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Luizinho, más Bueno que Pereira

11 de fevereiro de 2011

Com esta manchete, a revista argentina Parabrisas Corsa reverenciava um dos maiores pilotos brasileiros de todos os tempos:
Luiz Pereira Bueno.

Luizinho a bordo do Berta da Equipe Hollywood, 1975

Ao volante de um Porsche 908, Luizinho protagonizou uma série de três corridas eletrizantes na Argentina juntamente com o ídolo local, Luiz di Palma.  Disputando cada curva, os dois Luiz levaram ao climax a rivalidade entre os dois países no início dos anos 70. Nesta curta temporada reinaram a competência, a admiração e o respeito nunca vistos em disputas esportivas envolvendo Brasil e Argentina.  Entre tantas conquistas, o laureado Di Palma elegeu justamente a corrida que perdeu para o rival como a mais memorável da sua carreira, tal a importância daquela série. 

No Porsche 908/2, 1971

Esta semana o jornal “O Globo” anunciou o falecimento de “Luiz Pereira Bueno, Piloto de Fórmula 1“.  Apesar de  ter até pilotado carros de fórmula 1, destacá-lo como tal é um equívoco. Pilotos brasileiros com passagens na categoria máxima do automobilismo contam-se aos montes. Luizinho foi muito mais do que isso.

Luizinho foi o grande campeão das pistas brasileiras. Venceu as mais importantes provas do automobilismo nacional na época em que começavam a aparecer nomes como José Carlos Pace, Wilson e Emerson Fittipaldi que logo se destacariam na Europa. Um pouco mais velho, Luizinho não teve a mesma oportunidade de  sucesso internacional.  Ainda assim obteve 9 vitórias que lhe renderam um vice-campenato na F-Ford inglesa disputando apenas parte da temporada.

Luizinho no Bino Mark II, Rio 1968

Começou sua carreira em 1957 e conduziu com maestria os carros da equipe Willys nos anos 60, destacando-se o Mark II, o Bino, protótipo que levou a inúmeras vitórias.  Foi também com o Bino que viveu o mais triste momento de sua carreira em uma corrida nas ruas de Petrópolis.  Com sua condução rápida e segura, Luizinho foi vencedor tanto com carros de baixa cilindrada como em potentes protótipos como o Porsche 908 e o Berta Hollywood.. 

Não era somente dentro das pistas que Luiz Pereira Bueno se destacava. Em 1975, no acesso aos boxes de Interlagos, uma pseudo autoridade insistia em entrar de qualquer jeito. De repente o comissário aponta para uma pessoa na fila de entrada e diz:
“Olha só, até ele tem credencial para entrar nos boxes.”

Luizinho

Lá estava Luizinho, estrela maior de uma competição que reunia os melhores do país, credencial em punho aguardando pacientemente para entrar na sua área de trabalho.  

Neste dia vi de perto o piloto que conheci nas revistas e aprendi a admirar nos autódromos. Um brasileiro que, por sua competência profissional, carater e vitórias,  merecia ter sido admirado por um público muito maior do que os aficciondos pelo automobilismo em sua época.

Site oficial, Luiz Pereira Bueno: http://www.luizpereirabueno.com.br/
Mais sobre Luizinho no site Obvio: http://www.obvio.ind.br/Luis%20Pereira%20Bueno.htm

Fotos: Luizinho no Berta Hollywood em 1975 (by Cariocadorio);  demais fotos obtidas no site Obvio.

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Amigos em Interlagos, 1975

8 de janeiro de 2011

Avalone-Chrysler de Pedro Mufato

Amigos não se encontram em cada esquina.  Não adianta procurar, amigos apenas acontecem. E só percebemos  depois de algum tempo.  O mesmo tempo que, junto com os caminhos da vida, nos afasta depois. 

Maverick (Div. 1)

Aquela amizade foi irrigada pela paixão pelo automobilismo.  Não havia muita gente por perto com real interesse pelo esporte a motor.  Para a  maioria o automobilismo se limitava ao Emerson Fitipaldi. A gente reverenciava o ídolo mas queria ver corridas acontecendo no Brasil, com carros feitos aqui e pilotos brasileiros.  Neste cenário, imagina o prazer de estar perto de um potente Maverick V-8 e de dar uma empurradinha em um protótipo Avalone-Chrysler.

Acompanhávamos juntos o automobilismo brasileiro desde os tempos do antigo Autódromo Internacional do Rio de Janeiro (aqui).  Tinhamos ido a todas as corridas de F1 em Interlagos mas aquele festival de velocidade, entre fórmulas, carros de turismo  e protótipos nacionais, era muito especial.   

Amigo em Interlagos, 1975

Mesclavam-se gerações de grandes pilotos.  A bordo do protótipo Berta, ninguém menos que o ótimo Luiz Pereira Bueno.  A fórmula Super Vê era a grande atração trazendo nomes como Alfredo Guaraná Meneses, Chiquinho Lameirão, Marcos Troncon, José Pedro Chateubriand e outros.   Tinha até mecânico de F1 na Super Vê.  Como se não bastasse tanta gente competente, ao volante de um Polar,  começava a se destacar um jovem Nelson Piquet Souto Maior, iniciando sua caminhada rumo ao topo do automobilsmo mundial. 

Até onde iria esse cara?

Naquele fim de semana em Interlagos celebrávamos, sem saber, o auge de uma amizade que segue até hoje,  embora à distância.  Celebrávamos também um dos maiores momentos do automobilismo brasileiro. 

Fotos : Avalone Chrysler de Pedro Mufato, Amigo em Interlagos e  Nelson Piquet no Polar fórmula Super Vê  (by Cariocadorio);  Maverick V8 da equipe Mercantil Finasa Motorcraft (by Geraldo).  Interlgos 1975.