque; (by Abel Lourenço dos Santos; 1935; acervo pessoal Cariocadorio, proibida a reprodução sem autorização prévia.

Se beber não dirija

3 de abril de 2010

As estatísticas de mortes nas estradas brasileiras são alarmantes.  Muitas vezes os acidentes que levam tantas vidas precocemente são causados por motoristas que dirigem alcoolizados, sob o efeito de drogas ou com sono.
Recebi o texto  e o video abaixo por e-mail.  É tão importante que vale a pena fazer tudo para que o maior número possível de pessoas o veja.  Passem adiante, reproduzam em seus espaços, encaminhem a quem possa fazer algo assim no Brasil.  As imagens são muito fortes mas merecem ser vistas. 

 

Uma das maiores empresas de marketing do mundo, resolveu passar uma mensagem para todos, através de um vídeo criado pela TAC (Transport Accident Commission) e que teve um efeito drástico na Inglaterra. Depois desta mensagem, 40% da população da Inglaterra, deixaram de usar drogas e de se alcoolizar pelo menos nas datas comemorativas. Espero que todos assistam, mesmo que não se alcoolizem ou usem algum tipo de drogas, e que reflitam e passem para os seus contatos. 

Stock Car

29 de março de 2010

No mesmo dia em que Jenson Button venceu uma das mais eletrizantes corridas de F1 dos últimos tempos, o experiente Max Wilson conquistou a primeira etapa da Stock Car, a melhor categoria do calendário brasileiro. Mas peraí!!! Há controvérsias sobre ser a melhor.   A mais importante? Talvez.    

Largada para a Stock Car brasileira; Interlagos 1972

A TV Globo, mais uma vez, transmitiu apenas pedaços de corrida.  Por que não colocam a stock na SporTV?  Quem quiser vê a corrida inteira. Ou não, como diria Caetano. 
Deixemos a polêmica para os blogs especializados e falemos de história.   O que vemos na foto acima é a primeira bandeirada de largada da stock car no Brasil.  Na verdade foi mais uma exibição. Algumas voltas pelo saudoso anel externo de Interlagos.  A categoria só viria a se estabelecer anos mais tarde. A foto pode servir também como um desafio aos aficcionados em automobilismo brasileiro.  Lembro que o Gil (não o DeFerran)  era um dos pilotos.  Quais os demais?  Quem souber, favor comentar.

Porsche 910; 500 Km de Interlagos

A exibição aconteceu como preliminar dos 500 Km de Interlagos de 1972, corrida que reuniu carros de categoria internacional como Ferrari 512, Porsches 908, um protótipo Berta argentino (os hermanos entendem deste esporte), Avalones e outros.  Na outra foto o Porsche 910 recém incorporado pela Equipe Hollywood se encaminha para os boxes.  Chegou rodando ao autódromo?

Esquadrilha da Fumaça

Este foi um grande dia de automobilismo. Lá estava eu com meu parceiro Geraldo.  A festa contou com a esquadrilha da fumaça.  Eram bons aqueles tempos de automobilismo, curso Bahiense, praia e diversão.  Aos dezessete,  tudo é muito bom.   

Fotos by Cariocadorio: Stock car largando em Interlagos, 1972; Porsche 910 a caminho dos boxes. Interlagos 1972; Esqudrilha da Fumaça, 1972.

Fórmula 1, mais uma vez

8 de março de 2010

No Bahrein, no próximo domingo, inicia-se mais uma temporada de fórmula 1.  E me perguntei há quanto tempo eu acompanho a fórmula 1 e por que durante tanto tempo eu “perdi o meu tempo” lendo a respeito, vendo corridas e buscando informações para saber mais. Certamente de longa data, uns quarenta anos pelo menos.  O porque, sei lá.   

Jim Clark, vencedor do GP dos EUA, 1966

A coisa começou com DKWs, Berlinetas, Binos e Fitti-Porsches.  Fórmula 1 era uma ficção trazida pelas AutoEsportes, lidos e relidos os textos detalhados das corridas, devoradas as estatísticas de voltas mais rápidas, vencedores de corridas e campeões …  Um mundo mágico de um  Jim Clark que a fórmula 2, que ironia, logo nos levaria.  Anos mais tarde aprendi que  “um simples canalha mata o rei em menos de um segundo”.  Dennis Hulme era o campeão.  Como podia aquela figura de anti-herói, um neo-zelandês, ser o campeão?  Como podia um carro chamado Brabham ser campeão?  Então não era uma Ferrari, Lotus, Mercedes, Alfa Romeu? Não, o campeão era um homem mais velho, na verdade Dennis Hulme apenas tinha cara de velho, sempre teve cara de velho, em um carro que levava o nome de um piloto australiano, Jack Brabham.  Um ano antes, o próprio Jack havia conseguido seu terceiro título, desta vez com seu próprio carro. 

