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Barra da Tijuca 2017

12 de outubro de 2009

Largada no antigo AIR - 1966

Pouco mais ou menos em 1972, meu amigo Geraldo e eu fomos visitar o novo Autódromo Internacional do Rio de Janeiro. Queríamos conhecer o que esperávamos ser uma renovada pista de corrida de automóveis, um verdadeiro autódromo.   Afinal,  dentro de poucos dias como anunciavam os jornais, estaria ali o prefeito do Rio de Janeiro para inaugurar o novo autódromo.   Diante de nós, entretanto, apenas um monte de terra e algumas máquinas de terraplanagem trabalhando em ritmo lento naquilo que parecia ser o traçado da nova pista.  Este foi o meu primeiro encontro com a mentira oficial.  Naquela época eu ainda não sabia que os anúncios políticos têm muito pouco compromisso com a verdade.

 
Por essa antiga paixão pelo automobilismo questionei se havia necessidade de destruir o Autódromo Internacional do Rio de Janeiro para construir algumas  das instalações dos Jogos Panamericanos.  Comandada pelo prefeito que teve durante tantos anos o prazer de fazer o que a população não queria (obelisco de Ipanema, monumento a Getulio Vargas, cidade da música, um quase Gugenhein…), começava a destruição do automobilismo do Rio de Janerio.  É verdade que o autódromo já de muito tempo vinha sendo sub-utilizado e tinha pouca serventia para o esporte e para a cidade.   Aqueles que tinham a obrigação de defendê-lo pouco fizeram na época.  Tiveram que se contentar com mais uma mentira oficail:  construir um novo autódromo em algum lugar do subúrbio do Rio. 

Agora faz todo sentido acabar de vez com o que sobrou dele e construir ali boa parte da infra-estrutura olímpica de 2016.   Faz também sentido construir outras instalações na Barra da Tijuca, onde há muito espaço. Mas está havendo exagero.  Por que será que quase tudo de novo será instalado na Barra da Tijuca?  Está havendo uma concentração de investimentos em uma única região da cidade. Todos os novos caminhos do Rio de Janeiro levarão à Barra da Tijuca  que enfim terá melhor acesso e será ainda mais valorizada.   As lições de toda a vida indicam que não é o critério técnico, urbanístico,  o que mais conta nas decisões políticas.  E há pouca coisa mais poítica do que COBs, CBFs e confederações.

Na midia há diversas discussões a respeito de como será a integração da cidade nos planos olímpicos.  Arquitetos, urbanistas e carioquistas têm levantado a questão do desenvolvimento de outras áreas da cidade além da Barra da Tijuca.  Domingo de manhã, entretanto,  escutei na CBN a entrevista com alguma autoridade, talvez do COB, (entrei no túnel e não pude saber o nome dele mas me pareceia uma autoridade no assunto) que explicava não ser possível modificar o que fora apresentado e aprovado pelo COI.  Disse que o planejamento dos Jogos já havia sido feito e que agora chegáramos à fase de execução.  Isso até faz sentido mas que cheira mal, lá isso cheira. 

Por que só agora, que não dá pra voltar atrás, estão sendo discutidos estes assuntos na mídia?  Não houve exposição   suficiente e o assunto não foi discutido como deveria na época certa.  A questão então passa a ser quem participou da fase de planjamento e quem, representando o cidadão do Rio de janeiro, aprovou o planejamento submetido à aprovação do COI. 

O fato é que a concentração de investimentos na Barra e para a Barra da Tijuca leva a outro tipo de preocupação.  Não estarão os investimentos nas Olimpíadas do Rio de Janeiro alimentando as aspirações separatistas de alguns que vêem na emancipação da Barra uma oportunidade?  Não seria a primeira vez.  Uma nova cidade, moderna, com tranporte integrado com aeroportos e outros municípios e livre das mazelas do Rio, onde não terão sido feitos investimentos.  Melhor ainda, na visão de alguns: mais uma prefeitura, mais uma câmara de vereadores, mais oportunidades para que alguns tenham novas oportunidades…uma nova Barra, modelo 2017.

Corremos o sério risco de que a história das Oímpíadas tenha que citar 2016 como o ano que os jogos  Olímpicos do Rio de Janeiro foram realizados em uma cidade que já não leva este nome.

Foto:  Largada no AIR, 1966 (site OBVIO: http://www.anisiocampos.com/his.html)

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Olimpíadas 2016 – Esperanças e Preocupações

4 de outubro de 2009

No instante em que o Rio de Janeiro foi declarado sede das olimpíadas de 2016, todas aquelas preocupações ficaram momentaneamente de lado.  No silencioso conflito de sentimentos venceu a alegria de vencer.  Fiquei muito feliz.  Afinal, o Rio superou Madri, Tóquio e Chicago na disputa internacional pelo direito de sediar uma olimpíada.  Quantos interesses políticos envolvem esta disputa.  E o Rio do Brasil de Lula deixou pra trás os ventos endinheirados de Chicago, arranhando levemente o prestígio de Obama, a beleza européia de Madri (terão ficado felizes os catalães?) de uma Espanha que tanto cresceu nos últimos 20 anos e a tecnológica Tóquio, que terá que esperar um pouco mais para se mostrar melhor que Beijin.

Confesso que não saber se queria ou não olimpíadas no Rio de Janeiro me deixou um pouco distante deste processo que elegeu o Rio.  Mas, se carioca de meio século e inveterado amante dos esportes, por que a dúvida?  Quem vive no Rio desde antes dos Jogos Panamericanos sabe muito bem o porque.

Caminhando pela Lagoa, imaginava que benefícios traria o Pan para o remo, esporte que há pouco mais de um século era o mais importante do Rio de Janeiro.  O que substituiria o deteriorado pier de concreto com ferragens expostas utilizado para a partida das competições de remo?  Pois bem, apenas um tosco conjunto de flutuantes amarelos que, torcidos, adernados e abandonados, não só não contribuem em nada para o remo como enfeiam o espelho d’água da Lagoa.

091031 Lagoa LARGADA REMO

Flutuante de partida do remo - parte já se foi

A esperança de antes se materializou em mal acabadas e mal projetadas arenas, estádios e obras.  Uma série de elefentes brancos mal utilizados que consomem os parcos recursos da cidade.  Isto para não falar dos gastos vergonhosamente mais altos que os orçados e que até hoje não estão explicados. Não sobrou nenhuma obra de infra estrutura, não herdamos benefício algum para a cidade, um único viaduto para contar a história do Pan.  Por isso à esperança se associa o medo de perdê-la,  a preocupação de ser mais uma vez enganado, de mais uma vez achar que talvez seja melhor que os filhos procurem outro lugar pra viver.

Mas como viver sem esperança para o que se ama?  Portanto, comecemos tudo de novo, com muita esperança de uma nova cidade maravilhosa pós Olimpíadas.  Que vençam os melhores e que o maior ganhador seja o Rio de Janeiro.  O Rio dos cariocas.

Rio em 2 tempos

Rio em 2 tempos

Fotos: Lagoa – Partida do Remo, by Cariocadorio (Outubro de 2009); Rio em dois tempos  (de pps do mesmo nome).