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Rio de Janeiro, a Cidade do Amanhã

1 de janeiro de 2016
maua e outras 001

A Cidade do Amanhã

Sou obrigado a reconhecer que os cariocas, nascidos ou não no Rio de Janeiro, somos uns mal-agradecidos.  Não contentes em viver numa cidade de beleza incomparável, cuidadosamente talhada entre montanhas verdes e mares azuis, ainda queremos ter segurança, escolas e hospitais que funcionem.

É verdade que não se pode passar em certas vias públicas a tantas horas do dia sob o risco de aumentar a probabilidade de assalto dos normais 48 para inaceitáveis 92,5%.  Também é verdade que às vezes algum incauto fica doente sem que haja UPA que o atenda, ou que uma grávida inescrupulosa decida dar à luz na hora da troca de turno.  Particularmente quando o governo não pagou ninguém e o hospital não tem médico em turno algum pra fazer a troca.

Mas não se pode querer tanto quando se tem a Quinta da Boa Vista, o Pão de Açúcar, a Floresta da Tijuca, as praias do Leme ao Pontal, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Jardim Botânico, a nova Praça Mauá, e vou parar por aqui se não acabo esquecendo do Cristo Redentor, com seus braços abertos sobre a Guanabara.

Há que escolher entre uma cidade maravilhosa e um governo que preste.  O fato é que, antes mesmo de 1° de março de 1565, o carioca já havia feito a sua opção pelo belo.  Mais do que isso é descabida ambição.

Foto by Cariocadorio: Cidade do Amanhã, dezembro de 2015

Nota: baseado em crônica de Machado de Assis (15/09/1876)

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Perimetral, a demolição em 2 tempos

23 de abril de 2014
Remoção de escombros na Praça Mauá

Remoção de escombros na Praça Mauá

Há alguns anos critico esta obra faraônica que seria normal se fossemos uma economia como a dos Emirados Árabes.  Ainda acho que haveria alternativas para não demolir o elevado da Perimetral.  Mas não há mais espaço para reclamar porque a coisa está no chão.  Agora só resta torcer para que o Porto Maravilha faça juz ao nome.  

Antes da implosão

Antes da implosão

Depois da implosão

Depois da implosão

Pré-perimetral, circa 1965

Praça Mauá; pré-perimetral, pré-ponte, circa 1965

Houve um tempo, nem tão longínquo assim, que não havia Perimetral.  Aí sim, deveriam ter seriamente pensado em não construí-la.  Mas era tempo de Brasil Grande… 

A boa notícia é que o prefeito Eduardo Paes e sua equipe agora partirão para demolir o elevado da Paulo de Frontin e revitalizar o Rio Comprido e a Tijuca. Seria de um propósito ainda mais nobre: devolver à região a tranquilidade que lhe foi roubada há quatro décadas.  

Escombros da Perimetral

Escombros da Perimetral

Fotos atuais by Cariocadorio (i-phone – abril 2014) ;
Foto antiga: Praça Mauá circa 1965, obtida na internet (Site Portogente, Julio A.R. Reis)

VLT na Perimetral, a solução para Rio

21 de outubro de 2013

A prefeitura do Rio de Janeiro guarda a sete chaves um anúncio bombástico para o início de novembro.  Em meio às críticas sobre as consequencias no trânsito do Centro, a Prefeitura anunciará que o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) deslizará sobre a pista da atual Perimetral.  O elevado não será derrubado, como até então previsto, mas modificado para acomodar este novo modal. O efeito arquitetônico desta mudança trará os resultados esperados para a integração da região portuária.

Carro de VLT em exposição

Em reunião fechada presenciada por uma fonte que não quer ser identificada, o Prefeito declarou estar atento às vozes das ruas.
“A Perimetral jamais deveria ter sido construída mas simplesmente derrubar uma via elevada pronta seria realmente um desperdício”. 

A utilização da estrutura da perimetral para abrigar o leito do VLT permitirá o melhor aproveitamento da avenida.  A largura de pouco mais de seis metros necessária para este modal permitirá a drástica redução do atual platô da via para automóveis.  Assim, a tão criticada obstrução entre a cidade e o mar será praticamente eliminada. 