Dennis Hulme, McLaren Can-Am

O grande Dennis Hulme partiu para a novata McLaren e continuou vencendo corridas de F1 e campeonatos na série canadense-americana, a Can-Am, com enormes carros com motores de 7 litros.  Na Europa, em esporte protótipos, os Porsches eram a grande atração.  Por muito tempo não teve pra mais ninguem.  Só dava Porsche modelos 907, 908, 917, enquanto as Ferraris estavam em uma má fase, não viam a cor da bola.  

Graham Hill, Monaco 1968

Na F1 tinhamos Graham Hill, o esteriótipo de um aristocrata inglês, talvez o último romântico da categoria, que também venceu em Indianápolis e Le Mans e  Jackie Stewart, o escocês que levou um carro francês a ser campeão do mundo em uma equipe inglêsa. 

Stewart, Matra-Ford: GP Holanda, 1969

Pedro Rodriguez, Jacky Ickx, o azarado Amon, Bruce McLaren (seus carros ganham até hoje), Beltoise, Cevert, John Surtees, campeão das categorias máximas sobre duas e quatro rodas (acho que foi  o único?),  Redman, Siffert, Pescarolo… 
Muitos ficaram pelo caminho, a F1 matava muita gente.  No ano em que o Brasil foi tri no México, Jochen Rindt foi campeão post morten.    

Quando o Emerson Fittipaldi ganhou as páginas de esportes dos jornais com uma vitória na F-Ford inglêsa eu já torcia por ele há muito tempo.   Anos depois, em 72,  um colega no cursinho de vestibular me fazia descrever a carreira do ídolo…na primeira pessoa.  Eu assinava contratos, explicava o que acontecera na corrida, como fiz certa ultrapassagem e, tão comum no início dos anos 70, qual foi o defeito que me tirou da prova .  A gente se divertia com isso, ajudando a diminuir a tensão do vestibular.  Naquele ano “eu ganhei cinco GPs e fui campeão mundial”.  Tive também o primeiro gostinho de ver as baratas da F1 acelerando em Interlagos.  A corrida foi muito ruim, não valia pelo campeonato e logo de início vários pararam.   No ano seguinte, 1973, Interlagos tinha o seu primeiro GP pra valer, com direito a vitória do Rato e boné do Colin Chapman voando. 

Interlagos, 1° GP do Brasil 1973

A presença de Emerson na fórmula 1 fez o Brasil despertar novamente para corridas de automóveis.  O locutor de rádio, acostumado com o futebol, lançou a seguinte pérola no auge de seu entusiasmo: ” e lá vão eles para a última volta do ponteiro“.  A telivisão passou a mostrar corridas e até o meu pai, que antes só reclamava da minha paixão incondicional, passou a ser fã das manhãs de domingos com  F1 na TV.  Torcemos muito pelos brasileiros. Por sinal, saudades do José Carlos Pace.

Não tenho o mesmo entusiasmo mas ainda gosto de ver corridas.  Dependendo do GP assisto ao vivo, apesar do chatíssimo narrador oficial e seu comentarista que  parece preferir servir-lhe apenas de escada.   Ou no VT a noite, quando invariavelmente durmo antes do final. Mas na primeira do ano estarei de cara para a TV, torcendo pelos brasileiros de sempre e pelos recém chegados.  Aliás, temo que esta turma nova não vai vingar. Torcer para o Rubinho também?  Claro que sim. E mais torceria se ele falasse menos.  Barrichelo é um exemplo de trabalhador.   Depois de tanto tempo ainda tem um empregão,  que muitos gostariam de ter.   

Jenson Button

Agora há muita informação disponível.   Mas certamente haverá garotos que , como eu no final dos anos 60, vão estranhar que um inglês quase  obscuro, esse tal de Jenson Button, seja o atual campeão pilotando uma Brawn.  E que diabos é uma Brawn?  O que???  Não tem mais Brawn esse ano??? Calma, você vai ter explicação pra tudo.  E daqui a quarenta anos vai lembrar mais disso do que das corridas de 2049.  

