Archive for the ‘Política’ Category

Os esquecidos do Eduardo Paes

20 de outubro de 2012

Reflexões de um cidadão sobre as eleições 2012 do Rio de Janeiro. 

A Barra da Tijuca é a grande vedete das Olimpíadas do Rio de Janeiro.  Os Trans isso, Trans aquilo, metrô e outras obras de infra-estrutura estão concentradas na Zona Oeste. 

Tirando a Zona Oeste, só a região portuária, graças a uma mudança de última hora, tem investimentos específicos.  Realmente o Porto Maravilha é um conjunto de obras que vai mudar o perfil da região. Os bairros mais tradicionais do Rio, porém, pouco ou nada terão como legado olímpico.

A disparidade com relação aos outros bairros do Rio é tão flagrante que o objetivo de concentrar os investimentos na Barra parece ser o de regar os interesses separatistas da região (veja em Barra da Tijuca, 2017).

Paes após votar no Gávea GC.

Paes após votar no Gávea GC.

Os resultados das eleições refletem este cenário. Campeão absoluto no Rio de Janeiro (mais de 64% dos votos), Eduardo Paes perdeu para Marcelo Freixo em Laranjeiras e no Cosme Velho, tendo vitórias apertadas em Botafogo, Urca, Humaitá, Catete, Jardim Botânico e Lagoa. Justamente nas regiões esquecidas pelo projeto Olímpico. Já no lado Oeste (Guaratiba, Recreio, Santa Cruz e Campo Grande), Eduardo Paes teve mais de 70% dos votos. Faz sentido. 

Tampouco seria conveniente mudar de rumo com tantas obras por terminar. Os novos prefeitos sempre aplicam a perversa lógica de renegar as iniciativas dos antecessores, mesmo estando a obra próximo à conclusão.  Assim nos ensinou recentemente o próprio Eduardo Paes, deixando de lado a maldita Cidade da Sinfonia Inacabada.

O atual prefeito tirou bom proveito de uma enxurrada de dinheiro nunca vista no Rio de Janeiro e da bem costurada união com as esferas estadual e federal.  Na campanha, praticamente sem oposição, pode até se dar ao luxo de reconhecer deficiências da sua administração. 

Precisamos cobrar um mínimo de ação nestes bairros esquecidos pelo Prefeito.  Obras que desafoguem o tráfego, por exemplo. Caso contrário, só ficaremos com o dever de pagar as contas, a começar pelo novo IPTU.

Foto EFE, outubro de 2012.

O Garotinho Maia

12 de outubro de 2012

Reflexões de um cidadão sobre as eleições 2012 do Rio de Janeiro.

As urnas selaram a sorte da bizarra união entre as famílias políticas Maia e Garotinho.  Não poderia ser diferente dos pífios 2,9% de votos conquistados pelo candidato Rodrigo Maia.

Os caciques Cesar Maia e Garotinho fizeram governos de triste lembrança para as populações da cidade e do estado do Rio de Janeiro. Aliás, por mais de um período cada.  Rodrigo Maia, por sua vez, pouco tem a apresentar no seu currículo. No dia da votação da câmara sobre os royalties do petróleo, assunto importantíssimo para o estado, o deputado federal estava numa obscura missão na Alemanha. Uniram-se, portanto, a fome e a vontade de comer.

O resultado se configurava desde o início da campanha.  As pesquisas já apontavam o filho de Cesar como o maior índice de rejeição entre todos os candidatos.  

Eleito vereador, nem assim o ex-prefeito das obras mal-vindas pode celebrar uma  vitória completa. O resultado soou como uma derrota para os Democratas.  Os votos muito abaixo do esperado foram insuficientes para trazer com ele o número de vereadores que o partido pretendia eleger. O DEM viu sua bancada ser reduzida de 8 para 3 vereadores no Rio de Janeiro.   

Creio que poucas vezes as urnas foram tão justas como neste caso.

Gráfico obtido no site UOL

O fracasso do Cesar Cielo

4 de agosto de 2012

Na mesma tarde em que Cielo ganhava apenas o bronze em Londres aconteciam algumas situações interessantes:

  • Os campeões olímpicos do vôlei de praia, os norte-americanos Rogers e Dalhausser, perderam para uma pouco votada dupla italiana e estão fora.
  • No estádio olímpico, na primeira tarde do atletismo, o panamenho Salinas campeão em Pequim, nem passou no corte do salto em distância. 
  • Chamou atenção o carinho dos ingleses com as suas representantes nos dez mil metros. As duas deram a volta olímpica sob calorosos aplausos após terminarem nas 7ª e 8ª posições na prova. 

