Posts Tagged ‘comportamento’

Sem partido!

21 de junho de 2013

Nas manifestações pelo Brasil afora destaca-se, entre tantas mensagens importantes, o repúdio a tudo que corrói as bases da democracia nacional.  O símbolo maior deste repúdio foi a intolerância ao uso do movimento por partidos políticos e sindicatos.  Os gritos de “sem partido”  que escutamos nas ruas mostram que a população considera que os atuais partidos políticos, base da democracia, não nos representa legitimamente. 

SEM PARTIDO !!!

SEM PARTIDO !!!

Estrutura alguma resiste muito tempo quando tem a sua base comprometida.  Que os partidos entendam esta mensagem de que é hora de trabalhar pelo coletivo mais amplo e não apenas para seus interesses mais próximos, muitos destes carentes de um mínimo de moralidade.

Por outro lado, que a triste ação de uma minoria de vândalos e bandidos, sem compromisso  algum com a democracia e o interesse público, não macule a representatividade deste movimento. Para a midia e para o interesse de muitos é fácil chamar a atenção para imagens de depredações e violência.  Vende muito mais que o lado pacífico do movimento. Um movimento popular sem similares na história do país. 

Aos bandidos e vândalos a força e o rigor da lei.

Aos partidos e sindicatos a mensagem de que têm que mudar para se aproximar de quem deveriam representar.

Aos governantes e demais políticos … Bem , o que dizer a maioria deles? 
Por considerarem legítimas suas ações em benefício próprio, por acharem que basta pão e circo para agradar a população, por acharem que é legítimo limitar a justiça e oprimir a imprensa, por acharem que os fins justificam os meios, por viverem uma rotina totalmente descolada da nossa e por tantas outras coisas impróprias, os políticos profissionais talvez nem entendam exatamente porque tanto barulho.   

Foto obtida em http://www.blogdomagno.com.br/

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O trabalho e a qualidade de vida

18 de abril de 2013

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O Dr. Júlio analisou minuciosamente os resultados do check-up anual e examinou seu paciente com a tranquilidade habitual.  Marcello Senna já conhecia o discurso que viria a seguir. Desta vez, porém, o seu médico e amigo foi mais longe.

Percentual de gordura, peso, colesterol e outros indicadores haviam progredido de mais-ou-menos-meio-ruim para desastre-total em poucos anos.

Por mais de uma hora o Julinho doutrinou seu paciente com conceitos de medicina, estatística, mecânica dos fluidos e o escambal. Explicou que pessoas com percentual de gordura mais alto têm mais probabilidade de fazer derrames, infartos e outras doenças cardio vasculares.  Pior, também morrem mais cedo por conta de outras doenças que nada têm a ver com isso.  Questão de estatística.  Concluindo disse que se ele tiver mais uns cinco a dez anos isto não seria problema. Mas se tiver que ir além…?

Pela primeira vez Marcello Senna pareceu dar importância ao assunto.  Como havia chegado a tal ponto?

Lembrou daquela baboseira de qualidade total que aprendeu no Crosby College em Chicago nos anos 90. Era a moda pós re-engenharia. Seriam mapeados os processos, analisadas as interfaces e eliminadas as ineficiências. Prometiam sobrar mais tempo para o lazer, a família e a saúde.
Bullshit, como se diz por lá.

De fato, eliminaram ineficiências porém mais rápido ainda diminuiram o “headcount”. Logo vieram os e-mails, smartphones, aplicativos e outros truques de “faça você mesmo” para facilitar a vida que só fazem consumir mais tempo ainda.

Havia, porém, duas máximas do guru Philip Crosby que Marcello considerava verdades incontestáveis.

  • “Insanidade é continuar fazendo tudo como antes e achar que o próximo resultado será diferente”.
  • “Pode ser tarde demais para mudar depois que aconteça alguma coisa grave”.  

Com a ajuda do Crosby, o Dr. Julinho finalmente o convenceu a tomar uma atitude.  A hora é agora. Qualidade total, de vida! Marcello Senna prometeu ao seu querido médico que entraria para uma academia e que faria exercícios três vezes por semana.  Claro, tão logo consiga implementar todos os novos requisitos de “compliance”. Tem auditoria desse troço até o fim do ano.

Foto: “Hermes Trimegistus” capturada na internet.

