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Tristeza flamenguista

13 de novembro de 2011

É muito triste torcer para um time que demonstra em campo todo o desacerto de administrações pouco comprometidas com o clube. Tem sido assim há muito tempo com o Flamengo.  Mesmo nas vitórias.

É muito triste ver que contratações de comissão técnica e jogadores seguem critérios nebulosos. O que achar desse   Luxemburgo, misto de vedete ultrapassada e treinador decadente com um histórico de vitórias (há muito tempo atrás) e polêmicas em torno das boas intenções das suas decisões técnicas? 

É muito triste torcer para um time que tem na figura do Sr. Ronaldo de Assis Moreira seu maior ídolo.  Há muitos anos no ocaso da carreira, Ronaldinho Gaúcho é mais preocupado com sua promoção pessoal que com o clube.  Há inúmeros exemplos de sua falta de profissionalismo, demonstrada dentro e fora do campo. 

No campo, além das pífias atuações, demonstra uma falta de caráter imperdoável.  São incontáveis as vezes que atinge covardemente seus adversários para depois, sem um pingo de vergonha na cara, pedir desculpas como se fosse um lance acidental.  Enganam-se aqueles que acreditam que seja reação às faltas que recebe dos adversários.  Não, a agressão é conseqüência da frustração com o seu fraco desempenho, presa fácil de marcadores que, com imperdoável ousadia, impedem que faça suas jogadas de efeito circense e pouca objetividade. 

Enganam-se também os que acreditam que Ronaldinho “joga quando quer”.  Acostumou-se tanto a “não querer” que hoje o jogo não vem nem quando quer.  Não estou falando de uma ou outra jogada de efeito nem mesmo um ou outro gol ou assistência.  Afinal, precisa compensar os momentos em que fica escondido no campo ou quando mata a bola para o adversário, como no gol do Coritiba nesta tarde. Falo de um campeonato bem jogado, algo que justifique seu salário.  

É muito triste torcer para um Flamengo de pequenos escândalos diários, de grandes dívidas impagáveis, de efêmeros ídolos de barro, todo desarrumado em campo, com uma defesa esburacada e sem chutar pra gol.  

Quando teremos novamente ídolos da dimensão profissional de um Adílio, de um Andrade ou de um Zico?

Pior ainda é a seleção brasileira cujos dirigentes não dão a mínima pra futebol, aliás, eles detestam futebol… certamente não estariam nem perto dele se houvesse outra forma de ter tanto poder e dinheiro.

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Ídolos

25 de outubro de 2009

Outro dia me contaram uma passagem atribuída ao empresário Antônio Ermírio de Moraes quando em processo de escolher um novo executivo.  Diante de sua atônita secretária, Antonio Ermírio teria jogado no lixo metade da pilha de currículos que estavam sobre a mesa. Explicou:  “Pra trabalhar aqui não basta ser muito bom, tem que ter sorte”.

Sorte não é uma coisa que tenha o nosso Rubens Barrichelo.  E pra ser campeão… Certo, ele também não é bom o suficiente para ser campeão mas, ainda assim, muito poucos tiveram sucesso como ele.  Quantos pilotos brasileiros tentaram e não chegaram nem perto?  Alguns muito bons, outros nem tanto, alguns com pedigree, outros com grana e alguns mais com a cara e a coragem chegaram à fórmula 1. Citando nomes sem julgar-lhes o mérito: Ingo, Chico,  Boesel, Gugelmim,  Bernoldi,  Zonta, Diniz, Christian, enfim a lista é enorme.  

Ídolos em Ação - Nelson já passou (F1, Rio de Janeiro, 1987)

Ídolos em Ação - Nelson já passou (F1, Rio de Janeiro, 1987)

A prova da sua competência  vem dos contratos que tem tido ao longo dos muitos anos da sua carreira. Ser piloto de fórmula 1 é o sonho de muita gente.  Alguns pagam fortunas pra sentar em um carro daqueles.   Na fórmula 1 quem não tem competência pra dar lucro no final não fica por lá .  Portanto, quem atesta a competência do Rubens são os Stewart, Todt, Brown e Williams que o mantêm com a carreira mais longa na categoria e ganhando muito bem pra isso. Ele ainda vence corridas.   As estatísticas o colocam em 4º lugar em número de pódios, 4º em número de pontos e não há mais do que 22 pilotos com mais que as suas 11 vitórias.  

Mas nada disso importa para nós, brasileiros.      Porque o problema do Rubens não é a competência técnica mas sua ingenuidade, imaturidade que beira a infantilidade.    Bobagens em quase tudo que disse durante a carreira: declarações infelizes sobre outros pilotos, suas entrevistas, bravatas impensadas, postura no pódio e por aí vai.  E nos comerciais de televisão? Lembro dele levando uma bronca pública do pai porque atendeu o celular no caminho da largada:  “Mas era você, pai…”. Alguém imagina o Piquet ou o Alonso fazendo um papel desse?  
 
Faltou-lhe uma boa assessoria de imprensa, a orientação de um marketeiro para produzir a sua imagem ou sei lá.  O fato é que ele nunca conseguiu ter o respeito do público.  Alguns jornalistas  não perdem a oportunidade de vender mais fazendo, levianamente, coro com a opinião pública e servindo de catalisador para esta opinião.     
Guga sacando

Guga, ídolo na dose certa

Para o público brasileiro, Rubinho é um  ba…bobo.  E o brasileiro não tolera o bobo.  Antes idolatra o esperto, o malandro e até mesmo o canalha.  Para ser ídolo de brasileiros não basta ser competente.  Tem que ser um fora de série inconteste (Pelé, Senna) ou um malandro esperto (Romário).   Também leva chance o egoísta, do tipo que se dane a equipe,  hábil de mídia (Oscar).    

Em uma briga, na guerra, no esporte ou no trabalho não é só o vencedor que luta. 

O “perdedor” também lutou e esta luta é  parte essencial da história.  E Rubens Barrichelo tem lutado sempre e está longe de ser um perdedor.  Ainda torço por ele.

Algum dia o Brasil terá um ídolo inconteste e longevo que antes de esperto, malandro ou fora de  série será apenas um lutador que, tendo a sorte ao seu lado, terá dado certo por muito tempo.

Fotos: F1 no Rio (1987), by Cariocadorio; Guga , by Pierre -Yves Sanchis, Flickr, (2008)