A surpreendente saída dos americanos não causará dano ao desempenho da maior nação do planeta enquanto que para o Panamá a desgraça olímpica está sacramentada.    Mas o que tem o Cesar Cielo com isso?

A situação dos nossos atletas é parecida com a do panamenho.  São poucos os que têm chance de ganhar.  Uma característica bem brasileira é querer que nossos desportistas sejam heróis nacionais e que nos redimam de toda a desorganização social e vergonha política que nos levam a desempenhos pífios como nação, não só no esporte. 

O desempenho brasileiro nas olimpíadas é proporcional ao desempenho tecnológico, científico e social do país.  Enquanto nos EUA todas as crianças vão à escola e lá recebem boa educação e praticam esportes desde o primário até a universidade, aqui não damos a mínima para a isso.  Tem sido assim desde a ditadura dos anos 60 e 70 até o governo de esquerda do século atual, passando pelos liberais dos anos 90.  Governo algum deu real prioridade à educação.  

Sarah Menezes, a heroína do Piauí

Enquanto os gringos dão condições a todos mas premiam os melhores e mais ainda os fora-de-série, aqui fazemos tudo para nivelar por baixo.  Em vez de educar desde o início para permitir que todos possam disputar em igualdade o acesso aos cursos superiores, fazemos, através das “cotas”, que gente despreparada alcance a universidade, o que prejudica o desempenho de todos.

 Não adianta colocar dinheiro e esperar que a grana se converta em medalhas.  Estas são conseqüência de um trabalho de base, junto com a educação.  Só com massificação se pode gerar e identificar talentos na qualidade e quantidade necessárias.  Isto vale para o esporte e, principalmente, para o desenvolvimento tecnológico e social do país.  

Sem isso continuaremoa a ter apenas um Cielo aqui e um Nicolelis ali e, sobre estes poucos, o enorme peso de carregar um Brasil nas costas.   

O único que tem direito de achar que fracassou porque não chegou em primeiro é o próprio Cesar Cielo. Aqueles que pouco fazem para tornar este um país de primeira linha têm mais que dar-lhe os parabéns pela conquista.  Não é nada fácil chegar lá.   

Fotos: Sarah Menezes (site Exame.com), Medalhas Olímpicas (site zupi.com.br)

A tragédia nossa de cada dia

5 de fevereiro de 2012

Parte I:
Não é necessário pesquisar muito para lembrar de vários desastres recentes na cidade.  Para citar alguns, não faz muito tempo caiu um pequeno prédio no Catumbi;  uma explosão destruiu um restaurante no Centro;  o prédio semi abandonado do hospital do Fundão teve que ser implodido antes que caísse também.  No dia 30/01 um operário morreu e outros ficaram feridos em uma explosão no porto porque as redes fluviais estavam contaminadas com óleo. Por toda a cidade explodem bueiros por haver gás nas galerias do sub-solo. E não estamos nem falando de desgraças causadas por enchentes.

Assim, o desabamento do edifício Liberdade e de dois prédios vizinhos não chega a ser uma surpresa.  O Rio de Janeiro está sempre prestes a ser abalado por desastres de todos os tipos.  Como chegamos a este ponto? 

Falta seriedade antes, durante e depois destas catástrofes.  Logo após o recente desastre, alguém do governo saiu com a idéia de que precisamos de um “laudo” para todos os edifícios. Ele não lembra que o parque de diversões onde morreu uma jovem quando o brinquedo voou pelos ares também tinha um “laudo”. Segundo o site  ig, o CREA antecipou que a culpa deve ser das obras atuais no prédio.  Jornalistas, cidadãos e blogueiros podem “achar” a vontade mas o Conselho Regional de Engenharia deveria investigar seriamente primeiro e achar depois.

