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Independência ou Morte

7 de setembro de 2016
"Independência ou Morte", 1888, de Pedro Américo

“Independência ou Morte”, 1888, de Pedro Américo

O prazer mórbido que tem o brasileiro em se desmerecer parece interminável.

Após as partidas contra o Equador e a Colômbia, comentaristas da mesa redonda da ESPN pareciam procurar “uma desculpa” para as vitórias.

Na CBN um participante do “hora de expediente”, um programa de 3 minutos de duração, fez questão de citar, detalhe por detalhe, que tudo no quadro de Pedro Américo era uma mentira. Nada sobre celebrar a independência do Brasil neste Sete de Setembro.  Aliás o que mais faz o trio daquele programa é enaltecer a cultura estrangeira e ridicularizar a brasileiro.

O fato de ser o quadro uma representação livre e certamente irreal do ocorrido é irrelevante.

Todas as nações tem o seu imaginário montado em cenas não necessariamente fruto de um sério documentário jornalístico.  Há sempre uma dose de ufanismo que dá sentido de união aos seus cidadãos. Aqui não, somos sempre tentados a acreditar ou mesmo preferimos acreditar na versão que desmereça um feito nacional.  Se dissermos que Pedro I estava bêbado e fazendo cocô atrás da moita todo mundo acredita.

Não tem chance de progredir um país se desacredita a cada momento histórico. Que valoriza cada coisa estrangeira em detrimento do que este mesmo povo faz.  Isso só é conveniente para os que preferem a eternização do país de coitadinhos que veementemente recuso-me a acreditar que somos.

Foto:  http://commons.wikimwdia.org

A Igreja Católica e o Vermífugo Fahnestock

28 de setembro de 2014
Frente e verso

Frente e verso

Naquele tempo não havia internet, televisão nem mesmo rádio. Como faziam os fabricantes para anunciar seus produtos?

Certamente através dos jornais, revistas e anúncios em cartazes e espaços públicos. Os santinhos no baú de fotos da família revelaram uma forma de propaganda que eu não esperava. No início do século passado a igreja católica tinha tanta influência que até os santinhos vendiam.

Cem anos depois o que se vê é o maior país católico do mundo se tornando evangélico. A igreja católica pouco a pouco perde influência. Seu lugar vai sendo ocupado por pastores que, com suas igrejas e franquias, se aproximaram do povo suprindo suas carências espirituais.

Em quantas eleições teremos um pastor (a) presidente?

 

Ilustração: santinho do baú da família

 

Manifestação, liberdade e trabalho

28 de março de 2014

Olhem bem pra mim… Estou com roupas escuras, uma blusa enrolada no rosto e uma mochila nas costas.
Isto é uma manifestação!

Fecho a Av. Rio Branco e agora todos terão que me ouvir.  Caminho entre o lixo dos garis entoando palavras de ordem e faço calar os que são contra e a favor da Copa do Mundo da FIFA.   Destruo carros alegóricos, venço  black blocks, garotinhos, o sindicato dos rodoviários e dos produtores de ovo de codorna de Cachoeiro de Macacu que disputam a avenida comigo.

Não tenho culpa se meu pai começou aos 13 anos e só se aposentou aos 70.  Se minha mãe esfregava panelas até o último fio do Bom Brill.  Se me obrigaram a estudar mais do que eu tinha vontade e acabei no Pedro II.  Se me meti em más companhias, estes malditos caras que entraram pra faculdade.  Se não consegui me livrar deste jugo familiar e segui o exemplo do meu irmão.   O coitado também cresceu neste meio, não teve escolha.

Não tenho culpa se a política me dá náuseas, se não sei ultrapassar pelo acostamento, se não sei ser meio-honesto, se acho que lei tem que ser cumprida e outras besteiras do gênero.  Eu só conheço um caminho para viver em sociedade: trabalho e respeito ao próximo.  E não vou pedir perdão por isso. Posso ser todo errado mas sou brasileiro e tenho os meus direitos.

Com todo respeito a São Jorge e Zumbi, desafio vereadores a acabarem com os neo-feriados do Rio de Janeiro. Fecho a Rio Branco contra as sextas-feiras de carnaval antes que elas comecem nas quintas;  contra os feriados da Copa da FIFA que paralisarão a cidade; contra os meia-dúzia de gatos pingados que a cada dia vão às ruas do Rio em causa própria privando milhares do seu direito de ir e vir.

Pela liberdade de protestar.
Fecho a Av. Rio Branco pelo direito de trabalhar.

A Copa da FIFA

9 de março de 2014

brasil_2014As Copas do Mundo de Futebol eram conhecidas pelo país e pelo ano de realização.  Melhor que na escola e muito antes da intenet, as copas marcavam datas e ensinavam geografia.

