Archive for the ‘Ibicuí’ Category

O trem de Ibicuí

21 de janeiro de 2012

Myrthes no trem de Ibicuí (1953)

Havia duas maneiras de se chegar a Ibicuí, a paradisíaca praia no litoral sul fluminense.  De carro, pela rodovia RJ-14, desde que não chovesse muito forte porque boa parte era de terra; ou de trem, pela Central do Brasil no ramal de Mangaratiba. Aquele trem tinha um charme todo especial.  Eu mal havia me livrado das fraldas quando o conheci e ele não durou muito tempo depois disso.  Ainda assim, os poucos flashes de memória daquele tempo me levam ao interior do trem e da estação de Ibicuí.  Muito mais vezes cruzei de carro os trilhos junto à estação. 

A estação de Ibicuí (circa 1955)

Atualmente só passam por Ibicuí enormes composições levando minério para o porto.  Alíás, cada vez menos passageiros andam de trem em todo o Brasil.  Conseguimos, pouco a pouco, eliminar o transporte ferroviário de passageiros da nossa matriz de transportes. Triste.  
Mas aqui a intenção é apenas lembrar do trem de Ibicuí. A estação continua por lá, mais ou menos como há 50 anos atrás. É bom lembrar de um tempo em que só os outros tinham problemas e nem disso a gente sabia.
A foto abaixo é do ângulo inverso à da estação.  Lá no fundo dá pra ver o trem na estação.

O trem na estação de Ibicuí (circa 1955)

Fotos: arquivo pessoal Cariocadorio.  Proibida a reprodução sem autorização prévia.
Notas:  
Ótimas fotos antigas de Ibicuí no site:
http://www.ibicuifotos.blogspot.com/
Cariocadorio sobre Ibicuí:
https://cariocadorio.wordpress.com/category/ibicui/

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Carnaval e fantasias

5 de março de 2011

Durante muito tempo tempo o carnaval se resumia a “três dias de folia e  brincadeira” como na marchinha de Zé Queti. 

Carnaval de 1946

Carnaval em família, 1945

A  expectativa era grande e a preparação idem. Na família o grande barato era inventar e confeccionar as fantasias, cuidando para não gastar demais.  A preparação era em casa mesmo porque afinal, naquele tempo, toda mulher prendada sabia costurar e máquina de costura era equipamento tão importante como um computrador hoje em dia. E que belas fantasias: ciganas, melindrosas, princesas de alhures e até onde ia a imaginação.

1957, Carnaval da nova geração

O tempo foi passando e carnaval seguia coisa séria na família.  Em Ibicuí a nova geração se incorporou à tradição e foram vários carnvais de alegria pelas ruas e no clube da cidade.  Quantas histórias. 

Quando eu cheguei nas paradas o ritmo já era outro.  Ainda tivemos alguns carnavais em família, alguns bailes no ,na Tijuca. Cheguei a frequentar um destes e registrei no ano passado em “outros carnavais”, aqui

R. Pinheiro Machado, Carnaval de 1966

Fantasias usei poucas. Mas para que os amigos possam se divertir com o tema, aqui está:  coisa de índio também. 

Fotos: Carnaval de 45, 46, 57  e 66 (acervo pessoal Cariocadorio, proibida reprodução sem autorização prévia).

2 de novembro de 2010

Vó … vem cá
Vem cá … vó

Corro, abro portas e janelas
Deixo que entre toda a primavera
Num aroma perfumado que se exala
Ei-la que surge, a criaturinha amada
Me desfaço do pranto,
Já não me sinto só
Quão sublime é ouvir
O nome de vó

Vó … vem cá
Vem cá … vó

Num alheio, dentro deste anseio
Afago seus cabelos, revoltos e desfeitos
Suas mãozinhas, as minhas entrelaçam
Vem ao meu encontro, num fervoroso abraço
Me desfaço do pranto,
Já não me sinto só
Quão sublime é ouvir
O nome de vó

Vó … vem cá
Vem cá … vó

Por Jenny,
dedicado aos netos

Jenny sobre a pedra rachada, Ibicuí, 1950

Foto: Jenny em Ibicuí (1950); acervo pessoal Cariocadorio, proibida a reprodução sem autorização prévia. 

Minha Grande Família

9 de outubro de 2010

Minha Grande Família

Há um momento em que o ser humano desperta para a vida além do útero materno.  Não falo do momento em que comhecemos a luz mas de quando passamos a ter a coinciência de que existimos.  A partir daí nos lembraremos de tudo. Neste momento e por muito tempo, pois como demora a passar o tempo então, vivemos o primeiro núcleo social dos muitos de nossa existência: a família.

Sorte daqueles que conheceram desde cedo sua família e mais sorte daqueles que, depois de tanto tempo, sentem que foi bom crescer sendo parte de uma família.  E olha que, por melhor que seja, a família é nossa primeira fonte de problemas.  Problemas estes que se renovam e nos acompanham pelo resto da vida.   

Quando comecei a me reconhecer como gente estas pessoas eram a minha grande família.  Exceção feita aos meus avós e tios do lado paterno, nesta foto não falta ninguém do meu primeiro mundo.  Mais tarde outras pessoas viriam fazer parte da minha grande família.

