Posts Tagged ‘respeito’

O Cinto de Segurança e o Futuro do Brasil

21 de maio de 2017

Entrar no carro e colocar o cinto de segurança é quase automático.

Mas não foi sempre assim. Só em 1994 o cinto passou a ser obrigatório no Brasil.  Apesar de sua capacidade de salvar vidas, somente após muita propaganda e, principalmente, multas para infratores, o cinto passou a ser efetivamente usado. Hoje a maioria se sente nu sem ele no carro. Já está no DNA, os jovens nem sabem o que é não usar.

Não nascemos sabendo viver em harmonia, respeitando leis e os demais.  É preciso educar e disciplinar.  E isto não se faz com excesso de bondade e tolerância. É preciso punir, rigorosamente se necessário, por um bem maior.

Minha esperança, minha ambição, é que a história recente do cinto de segurança se repita em Brasília.  Para isso será necessário tolerância zero com o inaceitável, punições exemplares aos que cometem estes crimes que se traduzem na falência moral da sociedade brasileira e nos enchem de vergonha.

Um dia alguma geração de brasileiros fará o correto simplesmente porque é assim que se fazem as coisas.

Palácio do Planalto

Foto by Cariocadorio; Braília, 2016

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Manifestação, liberdade e trabalho

28 de março de 2014

Olhem bem pra mim… Estou com roupas escuras, uma blusa enrolada no rosto e uma mochila nas costas.
Isto é uma manifestação!

Fecho a Av. Rio Branco e agora todos terão que me ouvir.  Caminho entre o lixo dos garis entoando palavras de ordem e faço calar os que são contra e a favor da Copa do Mundo da FIFA.   Destruo carros alegóricos, venço  black blocks, garotinhos, o sindicato dos rodoviários e dos produtores de ovo de codorna de Cachoeiro de Macacu que disputam a avenida comigo.

Não tenho culpa se meu pai começou aos 13 anos e só se aposentou aos 70.  Se minha mãe esfregava panelas até o último fio do Bom Brill.  Se me obrigaram a estudar mais do que eu tinha vontade e acabei no Pedro II.  Se me meti em más companhias, estes malditos caras que entraram pra faculdade.  Se não consegui me livrar deste jugo familiar e segui o exemplo do meu irmão.   O coitado também cresceu neste meio, não teve escolha.

Não tenho culpa se a política me dá náuseas, se não sei ultrapassar pelo acostamento, se não sei ser meio-honesto, se acho que lei tem que ser cumprida e outras besteiras do gênero.  Eu só conheço um caminho para viver em sociedade: trabalho e respeito ao próximo.  E não vou pedir perdão por isso. Posso ser todo errado mas sou brasileiro e tenho os meus direitos.

Com todo respeito a São Jorge e Zumbi, desafio vereadores a acabarem com os neo-feriados do Rio de Janeiro. Fecho a Rio Branco contra as sextas-feiras de carnaval antes que elas comecem nas quintas;  contra os feriados da Copa da FIFA que paralisarão a cidade; contra os meia-dúzia de gatos pingados que a cada dia vão às ruas do Rio em causa própria privando milhares do seu direito de ir e vir.

Pela liberdade de protestar.
Fecho a Av. Rio Branco pelo direito de trabalhar.

Bem-vindo ao caos carioca

21 de dezembro de 2013
Turistas puxando malas na Rio Branco

Turistas puxando malas na Rio Branco

De repente tinha um monte de gente atravessando a rua sob o que ainda resta da Perimetral. Na Praça Mauá e seus arredores, turistas desembarcados dos luxuosos cruzeiros sentiam um choque de realidade.   Rapidamente se espalharam pelas calçadas do início da Av. Rio Branco.   Carregando malas e bagagens caçavam taxis que os levassem ao seu destino na Cidade Maravilhosa. Na praça havia uma fila organizada mas os taxis custavam a aparecer. Ainda tiveram sorte de não estar chovendo e de não terem que encarar o infernal calor do meio-dia, típico desta época.

O cenário era perfeito para ação de bandidos, taxistas desonestos e outros pilantras. A chegada ao Rio de Janeiro pela rodoviária Novo Rio e pelos aeroportos do Galeão e Santos Dumont parecem coisa de primeiro mundo se comparados ao caótico desembarque de turistas na Praça Mauá.

