Archive for the ‘Rio de Janeiro’ Category

Hora de torcer pelo Rio

1 de agosto de 2016
O Rio Olímpico

O Rio Olímpico

Já basta alguns gringos quererem nos desmoralizar.  Como se eles não tivessem seus próprios problemas, seus atiradores psicopatas, o terror em suas cidades, suas histórias de violência e erros. Não vamos fazer coro a interesses mesquinhos.

Para os que vem aqui para competir ou se divertir, tapete vermelho e o nosso maior carinho.  Mas que não esperem uma Olimpíada suíça porque isso aqui é o Brasil.  É o Rio de Janeiro com seu pacote completo.  Vejam a parte meio cheia do cálice.

Não é vergonha querer que os Jogos sejam um grande sucesso.  Já que começou, melhor que termine bem porque só assim será bom pra nós, brasileiros.
Cariocas de todo o Brasil;  agora é hora de curtir as Olimpíadas, é hora de torcer pra dar certo.

 

PS: Depois a gente volta a reclamar da falência do Estado, das bobagens do Prefeito, das mal acabadas obras, das roubalheiras do Congresso e de tudo mais que a gente tem direito. 

 

Rio de Janeiro, a Cidade do Amanhã

1 de janeiro de 2016
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A Cidade do Amanhã

Sou obrigado a reconhecer que os cariocas, nascidos ou não no Rio de Janeiro, somos uns mal-agradecidos.  Não contentes em viver numa cidade de beleza incomparável, cuidadosamente talhada entre montanhas verdes e mares azuis, ainda queremos ter segurança, escolas e hospitais que funcionem.

É verdade que não se pode passar em certas vias públicas a tantas horas do dia sob o risco de aumentar a probabilidade de assalto dos normais 48 para inaceitáveis 92,5%.  Também é verdade que às vezes algum incauto fica doente sem que haja UPA que o atenda, ou que uma grávida inescrupulosa decida dar à luz na hora da troca de turno.  Particularmente quando o governo não pagou ninguém e o hospital não tem médico em turno algum pra fazer a troca.

Mas não se pode querer tanto quando se tem a Quinta da Boa Vista, o Pão de Açúcar, a Floresta da Tijuca, as praias do Leme ao Pontal, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Jardim Botânico, a nova Praça Mauá, e vou parar por aqui se não acabo esquecendo do Cristo Redentor, com seus braços abertos sobre a Guanabara.

Há que escolher entre uma cidade maravilhosa e um governo que preste.  O fato é que, antes mesmo de 1° de março de 1565, o carioca já havia feito a sua opção pelo belo.  Mais do que isso é descabida ambição.

Foto by Cariocadorio: Cidade do Amanhã, dezembro de 2015

Nota: baseado em crônica de Machado de Assis (15/09/1876)

Árvore de Natal da Lagoa, 2014

26 de dezembro de 2014

A árvore de natal da Lagoa Rodrigo de Freitas já é uma tradição no Rio de Janeiro.

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Árvore de Natal da Lagoa, 2014; primeiro o sol do anoitecer

Todos os anos, ou quase todos, lá vou eu tentar fotografá-la com um equipamento vagabundinho. Um celular Blackberry, um I-phone ou uma câmera Sony que cabe na palma da mão.

Padrões de luzes e cores mas só a partir do finzinho da tarde

Eu me esforço, prendo a respiração, tento me lembrar de tudo que em um passado distante li sobre fotografia.  Não tem jeito, sai sempre meio tremido.

Em tons de azul, a cor mais quente

Mas eu gosto assim mesmo.  Um dia eu compro uma daquelas câmeras bacanas, como a saudosa Nikon FB-10 que está esquecida no alto de um armário.  Só que moderna, digital, quem sabe até uma semi-pro… Talvez quando eu me aposentar.  Não falta muito, eu acho.  A coisa anda passando cada vez mais rápido.

Panorama da Lagoa Rodrigo de freitas

Panorama da Lagoa Rodrigo de Freitas

Espero ter mais fôlego para escrever no próximo ano.  Isso mesmo, fôlego, porque não posso alegar falta de tempo.
2014 não foi ruim…Também não foi tão bom assim (se me permite o Lulu Santos).

