Posts Tagged ‘carioca’

Ipanema 1970

29 de agosto de 2010

Praia de Ipanema, julho de 1970

Acabáramos de vencer a Copa de 70.  O Rio de Janeiro vivia uma época de franco desenvolvimento na esteira do milagre brasileiro e a praia de  Ipanema era o que mais perto podíamos imaginar do paraíso.  A exposição de brinquedos de plástico nas esquinas dava um colorido especial à orla do Rio.

Na fria tarde de inverno há 40  anos, a menina veste um modelito de “couro molhado”, bem na moda da época. 

Não havia tanta gente na cidade e a segurança ainda não era um problema.  Lá atrás o morro  Dois Irmãos estava longe de ser totalmente tomado pela favela. 

Enquando o austero Aero-Willys desfila tranquilo pela avenida Vieira Souto, não podia faltar o toque de esculhambação tradicional da cidade;  estacionandos com duas rodas na calçada estão um karman-Ghia e uma Variant.

Se quiser um visual ainda mais antigo da Praia de Ipanema pode recuar até 1950, na foto disponível no Saudades do Rio, neste link.

Foto: Praia de Ipanema 1970, (acervo pessoal Cariocadorio, proibido a reprodução sem autorização prévia)

O Piso, o ralo e o fundo do poço

10 de abril de 2010
O pão sempre cai com o lado da manteiga virado para baixo.  Pode-se argumentar que a manteiga ou o formato do pão tem alguma influência  mas não precisa ser doutor em estatística: a probabilidade de um lado ou outro bater no chão é de 50%.  Portanto, a manteiga sempre no chão é mérito do azar.  Há inúmeros exemplos destas coisas que parecem dar sempre errado. Mesmo que a probabilidade de dar certo seja de 50%, a de dar errado é de 90%.  Tá bom, a matemática não fecha mas é assim que  acontece.
É assim que a água sempre escoa para o lado contrário de onde está o ralo.  Às vezes  até vai em sua direção mas flui caprichosamente em torno dele e fica empoçada em algum lugar.  Azar? Não, neste caso o mérito é da incompetência de quem fez o piso.  Que coisa irritante o ralo ficar mais alto que o resto do piso, por mais óbvio que parece que tem que ser o contrário.

Nas calçadas não há ralos mas  uma enorme sarjeta correndo ao longo de toda a extensão da rua.  Parece tão fácil fazer a calçada lisa e com o caimento para a sarjeta de onde correria até a galeria pluvial mais próxima. Daí seguiria seu caminho natural sem atrapalhar ninguém.  Quem já andou pelas ruas do Rio de Janeiro sabe muito bem o que acontece quando chove um pouco.  Tem mais poças do que calçadas e as galerias de águas pluviais não escoam a água porque estão entupidas.  Não há calçada reta, nivelada ou sem buracos no Rio de Janeiro. À incompetência somam-se o descaso e o mal uso dos recursos públicos (não seria elegante dizer roubalheira). 

Todo mundo sabe o que está acontecendo no Rio de Janeiro.  Chuva não é nenhum terremoto ou furacão. Pode ser muita, mas ainda assim é chuva. Um problema maior aqui e ali ainda se entende mas  essa catástrofe é inadmissível.  Afinal chove muito no estado do Rio em algum momento quase todos os anos.  A desculpa das autoridades é dizer que a chuva foi a maior nos últimos cem anos e que nenhum lugar está preparado para isso.  
É como dizer que a parada de 7 de setembro pega as forças armadas de surpresa todos os anos.

Fotos: Bread and Butter, by Ebby (24/6/2005, Flickr, Crative Commons);  Megane na Lama, by Cariocadorio (Fevereiro de 2008).

Da Pavuna a Ipanema

27 de dezembro de 2009

     

Ligação Direta

Finalmente uma obra de porte no Rio de Janeiro.  Há muito tempo não se via uma dessas.   Quer dizer que o momento é para se parabenizar o Estado, não é?  Infelizmente não.  A linha elevada do metrô ao longo da Radial Oeste e da Praça da Bandeira até que ficou imponente.  Mas precisava esse monstrengo de viaduto na entrada da Rua Francisco Bicalho?      

Além de tudo ainda iluminam de noite como se fosse uma obra de arte.   Do ponto de vista de engenharia, não encontro justificativas para este monstro.  Muito menos  do ponto de vista arquitetônico.  Fica a impressão de que o governo quis fazer mais uma obra para aparecer.  Como tudo que se faz atualmente, o importante não é o resultado prático, o benefício para a população ou a beleza da cidade.  O objetivo é capitalizar em cima do que se está fazendo.  Por isso é que saneamento básico perde para iluminação, fazer hospital é melhor do que colocar médicos para atender e as escolas que se constróem não têm professores ou merenda.  O negócio é aparecer.     

