Archive for the ‘Copas do Mundo’ Category

Copa da Inglaterra, 1966

1 de junho de 2014
Poster da copa de 66

Poster da copa de 66

Lembro-me vagamente de uma copa do mundo de futebol em 1966. Foi  naquela estranha ilha do continente europeu, terra de certos autores teatrais e grupos musicais que fizeram sucesso internacional. Foi lá também que inventaram o futebol que conhecemos no formato atual.

Recentemente, na mesma Inglaterra,  inventaram como ganhar muito dinheiro com o esporte.  Jogar bola mesmo nunca foi o forte dos caras.  Mas desta vez…

Bastaram duas copas (58 e 62) para que ficássemos mascarados.  Isso é coisa que Papai do Céu não perdoa.  Políticos e dirigentes pensaram em disputar a Copa com Brasil A e Brasil B e convocaram 40 e tantos jogadores.    Treinaram o Servílio durante meses ao lado do Pelé e na véspera cortaram-no do grupo que ia para a Inglaterra. Os disparates não pararam aí.  Tinha uma turma que já estava ficando um pouco velha.  Alguns jogadores estavam mais preocupados em bater recorde de participações, arrumar o meião, procurar travesti… Pera aí!…  Isso já foi numa copa mais recente.

Deu no que deu.  Perdemos para a Hungria e Portugal e fomos eliminados sem que o time pudesse ser definido.  As imagens da partida contra Portugal mostram Pelé sendo cassado em campo.  Não foi um caso isolado.  A FIFA estava cansada das vitórias sul-americanas e decidiu que esta copa não sairia da Europa (leia-se Inglaterra).  Argentinos e uruguaios também apanharam um bocado antes de serem eliminados.

A teoria da conspiração pode ou não ser verdade mas, conhecendo a FIFA, não é de se estranhar.
Finda a festa, Inglaterra campeã.
A Alemanha fez um gol na final que o juiz preferiu não ver,  ficou em segundo.  Portugal, do grande Eusébio, fez bonito em terceiro. A CCCP, representando a cortina de ferro, completou o domínio europeu de 1966.

 

O futebol força parecia se impor no cenário mundial.  Mas eles não perdiam por esperar.

A história das copas por Cariocadorio:
https://cariocadorio.wordpress.com/category/copas-do-mundo/

Fotos: Logo da Copa de 66 e Bob Moore com a Jules Rumet (da Internet)

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Copa do Chile, 1962

22 de maio de 2014

A copa de 1962 nos lavou de vez a alma. 
Em 1959, um ano após conquista da Jules Rimet na Suécia, o Brasil seria campeão mundial de basquete no mesmo Chile que nos veria levar a Taça pela segunda vez . 
Maria Ester Bueno conquistava um título após o outro, incluindo vários em Wimbledon.  

Estávamos nos livrando por completo do complexo de cachorro vira-latas.    

Brasília era o símbolo de um novo país, capaz de criar cidades no meio do nada. A Bossa-Nova conquisava o mundo e a indústria brasileira estava em crescente desenvolvimento.   O Brasil já podia fabricar os seus próprios carros e, pasmem, mamadeiras para alimentar seus futuros jogadores de futebol, artistas e políticos. Estes, porém, sempre preferiram mamar em tetas mais nutritivas.      

A Mamadeira e a Taça

A prova está aí, nesta tabela patrocinada pelas mamadeiras EVEN, feitas em vidro siliconisado (seja lá o que isso for) e oferecida pela Farmácia Brasil, situada na Rua Dona Romana no Lins de Vasconcelos . 

Nossa tabela cor de rosa tem uma história.  Antes do início do torneio, minha mãe preencheu a lápis o lugar de “campeão do mundo” : Brasil … e deu certo. 

Na luta européia os países do Leste levaram a melhor:  4 seleções da cortina de ferro chegaram às oitavas-de-final. Duas passaram às finais onde acabaram se dando mal contra os sul-americanos.  O Chile fez bonito em casa, chegando em terceiro.  