Turistas na Praça Mauá

Turistas na Praça Mauá

Seria fácil dizer que tudo será resolvido quando tivermos o terminal marítimo apropriado.  Mas bastaria um mínimo de organização e competência aliados a respeito ao consumidor para evitar esta situação.  Conhecendo a nossa realidade, é de se esperar que este caos perdure por toda a temporada.    

Fotos by Cariocadorio:  Turistas na Praça Mauá e Turistas na Av. Rio Branco (20/12/13).

INFRAERO, voadoras e o suplício de viajar

11 de dezembro de 2013

É impressionante a capacidade que a INFRAERO tem de reinventar a sua própria incompetência. Cada vez que se vai a um aeroporto a situação está pior. O desconforto e as intermináveis obras do Galeão e do Santos Dumont, aliados ao desprezo que as voadoras têm pelos passageiros, fazem de uma simples viagem de ponte-aérea um imenso desprazer.

Avião do Voo 1012 que não foi

Avião do Voo 1012 que não foi

O ar condicionado não funciona, os banheiros são fétidos e a organização inexiste. Enquanto isto as voadoras transferem seus passageiros de um voo para o outro sem maiores explicações.  Mas se o passageiro quiser mudar um voo, mesmo com antecedência, tem que pagar por isso.
Eles podem mudar sem aviso prévio mas os passageiros têm que pagar previamente por qualquer mudança.

Neste sábado mais uma vez aconteceu no voo 1012 da Gol, de Congonhas para o Rio:
“Estamos sem tripulação para o voo”, é a desculpa usual.  E nós com isso?

Coincidência ou não, a transferência foi para um voo onde cabiam todos os passageiros de dois outros voos.
A principal característica destas situações é a tática de guerra utilizada pela voadora:  desinformar para dispersar e evitar que o inimigo (os passageiros) se agrupe.  O painel mostra uma informação errada e os “colaboradores” da voadora nada sabem informar.

O painel que desinforma

O painel que desinforma

E as pessoas ainda se preocupam com o que vai acontecer na copa do mundo e nas olimpíadas.   Não dá pra gente se procupar com turistas quando somos nós que temos  esta rotina de conviver com o caos.  Minha indignação é com o que acontece conosco, brasileiros de todos os dias.

Fotos by Cariocadorio:  Congonhas (7/12/13)

A iraquização do Brasil

29 de junho de 2013

130628 tomorrow bel t meSucedeu em um Cabaret, pouco antes da metade do século passado. Enquanto um grupo de jovens nacionalistas cantava tomorrow belongs to me,no idioma de Beckenbauer, um velho pensava quietinho com os seus botões:
“Essa porra não vai dar certo”, no mesmo idioma. 
Deu no que deu. A coisa foi tão feia que o velho nem teve coragem de dizer:
“Habe Ich nicht gesprochen?”

Dá pra ficar preocupado quando a gente observa recentes escolhas tupiniquins.
Diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és.
Optamos por fazer amizade com uns tipos que têm futuro mais do que incerto. Como se não bastasse, estão mais para amigos da onça, pois só fazem nos passar a perna. Sobretaxam nossos produtos, dão calote, tomam nossas empresas, são parceiros em refinarias mas só nós que botamos dinheiro…
Que vantagem o Brasil leva com isso? 

O pior é que nos servem de exemplo.  O Executivo sonha com a argentinização do Brasil, doido para acabar com a liberdade de imprensa e com quem possa investigar suas ações.  

São também vários os seguidores bolivarianos, por quem nossa política externa nutre simpatias explícitas. O mensalão foi uma ótima ideia para a tão almejada venezuelização do país. E hoje, será que o racha maniqueista pobre x rico, bem x mal, não é interessante para um governo questionado nas ruas?

E tá rolando uma PEC que faz a 37 ruborizar. A PEC 99/11 está a dois passos do paraíso. Ela dá a entidades religiosas o direito de propor ação direta de inconstitucionalidade ou de constitucionalidade ao Supremo (STF). Se a proposta de mexer no status de estado laico deste grande país ganhar no tapetão, estaremos acelerando a iranização do Brasil.
Vai ser ótimo para quem acha legal apedrejar adúlteras.  Que tal?