E assim foi por muito tempo.  Em Ibicuí, como nesta foto, na Ilha do Governador, no Grajaú, em Laranjeiras, São Lourenço, São Paulo e em qualquer outro lugar.  Muitos deles já se foram, embora vivam no carinho da minha memória, enquanto outros vieram para continuar por eles.  

Foto: Minha Grande Família (Fevereiro de 1961) – Acervo Cariocadorio, proibida a reprodução sem autorização prévia.

Cariocadorio, Ano I

3 de outubro de 2010

“Por que você não faz um blog?”,  perguntou-me  Aventoe

Celebremos

Celebremos

Eu tinha todas as razões do mundo para não fazer um blog.  A primeira delas era não saber exatamente o que era um blog e muito menos como começar um.  E tinha ainda aquela má vontade por conta de um tal político que gastava mais tempo factoideando em um blog do que cuidando do Rio de Janeiro. 

Um dia depois eu já tinha um blog com nome e tudo:
Cariocadorio – cheguei ao nome após um toró de palpites pessoal.  Não sei bem como foi.  Gostei e ficou.

O primeiro post foi Olimpíadas 2016, Esperanças e Preocupações . Importante por ser a primeira aventura de escrever alguma coisa que poderia ser lida por qualquer pessoa. O importante  era escrever. A vontade de que alguém lesse veio depois. E, depois ainda, querer saber quantos leram cada artigo, se comentaram etc.

E assim, 86 artigos publicados e mais de 27.000 acessos depois,  passou este primeiro ano de Cariocadorio. Quisera poder me concentrar mais no tema Rio de Janeiro, com mais críticas e análises sobre a cidade.  Mas isso é  difícil, coisa para profissionais.  A política nacional e local  não ajudam. Quem pode manter a esperança com tanta desordem e corrupção? 
Se não quero ficar calado também já estou muito rodado para ficar malhando em ferro frio.

Enseada da Botafogo

Ao mesmo tempo virei freguês dos fotologs do Rio antigo que me incentivaram a buscar inspiração nos baús de fotos da família.  E a família virou tema. O automóvel e o esporte foram inevitáveis na sequencia.   Alguns temas incidentais apareceram mas o acorde principal se manteve.

O mais importante:
As velhas fotos trouxeram o artigo mais importante: Trampolim do Diabo, com uma foto inédita tirada pelo meu avô em 1935.  Mostra o trágico acidente que vitimou Irineu Correa no tradicional circuito da Gávea no Rio de Janeiro.

Meus favoritos:

Vemag em Ibicuí, 1959

Alguns deram muito trabalho, outros mais satisfação e tem aqueles que eu não precisava ter escrito que felizmente são poucos.  Alguns, por algum que outro motivo, são os que eu gosto mais.
O Guarda Livros, sobre uma foto de 1910.
Barra da Tijuca 2017, uma preocupação que começa a ficar menor.
O Homem e sua Próstata, uma preocupação de tantos.
A Cigana Rica, muito especial.
Copa de 82, Espanha, baseado em um fato quase real.
A Porta do Elevador, pra quem sabe o que é isso.
Ibicuí, pelo que representa e pela foto.
Autódromo do Rio, uma paixão de longa data.

Campeões de audiência: 

Veleiros no Píer Mauá

Em fevereiro os veleiros das armadas nacionais atracaram no Pier Mauá.  Com mais de 840 acessos,  este foi o artigo mais acessado.  Grandes Veleiros no Pier Mauá foi ponto fora da curva nos gráficos das estatísticas.

Outras fotos, estas de 1950, mostram o Estádio do Maracanã ainda incompleto.  Representante maior do esporte favorito do Brasil, o Maracanã não poderia deixar de ser dos mais acessados no blog.  Com mais de 830 hits, logo chegará ao topo. 

Uma série de artigos sobre as copas do mundo de 1950 a 1986 (faltou tempo para continuar) aumentaram a audiência. Para minha surpresa a copa de 62 superou as de 58 e 70 nos acessos.  A série acaba com Maradunga, triste conclusão da copa deste ano.

O Estádio do Fluminense, mostra a abertura da Pinheiro Machado para atender ao Túnel Sta. Bárbara.  A procura tem crescido com a ascensão do Fluminense.  

Acidente em Ipanema e Aeroporto do Galeão completam a lista de mais votados com mais de 370 acessos.

Enfim, um balanço positivo que me anima a continuar este passatempo com o qual espero, de carona,  contribuir um pouco com o Rio de Janeiro e manter próximos relacionamentos distantes.

Aos que por aqui apreceram e contribuiram, obrigado pela visita e pelos comentários, mesmo os que discordam do Cariocadorio.  Voltem sempre.  

