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Enseada de Botafogo

3 de abril de 2011

 

Barcos na Esnseada de Botafogo

No meu caminho nos anos sessenta estava a Enseada de Botafogo.  Um ótimo lugar para saber que vivemos em um dos mais belos cenários naturais da Terra.  Como tudo que é fácil, a gente tem dificuldade de dar valor.   

FFC e Palácio GB

O 583 passava em frente ao Fluminense, ao Palácio Guanabara, depois seguia pelo recém aberto corte na Farani e chegava em Botafogo.  Na ida pegávamos a Bambina e subíamos a São Clemente, dando de cara com o Corcovado e o Cristo lá em cima.  Passava-se pelo Santo Inácio e pouco depois lá estava ele, o Colégio Pedro II.

Na volta de 584 a briga era pra sentar na janela.  Tinha mais ar e, em tempos de mini-saia, sempre apareciam umas pernas no carro ao lado.  Sem essa de vidros escuros escondendo as pessoas. Quando, saindo da Voluntários, a gente chegava na Praia de Botafogo, o Rio de Janeiro nos sorria em toda a sua plenitude.  Lá estavam o Pão de Açúcar, os barquinhos no mar, as areias brancas da praia e aquele relógio digital com anúncio…do que mesmo?  Não lembro, mas era do cacete aquele relógio.

O relógio não está mais lá, tampouco a Sears, o Anglo Americano e o colégio Andrews.  Mas seguem os barquinhos e o eterno Pão de Açúcar.  Tem coisas que nem os prefeitos conseguem destruir.

Esqueçamos os problemas e deixemos o 584 seguir seu caminho até o Cosme Velho.  Vamos ficar um pouco só com este Rio de Janeiro formidável, até mesmo no simples caminho da escola.

Fotos by Cariocadorio: Barcos na Enseada de Botafogo (Abril, 2011); Estádio do Fluminense e Palácio Guanabara (1969); Enseada de Botafogo (Abril, 2011) 

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De Botafogo a Bucareste

20 de março de 2010

A Romênia nos remete a histórias de vampiros e castelos.  Terra de ciganos e de Nadia Comanecci que encantou o mundo com sua graça e perfeição de ginasta.  Na Copa de 70 a Romênia entrou no mapa dos brasileiros quando Dimitresco e sua turma chegaram a assustar com um bom futebol.

Pois foi neste país dos bálcans que o Metrô do Rio resolveu fazer o treinamento dos seus operadores de tráfego.  As empresas de metrô de Londres, Paris e Buenos Aires também apresentaram propostas mas parece que a das Forças Armadas da Romênia era mais em conta.  Como se pode observar neste video espanhol, eles são especialistas em logística.

Isso explica um pouco porque o trem da linha 1 foi parar na linha 2. Como se já não bastassem os constantes desacertos desde que foi implantada a gambiarra alternativa para ligar a Pavana a Botafogo.   Mas tudo bem, eles já crucificaram o operador de tráfego responsável e o estão enviando para um centro de reabilitação. Onde será desta vez?

Estádio do Fluminense

9 de fevereiro de 2010

Estádio do Fluminense - Jan 1969

A seção das arquibancadas do estádio do Fluminense F.C. que ficava atrás do gol foi eliminada em 1962 para permitir o alargamento da Rua Pinheiro Machado.  Mais adiante, na continuação da mesma rua logo após o Palácio Guanabara, foi aumentado o corte no morro que se ve na foto para facilitar o acesso a Botafogo com o mesmo objetivo:

Rua Pinheiro Machado, Jan 1969

A ligação entre as zonas Norte e Sul da cidade, entre Catumbi e Laranjeiras, através do túnel Santa Bárbara, inaugurado em 1963. Nesta época ainda não havia o Túnel Rebouças e 0 percurso entre as zonas norte e sul era feito passando pelo centro ou através do túnel da Rua Alice, em Sta. Teresa.

