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Hora de torcer pelo Rio

1 de agosto de 2016
O Rio Olímpico

O Rio Olímpico

Já basta alguns gringos quererem nos desmoralizar.  Como se eles não tivessem seus próprios problemas, seus atiradores psicopatas, o terror em suas cidades, suas histórias de violência e erros. Não vamos fazer coro a interesses mesquinhos.

Para os que vem aqui para competir ou se divertir, tapete vermelho e o nosso maior carinho.  Mas que não esperem uma Olimpíada suíça porque isso aqui é o Brasil.  É o Rio de Janeiro com seu pacote completo.  Vejam a parte meio cheia do cálice.

Não é vergonha querer que os Jogos sejam um grande sucesso.  Já que começou, melhor que termine bem porque só assim será bom pra nós, brasileiros.
Cariocas de todo o Brasil;  agora é hora de curtir as Olimpíadas, é hora de torcer pra dar certo.

 

PS: Depois a gente volta a reclamar da falência do Estado, das bobagens do Prefeito, das mal acabadas obras, das roubalheiras do Congresso e de tudo mais que a gente tem direito. 

 

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Rio de Janeiro, a Cidade do Amanhã

1 de janeiro de 2016
maua e outras 001

A Cidade do Amanhã

Sou obrigado a reconhecer que os cariocas, nascidos ou não no Rio de Janeiro, somos uns mal-agradecidos.  Não contentes em viver numa cidade de beleza incomparável, cuidadosamente talhada entre montanhas verdes e mares azuis, ainda queremos ter segurança, escolas e hospitais que funcionem.

É verdade que não se pode passar em certas vias públicas a tantas horas do dia sob o risco de aumentar a probabilidade de assalto dos normais 48 para inaceitáveis 92,5%.  Também é verdade que às vezes algum incauto fica doente sem que haja UPA que o atenda, ou que uma grávida inescrupulosa decida dar à luz na hora da troca de turno.  Particularmente quando o governo não pagou ninguém e o hospital não tem médico em turno algum pra fazer a troca.

Mas não se pode querer tanto quando se tem a Quinta da Boa Vista, o Pão de Açúcar, a Floresta da Tijuca, as praias do Leme ao Pontal, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Jardim Botânico, a nova Praça Mauá, e vou parar por aqui se não acabo esquecendo do Cristo Redentor, com seus braços abertos sobre a Guanabara.

Há que escolher entre uma cidade maravilhosa e um governo que preste.  O fato é que, antes mesmo de 1° de março de 1565, o carioca já havia feito a sua opção pelo belo.  Mais do que isso é descabida ambição.

Foto by Cariocadorio: Cidade do Amanhã, dezembro de 2015

Nota: baseado em crônica de Machado de Assis (15/09/1876)

APO, CPO, RDC e a gastança olímpica

26 de junho de 2011

Quando anunciaram o nome de Henrique Meireles para ser o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), senti aquela vã esperança de que a gastança olímpica poderia ser controlada.  Esta semana a presidente Dilma indicou o ex-ministro das Cidades para ser o responsável pela APO.  Diferente da austeridade do ex-presidente do Banco Central, Marcio Fortes é apenas um político cuja participação no governo Lula resumiu-se a ocupar um cargo político. 

Márcio Fortes

Suas primeiras declarações dão bem conta do que ele entende da posição que vai exercer.

“Tem um negócio que ninguém fala. As perguntas são sempre sobre obras. Eu quero ganhar as medalhas. O Brasil está se preparando pra isso também. Eu vejo uma oportunidade de a gente se afirmar no esporte. Vamos ganhar o máximo de medalhas. Estamos esquecendo disso. O objetivo da olimpíada qual é? A vitória. Claro que pelo espírito olímpico o importante é participar. Mas é muito melhor participar vencendo.”

Vamos e venhamos, isto nada tem a haver com a sua responsabilidade na APO que é controlar recursos e cronogramas físico e financeiro das obras.  Além disso, Fortes teria dito que “o Rio de Janeiro tem uma experiência muito boa quanto à realização dos eventos esportivos. Os Jogos Pan-Americanos não foram uma prévia das Olimpíadas? E qual foi a avaliação desse evento? O melhor Pan-Americano que já houve.”