O fracasso do Cesar Cielo

4 de agosto de 2012

Na mesma tarde em que Cielo ganhava apenas o bronze em Londres aconteciam algumas situações interessantes:

  • Os campeões olímpicos do vôlei de praia, os norte-americanos Rogers e Dalhausser, perderam para uma pouco votada dupla italiana e estão fora.
  • No estádio olímpico, na primeira tarde do atletismo, o panamenho Salinas campeão em Pequim, nem passou no corte do salto em distância. 
  • Chamou atenção o carinho dos ingleses com as suas representantes nos dez mil metros. As duas deram a volta olímpica sob calorosos aplausos após terminarem nas 7ª e 8ª posições na prova. 

A surpreendente saída dos americanos não causará dano ao desempenho da maior nação do planeta enquanto que para o Panamá a desgraça olímpica está sacramentada.    Mas o que tem o Cesar Cielo com isso?

A situação dos nossos atletas é parecida com a do panamenho.  São poucos os que têm chance de ganhar.  Uma característica bem brasileira é querer que nossos desportistas sejam heróis nacionais e que nos redimam de toda a desorganização social e vergonha política que nos levam a desempenhos pífios como nação, não só no esporte. 

O desempenho brasileiro nas olimpíadas é proporcional ao desempenho tecnológico, científico e social do país.  Enquanto nos EUA todas as crianças vão à escola e lá recebem boa educação e praticam esportes desde o primário até a universidade, aqui não damos a mínima para a isso.  Tem sido assim desde a ditadura dos anos 60 e 70 até o governo de esquerda do século atual, passando pelos liberais dos anos 90.  Governo algum deu real prioridade à educação.  

Sarah Menezes, a heroína do Piauí

Enquanto os gringos dão condições a todos mas premiam os melhores e mais ainda os fora-de-série, aqui fazemos tudo para nivelar por baixo.  Em vez de educar desde o início para permitir que todos possam disputar em igualdade o acesso aos cursos superiores, fazemos, através das “cotas”, que gente despreparada alcance a universidade, o que prejudica o desempenho de todos.

 Não adianta colocar dinheiro e esperar que a grana se converta em medalhas.  Estas são conseqüência de um trabalho de base, junto com a educação.  Só com massificação se pode gerar e identificar talentos na qualidade e quantidade necessárias.  Isto vale para o esporte e, principalmente, para o desenvolvimento tecnológico e social do país.  

Sem isso continuaremoa a ter apenas um Cielo aqui e um Nicolelis ali e, sobre estes poucos, o enorme peso de carregar um Brasil nas costas.   

O único que tem direito de achar que fracassou porque não chegou em primeiro é o próprio Cesar Cielo. Aqueles que pouco fazem para tornar este um país de primeira linha têm mais que dar-lhe os parabéns pela conquista.  Não é nada fácil chegar lá.   

Fotos: Sarah Menezes (site Exame.com), Medalhas Olímpicas (site zupi.com.br)

Redescobrindo o Rio de Janeiro

2 de junho de 2012
Pão de Açúcar, 1955

Pão de Açúcar, 1955

A natureza do Rio é tão deslumbrante que consegue sobreviver a anos de maltratos e ocupações descabidas.  A massiva verticalização do espaço urbano, particularmente de Copacabana, a favelização dos morros e a conseqüente  fragilidade da infra-estrutura são exemplos do que a ganância e a nossa ineficiência político-administrativa fizeram com a cidade em tantos anos.

Palmeiras no Canal do mangue, 1925

Palmeiras no Canal do mangue, 1925

Esta tendência, porém, parece estar mudando lentamente. Cada vez mais se vêem iniciativas pelo Rio de Janeiro. Discussões políticas a parte, houve uma evolução da segurança na gestão do Secretário Beltrame e as obras públicas voltaram na esteira dos eventos internacionais que estão por vir.

Praia de Ipanema, (que ano?)

Praia de Ipanema, (que ano?)

Ainda tímidas, ficam cada vez mais evidentes as iniciativas da população em prol da cidade.  Movimentos conhecidos como “Rio Eu Amo Eu Cuido” e outros, sem nenhuma estrutura ou ambição de ser um movimento, como os “FRA” (fotologs do Rio Antigo) despertam nosso sentido cívico.  Nos FRA os fotologeiros trazem fotos antigas e textos interessantíssimos que são comentados com humor, crítica e, muitas vezes, profundos conhecimentos sobre a arquitetura, a infra-estrutura e os habitantes da cidade.

