Posts Tagged ‘Fé’

O presente e a partida

21 de dezembro de 2013

???????????????????????????????Era um colega de trabalho, com quem muito estive e pouco convivi.  Algumas conversas de corredor sobre isso e aquilo.  Com o tempo percebi que sua presença serena transmitia uma bondade sem preço, tão incomum na rotina da vida.

Pouco antes que ele partisse nos encontramos ao acaso.  Sem que eu percebesse, me deixou um presente que só hoje reconheço.  Um sorriso, que me faz sentir perdoado, incondicionalmente, por defeitos e dívidas que ele não poderia conhecer.

Muito obrigado, siga sempre em paz.  

 

Foto by Cariocadorio: O Corcovado e a vida (Lagoa, 11/05/15)

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Feliz Natal e próspero 2013

24 de dezembro de 2012
O Nascimento de Jesus

O Nascimento de Jesus

!!! Feliz Natal  !!!
Que em 2013 você faça a diferença.

Para que os seus sejam mais felizes, para que o Rio de Janeiro seja mais humano , para que o Brasil seja mais justo e para que o planeta seja mais limpo.


Foto
by Cariocadorio: Cristo nasceu, Aleluia (vitral da Igreja de Santa Margarida Maria), dezembro de 2013.

A corredora da Lagoa

1 de abril de 2012

Caminhar na Lagoa é o seu maior prazer. Aprecia os cachorros levando seus humanos ao passeio diário, a corrida saudável do pessoal, as conversas inacabadas que por ele passam, o vermelho no bico dos patinhos negros, o vôo elegante das graças brancas e tudo mais.  

Há, porém, alguém especial nas suas caminhadas. 
Onde vai ela sempre assim com tanta pressa? Pouco lhe importa. 
O que vale é senti-la chegando e concentrar-se no deleite que se segue.  A pisada firme no cintilante tênis, a meia mal surgindo antes de descortinar as pernas que sobem graciosamente até se esconderem sob o shortinho de tecido leve.  Ah, o shortinho! Ao sabor do vento e das passadas largas, o generoso corte lateral desvenda a dobrinha do bumbum.   

Com os cabelos soltos sobre a blusinha colorida ela se afasta rapidamente em seu vertiginoso correr. Não há sexismo em sua visão da moça. Bem… Um pouco talvez.  Sergio ama cada pedra , cada improvável capivara, cada detalhe do entorno da Lagoa.  A corredora é o licor cassis no seu creme de papaia. 

Mas neste dia nem mesmo a musa aliviava sua angústia.  
Sérgio subiu as escadarias e entrou na igreja de Santa Margarida Maria. Custava-lhe muito concentrar-se em rezar, o pensamento em todos os lugares entre o “que estás no céu” e o “pão nosso de cada dia”.  Sozinho na igreja soluçou um choro infinito. Saiu com os olhos vermelhos e uma certeza no peito.    

Horas mais trade ele se despedia do Dr. Ubiratan Latorre.  Pela janelinha da porta do elevador viu seu pai agradecer a visita. Mãos justapostas no gestual de sempre, a sinceridade de sempre.   Sérgio sabia que era ele quem mais tinha o que agradecer.  Estar com o pai era a certeza do conforto apesar do medo que sentia da barafunda mental do velho médico. 

De noite, cantando os parabéns com o netinho mais novo no colo, Sergio finalmente podia curtir os cabelos da corredora da Lagoa esvoaçando docemente à sua frente.   Sentia-se plenamente feliz.

Fotos by Cariodorio: Igreja de Santa Margarida Maria (Lagoa, Rio de janeiro, janeiro de 2012);  O Curumim da Lagoa Rodrigo de Freitas (Rio de Janeiro, janeiro de 2012)
O Dr. Ubiratan Latorre aparece em:  “A porta do elevador”  e “A quarta idade”.