Isso demonstra que o ex-Ministro das Cidades não tem a menor idéia do que foram os malditos Pan-Americanos para o Rio de Janeiro.  Não sobrou nada que prestasse para a cidade e a utilização política dos ingressos para os eventos foi uma vergonha digna da administração do Pan e desta cidade, nas mãos de Cesar Maia na época.  Só o Maracanã está sendo totalmente reformado para a Copa de 2014 ao custo de R$1 bilhão após ter sido, por duas vezes, reformado nos governos Garotinho e Garotinha para os tais Pan-Americanos.

É bem verdade que Fortes também declarou que seguirá com cuidado o cronograma das obras e rechaçou as comparações com a organização da Copa do Mundo de 2014, que preocupa pelas reiteradas demoras.

A APO estará subordinada a outro novo órgão público, o Conselho Público Olímpico (CPO). Henrique Meireles foi indicado por Dilma para ser o representante da União neste órgão. Junto com ele o governador do estado e o prefeito do Rio de Janeiro.  Os arranjos políticos mais uma vez venceram a austeridade gerencial da Presidente.  

O CPO é mais um órgão público para gastar dinheiro do nosso bolso com um sem número de empregos para acomodar indicações políticas. Não creio que Meireles tenha a menor chance de exercer sua capacidade técnica e administrativa neste meio.  É provável que saia do circuito muito antes de 2016.

Assim como já está claro que o mau uso do dinheiro público (leia-se “roubalheira”) será a tônica da organização da Copa do Mundo de 2014, são poucas as esperanças de uma Olimpíada no Rio de Janeiro que não nos leve à falência.  

Como se isso fosse pouco, o governo põe em campo suas novas damas (Ideli Salvatti e Gleise Hoffmann) para manter o Regime Diferenciado de Contratações (RDC), aprovado na Câmara, que determina o sigilo de orçamentos para obras da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.  Se com o sistema de licitações transparentes acontecem as maiores falcatruas imagina a farra que será este sigiloso RDC.   

Pelo Brasil afora vamos continuar vendo bilhões gastos com estádios super faturados que servirão para manter os mesmos que há tanto tempo controlam o mercado do futebol no Brasil.

Posso debulhar lágrimas de tristeza ou de raiva sobre o teclado mas isto não fará a menor diferença .  Colocar este texto na rede tampouco ajudará a resolver o problema.  Talvez algumas gerações adiante se a propaganda da coca-cola estiver certa…

Fontes: reportagem de Claudia Andrade no Terra.com e do Globo.com de 21 de junho de 2011.  Fotos obtidas na internet.

Autoridade Pública Olímpica (APO)

2 de fevereiro de 2011

Henrique Meirelles

Em meio ao noticiário de esportes escuto uma boa notícia: a presidente Dilma indicou o ex-Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para comandar a APO – Autoridade Pública Olímpica -, seja lá o que isso for.  

Pesquiso daqui e dali e aprendo que a tal APO será responsável por monitorar os compromissos do Brasil junto ao COI. A APO cuidará das obras das Olimpíadas, atuando para garantir as entregas das obras com qualidade, nos prazos e  dentro dos custos orçados.

Trocando em miúdos, a APO tem entre suas obrigações evitar que metam a mão no nosso dinheiro para a realização dos jogos, gastando muito mais do que o orçamento para que, no final,  seja nula a herança do evento para a cidade.  Ou seja, que não se repita em escala muito maior o “mal uso dos recursos públicos” que aconteceu com o Pan 2007.  

Para exercer dignamente sua função, este órgão federal deverá ser independente dos governos estadual e municipal, do ministério dos esportes e do Comitê Olímpico Brasileiro. 

A coerência no comando do Banco Central por oito anos faz de Henrique Meirelles uma pessoa que parece ter a credibilidade e a independência necessárias para assumir cargo de tal relevância para a saúde financeira da cidade do Rio de Janeiro. Sua indicação mostra a preocupação da nova presidente com o evento e suas consequências, o que por si só também me parece uma boa notícia. 

Por outro lado, criado em maio de 2010, o órgão poderá gerar um enorme cabide de empregos (cerca de 500) para gerir os R$30 bi de investimentos das Olimpíadas.  A corrida por cargos já começou a agitar os partidos políticos.  Portanto, cuidar da própria APO é um desafio.  Espero que seja dada ao Sr. Henrique Meirelles a oportunidade de escolher boa parte dos seus colaboradores com base em critérios de ética e competência.  Que a APO seja um órgão efetivamente fiscalizador.