As escavações para as obras do Porto Maravilha e recentemente no Leblon, se aliam aos FRA no redescobrimento da Cidade. Fala-se hoje em arqueologia no Rio de Janeiro, trazendo de volta um passado que já começa a se tornar distante.  A valorização da história e das tradições é importante para sedimentar o amor por essa casa tão maltradada pelos seus próprios habitantes. 

Praia de Botafogo (anos 60)

Praia de Botafogo (anos 60)

Tenho convicção de que, se a história do Rio se tornar parte dos currículos escolares, teremos em breve gerações mais comprometidas com toda a sociedade e um pouco menos com seu próprio umbigo.  

Praça Mauá, iníciodo século XX

Praça Mauá, iníciodo século XX

O Cariocadorio pretende ser um espaço de crítica e apoio ao desenvolvimento da Cidade bem como de celebração do nosso passado e antepassados.  Todos pelo Rio de Janeiro, por redescobrir e reinventar a terra do verão, da Bossa Nova, do Maracanã e de cariocas de todas as origens.

Fotos: Pão de Açúcar (acervo Cariocadorio) – As demais são roubadas dos FRA.
Links para os FRA em  Rios de Outrora, na página inicial deste blog.

Coisas do Texas

6 de maio de 2012

Como tudo no Texas, são exagerados os carros usados lá.   Já vi carros grandes, como Suburbans, Hummers etc.  Mas em termos de exagero esta limosine fotografada em Houston é difícil de superar.

limosine texana

limosine texana

O dia estava bom pra ver coisas interessantes no trânsito.  Na rodovia “610” enfrentamos um engarrafamento destes de causar inveja na Marginal do Tietê e na “Lagoa – Barra”. 

De repente no pára-choque do “truck” outra característica texana:  a apologia ao uso de armas.  No Texas é bom pensar duas vezes antes de invadir a casa dos outros porque é legal atirar no invasor. 

 

 

No pára-choque do carro o sticker ensinava:
“Criminosos preferem vítimas desarmadas” . 
Será que vale a pena combater armas com armas?

Fotos by Cariocadorio, maio de 2012

O guarda no meio do caminho

23 de abril de 2012

O artigo “Malditos Tachões” (aqui) pretendia chamar a atenção para os perigosos tachões que dividem as pistas seletivas de ônibus na Av. Pres. Vargas, na Av. Rio Branco e outras vias do Rio de Janeiro. Os tachões danificam a suspensão do veículo, estouram pneus, quebram rodas e derrubam motociclistas.   Os cones, invariavelmente deitados no chão, também são perigosos.

Entre carros e ônibus

Entre carros e ônibus

A ojeriza (justa, aliás) que o motorista de carros tem a motociclistas, motoboys em particular, dividiu o foco. Volto, então, ao tema para ressaltar a preocupação com o guarda de trânsito que fica no meio da avenida. Este trabalhador fica apitando, gesticulando e se desviando dos veículos que passam junto a ele, correndo alto risco de um acidente grave. Independente de alguém achar que isso melhora o tráfego, não vale a pena dar chance ao azar. 

Se acontecer uma tragédia, quem será o culpado? O motorista, o próprio guarda ou quem mandou ele ficar ali no meio da rua?  Parece óbvia a resposta. E se a decisão de ali ficar é do próprio guarda, a culpa é de quem não o orientou para não fazê-lo.

Já convivemos com lavadores de pára-brisa, pedintes, vendedores de todos os tipos, jornaleiros (veja aqui) e problemas demais nas caóticas ruas da cidade. Não precisamos que os responsáveis pelo trânsito acrescentem mais alguns. A prefeitura já anunciou a retirada dos tachões.  Que tal tirar o guarda do meio do caminho?

Fotos by cariocadorio: Av. Rio branco, abril de 2012

Rio Reveillon 2012: não há vagas

29 de dezembro de 2011

A celebração da passagem de ano é também chamada réveillon, termo oriundo do verbo francês réveiller, que em português significa “despertar”.