Metro na Av. Treze de Maio, 1975

Grandes acidentes geralmente acontecem em função de uma sequência de eventos, não por uma única causa. Portanto, se perguntarmos se a causa foi o abalo causado pelo buraco do metrô nos anos 70, a reforma do terceiro andar, a abertura de janelas na empena do prédio, o acréscimo de andares após a construção original ou o excesso de entulho no nono andar, a resposta provavelmente será que tudo isso contribuiu para a tragédia.
E em cada uma dessas fases haverá pitadas de irresponsabilidade, negligência e incompetência de proprietários, administradores, profissionais e autoridades. 

Alterações e obras (site ig)

Mas em última análise a culpa é da forma como nós, brasileiros, lidamos com assuntos sérios. De como escrevemos leis e as aplicamos.  De como fiscalizamos o cumprimento destas leis. De como apuramos responsabilidades e punimos culpados.  De como nosso legislativo é inoperante para o que realmente importa, de como nosso executivo não impõe a ordem e de como nosso judiciário faz de tudo para não concluir coisa alguma.

Parte II:
Caminhando pelo Centro quarta-feira passada, passei pela rua Treze de Maio e vi a operação final da remoção dos escombros dos edifícios no enorme vazio deixado no local. 

Vazio dos edifícios na 13 de maio

Teatro Municipal

Logo a seguir, observei o contraste da desolação com o Teatro Municipal, belíssimo, ainda com o frescor da recente reforma. Se este prédio centenário tivesse sido afetado, o prejuizo seria incalculável para o patrimônio cultural da cidade.

O pior é concluir que tivemos sorte nestas catástrofes.  Porque se ocorressem um pouco mais tarde, no caso da explosão no restaurante, ou um pouco mais cedo, no caso do Edifício Liberdade, estaríamos contando às centenas o número de perdas de vidas  humanas e de famílias atingidas. 

Mais adiante me deparei com a Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Não dá pra ver o Palácio Pedro Ernesto sem relacionar os que o freqüentam com a nossa rotina de desgraças.

Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro

Mas há coisas mais importantes para nos preocuparmos porque o verão continua, o Porto ficará Maravilha, a Copa e as Olimpíadas vem aí e, afinal, logo teremos eleições… 

Fotos: Tragédia, Vazio dos edifícios da Treze de maio, Teatro Municipal e Câmara dos Vereadores ( Fevereiro de 2012), by Cariocaodorio. Metro, av. Treze de maio, by Paulo Moreira (fevereiro de 1975) – obtida no site Rio de Histórias, de Rômulo Lima – e  Desabamento no Rio de Janerio arte by site ig (Fevereiro de 2012).

Acabem com os postos da orla

11 de dezembro de 2011

Não dá pra entender o objetivo do governador Sergio Cabral. Por que será que ele quer acabar com os postos de gasolina da Av. Atlântica, da Lagoa etc.?  

Convenientemente localizados, estes postos fazem parte de uma ampliação bem planejada das vias públicas, não atrapalham o trânsito, se harmonizam perfeitamente com a arquitetura urbana e estão aí há mais de 40 anos prestando bons serviços à população. 

As conseqüências imediatas são o aumento do preço dos combustíveis e filas, muitas filas de carros pelas ruas esperando para serem atendidos. Mais engarrafamentos. Aliás, os postos de rua estão fadados a desaparecer diante da ocupação dos espaços com edifícios.  Não vai sobrar posto algum para abastecer no Rio de Janeiro.

O Governador parece estar na utopia de um Rio de Janeiro maravilhoso onde a infra-estrutura seja desenvolvida a tal ponto que não haja necessidade de veículos particulares.  Mas a situação hoje muito diferente.  Não passa um dia sem problemas sérios com pelo menos algum sistema de transporte: Supervia, Barcas e Metrô do Rio são caóticos. Mas estes ainda ganham subsídios.  

Posto de gasolina na Av. Atlântica

Com tantas oportunidades claras e inequívocas para melhorar a vida do cidadão, as atuais administrações parecem mais interessadas em desfazer (Maracanã, Perimetral…) do que fazer algo pela cidade.  Infelizmente não há como não pensar que existem interesses que nada têm a haver com os da população do Rio de Janeiro. Triste.

Foto by Cariocadorio: Posto na Av. Atlântica (maio;2010)

Roraima; de Acácias, nióbios e Buritis

31 de julho de 2011

Lá onde acaba o Brasil, cortada pela linha do Equador, há uma terra com dimensões parecidas com as da Romênia, da qual pouco se ouve falar.  Boa parte delas são literalmente terras indígenas (TI), como a Raposa Serra do Sol.