Por falar nisso… Que 2015 seja formidável para todos.  
Muita saúde, muito amor e felicidade. 

Fotos by Cariocadorio (novembro de 2014).

Árvore de Natal da Lagoa, o Lado B

30 de novembro de 2014

uruguay e lagoa 031A árvore de natal da Lagoa desperta os mais variados sentimentos.  Do amor pelo espírito natalino ao ódio mais primitivo de quem se vê usurpado de seus direitos de cidadão.  Este último é o tema deste ano.

Por que a má vontade? Simples; as pessoas têm sua rotina destruída por mais de um mês.  A ciclovia fica cheia de gente atrapalhando os que por ali se exercitam.  O trânsito se torna caótico e como se não bastasse, os moradores que estacionam seus carros no canteiro central das avenidas o ano todo ficam impedidos de fazê-lo.  E nem pensar em receber a visita de familiares para uma festa de natal.

Borges de Medeiros - proibido estacionar!

Borges de Medeiros – proibido estacionar!

É proibido estacionar em toda a volta da Lagoa, mesmo que no lado oposto ao da árvore.  Se fosse por um fim de semana, tudo bem, mas é por mais de um mês.

131208 iphone 018Resumindo, a árvore de natal da Lagoa é um suplício para os milhares de moradores da região que, por sinal, pagam dos mais caros IPTUs do Rio.  Tudo é feito para beneficiar quem não mora ali, às custas do seu sofrimento.

Quem sorri de orelha a orelha é o fabricante de cones.

Afinal, é justo fazer uma festa (com propaganda e incentivos fiscais para um banco) em detrimento do direito de muitos?

Fotos by Cariocadorio: Novembro de 2013 e novembro de 2014.

Clique aqui para ver fotos e posts sobre a árvore de Natal da Lagoa desde 2009.

Porto Maravilha – Praça XV sem Perimetral

4 de outubro de 2014
Praça XV

Praça XV de Novembro

Saída do Mergulhão

Saída do Mergulhão da Praça XV

Tribunal Marítimo e Centro Cultural da Marinha

Av. Alfredo Agache, à continuação

Seguem as obras na Praça XV.  No trecho de onde já foram removidos os escombros da Perimetral pode-se ter uma ideia de como ficará o local.  As fotos foram tiradas do prédio da Bolsa de Valores (o que aparece com um heliponto azul na foto abaixo).

Os prédios do Tribunal de Justiça e do Hospital Maternidade continuarão impedindo a vista para o mar. Na sequencia, o Tribunal Marítimo aparece de forma mais harmônica  com a paisagem.

Google Mapas, ainda  com a Perimetral

Google Terra, ainda com a Perimetral

Fotos by Cariocadorio: Praça XV e Av. Alfredo Agache (sembro de 2014);
Vista de cima do Google Terra.

Porto Maravilha, tomando forma

7 de setembro de 2014
A Perimetral e o sol

A Perimetral e o sol

Enquanto passado e futuro ainda convivem, começa a tomar forma a nova região portuária do Rio de Janeiro.

A demolição da Perimetral permitiu que uma luz há muito não vista voltasse a banhar  a Av. Rodrigues Alves e a Praça Mauá.

O Museu de Arte do Rio é, já há algum tempo, uma realidade.  Acho interessante aquele teto ondulado sobre o edifício e o Palacete D. João VI. A polêmica arquitetura é mais uma atração para a Praça Mauá.

O Museu do Amanhã também começa a tomar forma ao mesmo tempo em que se removem os restos da Perimetral.

Obras do Museu do Amanhã e restos da Perimetral

Obras do Museu do Amanhã e restos da Perimetral

Ainda há muita coisa por fazer, como arranjar uma solução para o triste e abandonado edifício A Noite, aquele que foi o maior arranha céu da América Latina. Quem sabe um dia caminharemos tranquilamente por modernas vias e pelas vielas do Morro da Conceição, berço do Rio de Janeiro.