Pois bem, o Rio de Janeiro vai despertar em 2012 com menos vagas que em 2011.  Esta foi uma das medidas que a Prefeitura tomou para melhorar o trânsito em Copacabana.  Em datas como o Reveillon talvez não haja outra saída.

Mas o problema de estacionamento no Rio não se limita aos dias de festas.  É uma constante.    Tente ir à praia ou  jantar num restaurante de Botafogo mesmo numa terça-feira . Qualquer programa esbarra na dificuldade para estacionar.   A situação é muito pior para as pessoas que dependem do carro para se deslocar a trabalho diariamente.  Metro e ônibus não suprem as necessidades e táxis são muito caros.

Obviamente, o transporte coletivo tem que ser a prioridade. Mas isto não deve significar impedir a circulação dos carros na cidade. Um transporte coletivo eficiente, abrangente e seguro está longe de ser uma realidade.   Mesmo que o tenhamos algum dia, haverá situações onde o transporte individual será necessário.  Os BRTs, BRSs  (malditas siglas em inglês), VLTs eoutras medidas favorecerão certos bairros mas não são suficientes.  

É preciso aumentar o número de vagas disponíveis. A saída são  estacionamentos subterrâneos. Junto com estes, ou até mesmo antes destes, passagens subterrâneas para melhorar o fluxo de veículos, como em outras  grandes cidades.  Nos bairros estes estacionamentos devem beneficiar primeiro aos moradores, que teriam prioridade em adquirir ou alugar as vagas.  

O que não é inteligente é construir um estacionamento sem as respectivas passagens subterrâneas como foi feito na Av. Pres. Antonio Carlos, por exemplo.  Seria óbvio fazer a passagem subterrânea no cruzamento desta com a Alm. Barroso e Pres. Wilson.  Algo semelhante poderia ser feito no cruzamento da Rio Branco com a Pres. Vargas. 

Acesso ao estacionamento: Pres. Antônio Carlos x Alm. Barroso

Os grandes vilões do trânsito e da ordem são os estacionamentos irregulares que infestam o centro da cidade tornando intransitáveis ruas como São Bento, Acre e outras na região.  O mesmo se aplica a Copacabana, Ipanema e qualquer bairro onde os flanelinhas e agora os “Valets” se apossaram das ruas.

Construir estacionamentos associados a passagens subterrâneas e coibir  abusos permitiria ordenar o trânsito, servir ao cidadão e, junto com um razoável sistema de transporte coletivo, dar uma cara de primeiro mundo ao Rio de Janeiro. 

Foto obtida no site skyscrapercity.com.

Halloween é o cacete

20 de julho de 2011

All inclusive?

Há poucos anos a pequena frase que dá título ao artigo tomou conta das ruas.  Chegava a incomodar como colovam os cartazes e sujavam tudo.  Mas fazia sentido.

Sale de roupas

Globalização não é explicação pra tudo.  A falta de orgulho próprio e de auto-estima assola o brasileiro em geral.
“É importado? Então é melhor”, por default (Opa!!!).

Os povos tendem a se achar melhor que os demais. São assim alemães, americanos, japoneses, franceses, argentinos etc.  O brasileiro, ao contrário, se acha definitivamente pior que os demais. Então desprezamos o que é nosso, particularmente a  cultura e o  produto brasileiro. Exemplos deste desdém pelo produzido no Brasil estão em todos os lugares.

No dia a dia, o uso abusivo de palavras estrangeiras nos anúncios e propagandas é apenas um sinal.  Algumas vezes este recurso chega a ser ridículo.

Interessante disque-delivery

As razões para este complexo coletivo de inferioridade certamente tem fortes raízes no comportamento das elites brasileiras. Há séculos nossas elites procuram se distanciar do “resto do povo” e encontrar no “estrangeiro” a sua real imagem e semelhança.  Não que o “resto do povo” seja muito diferente. Só que são exatamente as elites as que têm a obrigação de mudar o rumo das coisas e, obviamente, nunca o fizeram.

Enquanto isso continuamos tendo entregas do tipo delivery, comprando em sales e usando os das auto da vida.  Cheios de creative technologie. E tome grana no bolso dos outros.  Ainda assim, talvez um dia sejamos um povo que vai além do uso de chuteiras e camisas amarelas.