Foto de Denis Balibouse / Reuters
Referências: Site do Estado de São Paulo (1/2/11);

Royalties do Rio

15 de março de 2010

A semana que passou foi particularmente pródiga em provocar desconforto no cidadão minimamente atento à rotina a sua volta. De uma só vez chegaram as notícias de novos tremores no Chile, assassinato de um cartunista e seu filho em Osasco e confrontos do tipo polícia e bandido que deixaram um saldo de uns tantos mortos no Rio de Janeiro. 

Macaé, nascer do sol e sonda de petróleo

Para o nosso estado, a aprovação da emenda “vamos meter a mão no dinheiro do Rio de Janeiro” foi a bomba da semana.  Os estados produtores têm, legitimamente, direito a esta parcela dos recursos gerados pela produção de petróleo para  cuidar principalmente da infra-estrutura e meio-ambiente locais.  Interessante que a emenda Ibsen não altera a distribuição dos royalties da produção em terra, só no offshore. A razão é simples, é no mar que existe muito petróleo, muito dinheiro. Azar do Rio de Janeiro.

Chama a atenção o pífio desempenho do governo e da bancada estadual em defender os direitos do Rio de Janeiro. É inacreditável que o importante deputado Rodrigo Maia, presidente do seu partido, tenha preferido viajar para a Alemanha em uma obscura missão a participar da votação em Brasília. Era sua obrigação levantar a voz em nome daqueles que representa, mesmo que a derrota fosse inevitável. 
Por outro lado o governador Sergio Cabral chiou,  esperneou e se indignou depois da derrota. Dizem que quase enfartou.  Estranho, porque o resultado era mais do que certo. Depois do leite derramado o governador resolveu promover impróprios minutos de silêncio em jogos de futebol e outras medidas de pura demagogia improdutiva.  Mas que tipo de trabalho político foi feito para evitar este desastre?  Houve erro de estratégia ou era mesmo inevitável que ocorresse?
Pior é a declaração do governador de que a emenda inviabiliza a realização da Copa de 2014 e das olimpíadas de 2016. Quer dizer que o dinheiro que deve ser aplicado em investimentos que tragam benefícios perenes será maciçamente destinado a eventos esportivos cujo retorno para o cidadão é mais do que duvidoso? Se esta é a grande preocupação do governador quanto ao destino destes recursos talvez seja  melhor mesmo redistribuí-los.

Nuvens sobre Macaé

Não, melhor não…para quaisquer  outras mãos que o dinheiro possa ir a aplicação não será nem um pouco mais nobre. Triste.

Fotos: Sol Nascente, Macaé e Sonda (6/2/2010, Flickr, Creative Commons, by Gladstone P. Moraes); Panorâmica de Macaé, Nuvens (23/1/2010, Flickr, Creative Commons, by Gladstone P. Moraes) (Link para galeria de Gladstone P. Moraes)

Rio de Copas e Olimpíadas

22 de fevereiro de 2010

Após décadas de contínua degradação, o Rio de Janeiro tem uma real oportunidade de desenvolvimento. O essencial alinhamento de interesses políticos nas esferas municipal, estadual e federal assegura o apoio de todas estas forças.  A estabilidade econômica permite esperar que estejam disponíveis os recursos necessários para este desenvolvimento. Cabe ainda defender os direitos sobre os royalties do petróleo para que os recursos do estado sejam mantidos. 

Praça Mauá vista do píer

Por outro lado, os eventos internacionais da Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 nos obrigam a firmar compromissos com a comunidade internacional.  Estes eventos, entretanto, não devem ser vistos como garantia de que os recursos que serão aportados à cidade serão gastos em benefício do Rio de Janeiro.  Muito menos são garantias de que serão aplicados com o necessário cuidado com o bem público.  O retumbante fracasso dos Jogos Pan-americanos de 2007 em deixar para a cidade um legado mínimo de obras de infra-estrutura que poderiam trazer benefícios para o cidadão carioca não nos deixa ter perspectivas elevadas.  

Infelizmente este processo está começando francamente mal.  As notícias sobre as formas de financiamento dos estádios da copa do mundo indicam que a conta para o nosso bolso será muito mais alta do que havia sido prometido.  A captação de recursos privados esbarra na fragilidade das análises de viabilidade econômica e acabam não acontecendo. Em suma, estes eventos em vez de contribuir para o desenvolvimento das nossas cidades,  particularmente o Rio, já prometem ser mais um dreno dos cofres das mesmas o que impactará negativamente na capacidade de realização de obras realmente úteis para o cidadão.