Buritis

São interessantes alguns fragmentos de frases escutadas de moradores locais, sejam filhos da terra ou que lá se fixaram ou apenas temporários.  Reproduzo aqui sem me comprometer em ser exato.   

“Aqui falamos Roráima e não Rorãima”

“Onde tem Buriti pode ter certeza que tem água.”

“Aqui não tem selva amazônica, a região é de lavrado, com poucas árvores.”

“Ficaram de financiar plantio nas novas terras mas só plantaram Acácias, que não servem pra nada.”

Plantações de Acácias

  •  “A economia é movida a contra-cheque. Aqui não tem indústria. O dinheiro que gira é de pagamento.  A maioria trabalha para o governo ”    
  • “Antes tinha mais produção de arroz e gado mas depois que deram a terra para os índios a produção foi diminuindo”
  • “O Quartiero foi quem ficou até o fim nas terras indígenas. Foi processado e depois acabou se elegendo deputado. Não precisou nem fazer força.” 
  • “Prometeram reassentar e indenizar o pessoal que perdeu as terras mas até hoje tem gente que não recebeu nada.” 
  • “Nos anos 60 a família tinha terras lá. Os índios tinham suas malocas e moravam nas terras. A convivência era pacífica mas depois começaram a incentivar para que eles tomassem as terras.” 

Terras de Roraima

  • “A região tem muito mineral como nióbio e outros que são importantes para a indústria eletrônica.  Sei lá, pode parecer teoria da conspiração mas aqui tem muito estrangeiro como missionário, pesquisador…esse negócio de demarcação pode ter a haver com interesses estrangeiros.”

Onde tem Buriti...

Em Roraima, como em todo o Brasil, as coisas de governo são mal feitas. Não importa se a terra deve ou não ser dos índios.  Conhecendo, porém, o que move as decisões tomadas em Brasília, é de se esperar que existam interesses além dos que possam ser apenas fazer justiça aos legítimos direitos das nações indígenas de Roraima.   

E de uma coisa podemos ter certeza: onde tem Buriti … tem água.

Fotos by Cariocadorio, julho de 2010.

APO, CPO, RDC e a gastança olímpica

26 de junho de 2011

Quando anunciaram o nome de Henrique Meireles para ser o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), senti aquela vã esperança de que a gastança olímpica poderia ser controlada.  Esta semana a presidente Dilma indicou o ex-ministro das Cidades para ser o responsável pela APO.  Diferente da austeridade do ex-presidente do Banco Central, Marcio Fortes é apenas um político cuja participação no governo Lula resumiu-se a ocupar um cargo político. 

Márcio Fortes

Suas primeiras declarações dão bem conta do que ele entende da posição que vai exercer.

“Tem um negócio que ninguém fala. As perguntas são sempre sobre obras. Eu quero ganhar as medalhas. O Brasil está se preparando pra isso também. Eu vejo uma oportunidade de a gente se afirmar no esporte. Vamos ganhar o máximo de medalhas. Estamos esquecendo disso. O objetivo da olimpíada qual é? A vitória. Claro que pelo espírito olímpico o importante é participar. Mas é muito melhor participar vencendo.”

Vamos e venhamos, isto nada tem a haver com a sua responsabilidade na APO que é controlar recursos e cronogramas físico e financeiro das obras.  Além disso, Fortes teria dito que “o Rio de Janeiro tem uma experiência muito boa quanto à realização dos eventos esportivos. Os Jogos Pan-Americanos não foram uma prévia das Olimpíadas? E qual foi a avaliação desse evento? O melhor Pan-Americano que já houve.”

Isso demonstra que o ex-Ministro das Cidades não tem a menor idéia do que foram os malditos Pan-Americanos para o Rio de Janeiro.  Não sobrou nada que prestasse para a cidade e a utilização política dos ingressos para os eventos foi uma vergonha digna da administração do Pan e desta cidade, nas mãos de Cesar Maia na época.  Só o Maracanã está sendo totalmente reformado para a Copa de 2014 ao custo de R$1 bilhão após ter sido, por duas vezes, reformado nos governos Garotinho e Garotinha para os tais Pan-Americanos.