A história fala da Copa de 62, no Chile. Da Copa da Suécia, nosso primeiro triunfo, que talvez tenha feito daquele país um eterno amigo do Brasil. 
A Copa da Alemanha que trouxe o carrossel holandês.  O que dizer da  maravilhosa Copa de 70? 

O sentimento, talvez inocente é bem verdade, era de que o futebol unia os povos em uma festa que pertencia a todos.      As Copas do Mundo de futebol eram uma instituição das pessoas, dos países. Enfim, podia ser a “Copa da Argentina” mas, fosse qual fosse, pertencia efetivamente ao mundo.

suecia_58Não sei bem em que momento esta “copa de todo mundo” deixou de existir para pertencer exclusiva e definitivamente à FIFA. 

A Copa do Mundo de Futebol que acontecerá na nossa terra este ano não é do Brasil.  É da FIFA.  A copa e tudo que a ela está associado. Seremos meros hospedeiros e financiadores. 

espanha_82 

Curiosamente, talvez o que tenha chamado atenção a este ponto seja a forma clara de definir o possessivo no nosso idioma. 

“Copa do Mundo da FIFA”, como a midia é obrigada a se referir, define muito bem a quem pertence o evento. Muito melhor que o “FIFA World Cup” que de algumas copas para cá ficamos acostumados a ver.  

 

franca_1998 

Pertencer a uma entidade cuja reputação é frequentemente arranhada por escândalos mundiais não ajuda a imagem do evento neste país. O que em parte explica manifestações de repúdio à Copa do Mundo em pleno “país do futebol”. 

coreia_japao_2002 

Os dizeres dos cartazes das copas nos ajudam a entender este processo.  Até 1998, na França não havia necessariamente menção à FIFA.  A partir de 2002,  Coréia e Japão, é Copa da FIFA e pronto.   

Vejam os cartazes de todas as copas no link para a Gazeta do Povo. de onde foram copiados para este artigo.

Proclamação da República

15 de novembro de 2013

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Mamãe jamais teve dúvida com respeito a certas coisas: “luta de boxe é tudo marmelada” e “rico não vai pra cadeia” estavam entre suas mais firmes convicções.  Brigamos muito por causa disso.  O tempo me mostrou que ela, no mínimo, acertou muito mais do que eu.

Se minha mãe ainda estivesse entre nós, hoje, neste 15 de novembro de 2013, talvez eu pudesse ter um momento de vitória nesta discussão de toda vida.

“Hoje comemoramos o 124º aniversário da Proclamação da República. A origem da palavra República nos ensina muito. A palavra República vem do latim e significa ‘coisa pública’. Ser a presidenta da República significa exatamente zelar e proteger a ‘coisa pública’, cuidar do bem comum, prevenir e combater a corrupção”.

Presidente Dilma

 “Viva o PT”.
“Considero-me preso político”

José Genoíno

“Não importa que me
tenham roubado a liberdade: continuarei a defender por todos os meios ao meu
alcance as grandes causas da nossa gente, ao lado do povo brasileiro,
combatendo por sua emancipação e soberania”

José Dirceu

As palavras da Presidente vão ao encontro dos anseios da população.  Enquanto isso, os criminosos procuram desvirtuar a verdadeira razão de sua condenação.  Procuram se mostrar como vítimas e perseguidos políticos… Mas durante o seu próprio governo?

Banqueiros, empresários, presidente de partido e o chefe do gabinete civil do governo Lula estão a caminho de ver o sol nascer quadrado.  Isto é uma grande novidade neste país. Felizmente o ex-presidente Lula não sabia do que estava sendo tramado nos bastidores do seu governo. Talvez ele pudesse ser envolvido nesta situação, o que seria altamente constrangedor para o povo brasileiro.

E mais uma vez, 15 de novembro é um dia histórico no Brasil.
Estaremos diante de um marco contra a seletividade do sistema prisional brasileiro?
Será que finalmente minha mãe, de onde estiver, verá uma razão para duvidar de suas próprias convicções?

Imagem obtida na internet.

A chegada do Papa Francisco

21 de julho de 2013

1a comunhao Abel
Uma das mais importantes missões do Papa Francisco em sua visita ao país é trazer a religião católica de volta aos lares brasileiros. Durante muito tempo a religião católica reinou absoluta por aqui, transformando o Brasil dos anos 70 no maior país católico do mundo, como gostava de bradar o ufanismo nacional da época. Protestantes, judeus, espíritas e religiões africanas dividiam o restante da população. 