A renomada arquiteta espanhola Arantcha Berastategui, contratada pela Prefeitura para o projeto, declarou que o tratamento paisagístico dado ao elevado da Perimetral integrará sua estrutura à cidade de forma a permitir uma transição harmônica  entre o meio físico do tecido urbano e a fuidez das águas da baia de Guanabara”.

O VLT elevado na Perimetral, além de dar um ar futurístico ao Rio de Janeiro, promete ser mais uma atração turística na Cidade.  Desde o alto da Perimetral, os passageiros  terão uma visão privilegiada da baía de Guanabara e do Centro histórico do Rio de Janeiro. 

Ligação entre Aeroportos do Rio de Janeiro com VLT

O sistema ligará os aeroportos Antonio Carlos Jobim e Santos Dumont.  Os veículos trafegarão a uma velocidade média de 56 Km/h. O percurso de 17,7 Km prevê, além dos 2 terminais nos aeroportos, mais 6 estações: Praça XV, Praça Mauá, Terminal de cruzeiros do Porto Maravilha, Francisco Bicalho (com saídas para a atual rodoviária e para o INTO) e mais duas estações na Ilha do Fundão, Cidade Universitária e CENPES. O sistema da Perimetral será integrado com os demais VLTs do Centro, com a estação das barcas e com o BRT Transcarioca.

Ilustrações: Carro de VLT (obtida na internet); Perimetral – trajeto entre aeroportos do Rio (Google mapas)

Será isto um factóide…? 

 

O guarda no meio do caminho

23 de abril de 2012

O artigo “Malditos Tachões” (aqui) pretendia chamar a atenção para os perigosos tachões que dividem as pistas seletivas de ônibus na Av. Pres. Vargas, na Av. Rio Branco e outras vias do Rio de Janeiro. Os tachões danificam a suspensão do veículo, estouram pneus, quebram rodas e derrubam motociclistas.   Os cones, invariavelmente deitados no chão, também são perigosos.

Entre carros e ônibus

Entre carros e ônibus

A ojeriza (justa, aliás) que o motorista de carros tem a motociclistas, motoboys em particular, dividiu o foco. Volto, então, ao tema para ressaltar a preocupação com o guarda de trânsito que fica no meio da avenida. Este trabalhador fica apitando, gesticulando e se desviando dos veículos que passam junto a ele, correndo alto risco de um acidente grave. Independente de alguém achar que isso melhora o tráfego, não vale a pena dar chance ao azar. 

Se acontecer uma tragédia, quem será o culpado? O motorista, o próprio guarda ou quem mandou ele ficar ali no meio da rua?  Parece óbvia a resposta. E se a decisão de ali ficar é do próprio guarda, a culpa é de quem não o orientou para não fazê-lo.

Já convivemos com lavadores de pára-brisa, pedintes, vendedores de todos os tipos, jornaleiros (veja aqui) e problemas demais nas caóticas ruas da cidade. Não precisamos que os responsáveis pelo trânsito acrescentem mais alguns. A prefeitura já anunciou a retirada dos tachões.  Que tal tirar o guarda do meio do caminho?

Fotos by cariocadorio: Av. Rio branco, abril de 2012

Malditos tachões

13 de abril de 2012

Acordou mais cedo que de costume. Inclinou-se sobre a pia do banheirinho apertado, lavou o rosto esfregando os olhos e caprichou na barba ralinha.  Sem fazer barulho vestiu o jeans ainda novo e calçou as botas baratas. Passou o café, esquentou o pãozinho de ontem e se alimentou para o dia de trabalho. Colocou a camiseta favorita e, sobre ela, a surrada jaqueta.

Beijou a esposa, muito jovem, e saiu de casa sem acordá-la.

Welliton amarrou a presilha do capacete, curtiu por um instante o barulho do motor da Honda novinha e seguiu para o Centro do Rio. Mais cuidadoso que de costume, buzininha tocando entre carros e pedestres, Welliton ziguezagueou pelas ruas do Rio de Janeiro em sua rotina de motoboy.  Concluiu feliz suas tarefas.