É bem verdade que Fortes também declarou que seguirá com cuidado o cronograma das obras e rechaçou as comparações com a organização da Copa do Mundo de 2014, que preocupa pelas reiteradas demoras.

A APO estará subordinada a outro novo órgão público, o Conselho Público Olímpico (CPO). Henrique Meireles foi indicado por Dilma para ser o representante da União neste órgão. Junto com ele o governador do estado e o prefeito do Rio de Janeiro.  Os arranjos políticos mais uma vez venceram a austeridade gerencial da Presidente.  

O CPO é mais um órgão público para gastar dinheiro do nosso bolso com um sem número de empregos para acomodar indicações políticas. Não creio que Meireles tenha a menor chance de exercer sua capacidade técnica e administrativa neste meio.  É provável que saia do circuito muito antes de 2016.

Assim como já está claro que o mau uso do dinheiro público (leia-se “roubalheira”) será a tônica da organização da Copa do Mundo de 2014, são poucas as esperanças de uma Olimpíada no Rio de Janeiro que não nos leve à falência.  

Como se isso fosse pouco, o governo põe em campo suas novas damas (Ideli Salvatti e Gleise Hoffmann) para manter o Regime Diferenciado de Contratações (RDC), aprovado na Câmara, que determina o sigilo de orçamentos para obras da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.  Se com o sistema de licitações transparentes acontecem as maiores falcatruas imagina a farra que será este sigiloso RDC.   

Pelo Brasil afora vamos continuar vendo bilhões gastos com estádios super faturados que servirão para manter os mesmos que há tanto tempo controlam o mercado do futebol no Brasil.

Posso debulhar lágrimas de tristeza ou de raiva sobre o teclado mas isto não fará a menor diferença .  Colocar este texto na rede tampouco ajudará a resolver o problema.  Talvez algumas gerações adiante se a propaganda da coca-cola estiver certa…

Fontes: reportagem de Claudia Andrade no Terra.com e do Globo.com de 21 de junho de 2011.  Fotos obtidas na internet.

Praça Mauá, o caos continua

22 de maio de 2011

Esta semana colocaram mais uma placa do Porto Maravilha, esta bem no meio da Praça.  Apesar do tão propalado projeto, a Praça Mauá continua sendo uma pocilga fétida no centro do Rio de Janeiro. 

Travessa do Liceu

Dinheiro para museus de utilidade duvidosa e um super terminal para navios de cruzeiro não falta.  Mas simplesmente colocar um pouco de ordem onde milhares de pessoas caminham diariamente parece que não dá o retorno político desejado. 

A tela n'A Noite

A tela n'A Noite

Para passar pela Travessa do Liceu é necessário um exercício de alienação ao entorno. As barracas de camelôs, alguns legais e vários de De VDs piratas, “coberturas” de plástico, buracos cheios de água são apenas algumas das dificuldades no local. 

A travessa é um beco atrás do edifício “A Noite” cuja reforma nunca termina simplesmente porque nunca começa.  Há um ano renovaram a tela e o madeirame mas já está tudo deteriorado de novo como se pode fazer na foto. 

Será que isso vai seguir assim até acontecer um grave acidente? 

Mais adiante, na própria praça, a ocupação da calçada é de toda ordem. Tem barraca de frutas, mesas e cadeiras do restaurante, um inacreditável estacionamento, estantes da loja que tem de tudo, guarita de ônibus, banca de jornais, barraquinha de chaveiro e buracos no chão, muitos buracos.

Siga mais um pouquinho e chegue na Av. Venezuela.  Ali o esgoto, muitas vezes na cor característica, aflora pelo menos uma vez por semana, exalando o odor característico e  causando prejuízos ao restaurante em frente ao bueiro. 

Av. Venezuela x Pr. Mauá

Esgoto aflora na claçada

 
Em outubro de 2009, já falávamos no problema de abandono da Praça Mauá neste post aqui. A situação não mudou muito assim como não é muito diferente em diversos outros lugares do centro do Rio.  Muitas vezes a solução é simples mas coisas simples não valem a pena resolver.  Tem pouco dinheiro envolvido e pouco retorno político.