O Padre que sabia de tudo

28 de dezembro de 2010

Naquela pequena aldeia vivia um padre que a todos ajudava.  Era o representante de Deus, conselheiro, médico e tudo mais que o povo daquele lugar esquecido precisava.  No dia do seu aniversário, os aldeões agradecidos o presentearam com uma placa que dizia: 
“Padre que sabe tudo”

A vida transcorria tranqüila até o dia em que o rei, que jamais havia sido visto por aquelas paragens, adentrou na única rua da pequena aldeia.  Ao ver a placa em frente á igreja ficou indignado com a ousadia do padre.  Como poderia alguém em suas terras dizer-se sabedor de tudo?

Mandou que chamassem o padre ao seu castelo.  Se não respondesse corretamente a três perguntas que lhe faria o rei, seria condenado à morte na forca.

O anúncio dos arautos assombrou a aldeia.  O sacristão pensou um plano.   Como o rei jamais vira o padre, ele, o sacristão, o substituiria. Todos concordaram menos o padre, que não poderia deixar o sacristão sacrificar-se por ele.  Mas o plano do sacristão incluía embriagar o padre na véspera da viagem e seguir em seu lugar mesmo sem seu consentimento.   E assim fizeram.
                                                              
No castelo, os nobres e os sábios do rei se reuniram para uma tarde de diversão às custas do infortúnio do padre.  Sem mais delongas o rei iniciou a série de três perguntas:

“Quantas estrelas há no céu?”
“3.463.789.347.206”, respondeu sem titubear o sacristão.  
“Como saberei se esta é a resposta certa”, reagiu o rei diante de tanta firmeza.
“Os sábios de  Sua Majestade poderão contá-las e confirmar”, sugeriu o sacristão.
Os sábios preferiram concordar a admitir que não poderiam contar todas as estrelas do céu.

“Quantos cestos preciso para colocar toda a terra daquela montanha?”, disparou o rei.
“Apenas um cesto, majestade”, respondeu o sacristão.
“Quer dizer então que um único cesto poderá conter toda a terra daquela enorme montanha?”, insistiu o rei sob os risos zombeteiros da Corte.
Mantendo a calma o sacristão confirmou: “estou seguro de que sua majestade, caso assim o deseje, poderá mandar construir este único cesto do tamanho da mesma montanha e assim confinar toda a terra que nela se encontre.”
Os risos foram diminuindo enquanto o rei planejava uma terceira pergunta que logo proferiu:

“Muito bem, se quiser livrar-se da forca, o senhor deverá me dizer o que eu estou pensando”.
Fez-se o silêncio no castelo, onde a corte já simpatizava com a causa do padre.  Desta vez a resposta demorou um instante a mais em chegar. 
“Sua majestade está pensando que está falando com o padre que sabe tudo mas, na realidade, está falando apenas com o ajudante dele”.

Nos anais do reino não consta registro de qualquer enforcamento naquele ano de xxxx DC.

2 de janeiro de 2010

A escolha de uma casa depende do que precisamos dela mas também de algo inexplicável que nos leva a gostar mais de uma que da outra.  Seria o astral, a energia da casa que faz a gente dizer: é essa… Aquela casa na serra tinha essa energia e esse astral e, mais do que por qualquer outra coisa, foi por isso que a escolhemos. 

Naquela tarde de sábado que recebemos a casa tocou o telefone:  era a proprietária de quem nos despedimos horas antes.  Perguntava se éramos católicos e respondi que sim sem entender bem a pergunta.  Explicou que havia levado a imagem da santa e queria devolvê-la por entender que era mais da casa do que dela mesma.  Agradeci e ofereci buscá-la durante a semana no Rio.  Ela insistiu em devolvê-la no dia seguinte e subiu a serra exclusivamente para isso:  a casa já ficou muito tempo sem a proteção da santa.    Não havia dúvidas no gesto. Fiquei profundamente sensibilizado por essa convicção que não alcanço nesta minha fé pontilhada mais por descrenças do que crenças.  

Frequentemente olho para a imagem da santa com carinho.  Neste início de 2010, olhei-a ainda mais de perto e rezei pelas vítimas da tragédia de Angra dos Reis e Ilha Grande.  Pelos que se foram e pelo sem número de pessoas que sofrerão suas  perdas. 

Que o ano prossiga sem mais desgraças e que todos passam ter paz e felicidade em 2010, dando o devido valor ao que realmente merece.

Foto:  A Santa (by Cariocadorio, 02/01/2010)