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A pia quadrada e o meio-ambiente

24 de outubro de 2013

Não há um só arquiteto que não ponha pelo menos uma pia quadrada em seus projetos. Pudera, depois de séculos de ditadura das pias arredondadas, as pias quadradas chegaram para dar um alento à criatividade destes profissionais. 
Pena que chegaram justamente quando a sociedade se preocupa tanto com o meio-ambiente.

E o que tem uma pia quadrada com o meio-ambiente? Tudo. 

Retangular de fundo plano

Retangular de fundo plano

Você já percebeu o esforço que a água tem que fazer para descer pelo ralo de uma pia quadrada? Pois é, porque não há hidrodinâmica de escoamento que resista a um fundo plano e cantos em ângulo reto.  Nas pias arredondadas a gente pode até saber em que hemisfério do planeta esta. Basta observar pra que lado gira o redemoinho formado pela água.  Enquanto isso, nas quadradas e retangulares temos que ficar rezando para a água escoar inteiramente. 

E me explica como é que você faz para deixar a pia limpinha após fazer a higiene bucal depois, digamos, de uma boa salada com alface, agrião, espinafre e outros verdes.  Nas pias quadradas é difícil fazer os verdinhos que sobraram correrem para o ralo.  O problema é que a água desce e eles teimam em ficar no fundo da pia.  E cada vez que você abre a torneira mais os verdinhos se afastam do ralo.  E você joga mais água direcionando com as mãos para os cantos.  Mas insistem em ficar ali os resquícios da sua salada. Aí você fica de saco cheio e retira os inconvenientes verdinhos com papel toalha. Você perde um tempão, enxuga a mão três vezes e desperdiça muita água.  Sem contar o papel.

Antes que alguém invente o vaso sanitário quadrado de fundo plano, que voltem à moda as tradicionais pias arredondadas que facilitam o fluxo da água rapidamente para o ralo.  O meio-ambiente agradece.

Foto da pia retangular by Cariocadorio.

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Tela Redonda

14 de julho de 2010

Relíquias dos anos 50

Estamos em agosto de 1960.  Enquanto minha madrinha faz pose para a foto, o tio Maurício está muito mais preocupado com o jogo do Flamengo.  O radinho de pilha, coisa moderna na época, vai colado ao ouvido.

Na época esta foto foi apenas mais uma do dia do meu aniversário. Hoje ela  nos traz algumas relíquias.  Começando pelo tradicional telefone preto, passando pelo radinho da marca Spika e chegando às estrelas da companhia. 

Uma típica rádio-vitrola em que vagamente me recordo de ter ouvido tocar uns velhos discos de 78 rpm e a formidável televisão Zenith, tela redonda, que não me lembro de ter visto outra igual. Nesta TV desfilaram artistas renomados como o Pica-pau, a Tartaruga Touché, Lippy o leão e a hiena Hard Rá-Rá (Oh céus, oh vida, oh azar!), o Super Homem e o meu favorito National Kid.  Tinha ainda o programa de tia Fernanda que apresentava os flautistas “Bicudo e Bicudinho”. Um deles era o Altamiro Carrilho.    

Esta TV durou bastante. Os tempos eram difíceis e não dava para comprar uma nova.  No final era um sacrifício assistir os programas favoritos.  Primeiro tinha que esperar até que esquentasse.  Enquanto isso dava pra ouvir o Altemar Dutra cantando “o Trovador” no Rio Hit Parade da TV Rio. Ver era mais difícil.  Depois, a toda hora os controles de vertical e horizontal tinham que ser acionados para parar a imagem.  O problema era em um tal de flyback, seja lá o que isso fosse.  

Finalmente a heróica Zenith foi aposentada e em seu lugar chegou uma Telefunken. Totalmente sem graça mas funcionava muito bem.  Junto com a Copa de 74 chegou uma Philco a cores, 24 polegadas se não me engano.   Tempo de milagre brasileiro …

Pesquisando na internet encontrei o modelo da foto, praticamente igual, no site “Television History” que lista diversas TVs em ordem cronológica:
http://www.tvhistory.tv/1950-59-ZENITH.htm

Foto: Relíquias dos anos 50 (agosto de 1960); acervo Cariocadorio, proibida a reprodução sem autorização prévia.