Tabela da Copa de 62 – Clique para ampliar

Garrincha no Chile

Sem Pelé, que se machucou no primeiro ou segundo jogo, restou ao Brasil contar com a maestria de Garrincha. O “Anjo das Pernas Tortas” foi o dono da Copa de 62. Bateu faltas com precisão, driblou como nunca e fez até gol de cabeça, coisa que os russos juravam que ele não sabia fazer. Nilton Santos foi fundamental ao malandramente evitar um penalti contra a Espanha.  Zito comandou o meio de campo para que Vavá fosse nosso artilheiro.

Mas nossa lua-de-mel com a história teria vida curta.  Se nos esportes era tempo de festas, na política o país já sentia os efeitos de um mundo dividido. Veio o golpe militar de 64 e, em 1966, uma copa inglesa pra brasileiro esquecer. 

A história das copas por Cariocadorio:
https://cariocadorio.wordpress.com/category/copas-do-mundo/

Fotos: Tabela da copa, arquivo Cariocadorio; as demais, fotos obtidas da internet.

Copa da Suécia, 1958

16 de maio de 2014

Aos 3 anos de idade, eu não estava nem aí pra copa do mundo. Mas para os brasileiros que sofreram a final de 50 no Maracanã,  estava mais do que na hora de vencer uma Copa do Mundo.

Tabela da Copa de 58 – Capa

Anos mais tarde, fiquei vidrado ao encontrar esta tabela da Copa da Suécia, guardada pelo meu irmão. A tabela foi distribuída pela Contigráfica, uma tradicional papelaria de Laranjeiras.  Jogo após jogo, minha mãe foi preenchendo o  resultado dos jogos e anotando as seleções das quartas-de-final, da semi e da final.

Tabela da Copa de 58 - Resultados

Tabela da Copa da Suécia. Clique para ampliar.

A copa da Suécia é a primeira da qual se tem grandes e felizes lembranças. Os dribles de Garrincha, o chapéu do Pelé dentro da área e o choro do rei ao final são algumas destas imagens inesquecíveis.  O gesto do capitão  Bellini levantando a taça tornou-se um ícone dos campeões das copas e inspirou a estátua em frente ao Maracanã (clique aqui para ver).

O choro do rei

A guerra fria ia de vento em popa.  Duas nações da cortina de ferro, Rússia e Iugoslávia, chegaram até às oitavas-de-final mas ficaram por ali mesmo.   Desde pequenos nos acostumamos a ver a Iugoslávia, que já não existe,  como uma referência em esportes.  Nas copas mais recentes pouco apareceram os países do leste europeu. As coisas mudaram muito nestes últimos sessenta anos.

O caminho brasileiro até o título não foi tão fácil como fazem parecer os 5 x 2 contra França e Suécia.  O Brasil sofreu com a Inglaterra e teve que lutar muito para superar  a seleção dos empates, País de Gales, com um sofrido 1 x 0. Estes caras nunca mais apareceram nas copas.

A vitoriosa geração de 58 vai se despedindo de nós. A cada Copa temos menos deles para homenagear em vida.
Até a Contigráfica se foi … Pouco após a copa da África do Sul ainda continuava no mesmo lugar, fornecendo material escolar a gerações de estudantes de Laranjeiras, particularmente os do Liceu Franco-Brasileiro, como o meu irmão naquela  época e eu, anos mais tarde.  Mas seu tempo também passou. Clique aqui para ver sua história.

A história das copas por Cariocadorio:
https://cariocadorio.wordpress.com/category/copas-do-mundo/

Fotos: tabela da copa, arquivo Cariocadorio; Bandeira da Suécia e O Choro do Rei, fotos obtidas da internet.

