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Covardia

26 de maio de 2018

O covarde se esconde, dissimula, agride sem que sua vítima tenha chance de se defender.  O covarde não tem ética, não tem moral. Ele testa a sua força na fraqueza dos outros. O outro covarde, fragilizado em seu medo, não reage.

O covarde superfatura remédios, rouba merendas escolares, embolsa fundos para vítimas de catástrofe, assalta na fila de desempregados ou mete uma bala na velhinha que demorou a entregar a bolsa.

A covardia é uma das facetas da falência da nossa sociedade.

Diariamente, duas vezes ao dia, o telefone toca.Na outra ponta tem uma empresa covarde.  Você se levanta e atende a uma gravação que se identifica como o “Eduardo da Vivo” ou o “Fernando da Oi”.  “Tenho uma ótima oferta pra você”.  Dane-se se você está estudando, vendo televisão, com dor de cabeça, esperando o telefonema do médico ou do seu amor depois da DR.

Atribuído a Maomé

A covardia está nos termos do i-cloud. “Agora não” ou “não aceito” não é a resposta certa. Você tem que aceitar, senão ele fica pipocando na sua tela e torna inútil o telefone até que você se renda.

O Trivago não é covarde, é só chato pra cacete. Você vai trocando de canal até que ele não apareça por um tempo. Menos mal.

Os caminhoneiros fecham a avenida, fecham a estrada, impedem o direito de ir e vir. No processo fecham escolas, aeroportos, hospitais… De carona na covardia da vez, a eles aderem motociclistas, peruistas, taxistas, uberistas pra defender seus interesses.  O empresário covarde triplica o preço da água mineral. Logo aparece o encapuzado, esteriótipo do covarde, a vandalizar tudo.

Todos diante de um governo covarde e acovardado, preocupado em se manter a qualquer custo. O que dizer deste patético bando de políticos? Informados com antecedência nada fizeram. Tentaram o jeito populista, com o dinheiro dos outros, sem solução.  Levaram cinco dias pra reagir com a energia que a gravidade do momento exigia.

Mas os caminhoneiros, manipulados ou não, têm direito de se manifestarem!!!
Claro que sim.  Mas não há limite para estes direitos?

No Brasil de hoje, onde tudo são direitos, proliferam crimes, criminosos, igrejas e covardia.

Imagem: grupopesphb.blogspot.com.br

 

Manifestação, liberdade e trabalho

28 de março de 2014

Olhem bem pra mim… Estou com roupas escuras, uma blusa enrolada no rosto e uma mochila nas costas.
Isto é uma manifestação!

Fecho a Av. Rio Branco e agora todos terão que me ouvir.  Caminho entre o lixo dos garis entoando palavras de ordem e faço calar os que são contra e a favor da Copa do Mundo da FIFA.   Destruo carros alegóricos, venço  black blocks, garotinhos, o sindicato dos rodoviários e dos produtores de ovo de codorna de Cachoeiro de Macacu que disputam a avenida comigo.

Não tenho culpa se meu pai começou aos 13 anos e só se aposentou aos 70.  Se minha mãe esfregava panelas até o último fio do Bom Brill.  Se me obrigaram a estudar mais do que eu tinha vontade e acabei no Pedro II.  Se me meti em más companhias, estes malditos caras que entraram pra faculdade.  Se não consegui me livrar deste jugo familiar e segui o exemplo do meu irmão.   O coitado também cresceu neste meio, não teve escolha.

Não tenho culpa se a política me dá náuseas, se não sei ultrapassar pelo acostamento, se não sei ser meio-honesto, se acho que lei tem que ser cumprida e outras besteiras do gênero.  Eu só conheço um caminho para viver em sociedade: trabalho e respeito ao próximo.  E não vou pedir perdão por isso. Posso ser todo errado mas sou brasileiro e tenho os meus direitos.

Com todo respeito a São Jorge e Zumbi, desafio vereadores a acabarem com os neo-feriados do Rio de Janeiro. Fecho a Rio Branco contra as sextas-feiras de carnaval antes que elas comecem nas quintas;  contra os feriados da Copa da FIFA que paralisarão a cidade; contra os meia-dúzia de gatos pingados que a cada dia vão às ruas do Rio em causa própria privando milhares do seu direito de ir e vir.

Pela liberdade de protestar.
Fecho a Av. Rio Branco pelo direito de trabalhar.