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Manifestação, liberdade e trabalho

28 de março de 2014

Olhem bem pra mim… Estou com roupas escuras, uma blusa enrolada no rosto e uma mochila nas costas.
Isto é uma manifestação!

Fecho a Av. Rio Branco e agora todos terão que me ouvir.  Caminho entre o lixo dos garis entoando palavras de ordem e faço calar os que são contra e a favor da Copa do Mundo da FIFA.   Destruo carros alegóricos, venço  black blocks, garotinhos, o sindicato dos rodoviários e dos produtores de ovo de codorna de Cachoeiro de Macacu que disputam a avenida comigo.

Não tenho culpa se meu pai começou aos 13 anos e só se aposentou aos 70.  Se minha mãe esfregava panelas até o último fio do Bom Brill.  Se me obrigaram a estudar mais do que eu tinha vontade e acabei no Pedro II.  Se me meti em más companhias, estes malditos caras que entraram pra faculdade.  Se não consegui me livrar deste jugo familiar e segui o exemplo do meu irmão.   O coitado também cresceu neste meio, não teve escolha.

Não tenho culpa se a política me dá náuseas, se não sei ultrapassar pelo acostamento, se não sei ser meio-honesto, se acho que lei tem que ser cumprida e outras besteiras do gênero.  Eu só conheço um caminho para viver em sociedade: trabalho e respeito ao próximo.  E não vou pedir perdão por isso. Posso ser todo errado mas sou brasileiro e tenho os meus direitos.

Com todo respeito a São Jorge e Zumbi, desafio vereadores a acabarem com os neo-feriados do Rio de Janeiro. Fecho a Rio Branco contra as sextas-feiras de carnaval antes que elas comecem nas quintas;  contra os feriados da Copa da FIFA que paralisarão a cidade; contra os meia-dúzia de gatos pingados que a cada dia vão às ruas do Rio em causa própria privando milhares do seu direito de ir e vir.

Pela liberdade de protestar.
Fecho a Av. Rio Branco pelo direito de trabalhar.

Boa Vista, RR, uma grata surpresa

3 de agosto de 2011

A cidade muito bem arrumada surpreende o carioca recém chegado.  Avenidas larguíssimas de mão única com enormes praças nos canteiros centrais seguem a urbanização planejada.  Não há problema de tráfego para os seus cerca de  250.000 habitantes. 

Orla Taunaman

Cachoeira do Paiva, Tepequem

Nas serras de Tepequem, a 200 Km da capital, encontra-se um clima agradável embora com uma infra-estrutura insípida para o turismo.  Depois de um bom banho em uma das várias cachoeiras admirando o belo cenário que a natureza oferece não há muito que reclamar do pouco que os estabelecimentos locais oferecem.

Infelizmente, não precisa muito tempo para perceber as mazelas típicas do resto do Brasil.  A classe política controla as oportunidades e  as leis são mais iguais para alguns que para maioria.
Nas palavras dos locais um pouco da realidade brasileira: 

  • “O parque Anauá ta abandonado.  O Governador Fulano de Tal fez o parque.  Quando outro entra deixa de lado. Quando ele volta ajeita pro seguinte abandonar de novo.” (sobre um enorme parque que poderia ser formidável).

Praça das Águas

  • “A Praça das Águas só teve água no início, depois roubaram as bombas e as válvulas.  Funciona uma vez ou outra mas roubam tudo de novo.” (a bela praça seria ainda mais bonita se os chafarizes funcionassem).
Boa Vista vista do Rio Branco
  • “O empresário fez uma pesquisa e disse que tinha mercado. Tem uns anos já e ele não vendeu tudo” … “Acho que o limite era de 3 ou 4 andares mas já não se fala nisso”  (sobre o inexplicável edifício residencial de 8 ou 10 andares  que se destaca na foto)

Lá no fim do Brasil não é muito fácil encontrar quem faça turismo. O  barqueiro explicou de forma simples e direta, com a experiência de uma vida inteira em  Boa Vista.

  • “Aqui não vem muito turista não. Só quem tem algum parente e vem visitar ou quem vem a negócios e aproveita pra conhecer é que faz turismo em Boa Vista”, afirmou ele durante o passeio pelo Rio Branco.   

Onça Pintada

Dias depois, finda a visita,  a constatação de que Boa Vista é uma cidade mais limpa, mais humana e com menos problemas sociais que outras capitais brasileiras. 

A cidade, entretanto, é administrativa e vive principalmente do salário pago aos empregados dos governos locais e federal.

Há um grande contingente do exército na região. Policiam as fronteiras, fazem incursões de treinamento na  selva e preparam o pessoal que vai para missões internacionais, como ao Haiti, De quebra ainda cuidam de animais, desde jandaias a onças de todos os tipos, antes de retorná-los à vida selvagem.  

Fotos by Cariocadorio: Orla Taumanan no rio Branco, Boa Vista; Cachoeira do Paiva, Tepequem, RR; Praça das Águas, Boa vista; Boa Vista vista do rio Branco; Onça pintada (julho de 2011)