Uma chuvinha fina caiu sobre a cidade no fim do dia. Com a capa de plástico Welliton pegou o caminho de casa.  De repente o ônibus raspou no cone de tráfego e o jogou na sua frente. Com uma rápida guinada, desviou do obstáculo mas a roda resvalou num tachão.  Enquanto sentia a moto escapar debaixo de si ainda pensou:

“Malditos tachões”!

Nada mais a fazer.  A moto tombou e deslizou na direção do guardinha que, insanamente, controlava o tráfego no meio da avenida movimentada.

Do asfalto, após seu corpo quicar várias vezes sobre os tachões, Welliton viu pessoas correndo em sua direção. Viu o guarda caído mais adiante. Em vão tentou se mexer. A vista foi ficando turva e as forças lentamente abandonando seu corpo.

Amanhã a jovem esposa do motoboy acompanhará o marido pela última vez.  No seu ventre, o sonho do casal ainda não sabe que nascerá sem o pai.

Menos mal para o controlador de tráfego que em seis meses poderá voltar ao trabalho.  Esperemos que nunca mais para o meio do trânsito pesado da Av. Rio Branco.

Fotos by Cariocadorio.

Obras e desordens do porto maravilha

25 de fevereiro de 2012

São formidáveis as modificações na zona portuária.  A Av. Venezuela está sendo urbanizada e o tratamento das calçadas parece ser muito bom.  Preocupa-me ver uma avenida sendo estreitada mas é preciso dar força para o transporte coletivo.  Veremos como ficarão os VLTs da região.   Estou torcendo para que fique mesmo uma maravilha. Até aí tudo bem.

Rua Sacadura Cabral

O que incomoda é o sofrimento imposto aos que trabalham na região há mais de ano. Desde a Av. Rodrigues Alves sofremos com uma pavimentação de destruir até Jipe do exército. O recapeamento inacabado da própria Av. Venezuela deixa tampa de bueiros a 20 cm do piso.
A rua Sacadura Cabral é um caso a parte. Virou terra de ninguém.  Uma grande cratera foi aberta em sua extensão. Por um lado é interessante ver reforços de antigas construções do cais no subsolo exposto.  As obras são necessárias e os transtornos inevitáveis.  Mas a bagunça generalizada é uma vergonha.  

Sacadura Cabral x Praça Mauá - Estacionamento

Em volta os mais espertos aproveitaram para fazer um grande estacionamento no meio das obras.   Os que precisam transitar por ali chegam a perder 20 minutos só para sair ou entrar na Sacadura Cabral.   

Av. Venezuela x Praça Mauá

A desordem total não fica por aí. Mendigos já de muito tempo fixaram residência na Av. Venezuela junto à Praça Mauá. 

Enquanto isso, o poder público só se faz presente nas placas enquanto o caos na região da Praça aumenta a cada dia. 
A Concessionária Porto Novo deixa o seu lixo por dias na rua.

A Prefeitura está usando a tática de colocar “o bode na sala” durante as obras.  Tornam a vida do cidadão um inferno para, quando “tirarem o bode”, a sala realmente parecer uma maravilha. 

Só como piada!

 Fotos by Cariocadorio, fevereiro de 2012

A tragédia nossa de cada dia

5 de fevereiro de 2012

Parte I:
Não é necessário pesquisar muito para lembrar de vários desastres recentes na cidade.  Para citar alguns, não faz muito tempo caiu um pequeno prédio no Catumbi;  uma explosão destruiu um restaurante no Centro;  o prédio semi abandonado do hospital do Fundão teve que ser implodido antes que caísse também.  No dia 30/01 um operário morreu e outros ficaram feridos em uma explosão no porto porque as redes fluviais estavam contaminadas com óleo. Por toda a cidade explodem bueiros por haver gás nas galerias do sub-solo. E não estamos nem falando de desgraças causadas por enchentes.

Assim, o desabamento do edifício Liberdade e de dois prédios vizinhos não chega a ser uma surpresa.  O Rio de Janeiro está sempre prestes a ser abalado por desastres de todos os tipos.  Como chegamos a este ponto? 