Além disso os especialistas dizem que é uma obra pela metade.  O projeto original considerava uma passagem em dois níveis no Estácio seguindo até o Largo da Carioca.  A nova linha utiliza os mesmos trilhos existentes. O resultado é um aumento no tempo entre trens de cada linha e uma capacidade muito menor que o projeto original.      

Pra que tudo isso?

O início de operação está sendo bastante tumultuado mostrando que, no mínimo, o planejamento foi mal feito. Só nos resta torcer para que seja apenas uma questão de ajustes para que tudo dê certo.     

Que em 2010 o metrô “Da Pavuna a Ipanema”  faça a população do Rio tão feliz quanto nos fez  o Tim Maia  “Do Leme ao Pontal”.    

 Fotos by Cariocadorio: Ligação Direta; Truss; Pra que tudo isso?  (24/12/2009)

A gata de Natal

23 de dezembro de 2009

Gato é gato, gata é gata.  Cada gato é um gato, cada gata é diferente. E por falar em gatos, cada gata no seu galho, eu não me canso de falar.  De galho em galho, a gata enche o gato, como se lhe fosse quebrar um galho.  Um galho de fim de dezembro, dessa árvore de dezembro, um dezembro que ainda fica entre janeiro e novembro. Embora  já não se façam dezembros como antigamente, dezembro ainda é mês de Natal.  Pois seja esta uma árvore de Natal, de uma gata carioca, uma gata de Natal.     

A gata de Natal

 Foto: A Gata de Natal (by Cariocadorio, 19/12/09)

Árvore de Natal da Lagoa

20 de dezembro de 2009

Queria mandar uma mensagem de Natal com uma imagem da árvore da lagoa. Tive preguiça de andar até lá mas fiquei na dúvida se valia a pena ir de carro.  Sabe como é, o trânsito fica horrível por causa da árvore. 

Estacionei fácil a uma certa distãncia como planejado. Sem problemas andei pela “ciclovia” onde conheço bem as distâncias, os buracos e as árvores de onde os mergulhões cospem na gente.  A medida que eu andava ia aumentando o número de pessoas.  De todos os tipos, de todos os lugares, de todas as torcidas.  Tinha vascaíno, criança, adulto , barraca de milho verde, flamenguistas vários, camisa do botafogo, casais de namorados, casais casados ou não, torcedor do fluminense, de outros menos votados (até do Remo de Belém, afinal foi lá que Jesus nasceu), espada florescente, meninas brejeiras, tapioca recheada, camarada sarado, pipoqueiro, senhoras idosas…  Alguém disse que era hora de voltar pra casa e outro comentou o longo caminho até São Gonçalo. O trânsito, apesar de lento, fluía bem.  Os flanelinhas, antipáticos personagens urbano-cariocas, atuavam livremente mas longe da curva do calombo, a zona do agrião da árvore de Natal.   

Todos queriam uma imagem com a árvore.  Câmeras, celulares, flashes pra todo lado.  Pensei como ficariam desapontados com as fotos tremidas, com as pessoas sem a árvore ou a árvore sem as pessoas.  Composição difícil esta.    Vi todas as nuances da iluminação e tirei as fotos que quis.  Este ano a árvore está particularmente bonita.  Só lamento que não consigam fazer com que fique bonita de dia também.  Com a missão cumprida mas convencido que o melhor era pegar uma  foto na internet comecei a voltar.  

Tinha muita gente chegando, de todos os tipos, tamanhos e medidas mas com o mesmo ar de frequentador apenas casual da lagoa. Certa vez correndo por ali escutei um vendedor de qualquer coisa dizer pro outro:  “esse pessoal daqui não gosta da gente não”.  Era verdade, embora não fosse nada pessoal… aquele movimento todo na pistinha estreita, sem dúvida, atrapalha o exercício e perturba o cotidiano.  E tem o engarrafamento e a sujeira que fica pro dia seguinte…que chatice ficarem invadindo a nossa praia.  Há alguns anos penso no incômodo que causa essa árvore de Natal da lagoa. 

Penso também no que mais uma vez vi nesta noite de sábado.  Uma festa que custa quase nada pra tanta gente e transmite bem o sentimento desta época do ano.  Nesta noite, como todos os anos, vi alegria e paz nos rostos das pessoas que foram apreciar a árvore.  O tal incômodo não é nada comparado à felicidade de tantos.  Afinal de contas,  é Natal!!!