Em outra frente, os planos megalômanos de construção do Porto Maravilha, realmente uma maravilha mesmo que o índice de materialização seja da ordem de 50%, já dá sinais de muita retórica e pouca obra.  Anunciadas pomposamente em setembro passado, a primeira fase está custando a decolar.  A belíssima placa com mais de 40 m colocada na praça Mauá é tudo o que se vê da obra no píer até o momento, passados 4 meses.

Mas independente disso temos que seguir discutindo o que será melhor para o Rio de Janeiro.  Mal ou bem alguma coisa acabará acontecendo. 

  • Qual deverá ser a prioridade do Rio de Janeiro?
  • Onde deverão ser empregados estes recursos?
  • Quem se incumbirá de cuidar para que o nosso dinheiro tenha o destino de melhorar o Rio de Janeiro para as futuras gerações e não apenas alguns e suas futuras gerações?

Por enquanto ficam as perguntas mas breve voltarei com pontos mais específicos sobre o futuro do Rio de Janeiro.

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Foto by Cariocadorio: Paredes do Rio, a Praça Mauá desde o Píer (fevereiro de 2010)

Píer Mauá

2 de fevereiro de 2010

Veleiros no Píer Mauá

A presença dos veleiros das armadas sul-americanas no Píer Mauá bem como os navios de  cruzeiro atracados no cais dão a exata dimensão do potencial turístico e econômico da região do Porto do Rio de Janeiro.  Esta visão nos permite imaginar como ficará o porto do Rio de Janeiro após a implantação projeto do Porto Maravilha. Píers  perpendiculares ao cais permitirão a atracação simultânea de navios espetaculares que poderão ser vistos desde os jardins do reformado Píer Mauá. Este parque estaria livre da presença dos carros graças ao estacionamento subterrâneo projetado para a Praça Mauá.  (link do projeto da Porto Maravilha)

As confortáveis instalações do terminal marítimo, permitindo o desembarque, imigração e alfândega em vias suspensas facilitarão a vida do turista.  Lojas e restaurantes em áreas do porto providas de segurança e conforto incentivam o aumento dos gastos destes turistas no Rio de Janeiro.  Tornando-se uma atração por si mesmo, o terminal marítimo incentivará a procura do turismo por via marítima no Rio de Janeiro iniciando  assim um círculo virtuoso que durará enquanto a economia mundial o permitir.

 

Costa Mágica

Entre outros benefícios, o projeto do Porto Maravilha parece uma combinação perfeita entre a atração turística para estrangeiros e brasileiros associada ao lazer com custo mínimo para os cariocas.  

Mas de repente a gente acorda destas divagações sonhadoras e encara uma realidade menos promissora.  Observa que a beleza dos veleiros no píer Mauá só é possível porque a obra da primeira fase do projeto Porto Maravilha, anunciada em outubro passado, ainda não começou (link para “Praça Mauá – o renarcer” ).  Passados quatro meses a única coisa que se vê ainda é aquela enorme placa de 40 metros anunciando a obra em frente ao píer.  No final faz-se tudo correndo, a toque de caixa, materializando apenas uma pequena parte do que foi prometido e gastando cinco vezes mais do que o orçado.  E que se dane a qualidade.  Mas a inauguração será na data certa para que os políticos possam subir ao palanque.

A Placa

Não estamos aqui para jogar a toalha.  Este projeto é importantíssimo para o futuro do Rio de Janeiro.  Vamos acompanhá-lo buscando contribuir no que seja possível para que sua realização venha a beneficiar a cidade.

Fotos by CariocadorioVeleiros no Píer Mauá (Fev. 2010); Costa Mágica (Fev.2010); A Placa (Out.2009)  

Praça Mauá, o Renascer

27 de outubro de 2009

Um novo Rio de Janeiro está nascendo. 

Placa Porto Maravilha

Mais uma vez o berço deste novo Rio de Janeiro é a Praça Mauá.  Antes mesmo de a Cidade ser escolhida sede dos Jogos Olímpicos de 2016, a prefeitura anunciou, com muita pompa e circunstância, o seu plano para a zona portuária do Rio de Janeiro.

Não são poucos os exemplos de como um porto desativado pode se transformar em uma área de atração turística e pólo de negócios. Barcelona, Buenos Aires e até a nossa Belém são exemplos do sucesso destes empreendimentos.  Certamente será ótimo para o Rio de janeiro também.