Ruby

12 de julho de 2010

Ruby

De repente alguem chegou com a novidade:
“Você quer uma cadelinha boxer que a mãe está começando a rejeitar?”
“Claro que não”,  foi uma resposta fácil e rápida.
Como uma imagem vale mais que mil palavras, a conclusão deste diálogo está na foto. 

E assim chegou a Ruby que logo foi levada para conhecer a Meg (aqui), dona da casa há mais tempo que nós.  Recém saída de uma cirurgia a Meg recebeu muito bem a nova companheira.  Pode-se dizer que a adotou como o filhote que nunca teve.

Meg e Ruby

Depois veio uma conversa de que boxer tem que cortar o rabo.  Eles crescem e o rabo fica desproporcional e deselegante.  Felizmente ficou só na conversa. Ninguém pergunta pro bicho se ele está preocupado com a “elegância” ou se prefere ficar inteiro.  Cometem-se atrocidades com animais em nome da estética humana. Cachorros e gatos são os que mais passam por essas alterações que às vezes os agridem funcionalmente. 

O nome dos bichos também é uma questão interessante.  Por que será que tem tanto nome de bicho em inglês?  Certamente tem a ver com ídolos de cinema e uma certa dominação cultural.  O brasileiro tem fascinação por inglês nas coisas mais simples. Os marqueteiros sabem disso e preferem “sale” e “delivery” aos similares nacionais.  Tem até “rebolation”…

Pensei que ela poderia chamar-se como um ídolo brasileiro: Ivete, Vanessa ou Claudia Leite, assim, com nome e sobrenome. Alguém sugeriu Ruby e  pegou rapidinho. 
No further questions…

Fotos by Cariocadorio: Meg e Ruby, junho 2010.

Tira a mão daí, menina

6 de abril de 2010

O vovô Abel sempre foi um homem entusiasmado pela tecnologia, embora sua grande habilidade fosse com os números.  Afinal, era guarda-livros (veja aqui) de formação. Reza a lenda que tinha mania de mexer em tudo dentro de casa, desde o quadro de fusíveis até os mais complexos aparelhos eletro domésticos.

Myrthes e o rádio, 1931

Uma das suas mais famosas criações foi este rádio que, segundo consta, ele montou com as próprias mãos. Depois ficava  horas sintonizando alguma estação distante, nas ondas-curtas. Daí também as histórias de que falava vários idiomas, coisa que ele nunca confirmou.  Até ficava zangado quando a vovó, orgulhosa, salientva sua erudição.  Conhecia francês e inglês, curioso e estudioso que sempre fora.  Mas o mais importante era sintonizar alguma estação estrangeira,  pouco importando entender o que estavam dizendo. 

Este rádio foi motivo de grande satisfação para ele. Não admitia que qualquer dos sete filhos chegasse  nem perto.  Ai de quem! .  Vovó certantamente nem pensava em tocar nele, tamanho o respeito pelo marido.  Os flhos o respeitavam e temiam.

Muito escutei sobre o pai severo e exigente, como devia ser em seu tempo. Mas creio que pintavam o bicho mais perigoso do que era na verdade.  Afinal, quem se não ele teria tirado esta foto da minha mãe, aos seis ou sete anos de idade, ameaçando perigosamente mexer onde não devia.

Foto: Myrthes e o Rádio (1931); acervo pessoal Cariocadorio.  proibida a reprodução sem autorização prévia.

O Chevrolet 37

6 de março de 2010

O Chevrolet 37 em Ibicuí

Não foram poucas as vezes que o Chevrolet 37 do tio José esteve em Ibicuí.  Para chegar lá tinha que seguir pela RJ 14 e enfrentar a estrada de terra quase sempre em péssimas condições.  O Chevrolet foi parceiro do Studebaker que apareceu no Dia de Festa e depois do DKW Vemag do meu avô.  A última vez que o vi, pelos idos de setenta e pouco, já estava curtindo um merecido descanso na oficina do meu tio.  