Eu ía falar das mazelas de um esporte corrompido por tramóias, espionagens, trapaças e comercialização sem limite.  
Como no futebol falou mais alto a paixão.  As novidades deste ano prometem.  Tenham todos uma ótima temporada. 

PS. Links para artigos relacionados:
Autódromo do Rio
Ídolos

Fotos: Jim Clark no GP EUA, 1966 (by Diskmix, Flickr Creative Commons); Dennis Hulme com McLaren Can-Am  (by Diskmix, Flickr Creative Commons); Graham Hill no GP de Monaco , 1968 (by Prorallypix, Flickr Creative Commons); Jackie Stewart no GP da Holanda, 1969 (by Prorallypix, Flickr Creative Commons); Grid em Interlagos GP do Brasil, 1973 (by Cariocadorio); Jenson Button (by Martin Baldwin, Flickr Creative Commons)

Vemaguete

7 de janeiro de 2010

Vemaguete 64 no Carnaval de 66

Este DKW Vemag foi o primeiro carro da minha família.  Nessa época os automóveis reinavam sozinhos como objetos de consumo dos adultos e do mundo de fantasia das crianças.  Não havia a concorrência dos computadores e dos video games. Os rádios de pilha e  as vitrolas não eram concorrentes à altura. As crianças observavam carros como a modernidade do momento e era comum disputar quem conhecia mais a respeito. 

A nossa Vemaguete foi adquirida no início de 1964.  Não era ainda o modelo 1001, lançado logo após,  que tinha como característica as portas abrindo pra frente como os demais carros.  A cor era azul clara , exigência do velho que não gostava do saia e blusa comum na época.  O estofamento era vermelho.  Como meu pai não dirigia e nem queria saber disso, meu primo Marcus foi buscá-la com ele.  Depois, minha mãe era quem dirigia.  Aliás, foi ela que forçou a barra tirando a carteira de motorista e insistindo na compra. 

Naquele ano o Rio de Janeiro viveu momentos de tensão com o golpe de 64. A Vemaguete teve lá a sua participação.  Morávamos na Pinheiro Machado e a rua ficou bloqueada com barricadas de sacos de areia em frente ao Palácio Guanabara.  Houve movimento de carros do exército na rua e a família achou melhor sair dali.  Lembro-me que saímos pela rua Paissandu, onde em alguns lugares tivemos que passar por cima da calçada.  Carros da prefeitura ou do estado, cinza com listra amarela, bloqueavam a rua. Numa dessas, o paralama direito da Vemaguete novinha raspou na parede.  Na Presidente Vargas cruzamos com vários blindados mas o caminho até o Lins foi tranquilo.

Na foto a Vemaguete aparece na rua Raul Barroso, pilotada por este Cariocadorio fantasiado de índio.  Era o carnaval de 1966. Vê-se o detalhe da grade dianteira com a inicial do sobrenome da família.  Era comum este tipo de personalização nos DKW naquela época.

Foto: Vemaguete 64 (Fev. 66) Acervo pessoal Cariocadorio.  Proibida a reprodução sem autorização prévia. 

 

Autódromo do Rio

26 de dezembro de 2009

3 horas de Velocidade - Julho 1969

O antigo Autódromo Internacional do Rio de Janeiro (AIR), construído no mesmo lugar do atual “Nelson Piquet” que hoje agoniza,  foi palco de corridas memoráveis.   Eram tempos em que o automobilismo de autódromo era pouco mais que uma extensão das corridas nas ruas da Barra.  O público tinha acesso a locais perigosos, aos boxes e era praticamente impossível controlar.  No final dos anos 60 víamos passar pertinho os famosos da época.  O belíssimo protótipo Fitti-Porsche, que era rápido mas não terminava a corrida, os Mark I e Mark II (o famoso Bino) da Willys, Alfas Giullia e GTA,  BMWs, diversos fuscas, reminiscentes DKW, o Patinho-Feio, berlinetas Interlagos e tantos outros eram os  heróicos protagonistas.  No Rio de Janeiro eram famosos o Malzoni do Norman Casari e a Alfa vermelha do Mario Olivetti.  Houve até uma rara aparição da antiga carretera do Camilo Christófaro.

F.Ford, Fev 69; Emerson lidera, Allen, Luizinho e Ashley

Eram tempos de leitura obrigatória das AUTOESPORTE (a revista que acelera as emoções).  Não importava de que mês/ano.  Elas nos levavam à fórmula 1 distante, ao campeonato de marcas (Ferraris 512, Porsches 908 e os imbatíveis 917) e a série Can-Am.  Emerson Fittipaldi era apenas um jovem piloto que corria junto com Wilson, Luis Pereira Bueno, José Carlos Pace, Alex Dias Ribeiro e vários outros. 