130628 mesopotamia0Ao mesmo tempo em que se tenta impedir o preconceito por decreto, vivemos um momento de intolerância e radicalização pouco comuns. Basta lembrar do Newton, aquele da maçã, para perceber o risco que corremos de viver para ver a mesopotamização do Brasil, com consequências de dimensões iraquianas.

Cada um quer um pedaço de tomorrow pra chamar de seu, sem fazer questão de uma ideologia para viver. Este cenário tem uma coisa que remete ao tal Cabaret: o pensamento do velho bávaro. 
“Essa porra não vai dar certo”, em bom brasileiro.  

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Fotos: partitura de “Tomorrow Belongs to me” site http://www.sheetmusicplus.com/look_inside/19410442
Para ver a cena de Cabaret  e ouvir a música clique aqui.
Mesopotamia, foto obtida na internet

A tragédia nossa de cada dia

5 de fevereiro de 2012

Parte I:
Não é necessário pesquisar muito para lembrar de vários desastres recentes na cidade.  Para citar alguns, não faz muito tempo caiu um pequeno prédio no Catumbi;  uma explosão destruiu um restaurante no Centro;  o prédio semi abandonado do hospital do Fundão teve que ser implodido antes que caísse também.  No dia 30/01 um operário morreu e outros ficaram feridos em uma explosão no porto porque as redes fluviais estavam contaminadas com óleo. Por toda a cidade explodem bueiros por haver gás nas galerias do sub-solo. E não estamos nem falando de desgraças causadas por enchentes.

Assim, o desabamento do edifício Liberdade e de dois prédios vizinhos não chega a ser uma surpresa.  O Rio de Janeiro está sempre prestes a ser abalado por desastres de todos os tipos.  Como chegamos a este ponto? 

Falta seriedade antes, durante e depois destas catástrofes.  Logo após o recente desastre, alguém do governo saiu com a idéia de que precisamos de um “laudo” para todos os edifícios. Ele não lembra que o parque de diversões onde morreu uma jovem quando o brinquedo voou pelos ares também tinha um “laudo”. Segundo o site  ig, o CREA antecipou que a culpa deve ser das obras atuais no prédio.  Jornalistas, cidadãos e blogueiros podem “achar” a vontade mas o Conselho Regional de Engenharia deveria investigar seriamente primeiro e achar depois.

Metro na Av. Treze de Maio, 1975

Grandes acidentes geralmente acontecem em função de uma sequência de eventos, não por uma única causa. Portanto, se perguntarmos se a causa foi o abalo causado pelo buraco do metrô nos anos 70, a reforma do terceiro andar, a abertura de janelas na empena do prédio, o acréscimo de andares após a construção original ou o excesso de entulho no nono andar, a resposta provavelmente será que tudo isso contribuiu para a tragédia.
E em cada uma dessas fases haverá pitadas de irresponsabilidade, negligência e incompetência de proprietários, administradores, profissionais e autoridades. 

Alterações e obras (site ig)

Mas em última análise a culpa é da forma como nós, brasileiros, lidamos com assuntos sérios. De como escrevemos leis e as aplicamos.  De como fiscalizamos o cumprimento destas leis. De como apuramos responsabilidades e punimos culpados.  De como nosso legislativo é inoperante para o que realmente importa, de como nosso executivo não impõe a ordem e de como nosso judiciário faz de tudo para não concluir coisa alguma.

Parte II:
Caminhando pelo Centro quarta-feira passada, passei pela rua Treze de Maio e vi a operação final da remoção dos escombros dos edifícios no enorme vazio deixado no local. 

Vazio dos edifícios na 13 de maio

Teatro Municipal

Logo a seguir, observei o contraste da desolação com o Teatro Municipal, belíssimo, ainda com o frescor da recente reforma. Se este prédio centenário tivesse sido afetado, o prejuizo seria incalculável para o patrimônio cultural da cidade.

O pior é concluir que tivemos sorte nestas catástrofes.  Porque se ocorressem um pouco mais tarde, no caso da explosão no restaurante, ou um pouco mais cedo, no caso do Edifício Liberdade, estaríamos contando às centenas o número de perdas de vidas  humanas e de famílias atingidas. 

Mais adiante me deparei com a Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Não dá pra ver o Palácio Pedro Ernesto sem relacionar os que o freqüentam com a nossa rotina de desgraças.

Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro

Mas há coisas mais importantes para nos preocuparmos porque o verão continua, o Porto ficará Maravilha, a Copa e as Olimpíadas vem aí e, afinal, logo teremos eleições… 

Fotos: Tragédia, Vazio dos edifícios da Treze de maio, Teatro Municipal e Câmara dos Vereadores ( Fevereiro de 2012), by Cariocaodorio. Metro, av. Treze de maio, by Paulo Moreira (fevereiro de 1975) – obtida no site Rio de Histórias, de Rômulo Lima – e  Desabamento no Rio de Janerio arte by site ig (Fevereiro de 2012).

Nova Friburgo, 1962

13 de agosto de 2011

Praça Dr. Derval Alberto Moreira e Av. Alberto Braune

Quando penso em Friburgo me lembro do lugar na serra que visitei quando criança e outras poucas vezes desde então… do clima frio que a faz especialmente diferente do Rio de Janeiro… da sua origem germânica…

Ao fundo os prédios de 1962

…da forma afetuosa como a ela se referem os que frequentam a cidade e, principalmente, das boas pessoas que de lá vieram e com quem convivi na escola e no trabalho aqui no Rio.  Um carinho especial pela família Cardinali com quem por tanto tempo tive o prazer de estar próximo.

(Nas fotos acima: o colégio São José no canto da esquerda se tornou um shopping)

Caledonia Valley

Do passeio em 1962 pouco me lembro mas não  esqueço do almoço no Caledonia Valley, um clube no meio da mata Atlântica.  Creio que ainda exista.

Nas últimas vezes que Friburgo apareceu nos noticiários foi para retratar a tragédia dos deslizamentos ocorridos em janeiro passado. A esta tragédia natural seguiram-se as patrocinadas pelos homens, com o já comum mal uso das verbas enviadas para a recuperação da cidade. Documentos foram forjados para beneficiar empresas, serviços foram pagos e não concluídos e por aí vai. 

Nada muito diferente das outras cidades serranas na mesma situação (veja aqui). Uma tragédia moral que se repete por todo o Brasil. Triste.

Av. Alberto Brasão

Ainda assim Nova Friburgo segue em frente como todo o país.

É interessante comparar as fotos de então com a cidade hoje para ver que alguns dos prédios seguem por lá.  A foto de 1962 retrata uma banda militar e, à direita, a loja “O Dragão” que, na foto atual, tem um nome bem menos interessante. 

Os mesmos prédios na esquina, 48 anos depois

Na internet a cidade está muito bem retratada no trabalho de Osmar de Castro que postou centenas de fotos da região. Quem quiser conhecer Nova Friburgo sem ir até lá basta clicar nos links abaixo:
Acervo Nova Friburgo
Nova Friburgo no Panoramio

Fotos de Nova Friburgo em 1962 do arquivo pessoal Cariocadorio; Fotos atuais de Osmar de Castro.

Voe Gol-contra

25 de dezembro de 2010

O sindicato dos aeroviários ameaça paralisar o tráfego aéreo no Brasil em meio às festas de fim de ano. Não dá para simpatizar com a causa de um sindicato que faz isso e fecha a avenida de acesso ao Galeão, entre outras agressões ao direito de ir e vir do cidadão.

Mas se tirarmos por base a maneira como as companhias aéreas tratam os passageiros, seus clientes, podemos imaginar o que fazem com seus empregados.  Deve ser um inferno trabalhar em empresas que não têm a mínima consideração com seres humanos.   

Alguns casos:

1. O vôo está atrasado umas 2 horas mas você, passageiro irresponsável, chegou um minuto depois do horário requerido. Você tem que pagar a multa por chegar atrasado e espera 3 horas para embarcar. Pra eles não pega nada.

2.  O casal conseguiu tirar férias ao mesmo tempo depois de vários anos.  Programaram encontrar com o filho, a nora e o neto – que moram nos EUA – em um resort na República Domenicana.   Uma semaninha só mas a viagem dos sonhos. Pouco antes da viagem a companhia aérea avisa:
   “Seu vôo de sábado foi cancelado, agora vocês viajam na terça-feira seguinte.”
   ” Peraí, não posso adiar minhas férias.” 
   “Sorry, perdeu”
Depois de muita briga eles aceitaram devolver a passagem.  As férias, planejadas com muita antecedência, foram perdidas.  Danem-se os passageiros.