A modelo  que nos ajuda a apresentar o Chevrolet nesta foto de 195inquenta e pouco é minha tia.  Por favor, nada de assanhamento.   

Ibicuí é uma cidade do litoral do Rio de Janeiro que fica próximo a Mangaratiba.  Tem uma praia ótima de águas tranquilas. A família tinha esta casa cujo portão (azul), calçada e janelas são vistos à direita das fotos. 

Um Azera em Ibicuí

Aliás, a casa é uma das poucas coisas que quase não mudaram em Ibicuí.  Às vezes passo por perto e vou até lá para ver como é hoje e pensar em um ontem de tanto tempo, tão repleto de lembranças boas e momentos felizes.  Eu só peguei o finalzinho daquela  festa que durou mais de 15 anos. Sem essa de “naquele tempo que era bom”,  quero apenas reconhecer o passado mas sem desmerecer o presente.   

Por outro lado, acho que não há dúvida que as coisas dificilmente mudam pra melhor em termos de qualidade de vida que as cidades nos oferecem .  Comparem o cenário de uma foto com o da outra.  Quase não havia casas na rua.  E o carro?  O Azera é moderno mas não tem o menor charme quando comparado com o Chevrolet 37.  Curiosidade: o poste baixinho à esquerda, onde a rua fica mais estreita,  parece ser o mesmo daquele tempo. 

O Cariocadorio voltará muitas vezes a Ibicuí. 

Fotos: O Chevrolet 37 em Ibicuí (cerca de 1955, acervo pessoal Cariocadorio, proibido a reprodução sem autorização prévia); Um Azera em Ibicuí (Fevereiro de 2010, by Ademir/Cariocadorio)

2 de janeiro de 2010

A escolha de uma casa depende do que precisamos dela mas também de algo inexplicável que nos leva a gostar mais de uma que da outra.  Seria o astral, a energia da casa que faz a gente dizer: é essa… Aquela casa na serra tinha essa energia e esse astral e, mais do que por qualquer outra coisa, foi por isso que a escolhemos. 

Naquela tarde de sábado que recebemos a casa tocou o telefone:  era a proprietária de quem nos despedimos horas antes.  Perguntava se éramos católicos e respondi que sim sem entender bem a pergunta.  Explicou que havia levado a imagem da santa e queria devolvê-la por entender que era mais da casa do que dela mesma.  Agradeci e ofereci buscá-la durante a semana no Rio.  Ela insistiu em devolvê-la no dia seguinte e subiu a serra exclusivamente para isso:  a casa já ficou muito tempo sem a proteção da santa.    Não havia dúvidas no gesto. Fiquei profundamente sensibilizado por essa convicção que não alcanço nesta minha fé pontilhada mais por descrenças do que crenças.  

Frequentemente olho para a imagem da santa com carinho.  Neste início de 2010, olhei-a ainda mais de perto e rezei pelas vítimas da tragédia de Angra dos Reis e Ilha Grande.  Pelos que se foram e pelo sem número de pessoas que sofrerão suas  perdas. 

Que o ano prossiga sem mais desgraças e que todos passam ter paz e felicidade em 2010, dando o devido valor ao que realmente merece.

Foto:  A Santa (by Cariocadorio, 02/01/2010)

Um dia, um cão

22 de novembro de 2009

Depois de muito pensar decidimos ter uma casa na serra. Tranquilidade, esportes e um clima mais gostoso que o calor do Rio de Janeiro fazem muito bem para recarregar as baterias no fim de semana.  Encontramos uma casa  do jeito que queríamos.  Um pouco mais do que podíamos mas ainda assim fechamos o negócio. 

Meg atenta

Durante as negociações avisei ao proprietário que não poderíamos ficar com o caseiro e muito menos com o cão.   Conversa daqui e dali e ele nos convenceu que o Sr. Daniel  era ótimo e que valia a pena ficar também com o cão. Decidimos, em comum acordo com o Sr.Daniel, fazer uma experiência. 

