Posts Tagged ‘respeito’

A partir de …

23 de maio de 2010

Os anúncios de jornais e outras midias estão cheios destas ofertas promocionais a partir de um certo preço.  Quase sempre é empulhação.  Carro a partir de é sem o básico e, mesmo que você o queira assim, dificilmente a concessionária tem um por aquele preço.  Sempre vem com alguns acessórios básicos e aí o preço já é mais caro.  Sempre o que você realmente quer custa muito mais.  Mas falemos de bermudas.

Na vitrine de uma conhecida loja de roupas lá estavam duas bermudas cargo .  O preço era claríssimo: R$51,00.  Na saída conferi, nada de a partir de… Entrei na loja. Atrás da mesma vitrine uma estante baixa com as bermudas empilhadas.  Logo a bonita e simpática vendedora me ofereceu:

“Lá atrás temos as bermudas penduradas, mais fácil de escolher.”

Vendedores às vezes atrapalham mas desta vez fazia sentido.  Segui a atenciosa vendedora e comecei a escolher as bermudas. Variavam em cor e em detalhes mas eram praticamente iguais. Após prová-las escolhi duas.  A vendedora as levou para o balcão e informou o preço:

“São cento e trinta e oito reais. Em dinheiro ou cartão?”

Nesta hora entrou em ação o meu rápido e brilhante raciocínio matemático.  Em fração de seguntos percebi que havia algo errado e disse à tal da vendodora.

“Mas não seria cento e dois reais?”

A dita cuja me levou até a pilha de bermudas da entrada da loja e me mostrou do alto do seu cinismo:

“Veja, o preço é a partir de R$51,00…”

De fato, em letras bastante pequenas, como soe ser, lá estava o maldito a partir de.  Claro que eu havia escolhido o mais caro.  Ficava eu entre deixar as bermudas ali ou levá-las por um preço 35,3% mais caro que o da vitrine.  Aliás, na vitrine não havia nem o sacana do a partir de.  Mas como custa-me escolher bermudas, levei assim mesmo.  Eles sabem bem como é, você já escolheu e acaba levando, nos dois sentidos.

TACO

Não há razão para tal diferença de preço da vitrine até o fundo da loja, 8 metros mais atrás. Exceto a técnica desleal de venda praticada pela loja.  Some-se a isso a cuidadosa atenção da vendedora e estamos diante de um caso puro e simples de falta de ética. Triste.
E você, já passou por isso?

Tira a mão daí, menina

6 de abril de 2010

O vovô Abel sempre foi um homem entusiasmado pela tecnologia, embora sua grande habilidade fosse com os números.  Afinal, era guarda-livros (veja aqui) de formação. Reza a lenda que tinha mania de mexer em tudo dentro de casa, desde o quadro de fusíveis até os mais complexos aparelhos eletro domésticos.

Myrthes e o rádio, 1931

Uma das suas mais famosas criações foi este rádio que, segundo consta, ele montou com as próprias mãos. Depois ficava  horas sintonizando alguma estação distante, nas ondas-curtas. Daí também as histórias de que falava vários idiomas, coisa que ele nunca confirmou.  Até ficava zangado quando a vovó, orgulhosa, salientva sua erudição.  Conhecia francês e inglês, curioso e estudioso que sempre fora.  Mas o mais importante era sintonizar alguma estação estrangeira,  pouco importando entender o que estavam dizendo. 

Este rádio foi motivo de grande satisfação para ele. Não admitia que qualquer dos sete filhos chegasse  nem perto.  Ai de quem! .  Vovó certantamente nem pensava em tocar nele, tamanho o respeito pelo marido.  Os flhos o respeitavam e temiam.

Muito escutei sobre o pai severo e exigente, como devia ser em seu tempo. Mas creio que pintavam o bicho mais perigoso do que era na verdade.  Afinal, quem se não ele teria tirado esta foto da minha mãe, aos seis ou sete anos de idade, ameaçando perigosamente mexer onde não devia.

Foto: Myrthes e o Rádio (1931); acervo pessoal Cariocadorio.  proibida a reprodução sem autorização prévia.