Não sei qual era o percentual de católicos no Brasil quando meu avô Abel fez a primeira comunhão na igreja do Brás em São Paulo, como mostra este documento de 23 de dezembro de 1900.

Entre 94 e 2013 este percentual caiu de 75 para 57% da população segundo pesquisas recentes. Longe de mim querer explicar as razões do abandono que vivem hoje as igrejas católicas enquanto se multiplicam as seitas ditas evangélicas lotando seus tempos. Mas uma coisa está muito clara. A igreja deixou de ir onde o povo está, abrindo caminho para aqueles que perceberam o espaço para pregar a palavra de Deus.  Há muitos aproveitadores neste meio mas também tem gente séria.  Mesmo porque a igreja católica de santa tem muito pouco.

Felizmente, a fé em Deus está muito acima das igrejas dos homens. A fé que nos faz respeitar e cuidar do próximo e ajuda a criar um mundo melhor para todos.  

Que o Papa Francisco traga bom senso ao Vaticano e ao Brasil,  e muito amor ao coração dos homens, independente de suas crenças religiosas.

A iraquização do Brasil

29 de junho de 2013

130628 tomorrow bel t meSucedeu em um Cabaret, pouco antes da metade do século passado. Enquanto um grupo de jovens nacionalistas cantava tomorrow belongs to me,no idioma de Beckenbauer, um velho pensava quietinho com os seus botões:
“Essa porra não vai dar certo”, no mesmo idioma. 
Deu no que deu. A coisa foi tão feia que o velho nem teve coragem de dizer:
“Habe Ich nicht gesprochen?”

Dá pra ficar preocupado quando a gente observa recentes escolhas tupiniquins.
Diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és.
Optamos por fazer amizade com uns tipos que têm futuro mais do que incerto. Como se não bastasse, estão mais para amigos da onça, pois só fazem nos passar a perna. Sobretaxam nossos produtos, dão calote, tomam nossas empresas, são parceiros em refinarias mas só nós que botamos dinheiro…
Que vantagem o Brasil leva com isso? 

O pior é que nos servem de exemplo.  O Executivo sonha com a argentinização do Brasil, doido para acabar com a liberdade de imprensa e com quem possa investigar suas ações.  

São também vários os seguidores bolivarianos, por quem nossa política externa nutre simpatias explícitas. O mensalão foi uma ótima ideia para a tão almejada venezuelização do país. E hoje, será que o racha maniqueista pobre x rico, bem x mal, não é interessante para um governo questionado nas ruas?

E tá rolando uma PEC que faz a 37 ruborizar. A PEC 99/11 está a dois passos do paraíso. Ela dá a entidades religiosas o direito de propor ação direta de inconstitucionalidade ou de constitucionalidade ao Supremo (STF). Se a proposta de mexer no status de estado laico deste grande país ganhar no tapetão, estaremos acelerando a iranização do Brasil.
Vai ser ótimo para quem acha legal apedrejar adúlteras.  Que tal?

130628 mesopotamia0Ao mesmo tempo em que se tenta impedir o preconceito por decreto, vivemos um momento de intolerância e radicalização pouco comuns. Basta lembrar do Newton, aquele da maçã, para perceber o risco que corremos de viver para ver a mesopotamização do Brasil, com consequências de dimensões iraquianas.

Cada um quer um pedaço de tomorrow pra chamar de seu, sem fazer questão de uma ideologia para viver. Este cenário tem uma coisa que remete ao tal Cabaret: o pensamento do velho bávaro. 
“Essa porra não vai dar certo”, em bom brasileiro.  

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Fotos: partitura de “Tomorrow Belongs to me” site http://www.sheetmusicplus.com/look_inside/19410442
Para ver a cena de Cabaret  e ouvir a música clique aqui.
Mesopotamia, foto obtida na internet

Hora de voltar ao trabalho

22 de junho de 2013

A mensagem está dada.
Embora a presidente tenha fingido não entender direito, ficou claro que estes que ela disse estar chamando para negociar não representam legitimamente aqueles que foram para as ruas nem mesmo os que ficaram em casa.

Espero que a turba política tenha entendido um pouco e comecem a desmontar o circo de deboches que se tornou o congresso.  Quanto mais odiado, mais controverso, mais impróprio para a função, mais certo chegar ao cargo.  É assim que condenados no STF continuam com o mandato, pastor defende os direitos humanos da Igreja dele, Renan se protege de seus crimes e comissão de ética tem gente que foi repudiada por não tê-la.  Muito piores são os que os levam a estes postos. 

Se insistirem neste momento, trabalhadores, estudantes e pessoas comuns em geral, correm o risco de servir de massa de manobra, se é que não já serviram.  

