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INFRAERO, voadoras e o suplício de viajar

11 de dezembro de 2013

É impressionante a capacidade que a INFRAERO tem de reinventar a sua própria incompetência. Cada vez que se vai a um aeroporto a situação está pior. O desconforto e as intermináveis obras do Galeão e do Santos Dumont, aliados ao desprezo que as voadoras têm pelos passageiros, fazem de uma simples viagem de ponte-aérea um imenso desprazer.

Avião do Voo 1012 que não foi

Avião do Voo 1012 que não foi

O ar condicionado não funciona, os banheiros são fétidos e a organização inexiste. Enquanto isto as voadoras transferem seus passageiros de um voo para o outro sem maiores explicações.  Mas se o passageiro quiser mudar um voo, mesmo com antecedência, tem que pagar por isso.
Eles podem mudar sem aviso prévio mas os passageiros têm que pagar previamente por qualquer mudança.

Neste sábado mais uma vez aconteceu no voo 1012 da Gol, de Congonhas para o Rio:
“Estamos sem tripulação para o voo”, é a desculpa usual.  E nós com isso?

Coincidência ou não, a transferência foi para um voo onde cabiam todos os passageiros de dois outros voos.
A principal característica destas situações é a tática de guerra utilizada pela voadora:  desinformar para dispersar e evitar que o inimigo (os passageiros) se agrupe.  O painel mostra uma informação errada e os “colaboradores” da voadora nada sabem informar.

O painel que desinforma

O painel que desinforma

E as pessoas ainda se preocupam com o que vai acontecer na copa do mundo e nas olimpíadas.   Não dá pra gente se procupar com turistas quando somos nós que temos  esta rotina de conviver com o caos.  Minha indignação é com o que acontece conosco, brasileiros de todos os dias.

Fotos by Cariocadorio:  Congonhas (7/12/13)

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Voe Gol-contra

25 de dezembro de 2010

O sindicato dos aeroviários ameaça paralisar o tráfego aéreo no Brasil em meio às festas de fim de ano. Não dá para simpatizar com a causa de um sindicato que faz isso e fecha a avenida de acesso ao Galeão, entre outras agressões ao direito de ir e vir do cidadão.

Mas se tirarmos por base a maneira como as companhias aéreas tratam os passageiros, seus clientes, podemos imaginar o que fazem com seus empregados.  Deve ser um inferno trabalhar em empresas que não têm a mínima consideração com seres humanos.   

Alguns casos:

1. O vôo está atrasado umas 2 horas mas você, passageiro irresponsável, chegou um minuto depois do horário requerido. Você tem que pagar a multa por chegar atrasado e espera 3 horas para embarcar. Pra eles não pega nada.

2.  O casal conseguiu tirar férias ao mesmo tempo depois de vários anos.  Programaram encontrar com o filho, a nora e o neto – que moram nos EUA – em um resort na República Domenicana.   Uma semaninha só mas a viagem dos sonhos. Pouco antes da viagem a companhia aérea avisa:
   “Seu vôo de sábado foi cancelado, agora vocês viajam na terça-feira seguinte.”
   ” Peraí, não posso adiar minhas férias.” 
   “Sorry, perdeu”
Depois de muita briga eles aceitaram devolver a passagem.  As férias, planejadas com muita antecedência, foram perdidas.  Danem-se os passageiros.

3.  A polícia do Rio invade a Vila Cruzeiro e sitia o Alemão.  Você está em Sampa com vôo marcado às 19:00 horas.  No Rio a família telefona e diz pra ter cuidado e você lá preocupado com a família. Tudo bem, no Santos Dumont não chega o tiroteio.  Só que choveu de tarde em São Paulo e os vôos estão atrasados. 

As informações são as mais desencontradas.  De repente o seu vôo some do painel do portão de embarque.   Os atendentes somem também.  Um bando de passageiros perdidos não sabe o que fazer.  Ninguém da companhia aérea explica o que está acontecendo ou vai acontecer.  Nenhuma informação pelo alto-falante.

Não, isso não é por acaso.  A companhia aérea usa essa tática de desesperar para dispersar os passageiros. Dispersos eles são mais fáceis de enganar.  Há horas a  aérea já sabe que não vai dar para o vôo sair de Congonhas. De repente avisam pra quem está perto.  Com a boca, nada de informar pelo alto-falante.
   “Vamos levar vocês pra Guarulhos.  De lá sai o vôo”. 

A atendente sai andando e quem quiser que vá atrás.
Os covardes só não avisaram que o vôo sai de Guarulhos para o Galeão e não para o Santos Dumont.  Os empregados são claramente instruídos para não informarem que você tem direito a jantar, hotel e vôo no dia seguinte.   Os que moravam em São Paulo decidiram ficar por lá e o pessoal do Rio seguiu para o ônibus.  Para a companhia aérea o inimigo já estava enfraquecendo, cada passageiro escolhendo sua alternativa, vencidos no cansaço.  A tática da desinformação continuava.  Escutei no rádio da atendente que no Rio não haveria transporte do Galeão porque não circulavam táxis e a empresa de ônibus se recusou a sair naquela hora.  O Rio estava em pé de guerra.   Mas em momento algum os atendentes informaram isso aos passageiros.  Boa parte entrou nos ônibus em meio ao caos em frente ao aeroporto.  Para a companhia aérea era melhor despachar covardemente os inimigos e deixá-los mofando até a manhã do dia seguinte no Galeão do que gastar com hotéis em São Paulo.

