Posts Tagged ‘religião’

A chegada do Papa Francisco

21 de julho de 2013

1a comunhao Abel
Uma das mais importantes missões do Papa Francisco em sua visita ao país é trazer a religião católica de volta aos lares brasileiros. Durante muito tempo a religião católica reinou absoluta por aqui, transformando o Brasil dos anos 70 no maior país católico do mundo, como gostava de bradar o ufanismo nacional da época. Protestantes, judeus, espíritas e religiões africanas dividiam o restante da população. 

Não sei qual era o percentual de católicos no Brasil quando meu avô Abel fez a primeira comunhão na igreja do Brás em São Paulo, como mostra este documento de 23 de dezembro de 1900.

Entre 94 e 2013 este percentual caiu de 75 para 57% da população segundo pesquisas recentes. Longe de mim querer explicar as razões do abandono que vivem hoje as igrejas católicas enquanto se multiplicam as seitas ditas evangélicas lotando seus tempos. Mas uma coisa está muito clara. A igreja deixou de ir onde o povo está, abrindo caminho para aqueles que perceberam o espaço para pregar a palavra de Deus.  Há muitos aproveitadores neste meio mas também tem gente séria.  Mesmo porque a igreja católica de santa tem muito pouco.

Felizmente, a fé em Deus está muito acima das igrejas dos homens. A fé que nos faz respeitar e cuidar do próximo e ajuda a criar um mundo melhor para todos.  

Que o Papa Francisco traga bom senso ao Vaticano e ao Brasil,  e muito amor ao coração dos homens, independente de suas crenças religiosas.

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A iraquização do Brasil

29 de junho de 2013

130628 tomorrow bel t meSucedeu em um Cabaret, pouco antes da metade do século passado. Enquanto um grupo de jovens nacionalistas cantava tomorrow belongs to me,no idioma de Beckenbauer, um velho pensava quietinho com os seus botões:
“Essa porra não vai dar certo”, no mesmo idioma. 
Deu no que deu. A coisa foi tão feia que o velho nem teve coragem de dizer:
“Habe Ich nicht gesprochen?”

Dá pra ficar preocupado quando a gente observa recentes escolhas tupiniquins.
Diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és.
Optamos por fazer amizade com uns tipos que têm futuro mais do que incerto. Como se não bastasse, estão mais para amigos da onça, pois só fazem nos passar a perna. Sobretaxam nossos produtos, dão calote, tomam nossas empresas, são parceiros em refinarias mas só nós que botamos dinheiro…
Que vantagem o Brasil leva com isso? 

O pior é que nos servem de exemplo.  O Executivo sonha com a argentinização do Brasil, doido para acabar com a liberdade de imprensa e com quem possa investigar suas ações.  

São também vários os seguidores bolivarianos, por quem nossa política externa nutre simpatias explícitas. O mensalão foi uma ótima ideia para a tão almejada venezuelização do país. E hoje, será que o racha maniqueista pobre x rico, bem x mal, não é interessante para um governo questionado nas ruas?

E tá rolando uma PEC que faz a 37 ruborizar. A PEC 99/11 está a dois passos do paraíso. Ela dá a entidades religiosas o direito de propor ação direta de inconstitucionalidade ou de constitucionalidade ao Supremo (STF). Se a proposta de mexer no status de estado laico deste grande país ganhar no tapetão, estaremos acelerando a iranização do Brasil.
Vai ser ótimo para quem acha legal apedrejar adúlteras.  Que tal?

130628 mesopotamia0Ao mesmo tempo em que se tenta impedir o preconceito por decreto, vivemos um momento de intolerância e radicalização pouco comuns. Basta lembrar do Newton, aquele da maçã, para perceber o risco que corremos de viver para ver a mesopotamização do Brasil, com consequências de dimensões iraquianas.

Cada um quer um pedaço de tomorrow pra chamar de seu, sem fazer questão de uma ideologia para viver. Este cenário tem uma coisa que remete ao tal Cabaret: o pensamento do velho bávaro. 
“Essa porra não vai dar certo”, em bom brasileiro.  

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Fotos: partitura de “Tomorrow Belongs to me” site http://www.sheetmusicplus.com/look_inside/19410442
Para ver a cena de Cabaret  e ouvir a música clique aqui.
Mesopotamia, foto obtida na internet

2 de janeiro de 2010

A escolha de uma casa depende do que precisamos dela mas também de algo inexplicável que nos leva a gostar mais de uma que da outra.  Seria o astral, a energia da casa que faz a gente dizer: é essa… Aquela casa na serra tinha essa energia e esse astral e, mais do que por qualquer outra coisa, foi por isso que a escolhemos. 

Naquela tarde de sábado que recebemos a casa tocou o telefone:  era a proprietária de quem nos despedimos horas antes.  Perguntava se éramos católicos e respondi que sim sem entender bem a pergunta.  Explicou que havia levado a imagem da santa e queria devolvê-la por entender que era mais da casa do que dela mesma.  Agradeci e ofereci buscá-la durante a semana no Rio.  Ela insistiu em devolvê-la no dia seguinte e subiu a serra exclusivamente para isso:  a casa já ficou muito tempo sem a proteção da santa.    Não havia dúvidas no gesto. Fiquei profundamente sensibilizado por essa convicção que não alcanço nesta minha fé pontilhada mais por descrenças do que crenças.  

Frequentemente olho para a imagem da santa com carinho.  Neste início de 2010, olhei-a ainda mais de perto e rezei pelas vítimas da tragédia de Angra dos Reis e Ilha Grande.  Pelos que se foram e pelo sem número de pessoas que sofrerão suas  perdas. 

Que o ano prossiga sem mais desgraças e que todos passam ter paz e felicidade em 2010, dando o devido valor ao que realmente merece.

Foto:  A Santa (by Cariocadorio, 02/01/2010)