3.  A polícia do Rio invade a Vila Cruzeiro e sitia o Alemão.  Você está em Sampa com vôo marcado às 19:00 horas.  No Rio a família telefona e diz pra ter cuidado e você lá preocupado com a família. Tudo bem, no Santos Dumont não chega o tiroteio.  Só que choveu de tarde em São Paulo e os vôos estão atrasados. 

As informações são as mais desencontradas.  De repente o seu vôo some do painel do portão de embarque.   Os atendentes somem também.  Um bando de passageiros perdidos não sabe o que fazer.  Ninguém da companhia aérea explica o que está acontecendo ou vai acontecer.  Nenhuma informação pelo alto-falante.

Não, isso não é por acaso.  A companhia aérea usa essa tática de desesperar para dispersar os passageiros. Dispersos eles são mais fáceis de enganar.  Há horas a  aérea já sabe que não vai dar para o vôo sair de Congonhas. De repente avisam pra quem está perto.  Com a boca, nada de informar pelo alto-falante.
   “Vamos levar vocês pra Guarulhos.  De lá sai o vôo”. 

A atendente sai andando e quem quiser que vá atrás.
Os covardes só não avisaram que o vôo sai de Guarulhos para o Galeão e não para o Santos Dumont.  Os empregados são claramente instruídos para não informarem que você tem direito a jantar, hotel e vôo no dia seguinte.   Os que moravam em São Paulo decidiram ficar por lá e o pessoal do Rio seguiu para o ônibus.  Para a companhia aérea o inimigo já estava enfraquecendo, cada passageiro escolhendo sua alternativa, vencidos no cansaço.  A tática da desinformação continuava.  Escutei no rádio da atendente que no Rio não haveria transporte do Galeão porque não circulavam táxis e a empresa de ônibus se recusou a sair naquela hora.  O Rio estava em pé de guerra.   Mas em momento algum os atendentes informaram isso aos passageiros.  Boa parte entrou nos ônibus em meio ao caos em frente ao aeroporto.  Para a companhia aérea era melhor despachar covardemente os inimigos e deixá-los mofando até a manhã do dia seguinte no Galeão do que gastar com hotéis em São Paulo.

Decidi tentar a sorte de remarcar o vôo para o dia seguinte. Já passava de meia-noite quando, um grupo de seis pessoas, tomamos uma cerveja no bar do hotel para relaxar e ir dormir.  Os  que sobraram e tentaram ficar por lá contaram com a boa vontade dos atendentes do balcão e foram lentamente sendo colocados em hotéis, o que não foi fácil. 

A Infraero é uma vergonha e a ANAC uma piada. As companhias aéreas fazem o que querem. Duas delas  dominam o mercado sob pífia fiscalização da ANAC.  Os vôos são otimizados a ponto de um problema no aeroporto de Oriximiná causar atraso em vôos de Porto Alegre. E a desculpa é aceita.  Imagina o que as aéreas fazem com as escalas da tripulação e dos atendentes … imagina o que fazem com a manutenção dos aviões para maximizar o lucro.

Quem trabalha nestas empresas  é treinado para enganar, para não respeitar. Ética não é palavra no dicionário dessa gente.  Neste ambiente onde imperam a traição, a esperteza e a covardia, quem teria pudor em fazer uma greve em pleno fim de ano e acabar com a festa de milhares de pessoas?  Eles são vítimas maiores que nós, passageiros. Convivem todos os dias com as companhias aéreas e certamente são explorados e enganados também.

Tenho uma sugestão:  José Mariano Beltrame na ANAC.

 Foto by Cariocadorio: Voe Gol-contra (dezembro de 2010)

Mais além da guerra do Rio

27 de novembro de 2010

Viver no Rio de Janeiro é contar com o beneplácito de uma natureza bela e generosa. Não fosse o homem, aqui não haveria tempo ruim nem grandes desastres.

A complacência da natureza transferiu-se, por leitura equivocada, ao próprio carioca, que não soube administrar os limites desta dádiva.  Independente da classe econômica ou social, somos causa e conseqüência da falta de rigor ético que nos tem feito aceitar placidamente tanto desgoverno.  Em todos os níveis cometem-se atos de corrupção, assinam-se gatonetes, traficam-se e consomem-se drogas e constroem-se puxadinhos.  O crime está estabelecido desde as favelas às coberturas da Vieira Souto passando pela classe média carioca.