Falta seriedade antes, durante e depois destas catástrofes.  Logo após o recente desastre, alguém do governo saiu com a idéia de que precisamos de um “laudo” para todos os edifícios. Ele não lembra que o parque de diversões onde morreu uma jovem quando o brinquedo voou pelos ares também tinha um “laudo”. Segundo o site  ig, o CREA antecipou que a culpa deve ser das obras atuais no prédio.  Jornalistas, cidadãos e blogueiros podem “achar” a vontade mas o Conselho Regional de Engenharia deveria investigar seriamente primeiro e achar depois.

Metro na Av. Treze de Maio, 1975

Grandes acidentes geralmente acontecem em função de uma sequência de eventos, não por uma única causa. Portanto, se perguntarmos se a causa foi o abalo causado pelo buraco do metrô nos anos 70, a reforma do terceiro andar, a abertura de janelas na empena do prédio, o acréscimo de andares após a construção original ou o excesso de entulho no nono andar, a resposta provavelmente será que tudo isso contribuiu para a tragédia.
E em cada uma dessas fases haverá pitadas de irresponsabilidade, negligência e incompetência de proprietários, administradores, profissionais e autoridades. 

Alterações e obras (site ig)

Mas em última análise a culpa é da forma como nós, brasileiros, lidamos com assuntos sérios. De como escrevemos leis e as aplicamos.  De como fiscalizamos o cumprimento destas leis. De como apuramos responsabilidades e punimos culpados.  De como nosso legislativo é inoperante para o que realmente importa, de como nosso executivo não impõe a ordem e de como nosso judiciário faz de tudo para não concluir coisa alguma.

Parte II:
Caminhando pelo Centro quarta-feira passada, passei pela rua Treze de Maio e vi a operação final da remoção dos escombros dos edifícios no enorme vazio deixado no local. 

Vazio dos edifícios na 13 de maio

Teatro Municipal

Logo a seguir, observei o contraste da desolação com o Teatro Municipal, belíssimo, ainda com o frescor da recente reforma. Se este prédio centenário tivesse sido afetado, o prejuizo seria incalculável para o patrimônio cultural da cidade.

O pior é concluir que tivemos sorte nestas catástrofes.  Porque se ocorressem um pouco mais tarde, no caso da explosão no restaurante, ou um pouco mais cedo, no caso do Edifício Liberdade, estaríamos contando às centenas o número de perdas de vidas  humanas e de famílias atingidas. 

Mais adiante me deparei com a Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Não dá pra ver o Palácio Pedro Ernesto sem relacionar os que o freqüentam com a nossa rotina de desgraças.

Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro

Mas há coisas mais importantes para nos preocuparmos porque o verão continua, o Porto ficará Maravilha, a Copa e as Olimpíadas vem aí e, afinal, logo teremos eleições… 

Fotos: Tragédia, Vazio dos edifícios da Treze de maio, Teatro Municipal e Câmara dos Vereadores ( Fevereiro de 2012), by Cariocaodorio. Metro, av. Treze de maio, by Paulo Moreira (fevereiro de 1975) – obtida no site Rio de Histórias, de Rômulo Lima – e  Desabamento no Rio de Janerio arte by site ig (Fevereiro de 2012).

Rio Reveillon 2012: não há vagas

29 de dezembro de 2011

A celebração da passagem de ano é também chamada réveillon, termo oriundo do verbo francês réveiller, que em português significa “despertar”.

Pois bem, o Rio de Janeiro vai despertar em 2012 com menos vagas que em 2011.  Esta foi uma das medidas que a Prefeitura tomou para melhorar o trânsito em Copacabana.  Em datas como o Reveillon talvez não haja outra saída.

Mas o problema de estacionamento no Rio não se limita aos dias de festas.  É uma constante.    Tente ir à praia ou  jantar num restaurante de Botafogo mesmo numa terça-feira . Qualquer programa esbarra na dificuldade para estacionar.   A situação é muito pior para as pessoas que dependem do carro para se deslocar a trabalho diariamente.  Metro e ônibus não suprem as necessidades e táxis são muito caros.