Minha história das Copas do Mundo

14 de maio de 2014

A cada quatro anos, nesta época, os canais de esporte se fartam de apresentar a história das copas do mundo. Filmes oficiais, clássicos das Copas, reportagens e por aí vai.  Tudo bem ver pela enésima vez o gol que o Pelé não  fez contra o Uruguai em 70, os dribles do Garrincha em 58 e o pênalti que o Baggio bateu pra fora em 94.  Mas o que dizer da fatídica final na França e dos gols do Paolo Rossi em 82?

Cada um tem suas preferências e sua própria história das copas do mundo.  Qual é a sua história? Onde é que você estava na final da Copa de 70?  Essa é fácil, mas na final de 86 fica mais difícil lembrar.  Aqui vai a versão do Cariocadorio.

Comecemos pela Copa de 50.  Para mim é aí que começa a história das copas apesar de que em 50 eu não fosse nem um lampejo de luxúria nos olhos dos meus pais. Mas não dá pra deixar de falar da grande catástrofe nacional: o Maracanazo.  Parece que foi ontem.

Maracanã, Jun/50

O palco foi este que aparece na foto, quase pronto para maltratar os brasileiros, vivos ou mortos, que contavam celebrar uma grande vitória.  A formidável campanha que nos iludiu com esta certeza teria sido a causa da derrota para o Uruguai na final.  Meu pai conta como foi a goleada sobre a poderosa Espanha da época, com o povo cantando nas ruas “eu fui às touradas de Madri” (clique para escutar com Carmen Miranda).

O goleiro Barbosa, injustamente lembrado como o símbolo desta derrota, sofreu por toda a sua vida.  Criminosos cumprem a suas penas (ou parte, ou apelam para a OEA como alguns mensaleiros) e depois ficam livres.  Barbosa não, sua pena foi perpétua e ele carregou até o túmulo nossa catástrofe nacional.

Copa de 54, Suiça

Em 1954, na Suíça, o Brasil ainda sofria as conseqüências da derrota anterior e caiu diante do (quase) invencível esquadrão húngaro.  Este, o grande favorito, foi derrotado na final pelos alemães, que conquistaram o seu primeiro titulo na base da tecnologia, perseverança e do cansaço dos adversários.

Faltavam então apenas quatro anos para o Brasil se livrar do complexo de cachorro vira-lata.

Pensamento de quem está ficando velho:  “Por que será que antigamente levava tanto tempo entre copas e hoje mal acaba uma e já começa a outra?”

A história das copas por Cariocadorio:
https://cariocadorio.wordpress.com/category/copas-do-mundo/

Fotos: Maracanã, Jun/50, (by Kléber, acervo pessoal Cariocadorio; proibida reprodução sem autorização prévia); Bandeira da Suiça (internet, open 4 group, downloads)
Nota: post reeditado com pequenas alterações. 

Manifestação, liberdade e trabalho

28 de março de 2014

Olhem bem pra mim… Estou com roupas escuras, uma blusa enrolada no rosto e uma mochila nas costas.
Isto é uma manifestação!

Fecho a Av. Rio Branco e agora todos terão que me ouvir.  Caminho entre o lixo dos garis entoando palavras de ordem e faço calar os que são contra e a favor da Copa do Mundo da FIFA.   Destruo carros alegóricos, venço  black blocks, garotinhos, o sindicato dos rodoviários e dos produtores de ovo de codorna de Cachoeiro de Macacu que disputam a avenida comigo.

Não tenho culpa se meu pai começou aos 13 anos e só se aposentou aos 70.  Se minha mãe esfregava panelas até o último fio do Bom Brill.  Se me obrigaram a estudar mais do que eu tinha vontade e acabei no Pedro II.  Se me meti em más companhias, estes malditos caras que entraram pra faculdade.  Se não consegui me livrar deste jugo familiar e segui o exemplo do meu irmão.   O coitado também cresceu neste meio, não teve escolha.

