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Saúde, qualidade total e “compliance”

3 de agosto de 2018

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O Dr. Júlio analisou minuciosamente os resultados do check-up anual e examinou seu paciente com a tranquilidade habitual.  Marcello Senna já conhecia o discurso que viria a seguir. Desta vez, porém, o seu médico e amigo foi mais longe.

Percentual de gordura, peso, colesterol e outros indicadores haviam progredido de mais-ou-menos-meio-ruim para desastre-total em poucos anos.

Por mais de uma hora o Julinho doutrinou seu paciente com conceitos de medicina, estatística, mecânica dos fluidos e o escambal. Explicou que pessoas com percentual de gordura mais alto têm mais probabilidade de fazer derrames, infartos e outras doenças cardio vasculares.  Pior, também morrem mais cedo por conta de outras doenças que nada têm a ver com isso.  Questão de estatística.  Concluindo disse que se ele tiver mais uns cinco a dez anos isto não seria problema. Mas se tiver que ir além…?

Pela primeira vez Marcello Senna pareceu dar importância ao assunto.  Como havia chegado a tal ponto?

Lembrou daquela baboseira que aprendeu no Crosby College em Chicago, nos anos 90. Qualidade total era a moda depois da re-engenharia. Seriam mapeados os processos, analisadas as interfaces e eliminadas as ineficiências. Prometiam que sobraria mais tempo para o lazer, a família e a saúde.
Bullshit, como se diz por lá.

Mais rápido que melhorar processos, cortaram cabeças.  Logo vieram os e-mails, smartphones, aplicativos e outros truques de faça-você-mesmo para facilitar a vida que só fazem consumir mais tempo ainda.

Havia, porém, uma máxima do guru Philip Crosby que Marcello acha incontestavelmente válida pra qualquer coisa na vida.

“Insanidade é continuar fazendo tudo como antes e achar que o próximo resultado será diferente”.

Com a ajuda do Crosby, o Dr. Julinho finalmente o convenceu a tomar uma atitude.  A hora é agora. Qualidade total, de vida! Marcello Senna prometeu ao seu querido médico que entraria para uma academia e faria exercícios três vezes por semana.  Claro, isso tão logo consiga implementar todos os novos requisitos de “compliance” da empresa. Tem auditoria desse troço até o fim do ano.

Foto: “Hermes Trimegistus” capturada na internet.

O trabalho e a qualidade de vida

18 de abril de 2013

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O Dr. Júlio analisou minuciosamente os resultados do check-up anual e examinou seu paciente com a tranquilidade habitual.  Marcello Senna já conhecia o discurso que viria a seguir. Desta vez, porém, o seu médico e amigo foi mais longe.

Percentual de gordura, peso, colesterol e outros indicadores haviam progredido de mais-ou-menos-meio-ruim para desastre-total em poucos anos.

Por mais de uma hora o Julinho doutrinou seu paciente com conceitos de medicina, estatística, mecânica dos fluidos e o escambal. Explicou que pessoas com percentual de gordura mais alto têm mais probabilidade de fazer derrames, infartos e outras doenças cardio vasculares.  Pior, também morrem mais cedo por conta de outras doenças que nada têm a ver com isso.  Questão de estatística.  Concluindo disse que se ele tiver mais uns cinco a dez anos isto não seria problema. Mas se tiver que ir além…?

Pela primeira vez Marcello Senna pareceu dar importância ao assunto.  Como havia chegado a tal ponto?

Lembrou daquela baboseira de qualidade total que aprendeu no Crosby College em Chicago nos anos 90. Era a moda pós re-engenharia. Seriam mapeados os processos, analisadas as interfaces e eliminadas as ineficiências. Prometiam sobrar mais tempo para o lazer, a família e a saúde.
Bullshit, como se diz por lá.

De fato, eliminaram ineficiências porém mais rápido ainda diminuiram o “headcount”. Logo vieram os e-mails, smartphones, aplicativos e outros truques de “faça você mesmo” para facilitar a vida que só fazem consumir mais tempo ainda.

Havia, porém, duas máximas do guru Philip Crosby que Marcello considerava verdades incontestáveis.

  • “Insanidade é continuar fazendo tudo como antes e achar que o próximo resultado será diferente”.
  • “Pode ser tarde demais para mudar depois que aconteça alguma coisa grave”.  

Com a ajuda do Crosby, o Dr. Julinho finalmente o convenceu a tomar uma atitude.  A hora é agora. Qualidade total, de vida! Marcello Senna prometeu ao seu querido médico que entraria para uma academia e que faria exercícios três vezes por semana.  Claro, tão logo consiga implementar todos os novos requisitos de “compliance”. Tem auditoria desse troço até o fim do ano.

Foto: “Hermes Trimegistus” capturada na internet.

O Chevrolet 37

6 de março de 2010

O Chevrolet 37 em Ibicuí

Não foram poucas as vezes que o Chevrolet 37 do tio José esteve em Ibicuí.  Para chegar lá tinha que seguir pela RJ 14 e enfrentar a estrada de terra quase sempre em péssimas condições.  O Chevrolet foi parceiro do Studebaker que apareceu no Dia de Festa e depois do DKW Vemag do meu avô.  A última vez que o vi, pelos idos de setenta e pouco, já estava curtindo um merecido descanso na oficina do meu tio.  

A modelo  que nos ajuda a apresentar o Chevrolet nesta foto de 195inquenta e pouco é minha tia.  Por favor, nada de assanhamento.   

Ibicuí é uma cidade do litoral do Rio de Janeiro que fica próximo a Mangaratiba.  Tem uma praia ótima de águas tranquilas. A família tinha esta casa cujo portão (azul), calçada e janelas são vistos à direita das fotos. 

Um Azera em Ibicuí

Aliás, a casa é uma das poucas coisas que quase não mudaram em Ibicuí.  Às vezes passo por perto e vou até lá para ver como é hoje e pensar em um ontem de tanto tempo, tão repleto de lembranças boas e momentos felizes.  Eu só peguei o finalzinho daquela  festa que durou mais de 15 anos. Sem essa de “naquele tempo que era bom”,  quero apenas reconhecer o passado mas sem desmerecer o presente.   

Por outro lado, acho que não há dúvida que as coisas dificilmente mudam pra melhor em termos de qualidade de vida que as cidades nos oferecem .  Comparem o cenário de uma foto com o da outra.  Quase não havia casas na rua.  E o carro?  O Azera é moderno mas não tem o menor charme quando comparado com o Chevrolet 37.  Curiosidade: o poste baixinho à esquerda, onde a rua fica mais estreita,  parece ser o mesmo daquele tempo. 

O Cariocadorio voltará muitas vezes a Ibicuí. 

Fotos: O Chevrolet 37 em Ibicuí (cerca de 1955, acervo pessoal Cariocadorio, proibido a reprodução sem autorização prévia); Um Azera em Ibicuí (Fevereiro de 2010, by Ademir/Cariocadorio)