Obviamente, o transporte coletivo tem que ser a prioridade. Mas isto não deve significar impedir a circulação dos carros na cidade. Um transporte coletivo eficiente, abrangente e seguro está longe de ser uma realidade.   Mesmo que o tenhamos algum dia, haverá situações onde o transporte individual será necessário.  Os BRTs, BRSs  (malditas siglas em inglês), VLTs eoutras medidas favorecerão certos bairros mas não são suficientes.  

É preciso aumentar o número de vagas disponíveis. A saída são  estacionamentos subterrâneos. Junto com estes, ou até mesmo antes destes, passagens subterrâneas para melhorar o fluxo de veículos, como em outras  grandes cidades.  Nos bairros estes estacionamentos devem beneficiar primeiro aos moradores, que teriam prioridade em adquirir ou alugar as vagas.  

O que não é inteligente é construir um estacionamento sem as respectivas passagens subterrâneas como foi feito na Av. Pres. Antonio Carlos, por exemplo.  Seria óbvio fazer a passagem subterrânea no cruzamento desta com a Alm. Barroso e Pres. Wilson.  Algo semelhante poderia ser feito no cruzamento da Rio Branco com a Pres. Vargas. 

Acesso ao estacionamento: Pres. Antônio Carlos x Alm. Barroso

Os grandes vilões do trânsito e da ordem são os estacionamentos irregulares que infestam o centro da cidade tornando intransitáveis ruas como São Bento, Acre e outras na região.  O mesmo se aplica a Copacabana, Ipanema e qualquer bairro onde os flanelinhas e agora os “Valets” se apossaram das ruas.

Construir estacionamentos associados a passagens subterrâneas e coibir  abusos permitiria ordenar o trânsito, servir ao cidadão e, junto com um razoável sistema de transporte coletivo, dar uma cara de primeiro mundo ao Rio de Janeiro. 

Foto obtida no site skyscrapercity.com.

VLT elevado na Perimetral

21 de dezembro de 2011

A prefeitura do Rio de Janeiro  anunciou que o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), inicialmente projetado para a superfície da Av. Rodrigues Alves, deslizará sobre a pista elevada da atual Perimetral.

Carro de VLT em exposição

O Prefeito declarou não se conformar em derrubar a Perimetral. “ A Perimetral jamais deveria ter sido construída mas simplesmente derrubar uma via elevada pronta seria um desperdício inaceitável”. 

A utilização da estrutura da perimetral para abrigar o leito do VLT permitirá o melhor aproveitamento da avenidas.  A largura de pouco mais de seis metros necessária para este modal permitirá a drástica redução do atual platô da via para automóveis.  Assim, a tão criticada obstrução que a via representa entre a cidade e o mar será praticamente eliminada. 

Segundo a arquiteta espanhola Arantcha Berastategui, contratada pela Prefeitura para o projeto,  “o tratamento paisagístico dado ao elevado da Perimetral integrará a estrutura à cidade de forma a permitir uma transição harmônica  entre o meio físico do tecido urbano e a fuidez das águas da baia de Guanabara”.

O VLT elevado na Perimetral, além de dar um ar futurístico ao Rio de Janeiro, promete ser mais uma atração turística na Cidade.  Desde o alto da Perimetral, os passageiros  terão uma visão privilegiada da baía de Guanabara e do Centro histórico do Rio de Janeiro. 

Ligação entre Aeroportos do Rio de Janeiro com VLT

O sistema ligará os aeroportos Antonio Carlos Jobim e Santos Dumont.  Os veículos trafegarão a uma velocidade média de 56 Km/h. O percurso de 17,7 Km prevê, além dos 2 terminais nos aeroportos, mais 6 estações: Praça XV, Praça Mauá, Terminal de cruzeiros do Porto Maravilha, Francisco Bicalho (com saídas para a atual rodoviária e para o INTO) e mais duas estações na Ilha do Fundão, Cidade Universitária e CENPES. O sistema da Perimetral será integrado com os demais VLT do Centro,com a estação das barcas e com o BRT Transcarioca.

Nota 1:  este artigo é apenas um factóide lançado por este blog, inconformado com os gastos com a derrubada da Perimetral.  Mas bem que poderia ser verdadeiro pelo bem do Rio de Janeiro. 
Nota 2: qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido mera coincidência.

