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Malditos tachões

13 de abril de 2012

Acordou mais cedo que de costume. Inclinou-se sobre a pia do banheirinho apertado, lavou o rosto esfregando os olhos e caprichou na barba ralinha.  Sem fazer barulho vestiu o jeans ainda novo e calçou as botas baratas. Passou o café, esquentou o pãozinho de ontem e se alimentou para o dia de trabalho. Colocou a camiseta favorita e, sobre ela, a surrada jaqueta.

Beijou a esposa, muito jovem, e saiu de casa sem acordá-la.

Welliton amarrou a presilha do capacete, curtiu por um instante o barulho do motor da Honda novinha e seguiu para o Centro do Rio. Mais cuidadoso que de costume, buzininha tocando entre carros e pedestres, Welliton ziguezagueou pelas ruas do Rio de Janeiro em sua rotina de motoboy.  Concluiu feliz suas tarefas.

Uma chuvinha fina caiu sobre a cidade no fim do dia. Com a capa de plástico Welliton pegou o caminho de casa.  De repente o ônibus raspou no cone de tráfego e o jogou na sua frente. Com uma rápida guinada, desviou do obstáculo mas a roda resvalou num tachão.  Enquanto sentia a moto escapar debaixo de si ainda pensou:

“Malditos tachões”!

Nada mais a fazer.  A moto tombou e deslizou na direção do guardinha que, insanamente, controlava o tráfego no meio da avenida movimentada.

Do asfalto, após seu corpo quicar várias vezes sobre os tachões, Welliton viu pessoas correndo em sua direção. Viu o guarda caído mais adiante. Em vão tentou se mexer. A vista foi ficando turva e as forças lentamente abandonando seu corpo.

Amanhã a jovem esposa do motoboy acompanhará o marido pela última vez.  No seu ventre, o sonho do casal ainda não sabe que nascerá sem o pai.

Menos mal para o controlador de tráfego que em seis meses poderá voltar ao trabalho.  Esperemos que nunca mais para o meio do trânsito pesado da Av. Rio Branco.

Fotos by Cariocadorio.

Se beber não dirija

3 de abril de 2010

As estatísticas de mortes nas estradas brasileiras são alarmantes.  Muitas vezes os acidentes que levam tantas vidas precocemente são causados por motoristas que dirigem alcoolizados, sob o efeito de drogas ou com sono.
Recebi o texto  e o video abaixo por e-mail.  É tão importante que vale a pena fazer tudo para que o maior número possível de pessoas o veja.  Passem adiante, reproduzam em seus espaços, encaminhem a quem possa fazer algo assim no Brasil.  As imagens são muito fortes mas merecem ser vistas. 

 

Uma das maiores empresas de marketing do mundo, resolveu passar uma mensagem para todos, através de um vídeo criado pela TAC (Transport Accident Commission) e que teve um efeito drástico na Inglaterra. Depois desta mensagem, 40% da população da Inglaterra, deixaram de usar drogas e de se alcoolizar pelo menos nas datas comemorativas. Espero que todos assistam, mesmo que não se alcoolizem ou usem algum tipo de drogas, e que reflitam e passem para os seus contatos. 

Acidente em Ipanema

29 de janeiro de 2010
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O sucedido data de outubro de 1976, conforme indicado na moldura dos slides.  Voltava da faculdade com meus amigos Jaime e Dauro e, não sei por que cargas d’água, estava com uma câmera fotográfica. De repente demos de cara com o salseiro.  Pela quantidade de gente era provavelmente um sábado. A  irreverência da foto já mostra que isso não é coisa destes dias. Com o Dois Irmãos ao fundo e a saudosa carrocinha do Geneal à espreita, resolvemos registrar o fato gestualmente. Gesto esse que saiu de moda faz algum tempo. Hoje em dia, diante do quadro, com certeza nossa reação seria outra.

Opala no canteiro central

 Descemos do Opalão azul do Jaime (quem sabe do Corcel do Dauro ou ainda do Passat do meu pai) e fomos assuntar.  Felizmente não havia feridos com gravidade apesar da batida ter sido forte.  Não me lembro como aconteceu o acidente mas envolvia dois Passats, um Opala e uma moto. 

O Opala estava em cima do canteiro central de uma  Av. Vieira Souto novinha. Junto a ele, uma moto que estava estacionada jazia meio troncha. O Passat marrom bateu na traseira do outro que girou na direção da contra-mão e pegou fogo.  

Enquanto passa o Alfa Romeu 2300 ...

Os bombeiros não demoraram a chegar mas já não havia muito o que apagar.  Então aproveitaram para refrescar a rapaziada.     

Água pra refrescar

Como era típico naquela época,  levaram o “TKR” do Passat acidentado.  Se não foi logo depois do acidente já haviam levado antes.  Dá pra notar na foto o buraco no painel onde deveria estar o toca-fitas.     

Interior do Passat

 Há muitos detalhes interessantes nestas fotos. Os carros da época, as motos e as placas amarelas com duas letras e quatro números. As roupas dos banhistas, os penteados e  o uniforme do guarda. Vê-se ainda uma  paisagem da Av. Vieira Souto com poucas árvores e os sinais de trânsito sem a luz amarela. Tá bem, não mostra de frente mas dá pra notar que são duas luzes.  Pra quem não se lembra, o amarelo era substituído pelas luzes verde e vermelha acesas simultaneamente o que funcinava bem, na minha opinião.  Bom mesmo eram as placas atrás dos sinais para evitar que o sol ofuscasse a visão das luzes. 

Essa é uma pequena recordação da Av. Vieira Souto de trinta e poucos anos atrás.  Pelas fotos, não muito diferente de hoje.     Pra quem quiser se divertir desafiando a memória, ficam as perguntas:  

  • Em que esquina aconteceu o acidente? 
  • Qual o ano e o modelo dos carros que aparecem nas fotos?          

Passat marrom, cor típica na época

    Fotos by Cariocadorio: Acidente em Ipanema (1976)