A primeira obra prima foi esta placa colocada em frente ao pier Mauá.  Ela tem 40m de comprimento e ostenta cerca de 20 refletores para iluminação.  A noite dá pra ver desde o monumento dos pracinhas.  Bom começo, embora olhando lá de cima ainda não dê pra ver muito trabalho atrás da placa.  

091024 Pier Mauá AR

Esta primeira fase da obra deve durar um ano. Mais uma vez coloco a esperança na frente das preocupações e quero acreditar que o resultado será belíssimo. 

Há mais de dez anos acompanho com muito interesse iniciativas de revitalização do porto do Rio.  Projetos que com o mesmo furor que surgem desaparecem da mídia. O anterior a este tinha a assinatura do ex-prefeito das obras mal-vindas, com direito a um faraônico Gugenhein.  Todos estes planos e projetos têm uma coisa em comum: a grandiosidade.

091024 Ed A Noite Pr MauaTudo bem, há muito mérito em pensar grande, planejar uma revolução urbanística que possa ser implementada pouco a pouco e que transforme toda a região em um novo cartão postal da cidade.  O plano atual, chamado de Porto Maravilha, não fica atrás.  Tem a seu favor o incentivo da copa do mundo e dos jogos olímpicos.   Torçamos por ele.

Enquanto torcemos pelo  futuro, não podemos deixar de lado as preocupações com o presente e questionar as razões de termos chegado a este ponto.  Do contrário o futuro leverá novamente à situação atual, muitos milhões de dinheiros depois.

Da próxima vez a gente vai olhar de perto a triste realidade que esta foto do edifício “A Noite” , visto de longe na praça, não pode mostrar. 

Fotos by Cariocadorio:  A Placa do Pier (16 de outubro de 2009); Píer Mauá AR (16 de outubro de 2009); “A Noite” da Praça (24 de outubro de 2009) 

Barra da Tijuca 2017

12 de outubro de 2009

Largada no antigo AIR - 1966

Pouco mais ou menos em 1972, meu amigo Geraldo e eu fomos visitar o novo Autódromo Internacional do Rio de Janeiro. Queríamos conhecer o que esperávamos ser uma renovada pista de corrida de automóveis, um verdadeiro autódromo.   Afinal,  dentro de poucos dias como anunciavam os jornais, estaria ali o prefeito do Rio de Janeiro para inaugurar o novo autódromo.   Diante de nós, entretanto, apenas um monte de terra e algumas máquinas de terraplanagem trabalhando em ritmo lento naquilo que parecia ser o traçado da nova pista.  Este foi o meu primeiro encontro com a mentira oficial.  Naquela época eu ainda não sabia que os anúncios políticos têm muito pouco compromisso com a verdade.

 
Por essa antiga paixão pelo automobilismo questionei se havia necessidade de destruir o Autódromo Internacional do Rio de Janeiro para construir algumas  das instalações dos Jogos Panamericanos.  Comandada pelo prefeito que teve durante tantos anos o prazer de fazer o que a população não queria (obelisco de Ipanema, monumento a Getulio Vargas, cidade da música, um quase Gugenhein…), começava a destruição do automobilismo do Rio de Janerio.  É verdade que o autódromo já de muito tempo vinha sendo sub-utilizado e tinha pouca serventia para o esporte e para a cidade.   Aqueles que tinham a obrigação de defendê-lo pouco fizeram na época.  Tiveram que se contentar com mais uma mentira oficail:  construir um novo autódromo em algum lugar do subúrbio do Rio. 

Agora faz todo sentido acabar de vez com o que sobrou dele e construir ali boa parte da infra-estrutura olímpica de 2016.   Faz também sentido construir outras instalações na Barra da Tijuca, onde há muito espaço. Mas está havendo exagero.  Por que será que quase tudo de novo será instalado na Barra da Tijuca?  Está havendo uma concentração de investimentos em uma única região da cidade. Todos os novos caminhos do Rio de Janeiro levarão à Barra da Tijuca  que enfim terá melhor acesso e será ainda mais valorizada.   As lições de toda a vida indicam que não é o critério técnico, urbanístico,  o que mais conta nas decisões políticas.  E há pouca coisa mais poítica do que COBs, CBFs e confederações.

Na midia há diversas discussões a respeito de como será a integração da cidade nos planos olímpicos.  Arquitetos, urbanistas e carioquistas têm levantado a questão do desenvolvimento de outras áreas da cidade além da Barra da Tijuca.  Domingo de manhã, entretanto,  escutei na CBN a entrevista com alguma autoridade, talvez do COB, (entrei no túnel e não pude saber o nome dele mas me pareceia uma autoridade no assunto) que explicava não ser possível modificar o que fora apresentado e aprovado pelo COI.  Disse que o planejamento dos Jogos já havia sido feito e que agora chegáramos à fase de execução.  Isso até faz sentido mas que cheira mal, lá isso cheira. 