Não tenho culpa se a política me dá náuseas, se não sei ultrapassar pelo acostamento, se não sei ser meio-honesto, se acho que lei tem que ser cumprida e outras besteiras do gênero.  Eu só conheço um caminho para viver em sociedade: trabalho e respeito ao próximo.  E não vou pedir perdão por isso. Posso ser todo errado mas sou brasileiro e tenho os meus direitos.

Com todo respeito a São Jorge e Zumbi, desafio vereadores a acabarem com os neo-feriados do Rio de Janeiro. Fecho a Rio Branco contra as sextas-feiras de carnaval antes que elas comecem nas quintas;  contra os feriados da Copa da FIFA que paralisarão a cidade; contra os meia-dúzia de gatos pingados que a cada dia vão às ruas do Rio em causa própria privando milhares do seu direito de ir e vir.

Pela liberdade de protestar.
Fecho a Av. Rio Branco pelo direito de trabalhar.

A estátua do Bellini

21 de março de 2014
A estátua do Bellini, 1969

A estátua do Bellini, 1969

Uma geração de jogadores de futebol, que com todo o mérito nos tornou um povo de “mascarados”, vem se despedindo de nós.  Esta semana Hilderaldo Luís, o Bellini, capitão de 1958, partiu ao encontro dos colegas Gilmar, Djalma, Nilton Santos, Garrincha (o segundo maior jogador de todos os tempos para desespero de Maradona) e outros.

Pelé, o caçula da turma, Zagalo e alguns mais seguem firme conosco.  Que seja por muito tempo.

Bellini foi o primeiro a erguer a taça Jules Rimet sobre a cabeça. Símbolo maior da conquista de 1958 na Suécia, este gesto foi desde então repetido por todos os campeões do mundo.  Nosso capitão foi homenageado com uma estátua na entrada principal do Maracanã.  A estátua do Bellini passou a ser o ponto de encontro dos torcedores que combinavam assistir juntos as partidas no antigo Maracanã.

A gente se encontra na estátua do Bellini

Naqueles tempos de um Rio de Janeiro mais tranquilo, a estátua do Bellini era o ponto de encontro entre as zonas norte e sul mesmo quando não se tratava de ir ao Maracanã.

Na foto, a equipe carioca de basquete infantil de 1969 junto à famosa estátua antes de iniciar a viagem de ônibus para Feira de Santana na Bahia.  Lá disputaríamos o campeonato brasileiro de seleções. Mas esta é outra história. Qualquer dia eu conto.

Ao Bellini e seus capitaneados, o agradecimento de uma geração que, graças a eles, cresceu campeã do mundo.

A Copa da FIFA

9 de março de 2014

brasil_2014Nota: publicado em 9 de março de 2014.

Melhor que as escolas, muito antes da intenet, as Copas do Mundo de Futebol ensinavam geografia e marcavam o calendário.

A história fala da Copa de 62, no Chile. Da Copa da Suécia, nosso primeiro triunfo, que talvez tenha feito daquele país um eterno amigo do Brasil.
A Copa da Alemanha que trouxe o carrossel holandês.  E o que dizer da  maravilhosa Copa de 70? Obrigado mexicanos, pelo apoio incondicional ao Brasil.

O sentimento, talvez inocente é bem verdade, é que a Copa do Mundo era uma instituição das pessoas, dos países. Enfim, podia ser a “Copa da Argentina” mas, fosse onde fosse, pertencia efetivamente ao mundo, aos países e às pessoas.  Eram povos de todo o planeta atentos a uma festa de todos.

suecia_58Não sei bem em que momento esta “copa de todo mundo” deixou de existir para pertencer exclusiva e definitivamente à FIFA.

A Copa do Mundo de Futebol que acontecerá na nossa terra este ano não é do Brasil.  É da FIFA.  A copa e tudo que a ela está associado. Seremos meros hospedeiros e financiadores.

espanha_82

Curiosamente, talvez o que mais chama a atenção a este ponto seja a forma clara de definir o possessivo no nosso idioma.