 E lá estava eu com um segundo animal doméstico.  Uma gata (Tai, de “Um dia, um gato“) e  um cão.  Para não fugir da regra o cão é uma cadela, que atende pelo nome de Meg. Quer dizer, atende quando o Sr. Daniel manda, porque os donos da casa conseguem muito pouco com ela.  

A Meg é um pastor alemão que já vai para os seus 8 anos de idade. Tem sempre um ar um pouco triste, exceto talvez quando late ferozmente para os raros transeuntes daquela rua tranqüila.  Ela impõe respeito mas é extremamente afetuosa e carente da  companhia de humanos.  

Meg Tristonha

Quando o Sr. Daniel não está ela invariavelmente penetra na casa.  No início ainda conseguíamos que nos atendesse um pouco mas a Meg logo aprendeu que não podemos com ela.  Entra rápido e se joga no chão.  Quanto mais a gente tenta tira-la do lugar mais ela se ancora de alguma forma.  Já tentei arrastá-la pela coleira mas o bicho é muito pesado e além disso tem um bocão cheio de dentes.  Não acredito que vá  usar contra mim mas prefiro não abusar da certeza.  Certa vez neste processo de arraste ela simplesmente se agarrou na porta com as partas dianteiras. 

Mas sua maior arma é aquele olhar que pede para deixá-la onde está.  Eu não me deixo impressionar por isso mas acabo concordando que fique.  Só pra não contrariar a esposa, é claro.   A Meg é um ser boníssimo … e já faz parte…

Meg Tranquila

Fotos by Cariocadorio, Meg (novembro de 2009) 

Um dia, um gato

19 de outubro de 2009

Se ir ao cinema não é alguma coisa que eu faça com freqüência, este definitivamente não é o programa favorito do meu irmão.  Ainda assim, como quase todo mundo,  temos os nossos filmes preferidos.  Ele sempre menciona um filme dos anos 60 de cujo nome tomo emprestado o título deste post. O tal gato tinha o terrível poder de mudar a cor da pessoa que ele olhava, deixando de alguma forma exposto o seu caráter.  Imagina soltar o tal bichano no congresso nacional… 

O gato desta história é diferente.  Nem mesmo é um gato e sim uma gata que atendia pelo nome de Tigue.  Atendia é maneira de se dizer  porque, como é usual nestes bichos, a Tigue só atendia quando era do interesse dela.  

Picture 026Após alguns anos de resistência eu cedi aos demais membros da família e permiti que adquirissem um gato. Não sem antes estabelecer os limites para a vida do bichano, onde ele poderia ir ou não, a que horas etc.   Além disso, me garantiram que gato só faz suas necessidades no local apropriado o que provou ser verdade.  Mas ilusão minha achar que alguém impõe limites  a um gato.  A Tigue sempre freqüentou os lugares da casa que ela queria.  Miava pra entrar ou pra sair e algum humano dela acabava abrindo a porta.  Fomos muito bem ensinados.

Na primeira vez que ela entrou no cio o pessoal estava fora e eu passei uma noite em claro agüentando altíssimos e roucos miados. No cio seguinte decidimos arranjar um gato pra ela.  Não deu certo, eles não se entrosaram.   Do alto dos seus 12 anos de idade minha filha concluiu que precisávamos de um gato mais experiente. Funcionou.  Vários meses depois a Tigue deu a luz a cinco gatinhos que, uma vez amamentados e crescidinhos, foram sendo distribuídos. 

Ela tinha uma relação particular com cada um, este interessante animal que gera ódios e paixões.  Aprendi várias coisas com este convívio.  Sobre pessoas e animais.  Tenho certeza de que ela foi importante para a formação das crianças.  Não esperava sentir tanto como aconteceu quando a Tigue se foi.  De qualquer forma continuo não sendo favorável a ter animais dentro de um apartamento.  Apesar da saudável experiência, decidi que não teríamos outro bicho. 

Não atende pelo nome de Tai a nova gata da casa

Não atende pelo nome de Tai a nova gata da casa