Parque das Águas de São Lourenço

Fotos by Cariocadorio:  Celebremos (Fev 2010); Enseada de Botafogo (Out 2009); Veleiros no Píer mauá (Fev 2010); Parque das Águas de São Lourenço (Jul 2010); Vemag em Ibicuí, 1959 (Acervo Cariocadorio, proibida a reprodução sem autorização prévia)

Praia de Ibicuí em 3 tempos

29 de agosto de 2010

Praia de Ibicuí, Fev. 2010

Praia de Ibicuí, Fev. 1960

Praia de Ibicuí, Fev. 1985

De volta a Ibicuí, temos oportunidade de ver o que acontece com o passar do tempo. O que faz o aumento da população e as marcas que deixam os homens onde se instalam. O local continua lindo, graças à sua geografia previlegiada e a força da natureza.  Além disso, tem mais casas mas também tem mais árvores nos morros.

Castelinho

Mas observam um detalhe.  Algumas coisas insistem em vencer o tempo.  A casa que desde pequeno conheço como “o castelinho” e a “pedra- rachada” continuam no mesmo lugar da praia.

As fotos de 2010 e 1960 estão praticamente no mesmo enquadramento.  A de 85 está um pouco mais à esquerda. 
Da primeira à última, apenas 50 anos se passaram.

Fotos: Praia de Ibicuí, Fev.2010 (by cariocadorio), Praia de Ibicuí, Fev.1985 (by cariocadorio), Praia de Ibicuí, Fev.1960  (Acervo pessoal Cariocadorio, proibida a reprodução sem autorização prévia).

Ibicuí, RJ

18 de julho de 2010

Quando eu não era

Há lugares onde o tempo deveria parar em determinado momento e  perpetuar-se daquela forma.  Em geral no tempo da nossa infância ou mesmo antes dela. Ibicuí é um destes lugares, que me recuso a reconhecer como parte de Mangaratiba.  Ainda que pouco tenha frequentado aquela praia de águas tranquilas e protegidas, Ibicuí é para mim símbolo de um periodo feliz na história da família.  

Através deste espaço, pretendo voltar muitas vezes àquela Ibicuí de metade do século passado.  Naquele tempo as dificuldades para se chegar até lá eram por conta da precariedade da RJ-14, uma estrada de terra.  Mas havia a opção de pegar o trem na Central do Brasil e, uma vez lá chegando, não havia necessidade de ir muito longe.  A praia estava a 50 m de de casa e o Armazém do Salino fornecia as provisões necessárias.  No mais era a praia, tranquilidade, passeio de lancha, pescaria e muita deversão.   

Mas tudo passa como tem mesmo que passar.  Hoje a dificuldade é vencer o trânsito caótico da Rio-Santos e uma multidão de pessoas que ali vão em busca do mesmo prazer, como é o direito de todos.  Não há mais a opção da via férrea que só é utilizada por enormes composições que levam pedaços do Brasil para o exterior.

Felizmente ficaram algumas fotos que mostram o que foi este local paradisíaco há cerca de cinquenta anos.   

Ibicuí

Fotos: Ibicuí, linha férrea (Fevereiro de 1952) e Vista de Ibicuí (circa 1955).  Acervo Cariocadorio, proibida reprodução sem autorização prévia.

O Chevrolet 37

6 de março de 2010

O Chevrolet 37 em Ibicuí

Não foram poucas as vezes que o Chevrolet 37 do tio José esteve em Ibicuí.  Para chegar lá tinha que seguir pela RJ 14 e enfrentar a estrada de terra quase sempre em péssimas condições.  O Chevrolet foi parceiro do Studebaker que apareceu no Dia de Festa e depois do DKW Vemag do meu avô.  A última vez que o vi, pelos idos de setenta e pouco, já estava curtindo um merecido descanso na oficina do meu tio.  

A modelo  que nos ajuda a apresentar o Chevrolet nesta foto de 195inquenta e pouco é minha tia.  Por favor, nada de assanhamento.   

Ibicuí é uma cidade do litoral do Rio de Janeiro que fica próximo a Mangaratiba.  Tem uma praia ótima de águas tranquilas. A família tinha esta casa cujo portão (azul), calçada e janelas são vistos à direita das fotos. 

Um Azera em Ibicuí

Aliás, a casa é uma das poucas coisas que quase não mudaram em Ibicuí.  Às vezes passo por perto e vou até lá para ver como é hoje e pensar em um ontem de tanto tempo, tão repleto de lembranças boas e momentos felizes.  Eu só peguei o finalzinho daquela  festa que durou mais de 15 anos. Sem essa de “naquele tempo que era bom”,  quero apenas reconhecer o passado mas sem desmerecer o presente.   

Por outro lado, acho que não há dúvida que as coisas dificilmente mudam pra melhor em termos de qualidade de vida que as cidades nos oferecem .  Comparem o cenário de uma foto com o da outra.  Quase não havia casas na rua.  E o carro?  O Azera é moderno mas não tem o menor charme quando comparado com o Chevrolet 37.  Curiosidade: o poste baixinho à esquerda, onde a rua fica mais estreita,  parece ser o mesmo daquele tempo. 

O Cariocadorio voltará muitas vezes a Ibicuí. 

Fotos: O Chevrolet 37 em Ibicuí (cerca de 1955, acervo pessoal Cariocadorio, proibido a reprodução sem autorização prévia); Um Azera em Ibicuí (Fevereiro de 2010, by Ademir/Cariocadorio)