Por que só agora, que não dá pra voltar atrás, estão sendo discutidos estes assuntos na mídia?  Não houve exposição   suficiente e o assunto não foi discutido como deveria na época certa.  A questão então passa a ser quem participou da fase de planjamento e quem, representando o cidadão do Rio de janeiro, aprovou o planejamento submetido à aprovação do COI. 

O fato é que a concentração de investimentos na Barra e para a Barra da Tijuca leva a outro tipo de preocupação.  Não estarão os investimentos nas Olimpíadas do Rio de Janeiro alimentando as aspirações separatistas de alguns que vêem na emancipação da Barra uma oportunidade?  Não seria a primeira vez.  Uma nova cidade, moderna, com tranporte integrado com aeroportos e outros municípios e livre das mazelas do Rio, onde não terão sido feitos investimentos.  Melhor ainda, na visão de alguns: mais uma prefeitura, mais uma câmara de vereadores, mais oportunidades para que alguns tenham novas oportunidades…uma nova Barra, modelo 2017.

Corremos o sério risco de que a história das Oímpíadas tenha que citar 2016 como o ano que os jogos  Olímpicos do Rio de Janeiro foram realizados em uma cidade que já não leva este nome.

Foto:  Largada no AIR, 1966 (site OBVIO: http://www.anisiocampos.com/his.html)

Olimpíadas 2016 – Esperanças e Preocupações

4 de outubro de 2009

No instante em que o Rio de Janeiro foi declarado sede das olimpíadas de 2016, todas aquelas preocupações ficaram momentaneamente de lado.  No silencioso conflito de sentimentos venceu a alegria de vencer.  Fiquei muito feliz.  Afinal, o Rio superou Madri, Tóquio e Chicago na disputa internacional pelo direito de sediar uma olimpíada.  Quantos interesses políticos envolvem esta disputa.  E o Rio do Brasil de Lula deixou pra trás os ventos endinheirados de Chicago, arranhando levemente o prestígio de Obama, a beleza européia de Madri (terão ficado felizes os catalães?) de uma Espanha que tanto cresceu nos últimos 20 anos e a tecnológica Tóquio, que terá que esperar um pouco mais para se mostrar melhor que Beijin.

Confesso que não saber se queria ou não olimpíadas no Rio de Janeiro me deixou um pouco distante deste processo que elegeu o Rio.  Mas, se carioca de meio século e inveterado amante dos esportes, por que a dúvida?  Quem vive no Rio desde antes dos Jogos Panamericanos sabe muito bem o porque.

Caminhando pela Lagoa, imaginava que benefícios traria o Pan para o remo, esporte que há pouco mais de um século era o mais importante do Rio de Janeiro.  O que substituiria o deteriorado pier de concreto com ferragens expostas utilizado para a partida das competições de remo?  Pois bem, apenas um tosco conjunto de flutuantes amarelos que, torcidos, adernados e abandonados, não só não contribuem em nada para o remo como enfeiam o espelho d’água da Lagoa.

091031 Lagoa LARGADA REMO

Flutuante de partida do remo - parte já se foi

A esperança de antes se materializou em mal acabadas e mal projetadas arenas, estádios e obras.  Uma série de elefentes brancos mal utilizados que consomem os parcos recursos da cidade.  Isto para não falar dos gastos vergonhosamente mais altos que os orçados e que até hoje não estão explicados. Não sobrou nenhuma obra de infra estrutura, não herdamos benefício algum para a cidade, um único viaduto para contar a história do Pan.  Por isso à esperança se associa o medo de perdê-la,  a preocupação de ser mais uma vez enganado, de mais uma vez achar que talvez seja melhor que os filhos procurem outro lugar pra viver.

Mas como viver sem esperança para o que se ama?  Portanto, comecemos tudo de novo, com muita esperança de uma nova cidade maravilhosa pós Olimpíadas.  Que vençam os melhores e que o maior ganhador seja o Rio de Janeiro.  O Rio dos cariocas.

Rio em 2 tempos

Rio em 2 tempos

Fotos: Lagoa – Partida do Remo, by Cariocadorio (Outubro de 2009); Rio em dois tempos  (de pps do mesmo nome).