Decidi tentar a sorte de remarcar o vôo para o dia seguinte. Já passava de meia-noite quando, um grupo de seis pessoas, tomamos uma cerveja no bar do hotel para relaxar e ir dormir.  Os  que sobraram e tentaram ficar por lá contaram com a boa vontade dos atendentes do balcão e foram lentamente sendo colocados em hotéis, o que não foi fácil. 

A Infraero é uma vergonha e a ANAC uma piada. As companhias aéreas fazem o que querem. Duas delas  dominam o mercado sob pífia fiscalização da ANAC.  Os vôos são otimizados a ponto de um problema no aeroporto de Oriximiná causar atraso em vôos de Porto Alegre. E a desculpa é aceita.  Imagina o que as aéreas fazem com as escalas da tripulação e dos atendentes … imagina o que fazem com a manutenção dos aviões para maximizar o lucro.

Quem trabalha nestas empresas  é treinado para enganar, para não respeitar. Ética não é palavra no dicionário dessa gente.  Neste ambiente onde imperam a traição, a esperteza e a covardia, quem teria pudor em fazer uma greve em pleno fim de ano e acabar com a festa de milhares de pessoas?  Eles são vítimas maiores que nós, passageiros. Convivem todos os dias com as companhias aéreas e certamente são explorados e enganados também.

Tenho uma sugestão:  José Mariano Beltrame na ANAC.

 Foto by Cariocadorio: Voe Gol-contra (dezembro de 2010)

Aeroporto do Galeão

5 de dezembro de 2009

Torre de Controle

No maior aeroporto do Rio de Janeiro, chegar e partir são só dois lados da mesma anarquia. 

Você desce do táxi e já te esperam uns engraxates com um jeito estranho.  Entra rápido pra se sentir menos inseguro. No saguão do aeroporto, em pleno pré-verão do Rio, o ar condicionado funciona muito mal. Você logo nota que as reformas em andamento são uma maquiagem de segunda classe. Os novos “telões” sobre os postos de check-in são tão pequenos que não dá pra identificar a companhia aérea.  Você responde a uma série de perguntas idiotas da companhia aérea americana (só aqui, lá eles não fazem isso). Tudo bem, isso não é culpa da Infraero.  

Feito o check-in, vem a longuíssima fila pra passar na imigração.  Depois a fila pra passar no raio-x e finalmente você está do lado dos portões de embarque.  A escada rolante pro andar de cima não funciona. O calor continua… Azar seu que colocam três vôos internacionais em portões consecutivos, 11 ao 13.  Logo aqueles em reforma e espremidos ao lado do raio-x, enquanto do  5 ao 10 está tudo vazio.  Claro que não há espaço pra todo mundo e o calor aumenta mais ainda.  Você aguardou a sua vez e passou pelo gate. Responde novamente às perguntas idiotas e finalmente embarca com apenas 15 minutos de atraso.  Que maravilha, está tudo pronto para o vôo sair na hora marcada.  

O Comandante pede desculpa mas tem que esperar outro vôo. Depois diz que o seu avião é o sétimo da fila de decolagem e que tem ainda que esperar dois que estão aterrisando.  Com uma hora de atraso você está no ar.  

"Waiting For" (filas no aeroporto)

Mesmo que o trabalho ou as férias tenham sido ótimos sempre é bom voltar pra casa.  Tudo certo e você aterrisa  no Antonio Carlos Jobim.  Que sacanagem fazer isto com um cara que tanto fez pelo nosso orgulho-de-ser-brasileiro.  Graças a Deus todo mundo continua chamando de Galeão esse aeroporto medieval.   

Agora é hora de passar na imigração e depois lutar naquele espaço espremido para pegar as malas na esteira lentíssima. Parada básica no free shop, a única parte do aeroporto que parece reformada (por que será?), e você está pronto pra enfrentar a alfândega.  Só que o pessoal da alfândega resolveu trabalhar sério e … operação padrão.  Mais de uma hora na fila.

Você venceu, passou no verde levando o celular de $1350 com tecnologia do fala-escreve do George Orwel, só que em doze idiomas, mais o estado da arte em comunicação. Serve até como telefone.    Feliz da vida, você encara uma daquelas mulheres atraentes das empresas de táxi. Pode escolher qualquer uma porque o preço agora é tabelado. Isso mesmo, o rádio-taxi (branco) passou a cobrar o mesmo da antiga máfia do aeroporto (carros azuis e vinho). O mesmo assalto pra todos os “especiais”.  Na saída o carregador / cambista (isso até que melhorou) tenta te abordar, a rapaziada oferece um táxi e é melhor você se mandar logo.  Se não quis o táxi “especial” no preço tabelado você pode arriscar um amarelinho lá fora.  Mas aí já sabe, do lado de fora você está ainda mais exposto que do lado de dentro.   

Bem-vindo ao Rio de janeiro.   Tudo bem, pra Copa vai estar tudo resolvido e pras Olimpíadas melhor ainda.  Depois …    

Fotos: “Torre de Controle” by Bruno S. Lessa (Flickr, Creative Commons, 4/2/08); “Waiting For” by Santa Rosa (Flickr, Creative Commons, 24/9/05);