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Boa Vista, RR, uma grata surpresa

3 de agosto de 2011

A cidade muito bem arrumada surpreende o carioca recém chegado.  Avenidas larguíssimas de mão única com enormes praças nos canteiros centrais seguem a urbanização planejada.  Não há problema de tráfego para os seus cerca de  250.000 habitantes. 

Orla Taunaman

Cachoeira do Paiva, Tepequem

Nas serras de Tepequem, a 200 Km da capital, encontra-se um clima agradável embora com uma infra-estrutura insípida para o turismo.  Depois de um bom banho em uma das várias cachoeiras admirando o belo cenário que a natureza oferece não há muito que reclamar do pouco que os estabelecimentos locais oferecem.

Infelizmente, não precisa muito tempo para perceber as mazelas típicas do resto do Brasil.  A classe política controla as oportunidades e  as leis são mais iguais para alguns que para maioria.
Nas palavras dos locais um pouco da realidade brasileira: 

  • “O parque Anauá ta abandonado.  O Governador Fulano de Tal fez o parque.  Quando outro entra deixa de lado. Quando ele volta ajeita pro seguinte abandonar de novo.” (sobre um enorme parque que poderia ser formidável).

Praça das Águas

  • “A Praça das Águas só teve água no início, depois roubaram as bombas e as válvulas.  Funciona uma vez ou outra mas roubam tudo de novo.” (a bela praça seria ainda mais bonita se os chafarizes funcionassem).
Boa Vista vista do Rio Branco
  • “O empresário fez uma pesquisa e disse que tinha mercado. Tem uns anos já e ele não vendeu tudo” … “Acho que o limite era de 3 ou 4 andares mas já não se fala nisso”  (sobre o inexplicável edifício residencial de 8 ou 10 andares  que se destaca na foto)

Lá no fim do Brasil não é muito fácil encontrar quem faça turismo. O  barqueiro explicou de forma simples e direta, com a experiência de uma vida inteira em  Boa Vista.

  • “Aqui não vem muito turista não. Só quem tem algum parente e vem visitar ou quem vem a negócios e aproveita pra conhecer é que faz turismo em Boa Vista”, afirmou ele durante o passeio pelo Rio Branco.   

Onça Pintada

Dias depois, finda a visita,  a constatação de que Boa Vista é uma cidade mais limpa, mais humana e com menos problemas sociais que outras capitais brasileiras. 

A cidade, entretanto, é administrativa e vive principalmente do salário pago aos empregados dos governos locais e federal.

Há um grande contingente do exército na região. Policiam as fronteiras, fazem incursões de treinamento na  selva e preparam o pessoal que vai para missões internacionais, como ao Haiti, De quebra ainda cuidam de animais, desde jandaias a onças de todos os tipos, antes de retorná-los à vida selvagem.  

Fotos by Cariocadorio: Orla Taumanan no rio Branco, Boa Vista; Cachoeira do Paiva, Tepequem, RR; Praça das Águas, Boa vista; Boa Vista vista do rio Branco; Onça pintada (julho de 2011)

Roraima; de Acácias, nióbios e Buritis

31 de julho de 2011

Lá onde acaba o Brasil, cortada pela linha do Equador, há uma terra com dimensões parecidas com as da Romênia, da qual pouco se ouve falar.  Boa parte delas são literalmente terras indígenas (TI), como a Raposa Serra do Sol.

Buritis

São interessantes alguns fragmentos de frases escutadas de moradores locais, sejam filhos da terra ou que lá se fixaram ou apenas temporários.  Reproduzo aqui sem me comprometer em ser exato.   

“Aqui falamos Roráima e não Rorãima”

“Onde tem Buriti pode ter certeza que tem água.”

“Aqui não tem selva amazônica, a região é de lavrado, com poucas árvores.”

“Ficaram de financiar plantio nas novas terras mas só plantaram Acácias, que não servem pra nada.”

Plantações de Acácias

  •  “A economia é movida a contra-cheque. Aqui não tem indústria. O dinheiro que gira é de pagamento.  A maioria trabalha para o governo ”    
  • “Antes tinha mais produção de arroz e gado mas depois que deram a terra para os índios a produção foi diminuindo”
  • “O Quartiero foi quem ficou até o fim nas terras indígenas. Foi processado e depois acabou se elegendo deputado. Não precisou nem fazer força.” 
  • “Prometeram reassentar e indenizar o pessoal que perdeu as terras mas até hoje tem gente que não recebeu nada.” 
  • “Nos anos 60 a família tinha terras lá. Os índios tinham suas malocas e moravam nas terras. A convivência era pacífica mas depois começaram a incentivar para que eles tomassem as terras.” 

Terras de Roraima

  • “A região tem muito mineral como nióbio e outros que são importantes para a indústria eletrônica.  Sei lá, pode parecer teoria da conspiração mas aqui tem muito estrangeiro como missionário, pesquisador…esse negócio de demarcação pode ter a haver com interesses estrangeiros.”

Onde tem Buriti...

Em Roraima, como em todo o Brasil, as coisas de governo são mal feitas. Não importa se a terra deve ou não ser dos índios.  Conhecendo, porém, o que move as decisões tomadas em Brasília, é de se esperar que existam interesses além dos que possam ser apenas fazer justiça aos legítimos direitos das nações indígenas de Roraima.   

E de uma coisa podemos ter certeza: onde tem Buriti … tem água.

Fotos by Cariocadorio, julho de 2010.