As obras na Pinheiro Machado levaram muito tempo. Na minha memória, durante o período das obras de 58 a 62, podíamos brincar e jogar futebol em plena  rua Pinheiro Machado.  Não dá pra imaginar  algo semelhante nos dias de hoje.

Observam-se na primeira foto o prédio administrativo do Palácio GB (junto ao morro) e a arquibancada das piscinas do Fluminense após o estádio.  Estas obras foram feitas entre 1962 e 1969, uma vez que não aparecem na sequencia de fotos da derrubada das arquibancadas do estádio anteriores a 1962.

Estádio do FFC, 1962

É curioso que, além das obras mencionadas acima, apenas a colocação da cobertura do posto de gasolina que aparece na foto da rua modificaria de forma significante a imagem de 1969.

Estádio do FFC, 1962

Na foto menor, ao lado,  vemos o momento anterior à demolição da aequibancada para dar lugar às novas pistas da rua.  Já haviam sido demolidas as casas que ficavam na frente do estádio.

A última foto, provavelmente de 1958, mostra o estádio  completo, antes do início do alargamento da Pinheiro Machado.    O pequeno prédio no canto esquerdo da foto ainda está lá.  A fotografia  mostra uma parada no campo do Fluminense que foi usado para muitos eventos além do futebol.  Creio que foi aí que Villa Lobos comandou um imenso coro formado por alunos das escolas do Rio de Janeiro.

Estádio do Fluminense, 1958 (?)

Complementando as informações, clique aqui para ver a belíssima foto aérea da região, de 1936,  que foi recentemente postada no FotoLog “Tempo Antigo”.  O prédio de onde foram tiradas as fotos acima ainda não existia na época.

Mais detalhes nos FotoLogs “Arqueologia do Rio de Janeiro” e “Antiquus” nos links abaixo, com foto de 1962 e mapas de 1960 e 1968.

http://fotolog.terra.com.br/bfg1:606
http://fotolog.terra.com.br/bfg1:605

Da Pavuna a Ipanema

27 de dezembro de 2009

     

Ligação Direta

Finalmente uma obra de porte no Rio de Janeiro.  Há muito tempo não se via uma dessas.   Quer dizer que o momento é para se parabenizar o Estado, não é?  Infelizmente não.  A linha elevada do metrô ao longo da Radial Oeste e da Praça da Bandeira até que ficou imponente.  Mas precisava esse monstrengo de viaduto na entrada da Rua Francisco Bicalho?      

Além de tudo ainda iluminam de noite como se fosse uma obra de arte.   Do ponto de vista de engenharia, não encontro justificativas para este monstro.  Muito menos  do ponto de vista arquitetônico.  Fica a impressão de que o governo quis fazer mais uma obra para aparecer.  Como tudo que se faz atualmente, o importante não é o resultado prático, o benefício para a população ou a beleza da cidade.  O objetivo é capitalizar em cima do que se está fazendo.  Por isso é que saneamento básico perde para iluminação, fazer hospital é melhor do que colocar médicos para atender e as escolas que se constróem não têm professores ou merenda.  O negócio é aparecer.     

Além disso os especialistas dizem que é uma obra pela metade.  O projeto original considerava uma passagem em dois níveis no Estácio seguindo até o Largo da Carioca.  A nova linha utiliza os mesmos trilhos existentes. O resultado é um aumento no tempo entre trens de cada linha e uma capacidade muito menor que o projeto original.      

Pra que tudo isso?

O início de operação está sendo bastante tumultuado mostrando que, no mínimo, o planejamento foi mal feito. Só nos resta torcer para que seja apenas uma questão de ajustes para que tudo dê certo.     

Que em 2010 o metrô “Da Pavuna a Ipanema”  faça a população do Rio tão feliz quanto nos fez  o Tim Maia  “Do Leme ao Pontal”.    

 Fotos by Cariocadorio: Ligação Direta; Truss; Pra que tudo isso?  (24/12/2009)