“Copa do Mundo da FIFA”, como a mídia é obrigada a se referir, define muito bem a quem pertence o evento. Muito melhor que o “FIFA World Cup”, versão em inglês, que de algumas copas para cá ficamos acostumados a ver.

 

franca_1998

Pertencer a uma entidade cuja reputação é constantemente arranhada por escândalos mundiais não ajuda a imagem do evento. O que em parte explica manifestações de repúdio à Copa do Mundo em pleno “país do futebol”.

coreia_japao_2002

Os dizeres dos cartazes das copas nos ajudam a entender este processo.  Até 1998, na França não havia necessariamente menção à FIFA.  A partir de 2002,  Coréia e Japão, é Copa da FIFA e pronto.

Vejam os cartazes de todas as copas no link para a Gazeta do Povo. de onde foram copiados para este artigo.

Fair-Play é o cacete, Sr. Blatter

16 de junho de 2013

130615 brasil-2014[1]O Sr. Joseph Blatter ainda não entendeu que a maracutaia entre a FIFA e a raça política brasileira excedeu os limites. Mas que limites? Este senhor está acostumado a todos os tipos de sacanagens internacionais.  A FIFA jamais explica as jogadas ilícitas em que participa no mundo todo.  O Brasil não foi escolhido por acaso para sediar a Copa e as Olimpíadas.  Aqui temos o ambiente perfeito para jogadas campeãs de corrupção. Um esquema infalível para ambos os lados. 

Foi emblemático o episódio no estádio Mané Garrincha na abertura da Copa das Confederações. Diante da sonora vaia para a presidente do país, o Sr. Blatter teve a cara-de-pau de reclamar de quem vaia este conluio:

“Amigos do futebol brasileiro, onde estão o respeito e o fair-play, por favor?”, disse o Sr. Blatter.

130615 Joseph-Blatter-300x199Fair-play é o cacete, Sr. Blatter… Onde está o fair-play quando se constroem estádios pelo dobro do valor razoável? Onde está o fair-play quando se adotam 12 sedes em vez das 8 necessárias só para gastar mais?  Onde está o fair-play nas suas associações com dirigentes de países terceiro mundistas, dirigentes das CBFs da vida e políticos brasileiros? Onde está o fair-play quando tudo isto é feito para que a população que financia as obras superfaturadas veja os jogos nos telões das praças?
E ai de quem precisar de assistência médica porque a grana dos hospitais está metade nas “arenas” e a outra metade em bolsos indevidos.

E antes que eu me esqueça, arena é o cacete.  O nome destes elefantes brancos é estádio de futebol.  

As demonstrações de indignação da população já chegaram tarde.  É hora de dar um basta a esta política de Panis et Circensis. Que o mundo todo saiba o que se passa por aqui, com a conivência e a chancela internacional da “menos transparente” das entidades internacionais, a FIFA.  

Imagens obtidas na internet.

Promessa da Copa de melhorar mobilidade urbana não será cumprida

26 de janeiro de 2013

130126 transporte copaNão precisava ser muito esperto para ter certeza de que a maioria das promessas com relação ao legado que a Copa de 2014 deixaria para a população não seria cumprida.  Mas parece que o pessoal da irresponsabilidade político-administrativa se esmerou neste caso. 

O Rio de Janeiro é uma exceção à regra. Embora cercadas de polêmicas e desmandos, estão realmente sendo construídas diversas vias de BRT, metrô etc.   Certamente graças ao evento subsequente, as olimpíadas de 2016.

Clique no link abaixo.  O artigo, que capturei no blog “Andei Pensando“, faz um balanço de projetos que, se saíram do papel, foi só para queimar dinheiro da população.

Promessa da Copa de melhorar mobilidade urbana não será cumprida.

Foto capturada na Internet.