Grupos organizados utilizam as manifestações para seus próprios interesses. Mesmo legítimos, podem não ser exatamente os mesmos dos que estão ali engrossando as manifestações.  Há muito mais do que vinte centavos, PEC 37, cura gay, corrupção e fora Renan sendo colocado em pauta.  Coisas que passam longe do entendimento da maioria, na qual me incluo.

Sem falar na proteção que as manifestações promovem para vândalos, bandidos e ladrões vulgares.

É hora de voltar ao trabalho.

Sem partido!

21 de junho de 2013

Nas manifestações pelo Brasil afora destaca-se, entre tantas mensagens importantes, o repúdio a tudo que corrói as bases da democracia nacional.  O símbolo maior deste repúdio foi a intolerância ao uso do movimento por partidos políticos e sindicatos.  Os gritos de “sem partido”  que escutamos nas ruas mostram que a população considera que os atuais partidos políticos, base da democracia, não nos representa legitimamente. 

SEM PARTIDO !!!

SEM PARTIDO !!!

Estrutura alguma resiste muito tempo quando tem a sua base comprometida.  Que os partidos entendam esta mensagem de que é hora de trabalhar pelo coletivo mais amplo e não apenas para seus interesses mais próximos, muitos destes carentes de um mínimo de moralidade.

Por outro lado, que a triste ação de uma minoria de vândalos e bandidos, sem compromisso  algum com a democracia e o interesse público, não macule a representatividade deste movimento. Para a midia e para o interesse de muitos é fácil chamar a atenção para imagens de depredações e violência.  Vende muito mais que o lado pacífico do movimento. Um movimento popular sem similares na história do país. 

Aos bandidos e vândalos a força e o rigor da lei.

Aos partidos e sindicatos a mensagem de que têm que mudar para se aproximar de quem deveriam representar.

Aos governantes e demais políticos … Bem , o que dizer a maioria deles? 
Por considerarem legítimas suas ações em benefício próprio, por acharem que basta pão e circo para agradar a população, por acharem que é legítimo limitar a justiça e oprimir a imprensa, por acharem que os fins justificam os meios, por viverem uma rotina totalmente descolada da nossa e por tantas outras coisas impróprias, os políticos profissionais talvez nem entendam exatamente porque tanto barulho.   

Foto obtida em http://www.blogdomagno.com.br/

José Dirceu; herói ou vilão do mensalão?

28 de outubro de 2012

A defesa de José Dirceu alega que deve ser dado crédito à vida pública pregressa deste senhor para efeito de avaliação da sua pena.
Diz o memorial da defesa:

“A análise dos fatos relevantes da vida de José Dirceu se inicia na década de sessenta, quando era um dos líderes do movimento estudantil na luta contra um regime político violentíssimo, que desrespeitava inúmeras garantias individuais e fazia uso da tortura. Em 1968 foi preso ao participar de um congresso estudantil, permanecendo encarcerado por quase um ano, quando então foi banido do país”. 

Ora, José Dirceu e os demais não foram julgados pelo que fizeram no passado mas sim por um repugnante crime que buscava acabar com a democracia brasileira. Desta vez a violência das armas partindo dos quartéis foi substuída pela violência moral da corrupção que encontrou no congresso nacional o ambiente propício para prosperar. 

Estudantes dos anos 70 viam com simpatia a luta que alguns destes réus travavam contra a ditadura.  Por isso, incomoda também a decepção com os que pensávamos  seriam uma alternativa democrática ao regime militar.  

O STF em dia de julgamento de mensalão

O STF em dia de julgamento de mensalão

As evidências e a conclusão do STF apontam para uma possível falta de nobreza de  alguns dos que diziam lutar pela democracia contra a ditadura militar.  A julgar pela intenção retratada na  jornada do mensalão, aquela pode  ser entendida como uma luta para substituir a ditadura militar  por outra, a favor dos seus interesses e convicções pessoais.  Esta possibilidade ajuda a desqualificar a  linha de defesa apresentada. Se naquela época tínhamos uma ditadura a combater, qual a sustentação para a tentativa de golpe na realidade atual?

Não podemos esperar que políticos profissionais se pautem na ética para julgar situações relevantes.  Interesses pessoais, disfarçados ou não de convicção ideológica, são predominantes em quase todos os casos.  Apesar de tudo a esperança ainda fica na democracia e no equilíbrio dos poderes, cujo aperfeiçoamento pode demorar gerações, mas ainda assim é a única chance de fazer do Brasil um grande país.

Tentativas de interromper este processo com golpes, fraldes e corrupção têm que ser vigorosamente combatidas pela sociedade.

Fontes: site Globo.com e Manchete.com