Ilustrações: Carro de VLT (obtida na internet); trajeto entre aeroportos do Rio (Google mapas)

APO, CPO, RDC e a gastança olímpica

26 de junho de 2011

Quando anunciaram o nome de Henrique Meireles para ser o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), senti aquela vã esperança de que a gastança olímpica poderia ser controlada.  Esta semana a presidente Dilma indicou o ex-ministro das Cidades para ser o responsável pela APO.  Diferente da austeridade do ex-presidente do Banco Central, Marcio Fortes é apenas um político cuja participação no governo Lula resumiu-se a ocupar um cargo político. 

Márcio Fortes

Suas primeiras declarações dão bem conta do que ele entende da posição que vai exercer.

“Tem um negócio que ninguém fala. As perguntas são sempre sobre obras. Eu quero ganhar as medalhas. O Brasil está se preparando pra isso também. Eu vejo uma oportunidade de a gente se afirmar no esporte. Vamos ganhar o máximo de medalhas. Estamos esquecendo disso. O objetivo da olimpíada qual é? A vitória. Claro que pelo espírito olímpico o importante é participar. Mas é muito melhor participar vencendo.”

Vamos e venhamos, isto nada tem a haver com a sua responsabilidade na APO que é controlar recursos e cronogramas físico e financeiro das obras.  Além disso, Fortes teria dito que “o Rio de Janeiro tem uma experiência muito boa quanto à realização dos eventos esportivos. Os Jogos Pan-Americanos não foram uma prévia das Olimpíadas? E qual foi a avaliação desse evento? O melhor Pan-Americano que já houve.”

Isso demonstra que o ex-Ministro das Cidades não tem a menor idéia do que foram os malditos Pan-Americanos para o Rio de Janeiro.  Não sobrou nada que prestasse para a cidade e a utilização política dos ingressos para os eventos foi uma vergonha digna da administração do Pan e desta cidade, nas mãos de Cesar Maia na época.  Só o Maracanã está sendo totalmente reformado para a Copa de 2014 ao custo de R$1 bilhão após ter sido, por duas vezes, reformado nos governos Garotinho e Garotinha para os tais Pan-Americanos.

É bem verdade que Fortes também declarou que seguirá com cuidado o cronograma das obras e rechaçou as comparações com a organização da Copa do Mundo de 2014, que preocupa pelas reiteradas demoras.

A APO estará subordinada a outro novo órgão público, o Conselho Público Olímpico (CPO). Henrique Meireles foi indicado por Dilma para ser o representante da União neste órgão. Junto com ele o governador do estado e o prefeito do Rio de Janeiro.  Os arranjos políticos mais uma vez venceram a austeridade gerencial da Presidente.  

O CPO é mais um órgão público para gastar dinheiro do nosso bolso com um sem número de empregos para acomodar indicações políticas. Não creio que Meireles tenha a menor chance de exercer sua capacidade técnica e administrativa neste meio.  É provável que saia do circuito muito antes de 2016.

Assim como já está claro que o mau uso do dinheiro público (leia-se “roubalheira”) será a tônica da organização da Copa do Mundo de 2014, são poucas as esperanças de uma Olimpíada no Rio de Janeiro que não nos leve à falência.  

Como se isso fosse pouco, o governo põe em campo suas novas damas (Ideli Salvatti e Gleise Hoffmann) para manter o Regime Diferenciado de Contratações (RDC), aprovado na Câmara, que determina o sigilo de orçamentos para obras da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.  Se com o sistema de licitações transparentes acontecem as maiores falcatruas imagina a farra que será este sigiloso RDC.   

Pelo Brasil afora vamos continuar vendo bilhões gastos com estádios super faturados que servirão para manter os mesmos que há tanto tempo controlam o mercado do futebol no Brasil.

Posso debulhar lágrimas de tristeza ou de raiva sobre o teclado mas isto não fará a menor diferença .  Colocar este texto na rede tampouco ajudará a resolver o problema.  Talvez algumas gerações adiante se a propaganda da coca-cola estiver certa…

Fontes: reportagem de Claudia Andrade no Terra.com e do Globo.com de 21 de junho de 2011.  Fotos obtidas na internet.