É histórica a tolerância que o brasileiro e o carioca em especial têm para “pequenos delitos” e “erros menores”.  Esta tradição de esperteza, jeitinho e malandragem está mais para conivência, falta de respeito e falta de ética.  Esta é a origem da tragédia que tem sido o cotidiano da cidade nestas últimas décadas.

De repente a elite carioca já não consegue mais se defender com câmeras, grades e blindados. Os mais humildes não suportam mais viver sob o domínio do poder paralelo. E assim a natureza cobra um alto preço daqueles que, parte inseparável e dependente da mesma, não souberam desfrutar sem abusar de tanta generosidade.  Já passamos da hora de mudar o rumo da história.

Tolice seria acreditar que esta guerra será ganha com armas ou uma possível vitória na “Batalha do Alemão”.  Isto é apenas um inevitável começo.  O combate incansável aos bandidos de hoje que não respeitam os direitos humanos dos cidadãos de bem e as instituições estabelecidas é essencial.  Mas há também que, ao mesmo tempo, cuidar para que não se formem novas gerações de bandidos que diariamente alimentam o exército do crime. 

Esta é uma tarefa de longo prazo que vai exigir perseverança nas ações pela educação, saúde e emprego para cidadãos cariocas. Para que todos tenham direito à verdadeira cidadania, sem privilégios nem paternalismos que só acentuam diferenças históricas. Caberá à população orientar nossos líderes, de forma inequívoca, para que conduzam a sociedade neste sentido.

O Rio de Janeiro tem o direito de voltar a ser a Cidade Maravilhosa.  Isto é um dever de todos e cada um de nós.

Foto by Cariocadorio: Lagoa Rodrigo de Freitas (Out. 2009).

A partir de …

23 de maio de 2010

Os anúncios de jornais e outras midias estão cheios destas ofertas promocionais a partir de um certo preço.  Quase sempre é empulhação.  Carro a partir de é sem o básico e, mesmo que você o queira assim, dificilmente a concessionária tem um por aquele preço.  Sempre vem com alguns acessórios básicos e aí o preço já é mais caro.  Sempre o que você realmente quer custa muito mais.  Mas falemos de bermudas.

Na vitrine de uma conhecida loja de roupas lá estavam duas bermudas cargo .  O preço era claríssimo: R$51,00.  Na saída conferi, nada de a partir de… Entrei na loja. Atrás da mesma vitrine uma estante baixa com as bermudas empilhadas.  Logo a bonita e simpática vendedora me ofereceu:

“Lá atrás temos as bermudas penduradas, mais fácil de escolher.”

Vendedores às vezes atrapalham mas desta vez fazia sentido.  Segui a atenciosa vendedora e comecei a escolher as bermudas. Variavam em cor e em detalhes mas eram praticamente iguais. Após prová-las escolhi duas.  A vendedora as levou para o balcão e informou o preço:

“São cento e trinta e oito reais. Em dinheiro ou cartão?”

Nesta hora entrou em ação o meu rápido e brilhante raciocínio matemático.  Em fração de seguntos percebi que havia algo errado e disse à tal da vendodora.

“Mas não seria cento e dois reais?”

A dita cuja me levou até a pilha de bermudas da entrada da loja e me mostrou do alto do seu cinismo:

“Veja, o preço é a partir de R$51,00…”

De fato, em letras bastante pequenas, como soe ser, lá estava o maldito a partir de.  Claro que eu havia escolhido o mais caro.  Ficava eu entre deixar as bermudas ali ou levá-las por um preço 35,3% mais caro que o da vitrine.  Aliás, na vitrine não havia nem o sacana do a partir de.  Mas como custa-me escolher bermudas, levei assim mesmo.  Eles sabem bem como é, você já escolheu e acaba levando, nos dois sentidos.

TACO

Não há razão para tal diferença de preço da vitrine até o fundo da loja, 8 metros mais atrás. Exceto a técnica desleal de venda praticada pela loja.  Some-se a isso a cuidadosa atenção da vendedora e estamos diante de um caso puro e simples de falta de ética. Triste.
E você, já passou por isso?