F.Ford, Fev.69; Valentino Museti

A gente achava que Dennis Hulme, Jim Clark, Jack Brabham e Graham Hill eram mitos sobre-humanos.  Não sabíamos que muito em breve aquela trupe tupiniquim provaria que não tinha nada a dever aos gringos.   Melhor dizendo, faltava grana, coisa que eles tiveram que superar para chegar onde todos sabem. 

Em 1969, Emerson, recém-chegado de uma vistoriosa temporada na Inglaterra, participou da temporada brasileira de fórmula Ford.  Aqueles pequenos monopostos foram o início do caminho de vários pilotos brasileiros para a fórmula 1 e do própiro GP do Brasil da categoria. 

José Carlos Pace na Alfa P-33

Pouco depois o Rio de Janeiro viu as 3 horas de velocidade. Uma Alfa Romeu P-33, uma Lola T-70,  um protótipo nacional AC-1 que depois faria história, fizeram a primeira fila do grid.  Carros inacreditáveis no Rio de Janeiro.  Fiquei preocupado.  Poderão brasileiros pilotar estes carros?  Tolo coplexo de vira-lata…Ninguem menos que o saudoso José Carlos Pace levou a Alfa P 33 à vitória com facilidade.  

A construção do novo autódromo foi esperada com ansiedade pelo grupo de amigos aficcionados em automobilismo.  Este mesmo autódromo que o prefeito César Maia começou a destruir quando decidiu que a fórmula 1 não interessava ao Rio  em 1990 e decretou sua morte ao construir arenas do Pan no espaço do Autódromo (clique aqui para ver Barra da Tijuca 2017).

Este artigo saudosista nas últimas voltas de 2009 procura lembrar que centenas de jovens cariocas, como meus amigos nos tempos pré-Emerson Fittipaldi, em breve estarão órfãos de autódromo no Rio de Janeiro.  Espero que se cumpram as promessas de um novo autódromo em Deodoro ou onde seja.  Não precisa ser o melhor do mundo, nada de megalomania, apenas algum lugar decente e seguro para a prática do esporte no Rio de Janeiro.

 Fotos by Cariocadorio:  Fórmula Ford no Rio de Janeiro, Fev. 69;  Três Horas de Velocidade, AIR, Jun 69.

O Plymouth

12 de dezembro de 2009

O Plymouth, Jo e Vin

Este artigo é especialmente dedicado às gerações mais novas da família, espalhados por este enorme Brasil.  Particularmente aqueles que moram em Sampa, Niterói, Grajaú, Tijuca e adjacências.

Nesta foto de 195…e pouco, os meus tios Jo e Vin posam ao lado do belíssimo Plymouth modelo 19…e quase cinquenta.  Os especialistas poderão dizer exatamente qual é o modelo e ano de fabricação. Talvez os mais rodados possam saber o local e a data exata da foto. 

Interessante que eu nunca tinha ouvido falar deste carro.  Espero que alguem possa identificar de quem era.  Lembro-me do Studbaker que só vi em fotos e do famoso Chevrolet 37 que aparece de raspão (um dia ele vem com tudo) na foto abaixo.  Aliás a tia Je está muito charmosa no cavalo. 

Tia Je a cavalo

Em fotos deste passeio aparecem também o vovô Bel e a vovó Bel, posando ao lado do Plymouth.  Mas eles voltarão em outras oportunidades com ou sem o DKW Vemag Belcar que já foi mostrado aqui.   

Um detalhe interessante é que a placa do carro branco ao lado é de 4 dígitos e a do Plymouth, de 6 dígitos.  Imagino que aqueles seriam tempos de aumento da frota de automóveis da Capital Federal.

Fotos: O Plymouth (circa 1950); Tia Jê a cavalo (circa 1950); acervo pessoal Cariocadorio. Proibidada a reprodução sem autorização prévia.

DKW Vemag

9 de novembro de 2009
1962 Abel e DKW Av Brasil

DKW Vemag na Av. Brasil

A Vemag foi uma das pioneiras na fabricação de carros no Brasil.    O DKW Vemag modelo Belcar da foto é de 1958.  Um dos primeiros carros fabricados no Brasil se excluirmos os Romi Isettas. 