A Perimetral já foi mesmo demolida, não adianta continuar reclamando. Melhor torcer para que a maior transformação urbana no Rio de Janeiro nos últimos quarenta anos nos permita melhor desfrutar da Cidade Maravilhosa.

Artigos sobre este assunto:
https://cariocadorio.wordpress.com/2011/11/26/as-obras-do-mar/
https://cariocadorio.wordpress.com/2011/04/18/palacio-d-joao-vi-segue-a-obra/
https://cariocadorio.wordpress.com/2010/05/22/palacio-d-joao-vi-em-obras/
https://cariocadorio.wordpress.com/2014/01/26/tchau-tchau-perimetral/
https://cariocadorio.wordpress.com/2011/04/18/palacio-d-joao-vi-segue-a-obra/

Fotos by Cariocadorio, agosto de 2014.

Hora de torcer pro Brasil

8 de junho de 2014

É claro que aquela senhora não acredita no que disse.  Aquela, de invejável pedigree, que trabalha no COL.  Todos sabemos que ainda há muito para ser roubado. Mas … voltemos a este assunto depois da Copa?

140608 copa no Rio

Agora não importa se a economia vai muito mal, se a mistura de político brasileiro e dirigente da FIFA deu neste descalabro, se a vitória pode beneficiar este ou aquele partido, se passamos atestado de incompetência e tudo mais.

A Copa (a de todos, não a da FIFA) é um maravilhoso encontro de nações. Agora é hora de receber em paz os que nos visitam em paz. É hora de assistir um dos maiores espetáculos do planeta.  Agora é hora de dar uma trégua e fingir que a gente acredita que “o que tinha que ser roubado já foi”.

Agora eu vou me enrolar na bandeira brasileira e
torcer para o Brasil.

Foto: cartão postal do Banco Itau

Minha história das Copas do Mundo

14 de maio de 2014

A cada quatro anos, nesta época, os canais de esporte se fartam de apresentar a história das copas do mundo. Filmes oficiais, clássicos das Copas, reportagens e por aí vai.  Tudo bem ver pela enésima vez o gol que o Pelé não  fez contra o Uruguai em 70, os dribles do Garrincha em 58 e o pênalti que o Baggio bateu pra fora em 94.  Mas o que dizer da fatídica final na França e dos gols do Paolo Rossi em 82 ?

Cada um tem suas preferências e sua própria história das copas do mundo.  Qual é a sua história? Onde é que você estava na final da Copa de 70?  Essa é fácil, mas na final de 86 fica mais difícil lembrar.  Aqui vai a versão do Cariocadorio.

Comecemos pela Copa de 50.  Para mim é aí que começa a história das copas apesar de que em 50 eu não fosse nem um lampejo de luxúria nos olhos dos meus pais. Mas não dá pra deixar de falar da grande catástrofe nacional: o Maracanazo.  Parece que foi ontem.

Maracanã, Jun/50

O palco foi este que aparece na foto, quase pronto para maltratar os brasileiros, vivos ou mortos, que contavam celebrar uma grande vitória.  A formidável campanha que nos iludiu com esta certeza teria sido a causa da derrota para o Uruguai na final.  Meu pai conta como foi a goleada sobre a poderosa Espanha da época, com o povo cantando nas ruas “eu fui às touradas de Madri” (clique para escutrar a Carmen Miranda cantando).  

O goleiro Barbosa, injustamente lembrado como o símbolo desta derrota, sofreu por toda a sua vida.  Criminosos cumprem a suas penas (ou parte, ou apelam para a OEA como alguns mensaleiros) e depois ficam livres.  Barbosa não, sua pena foi perpétua e ele teve que carregar até o túmulo nossa catástrofe nacional. 

Copa de 54, Suiça

Em 1954, na Suíça, o Brasil ainda sofria as conseqüências da derrota anterior e caiu diante do (quase) invencível esquadrão húngaro.  Este, o grande favorito, foi derrotado na final pelos alemães, que conquistaram o seu primeiro titulo na base da tecnologia, perseverança e do cansaço dos adversários.