 Fotos:  Árvore de Natal da Lagoa (by Guto Costa);  Árvore de dia (19/12/09, by Cariocadorio); Feliz 2010 (19/12/09, by Cariocadorio) 

Antipatias Cariocas

11 de dezembro de 2009

(13/01/2010:  edição revista e aumentada com os comentários dos navegantes.  Texto completo nos comentários de acada um)

O Rio tem algumas coisas antipáticas.  Não falo do caos urbano, da guerra do tráfico nem da poluição.  Estas são tragédias cariocas.  Antipatias são coisas pessoais, cada um sente as suas, às vezes nem dá pra explicar.  Gostaria que este fosse um artigo de todos.  Vamos falar do que é antipático no nosso Rio de janeiro.

  • Garçon do Bar Lagoa,  a maioria conhece.  Faz parte do folclore e alguns acham que está bom assim mesmo.    
  • Estacionamento do Botafogo Plaza Shopping, que tal? Você chega e vê aquele espaço todo vazio mas vaga só no andar de cima. Porque ali em baixo, no lugar fácil, só se você pagar o “valetiparquin”.  Tenho má vontade em ir lá por causa disso, atrapalha até a imagem do shopping. 
  • Aeroporto do Galeão.  Depois de uma viagem recente resolvi dar prioridade ao nosso aeroporto e fazer um artigo a parte.  Veja clicando aqui. Isso tá mais pra anarquia do que antipatia carioca.
  • Ruas e calçadas.  Péssima conservação. Onde passamos, temos sempre grande possibilidade de cair em algum buraco ou cratera.  E quando chove … (por Wagner e apoiado por muitos, reforçado por Isabel depois que um buraco na rua rasgou o pneu)
  • Na praia. O loteamento e a gritaria dos vendedores.  (por Denise)
  • Falta de educação. No trânsito, os péssimos motoristas de ônibus, vans e táxis,  a mania de falar alto em lugares públicos, os celulares no cinema…dá pra fazer um blog só disso. (por Denise)
  • Falta de banheiros públicos.  Algo irritante. Não tente ir ao banheiro quando estiver no centro da cidade, senão terás sérios problemas. Por que não colocar banheiros públicos em pontos estratégicos da cidade? (por Claudio)
  • Lixo nas ruas e nas praias.  É algo impressionante. Eu fui a Praia de Ipanema (eu costumo chegar por volta das 8:00 h e caminhar até o Leblon) e o lixo assustava tanto que cheguei a conversar sobre a falta de educação das pessoas com dois garis. Por que não fazer uma campanha publicitária agressiva sobre o assunto e usar agentes para repreender as pessoas? (por Claudio)
  • Flanelinhas e mendigos.  presença irritante nas ruas.  E a Guarda municipal só multa os carros.. (por Claudio).
  • Camelôs nas calçadas. Os camelôs nas calçadas, principalmente aqueles que estendem as capas de inúmeros softwares pirata reduzindo a passagem na calçada, é outro ponto irritante. (por Claudio)
  • Taxa de iluminação.  A previsão de cobrança pela precária iluminação pública é outro ponto irritante na nossa querida cidade e deste prefeito. (por Claudio)
  • Desmatamento e balões. Os morros estão ficando carecas.  Balões causam queimadas. Quem mora em casa é que sabe como é o inferno quando um balao cai em seu quintal ou telhado e um bando de loucos invade sua casa durante a noite apenas para recuperar os restos mortais de um balao caido. (por Roberto)
  • Televisão nos bares e restaurantes.  Televisões ligadas em quase todos os bares e restaurantes da cidade, não solicitamos isso e está sendo imposto!  As pessoas não se olham,  não batem papo, mas assistem TV caladas, lado a lado, nas mesas de bar! (por Evelyn)
  • Falar no rádio Nextel em lugar público.  As pessoas  usam os seus aparelhos de Nextel (rádios) no viva voz, obrigando a todos que estão em volta, seja no onibus, na rua, no elevador, enfim, em qualquer lugar público, participar do que esta sendo discutido.  E o “alerta” também perturba todo mundo. (por Isabel)
  • Mijões dos blocos de carnaval.  Já comentaram aqui sobre a falta de banheiros públicos, concordo, mas nada justfica a porcaria desses camaradas (por Andreia).
  • Transporte marítimo Rio-Niterói. O Governo do Estado do Rio de Janeiro, em conluio com a iniciativa privada, consegui transformar o prazer enorme que era a travessia Rio/Niterói, pelas saudosas barcas, num tormento inenarrável. Com dijanelas altas e diminutas, verdadeiras escotilhas, retirou-se a visão relaxante da paisagem e o frescor da brisa marinha, agora substituídos pelo pelo calor sufocante proporcionado pelo inexistente sistema de ar condicionado, tão anunciado pela imprensa à época da construção dos novos mausoléus flutuantes. (Por Galdino)

Agora que você já sabe qual é a idéia, vamos fazer uma lista. Em “deixar um comentário”, descreva o que você acha antípático no Rio.  Vale qualquer coisa, é pra desabafar.  Se der certo eu compilo os comentários e atualizo o artigo.  Aí ponho uma foto bem antipática também.