Que o espaço para comentários seja palco de contras, a favor e muito-pelo-contrários…

Fotos: All inclusive (na parede de uma academia na Lagoa) by Cariocadorio, julho de 2011; Sale de Roupas (obtido na internet); Interessante disque-delivery (na parede de uma escola municipal na Lagoa) by Cariocadorio, julho de 2011. Halloween é o cacete (obtido na internet).

Hortomercado

16 de julho de 2011

Minha ojeriza a feiras-livres vinha do tempo de criança quando era obrigado a acompanhar minha mãe nas compras semanais. A feira ficava na rua São Salvador e tudo nela me incomodava. Aquele monte de gente, o vozerio infernal e a volta pra casa carregando algum pacote.   Já lá se vão uns cinqüenta anos.

Há cerca de dois anos, porém, durante uma caminhada, resolvi passar por dentro de uma feira. Pra minha surpresa, em vez daquele mal-estar que esperava me provocasse, senti um pulsar de vida nas barracas coloridas com suas frutas e legumes, na alegria das pessoas que com carinho escolhiam seus alimentos e nos comerciantes que cuidavam de seus negócios.

 

 

 

 

Embora fazer compras nunca tenha feito parte importante do meu departamento não é incomum alguma que outra ida ao supermercado.  Mas não me lembro de ter reparado tanto em uma banca de legumes e verduras por mais bem arrumada que estivesse.

Recentemente, no Hortomercado de Itaipava, me chamou atenção a beleza das cores dos alimentos frescos, da disposição das mercadorias nos boxes e das flores expostas para a venda.

Percebi a beleza simples do valor das nossas fontes básicas de vida.  Ao fazê-lo refleti sobre o quão efêmeros são os valores estéticos e materiais potencializados até a histeria na sociedade… Sei lá, acho que estou ficando velho.

Fotos by Cariocacorio: Hortomercado de Itaipava, Petrópolis, RJ (junho de 2011).

Operação Lei Seca e o hospital

20 de fevereiro de 2011

Já passava das três da manhã quando o Dr. Carlos Eduardo de Godoy Meneses saiu do hospital.  Aquilo não seria muito diferente da sua rotina não fora Laurinha a razão da emergência.  Os hospitais particulares do Rio andam lotados. Transferência só na manhã seguinte.  Pelo menos as fortes dores devido ao cálculo renal estavam sob controle.

O caminho para casa não era longo e a perspectiva de dormir um par de horas antes de recomeçar o dia era sua maior ambição.  Só não podia esperar aquele sinalizador vermelho indicando que encostasse o carro: 


O policial identificou-se e pediu documentos. O Dr. Meneses explicou a situação, mostrou a bolsa da esposa que levava pra casa tentando escapar do procedimento completo.  O Cabo Geremias entendeu a situação, calmamente explicou que teria que cumprir a lei e perguntou:

“O senhor ingeriu alguma bebida alcoolica?”

“Não”, respondeu o Dr. Meneses um instante antes de lembrar que sim. Havia bebido umas tacinhas de vinho no jantar. 

Explicou que as fortes dores de Laurinha ocorreram de um momento para o outro. Quando concluiu que deveria medicá-la no hospital levou-a imediatamente.  Não jantou, não bebeu água, enfim nada que pudesse ajudar na eliminação do álcool.  

Os policiais tentaram ajudá-lo com as contas e as possibilidades.  Já haviam passado umas seis horas mas ainda assim havia o perigo de ser pego.  A alternativa era se recusar a soprar, pagar a multa e ficar alguns dias sem a carteira. Com Laurinha no hospital isto não seria nada bom. Durante quase uma hora conversou com os policiais. Eles até explicaram que o passar do tempo estava a favor dele mas não podiam adiar mais.    

Finalmente soprou e ficou no limite do problema.

O Dr. Meneses seguiu para casa pensando no bom trabalho dos policias.  Sentiu que entenderam a situação, cumpriram sua obrigação e ajudaram sem que, em momento algum, se fizesse menção a propinas ou vantagens escusas. Na semana em que a Operação Guilhotina expôs mais uma vez a podridão das instituições policiais, o trabalho dos agentes da Operação Lei Seca servia para que ele recuperasse a esperança de um Rio melhor.   

Artigo relacionado: “Se beber não Dirija”, clique aqui.