A foto é de 1962, na Av. Brasil.  Não sei exatamente em que local da avenida e muito menos a linha do lotação que passava por ali naquela hora.  O pessoal costumava marcar o encontro na Av. Brasil antes de uma viagem de fim de semana.  Neste caso foi um passeio a Teresópolis.  Aliás é melhor os outros chegarem logo porque o vovô já está ficando impaciente. 

Alguém pode imaginar marcar encontro com esta tranquilidade em plena Av. Brasil de hoje?

Foto: Vemag na Av. Brasil (1962).  Acervo pessoal, Cariocadorio – proibida a reprodução sem autorização prévia.

Ídolos

25 de outubro de 2009

Outro dia me contaram uma passagem atribuída ao empresário Antônio Ermírio de Moraes quando em processo de escolher um novo executivo.  Diante de sua atônita secretária, Antonio Ermírio teria jogado no lixo metade da pilha de currículos que estavam sobre a mesa. Explicou:  “Pra trabalhar aqui não basta ser muito bom, tem que ter sorte”.

Sorte não é uma coisa que tenha o nosso Rubens Barrichelo.  E pra ser campeão… Certo, ele também não é bom o suficiente para ser campeão mas, ainda assim, muito poucos tiveram sucesso como ele.  Quantos pilotos brasileiros tentaram e não chegaram nem perto?  Alguns muito bons, outros nem tanto, alguns com pedigree, outros com grana e alguns mais com a cara e a coragem chegaram à fórmula 1. Citando nomes sem julgar-lhes o mérito: Ingo, Chico,  Boesel, Gugelmim,  Bernoldi,  Zonta, Diniz, Christian, enfim a lista é enorme.  

Ídolos em Ação - Nelson já passou (F1, Rio de Janeiro, 1987)

Ídolos em Ação - Nelson já passou (F1, Rio de Janeiro, 1987)

A prova da sua competência  vem dos contratos que tem tido ao longo dos muitos anos da sua carreira. Ser piloto de fórmula 1 é o sonho de muita gente.  Alguns pagam fortunas pra sentar em um carro daqueles.   Na fórmula 1 quem não tem competência pra dar lucro no final não fica por lá .  Portanto, quem atesta a competência do Rubens são os Stewart, Todt, Brown e Williams que o mantêm com a carreira mais longa na categoria e ganhando muito bem pra isso. Ele ainda vence corridas.   As estatísticas o colocam em 4º lugar em número de pódios, 4º em número de pontos e não há mais do que 22 pilotos com mais que as suas 11 vitórias.  

Mas nada disso importa para nós, brasileiros.      Porque o problema do Rubens não é a competência técnica mas sua ingenuidade, imaturidade que beira a infantilidade.    Bobagens em quase tudo que disse durante a carreira: declarações infelizes sobre outros pilotos, suas entrevistas, bravatas impensadas, postura no pódio e por aí vai.  E nos comerciais de televisão? Lembro dele levando uma bronca pública do pai porque atendeu o celular no caminho da largada:  “Mas era você, pai…”. Alguém imagina o Piquet ou o Alonso fazendo um papel desse?  
 
Faltou-lhe uma boa assessoria de imprensa, a orientação de um marketeiro para produzir a sua imagem ou sei lá.  O fato é que ele nunca conseguiu ter o respeito do público.  Alguns jornalistas  não perdem a oportunidade de vender mais fazendo, levianamente, coro com a opinião pública e servindo de catalisador para esta opinião.     
Guga sacando

Guga, ídolo na dose certa

Para o público brasileiro, Rubinho é um  ba…bobo.  E o brasileiro não tolera o bobo.  Antes idolatra o esperto, o malandro e até mesmo o canalha.  Para ser ídolo de brasileiros não basta ser competente.  Tem que ser um fora de série inconteste (Pelé, Senna) ou um malandro esperto (Romário).   Também leva chance o egoísta, do tipo que se dane a equipe,  hábil de mídia (Oscar).    

Em uma briga, na guerra, no esporte ou no trabalho não é só o vencedor que luta. 

O “perdedor” também lutou e esta luta é  parte essencial da história.  E Rubens Barrichelo tem lutado sempre e está longe de ser um perdedor.  Ainda torço por ele.

Algum dia o Brasil terá um ídolo inconteste e longevo que antes de esperto, malandro ou fora de  série será apenas um lutador que, tendo a sorte ao seu lado, terá dado certo por muito tempo.

Fotos: F1 no Rio (1987), by Cariocadorio; Guga , by Pierre -Yves Sanchis, Flickr, (2008)