Alegria Carioca!!!

6 de dezembro de 2009

Há muito tempo o futebol carioca não vivia um dia tão glorioso.

Mas este Cariocadorio, que hoje está feliz por todo o Rio de Janeiro, ainda não pode crer na felicidade maior que proporcionou o Mengão.  Que improvável hexa-campeonato levantou o Flamengo este ano.  Depois de um início titubeante, o  Mengão arrancou no final ao comando da humildade de um Andrade histórico.  Mais que Adriano e Petkovic, este é o nome da conquista. Andrade…o maior campeão da história dos brasileiros chama-se Andrade, o Tromba.  Um sujeito simples, de declarações humildes porém firmes e decisivas.     Sem marra, sem estrelismo, sem vedetismo, Andrade foi só trabalho e competência.  Na reta final, sob o seu comando o Flamengo bateu os adversários diretos e foi mais que merecedor deste título.  Obrigado, Andrade!

Torcedor do América (1956)

Que campanha fez o Fluminense se mantendo na primeira divisão quando há muito tempo já o haviam condenado à segundona.

O Botafogo, um time até então meio frouxo nas horas H, escapou no último jogo ao vencer no Engenhão o Parmera, time do tri-Murici, mantendo-se na primeira pra 2010.

Vasco, campeão da segundona, volta com força total no ano que vem. 

E o América, que ainda conta com muitos torcedores como este  da foto posando de Pompéia, volta à primeira divisão do Carioca. 

Parabéns Cariocas, parabéns Mengão, o  mais carioca dos cariocas!!!!!!

Ano que vem a rivalidade está de volta… hoje vamos comemorar juntos a volta por cima do futebol do Rio de Janeiro.  Que seja um bom presságio para a nossa cidade.

Flamengo, Campeão Brasileiro de 2010

           Mengoooooooooooooooo!!!!!

Foto: Pequeno torcedor do América (1956), acervo pessoal Cariocadorio, proibida a reprodução sem autorização prévia.

Contrastes cariocas

18 de novembro de 2009

A igreja da Penha

Ficamos apreciando fotos antigas do Rio de Janeiro na esperança de resgatarmos os momentos mais belos da cidade, quando os verdes das florestas e os azuis dos céus e dos mares ainda não haviam sido violentados por intervenções, arranha-céus e poluições.   Estas intervenções podem ser favoráveis à natureza, podando-lhe arestas, domesticando seus impulsos e tornando-a mais em harmonia com o homem. Infelizmente para o Rio, a natureza que se traduz em Cidade Maravilhosa tem sido muito mal tratada. Imensos blocos de concreto, ocupação irracional, usurpação de florestas e o pior dos males, a poluição: ampla, geral e irrestrita. 

Se olharmos para o contorno da ilha do Governador a partir da Linha Vermelha o que vemos são milhares de garrafas pet.  Após uma cheia nos rios os sacos plásticos são o que vemos presos nas margens.  E na Lagoa Rodrigo de Freitas, plásticos.  Não precisa ser ambientalista xiita nem estudioso do tema para concluir que estes produtos do petróleo são vilões da mais alta estirpe.  Todo mundo já leu alguma coisa sobre quanto tempo levam para se decomporem.  Enquanto isso, resistentes, vão se acumulando, sujando, entupindo, alimentando enchentes  e outras mazelas.

Não faz tanto tempo assim, para os mais velhos é claro, vivíamos muito bem com garrafas de vidro e sacolas de papel nos supermercados.  Um pouco antes, trocávamos as garrafas vazias, levávamos às compras nossas próprias bolsas de pano e carrinhos de feira. Não era tanto sacrifício assim. 

Educação ajuda mas precisa de ajuda.  A gente só aprende quando mexem no nosso bolso.  Se não fossem as multas até hoje ninguém usaria cinto de segurança.  A solução não é difícil:  imposto alto para estas coisas práticas e  incorrigíveis.  No mínimo façamos com que valha a pena reciclá-las para tirá-las de circulação.  

Mas a natureza aqui é tão pujante que parece resistir a tudo.  Por mais que nos esforcemos, custa muito acabar com essa beleza toda. Se olharmos pelo ângulo certo o Rio de Janeiro continua lindo, apesar de sujo e cheirando mal.

O Cristo Redentor

Fotos by Cariocadorio:  A igreja da Penha (novembro de 2009); O Cristo Redentor (outubro de 2009)