Que se danem as Olimpíadas

18 de janeiro de 2013

Que se danem as Olimpíadas e a Copa do Mundo e junto com eles a FIFA, a CBF, o COB e os políticos de turno. E que se danem os turistas que vêm para estes eventos. 

Chega de ler e ouvir que o Rio não está preparado para a Copa e para as Olimpíadas. Que o aeroporto do Galeão (recuso-me a chamar aquela porcaria com o nome de um dos maiores compositores que a humanidade já conheceu) não vai aguentar, que a segurança é muito ruim, que o trânsito é caótico, que a infraestrutura não suporta tantos turistas e que vai ficar pior nestes eventos.  Pois que se danem os visitantes.  

O problema do Rio de Janeiro é não estar preparado para nós que moramos aqui.  Para nós que precisamos ir para o trabalho todos os dias.  Que saímos e chegamos em casa pelas estradas e aeroportos da nossa cidade. O Rio de Janeiro deveria estar sempre bem, independente de qualquer mega evento.  
Lembram do legado que nos deixou o Pan de 2007?  Pois é, nada.

Partida da raia de remo na Lagoa. Feito para o Pan, hoje destroços boiando.

Partida da raia de remo na Lagoa. Feito para o Pan, hoje destroços boiando.

Hospital São Francisco de Assis...vergonha

Hospital São Francisco de Assis…vergonha

Quero um Rio de Janeiro formidável para nós que vivemos aqui. 

Quero hospitais públicos que funcionem e escolas decentes para nossas crianças.  Paguemos melhor a médicos e professores e menos para políticos e seus assessores nomeados à vontade.  Quero aeroportos minimamente bem administrados.  Não adianta gastar fortunas em obras. Se continuarem administrados assim serão sempre a imagem do caos. 

Caos no Galeão

Caos no Galeão

Quero obras de infraestrutura para todos e não somente para a Barra da Tijuca.  Botafogo é Rio de Janeiro há mais de 300 anos e não vai levar nada.  Vai continuar intransitável antes, durante e após as Olimpíadas. Enquanto a Barra de apenas 40 anos e grandes interesses está recebendo de tudo.  Não se assustem se vier a ser um município independente do Rio após as Olimpíadas.

O que não precisamos são prédios de 50 andares para “viabilizar” projetos de infraestrutura porque eles inviabilizam a cidade. O que não precisamos são obras mal acabadas, Porto Maravilha que tem que ser feito 3 vezes porque o Paes quis inaugurar com a Dilma, teto de túnel que desaba mal comece a operar e elevado quase caindo por falta de manutenção.  Aliás, como é que vão resolver isto “para as Olimpíadas”?

Quero polícia decente nas ruas, nenhum morador em área de risco, drenagem pra não inundar tudo assim que caem uns pinguinhos (em 80% dos casos basta desentupir os bueiros da rede pluvial), transporte decente pra todo mundo e cadeia para quem merece. 

Por falar em cadeia, um recado meio atrasado para aquele Ministro:
As cadeias brasileiras são do mesmo padrão das escolas e dos hospitais.  Se o senhor prefere morrer a ir pra cadeia, então a escolha é sua.  Quem precisa do hospital quer viver. Consertemos primeiro as escolas e haverá menos bandidos nas ruas. Assim vai sobrar espaço para os seus amigos de Brasília ficarem bem acomodados ou, se preferirem, morrerem a vontade.  

Com governos decentes, sem “Deltas”  e sem “Trump Towers”, viveremos bem e poderemos receber turistas o ano inteiro e todos os anos, como é a vocação desta tão mal cuidada Cidade Maravilhosa.  Aí então, que venham os mega eventos.

Igreja da Penha

Igreja da Penha

Fotos: Partida do Remo na Lagoa (outubro 2012), Caos no Galeão (maio 2012) e Igreja da Penha (dezemro 2010) by Cariocadorio; Hospital Sáo Francisco de Assis (março 2011) do site Museologando.