Faltavam então apenas quatro anos para o Brasil se livrar do complexo de cachorro vira-lata.

Pensamento de quem está ficando velho:  “Por que será que antigamente levava tanto tempo entre copas e hoje mal acaba uma e já começa a outra?”

A história das copas por Cariocadorio:
https://cariocadorio.wordpress.com/category/copas-do-mundo/

Fotos: Maracanã, Jun/50, (by Kléber, acervo pessoal Cariocadorio; proibida reprodução sem autorização prévia); Bandeira da Suiça (internet, open 4 group, downloads)
Nota: post reeditado com pequenas alterações. 

Perimetral, a demolição em 2 tempos

23 de abril de 2014
Remoção de escombros na Praça Mauá

Remoção de escombros na Praça Mauá

Há alguns anos critico esta obra faraônica que seria normal se fossemos uma economia como a dos Emirados Árabes.  Ainda acho que haveria alternativas para não demolir o elevado da Perimetral.  Mas não há mais espaço para reclamar porque a coisa está no chão.  Agora só resta torcer para que o Porto Maravilha faça juz ao nome.  

Antes da implosão

Antes da implosão

Depois da implosão

Depois da implosão

Pré-perimetral, circa 1965

Praça Mauá; pré-perimetral, pré-ponte, circa 1965

Houve um tempo, nem tão longínquo assim, que não havia Perimetral.  Aí sim, deveriam ter seriamente pensado em não construí-la.  Mas era tempo de Brasil Grande… 

A boa notícia é que o prefeito Eduardo Paes e sua equipe agora partirão para demolir o elevado da Paulo de Frontin e revitalizar o Rio Comprido e a Tijuca. Seria de um propósito ainda mais nobre: devolver à região a tranquilidade que lhe foi roubada há quatro décadas.  

Escombros da Perimetral

Escombros da Perimetral

Fotos atuais by Cariocadorio (i-phone – abril 2014) ;
Foto antiga: Praça Mauá circa 1965, obtida na internet (Site Portogente, Julio A.R. Reis)

Manifestação, liberdade e trabalho

28 de março de 2014

Olhem bem pra mim… Estou com roupas escuras, uma blusa enrolada no rosto e uma mochila nas costas.
Isto é uma manifestação!

Fecho a Av. Rio Branco e agora todos terão que me ouvir.  Caminho entre o lixo dos garis entoando palavras de ordem e faço calar os que são contra e a favor da Copa do Mundo da FIFA.   Destruo carros alegóricos, venço  black blocks, garotinhos, o sindicato dos rodoviários e dos produtores de ovo de codorna de Cachoeiro de Macacu que disputam a avenida comigo.

Não tenho culpa se meu pai começou aos 13 anos e só se aposentou aos 70.  Se minha mãe esfregava panelas até o último fio do Bom Brill.  Se me obrigaram a estudar mais do que eu tinha vontade e acabei no Pedro II.  Se me meti em más companhias, estes malditos caras que entraram pra faculdade.  Se não consegui me livrar deste jugo familiar e segui o exemplo do meu irmão.   O coitado também cresceu neste meio, não teve escolha.

Não tenho culpa se a política me dá náuseas, se não sei ultrapassar pelo acostamento, se não sei ser meio-honesto, se acho que lei tem que ser cumprida e outras besteiras do gênero.  Eu só conheço um caminho para viver em sociedade: trabalho e respeito ao próximo.  E não vou pedir perdão por isso. Posso ser todo errado mas sou brasileiro e tenho os meus direitos.

Com todo respeito a São Jorge e Zumbi, desafio vereadores a acabarem com os neo-feriados do Rio de Janeiro. Fecho a Rio Branco contra as sextas-feiras de carnaval antes que elas comecem nas quintas;  contra os feriados da Copa da FIFA que paralisarão a cidade; contra os meia-dúzia de gatos pingados que a cada dia vão às ruas do Rio em causa própria privando milhares do seu direito de ir e vir.

Pela liberdade de protestar.
Fecho a Av. Rio Branco pelo direito de trabalhar.