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Os esquecidos do Eduardo Paes

20 de outubro de 2012

Reflexões de um cidadão sobre as eleições 2012 do Rio de Janeiro. 

A Barra da Tijuca é a grande vedete das Olimpíadas do Rio de Janeiro.  Os Trans isso, Trans aquilo, metrô e outras obras de infra-estrutura estão concentradas na Zona Oeste. 

Tirando a Zona Oeste, só a região portuária, graças a uma mudança de última hora, tem investimentos específicos.  Realmente o Porto Maravilha é um conjunto de obras que vai mudar o perfil da região. Os bairros mais tradicionais do Rio, porém, pouco ou nada terão como legado olímpico.

A disparidade com relação aos outros bairros do Rio é tão flagrante que o objetivo de concentrar os investimentos na Barra parece ser o de regar os interesses separatistas da região (veja em Barra da Tijuca, 2017).

Paes após votar no Gávea GC.

Paes após votar no Gávea GC.

Os resultados das eleições refletem este cenário. Campeão absoluto no Rio de Janeiro (mais de 64% dos votos), Eduardo Paes perdeu para Marcelo Freixo em Laranjeiras e no Cosme Velho, tendo vitórias apertadas em Botafogo, Urca, Humaitá, Catete, Jardim Botânico e Lagoa. Justamente nas regiões esquecidas pelo projeto Olímpico. Já no lado Oeste (Guaratiba, Recreio, Santa Cruz e Campo Grande), Eduardo Paes teve mais de 70% dos votos. Faz sentido. 

Tampouco seria conveniente mudar de rumo com tantas obras por terminar. Os novos prefeitos sempre aplicam a perversa lógica de renegar as iniciativas dos antecessores, mesmo estando a obra próximo à conclusão.  Assim nos ensinou recentemente o próprio Eduardo Paes, deixando de lado a maldita Cidade da Sinfonia Inacabada.

O atual prefeito tirou bom proveito de uma enxurrada de dinheiro nunca vista no Rio de Janeiro e da bem costurada união com as esferas estadual e federal.  Na campanha, praticamente sem oposição, pode até se dar ao luxo de reconhecer deficiências da sua administração. 

Precisamos cobrar um mínimo de ação nestes bairros esquecidos pelo Prefeito.  Obras que desafoguem o tráfego, por exemplo. Caso contrário, só ficaremos com o dever de pagar as contas, a começar pelo novo IPTU.

Foto EFE, outubro de 2012.

O Garotinho Maia

12 de outubro de 2012

Reflexões de um cidadão sobre as eleições 2012 do Rio de Janeiro.

As urnas selaram a sorte da bizarra união entre as famílias políticas Maia e Garotinho.  Não poderia ser diferente dos pífios 2,9% de votos conquistados pelo candidato Rodrigo Maia.

Os caciques Cesar Maia e Garotinho fizeram governos de triste lembrança para as populações da cidade e do estado do Rio de Janeiro. Aliás, por mais de um período cada.  Rodrigo Maia, por sua vez, pouco tem a apresentar no seu currículo. No dia da votação da câmara sobre os royalties do petróleo, assunto importantíssimo para o estado, o deputado federal estava numa obscura missão na Alemanha. Uniram-se, portanto, a fome e a vontade de comer.

O resultado se configurava desde o início da campanha.  As pesquisas já apontavam o filho de Cesar como o maior índice de rejeição entre todos os candidatos.  

Eleito vereador, nem assim o ex-prefeito das obras mal-vindas pode celebrar uma  vitória completa. O resultado soou como uma derrota para os Democratas.  Os votos muito abaixo do esperado foram insuficientes para trazer com ele o número de vereadores que o partido pretendia eleger. O DEM viu sua bancada ser reduzida de 8 para 3 vereadores no Rio de Janeiro.   

Creio que poucas vezes as urnas foram tão justas como neste caso.

Gráfico obtido no site UOL