Fotos
 by Cariocadorio, abril, maio 2011

As 7 vidas do Gato Angorá

6 de março de 2011

O Rio de Janeiro nunca foi afeito a bons governantes. Além disso, desde os tempos da Guanabara, mantinha uma tradição de ter governadores eleitos contrários ao governo federal.  Fazia parte do espírito pseudo-contestador do carioca. Com a fusão veio Faria Lima nomeado por Brasília e depois, eleitos, Chagas Freitas e Brizola. 

Em 1982 eu achava que era hora de o Rio de Janeiro se alinhar com o governo federal para ver se sobrava alguma verba porque a coisa aqui estava muito ruim. O candidato era casado com a filha do Amaral Peixoto, velho cacique que há anos dominava o combalido estado do Rio. Apesar de sua ligação com o eterno poder estabelecido, votei no tal de Moreira Franco. 

Após aquela lambança que foram as eleições (caso Proconsult, roubo de votos etc) o cara foi eleito.  Prometeu acabar com a criminalidade, fez desfile de patrulhinhas e parou por aí. Conseguiu até brigar com Brasília e se isolar politicamente.  O Rio de Janeiro nunca sofreu tanto no maior desgoverno até então.   O Brizola teve uma volta triunfal na eleição seguinte.

Anos depois Moreira Franco se candidatou a prefeito de Niterói e foi para o segundo turno (como se vota mal neste país).  Em total falta de respeito com o eleitorado, Moreira Franco desistiu do segundo turno.  Nada é mais vergonhoso do que abandonar a eleição e os eleitores no meio do caminho por saber que perderia o segundo turno.

E ainda assim este senhor ocupou cargos nos governos FHC e Lula.  Finalmente, agora no governo Dilma ele é guindado ao cargo de ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), seja lá o que se faça por lá.  É amigo pessoal do vice Michel Temer que fez questão de nomeá-lo.  Terá sido pela sua capacidade administrativa?

Que tipo de força se deposita em certas pessoas para que se mantenham por tanto tempo no poder mesmo que nada do que tenham feito seja proveitoso para a sociedade?  O jogo do poder político que mantém os Moreiras e Sarneys da vida no controle há tanto tempo não é mesmo para o cidadão entender.

Quanto mais se sabe menos se entende.

Fotos obtidas na internet:  animais.blogmaneiro.com ; caixa.gov.br

Autoridade Pública Olímpica (APO)

2 de fevereiro de 2011

Henrique Meirelles

Em meio ao noticiário de esportes escuto uma boa notícia: a presidente Dilma indicou o ex-Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para comandar a APO – Autoridade Pública Olímpica -, seja lá o que isso for.  

Pesquiso daqui e dali e aprendo que a tal APO será responsável por monitorar os compromissos do Brasil junto ao COI. A APO cuidará das obras das Olimpíadas, atuando para garantir as entregas das obras com qualidade, nos prazos e  dentro dos custos orçados.

Trocando em miúdos, a APO tem entre suas obrigações evitar que metam a mão no nosso dinheiro para a realização dos jogos, gastando muito mais do que o orçamento para que, no final,  seja nula a herança do evento para a cidade.  Ou seja, que não se repita em escala muito maior o “mal uso dos recursos públicos” que aconteceu com o Pan 2007.  

Para exercer dignamente sua função, este órgão federal deverá ser independente dos governos estadual e municipal, do ministério dos esportes e do Comitê Olímpico Brasileiro. 

A coerência no comando do Banco Central por oito anos faz de Henrique Meirelles uma pessoa que parece ter a credibilidade e a independência necessárias para assumir cargo de tal relevância para a saúde financeira da cidade do Rio de Janeiro. Sua indicação mostra a preocupação da nova presidente com o evento e suas consequências, o que por si só também me parece uma boa notícia. 

Por outro lado, criado em maio de 2010, o órgão poderá gerar um enorme cabide de empregos (cerca de 500) para gerir os R$30 bi de investimentos das Olimpíadas.  A corrida por cargos já começou a agitar os partidos políticos.  Portanto, cuidar da própria APO é um desafio.  Espero que seja dada ao Sr. Henrique Meirelles a oportunidade de escolher boa parte dos seus colaboradores com base em critérios de ética e competência.  Que a APO seja um órgão efetivamente fiscalizador.

Foto de Denis Balibouse / Reuters
Referências: Site do Estado de São Paulo (1/2/11);