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A mulher e suas razões irracionais

20 de agosto de 2012

“Você vai pensar em mim todos os dias?”, perguntou Marilda Helena, languidamente, com a boca molhada pelos beijos do amado.

“Não sei”, respondeu Gabriel, de pronto.

“Como assim, não sabe?”

“Não sei, eu nunca pensei no assunto… Não posso afirmar uma coisa que não tenho certeza.”

Atordoada, Marilda Helena não disse mais nada. Mesmo à distância pensava nele todos os dias, várias vezes por dia. Como ele pode ser tão insensível? 

Partiu naquela noite com a incerteza a martirizá-la. Ficaria longe do amor de sua vida por quinze dias e ele nem pensaria nela.  Ela era mesmo uma idiota.  Além de pensar nele todos os dias fizera a besteira de confessar.  Pior ainda foi perguntar se ele sentia o mesmo.  Apenas para ele, triunfante, responder “não sei”.  Aquele mesmo “não sei” que torturava sua mente. Se ao menos não tivesse perguntado…

Na escala no Panamá, já concluíra que ele havia perdido o interesse por ela. Talvez nunca tivesse existido amor.  Talvez um interesse passageiro, um desejo que o tempo havia se encarregado de arrefecer. Como pode pensar que este marido seria diferente dos seus três primeiros? Como pode ter sido tão idiota ao acreditar que aquilo sim, afinal,  era um amor verdadeiro?

Quando o avião pousou em Nova York, já tinha preparado o troco. Ele ia pensar nela sim, todos os dias, várias vezes por dia. Desta vez não ia telefonar, nem enviar e-mail, nem pombo correio, nada. Queria ver se depois de uma semana sem notícias ele ia continuar sem pensar nela. A menos, é claro…
“Ai meu Deus, que diferença fará se ele não me ama mais?”   

Ao chegar ao hotel, já tinha certeza: o amor havia acabado!  Gabriel continuava com ela por hábito, conformismo, talvez até mesmo pena… Sentiu que sua vida acabaria com o fim daquele amor. Como viver sem ouvir “oi, querida”, “eu te amo tanto” e tantas outras coisas que aqueciam a sua alma?  

Mudou de planos.  Sim, cortaria os pulsos. O remorso o faria pensar nela todos os dias.  E sofrer todos os dias. Não, cortar os pulsos seria pouco. Precisava ser mais traumática.  Decidida, dirigiu-se à janela do sofisticado hotel no coração da grande maçã. Assim seria mais fácil acabar com aquele sofrimento.  Aos prantos, Marilda Helena, abriu a janela e viu a cidade lá embaixo. Tudo parecia pequeno e desfocado, a vista anuviada pela torrente de lágrimas.  De repente começou a reconhecer alguns luminosos. Prada, Armani, Versace…
“Pensando bem, a vingança pode ficar pr’amanhã”, pensou. 

Munida de bolsa, casaco e cartões de crédito, a mão na maçaneta, pronta para sair, toca o telefone.  Com seu sofisticado sotaque britânico, forjado durante o doutorado na Bristol School of Sociology, ela atendeu:
“Hello?”.

“Oi, meu amor.  Liguei para te dizer que refleti, anotei cada vez que sua imagem vinha à minha mente e cheguei à conclusão que sim: eu penso em você todos os dias, em média umas duas vezes e meia”, disse com a voz dulcíssima, um apaixonado Gabriel.

Marilda Helena, mais feliz do que nunca e sem forças para responder, pensou:
“Meu Deus, e eu jurei que não casaria de novo com um engenheiro?”

L’Ermitage

16 de janeiro de 2010

Quando eu comecei a utilizar termos como cultura corporativa, treinamento de pessoal, “service delivery” e o escambau, senti que estava no caminho errado.  O título deste artigo acabaria sendo algo do tipo “A  transcendência da interação  colaborador/cliente no sucesso qualitativo das empresas prestadoras de serviço nas áreas de saúde e estética”.  Então simplifiquei o título e resolvi começar de novo.

Piscina no Spa L'Ermitage

Atualmente é comum empresas chamarem  empregado de colaborador e cliente de parceiro.  As que mais fazem propaganda destes termos são as que mais acham que empregado é um mal necessário e parceiro não passa de freguês mesmo.  Gastam fortunas com treinamento de pessoal e muitas vezes o processo não é bem sucedido porque na verdade a direção não “walk the talk” (lá vou eu de novo).  Na primeira virada da maré vai um monte de colaborador pra rua.

Nota-se a diferença quando se tem um serviço prestado com a devida atenção e profissionalismo. Não porque isto foi “ensinado” mas porque esse tipo de atitude esta impregnada na própria estrutura operacional da empresa e, muito mais do que isso, no caráter e na sensibilidade das pessoas que diretamente prestam o serviço. 

Arara simpática...mas deixa o dedo longe

Vivi esta experiência todas as vezes que fui ao Spa L’Ermitage.  Da pessoa que atende o telefone no primeiro contato ao porteiro que dá tchau na hora de ir embora, todos são atenciosos por princípio.  Seja no refeitório, na secretaria, nas sessões de ginástica, nas salas de massagem e estética, enfim, todas as atividades são conduzidas de forma simples e profissional com o mesmo clima, a mesma atenção e um sorriso sincero nos lábios. 

Muitos procuram o L’Ermitage para resolver um problema de saúde, às vezes até mais mental do que física propriamente dita.  E os empregados sabem escutar, sabem entender personalidades diferentes e cuidar de todos com a devida atenção.  Como em qualquer lugar, os clientes têm críticas a alguns aspectos do spa mas a simpatia e a qualidade do pessoal que trabalha no L’Ermitage são uma unanimidade.  Por isso é comum encontrar pessoas que vão ali com freqüência, muitas delas há mais de 20 anos.

L'Ermitage

Empresas não conseguem este tipo de atitude dos empregados apenas com programas, salas de treinamento ou quadros de avisos.  As pessoas têm que ser selecionadas considerando a importância dessa característica da personalidade e mantendo um ambiente que honestamente permita que elas exerçam esta característica.  Gostar de gente.

Em um mundo complicado e de permanente atrito entre as pessoas, quem não gosta de estar em um ambiente tranqüilo onde as pessoas lhe dêem atenção e lhe tratem bem?   A empresa que logra fazê-lo terá, certamente, a fidelidade deste cliente e manterá uma real vantagem competitiva no mercado (opa! …desculpe a recaída no final).

Estação de trem de Werneck

O Spa L’Ermitage fica em Werneck, distrito de Paraíba do Sul, RJ.  Um lugar pequeno onde tem uma fábrica de doces formidável pra quem passou uma semana no spa.

Nota: O autor não tem relação alguma com o Spa L’Ermitage, exceto ser frequentador do mesmo.

Fotos by Cariocadorio: Piscina do L’Ermitage (Janeiro 2007); Arara (Janeiro 2007); L’Ermitage (Janeiro 2007)Estação de Werneck (Janeiro 2010)