Trampolim do Diabo

Acidente na Visconde de Albuquerque

Dos primeiros passos do automobilismo no Brasil a mais famosa pista de corridas é o Circuito da Gávea no Rio de Janeiro.  As dezesseis provas neste incrível circuito, entre 1933 e 1954, levaram o Brasil às páginas da imprensa internacional. O circuito estendia-se por 11,6 km, passando pela Viscionde de Albuquerque, Rocinha e Av. Niemayer.  Além do desafio de pisos variados, curvas de todos os tipos e sua beleza natural, este circuito tinha o perigo como uma de suas principais características. Daí o nome de Trampolim do Diabo.  

Nesta pista correram os primeiros ídolos do automobilismo brasileiro como Manuel de Tefé, Irineu Corrêa e Chico Landi.  Participaram vários estrangeiros famosos como o italiano Carlo Pintacuda, o alemão Hans Stuck e os argentinos Froilán Conzales e o grande Juan Manuel Fangio.  A francesa Helle-Nice, misto de piloto e dançarina, também ficou famosa no Brasil por correr no circutio.  

Uma ótima descrição do que foi o Circuito da Gávea pode ser vista no site Óbvio (clique aqui) de onde retiro este pequeno trecho sobre o piloto brasileiro Irineu Corrêa.
“O fato mais marcante foi na corrida de 1935 quando Irineu Corrêa, que vencera no ano anterior, morreu ainda na primeira volta após se chocar com uma árvore e cair no canal do Leblon. Um dos pilotos mais talentosos que este País já teve, Irineu se destacava também em provas na Argentina e chegou a vencer uma corrida nos Estados Unidos, provavelmente a primeira vitória de um brasileiro no Exterior. Sua morte chocou o público da então Capital Federal.”   

Detalhe

Mas o importante aqui é a foto acima. Eu era garoto quando a vi pela primeira vez.  Ela pertencia ao meu avô Abel. Entendo que tenha sido tirada por ele mesmo e que retrata o acidente que tirou a vida de Irineu Corrêa.  Infelizmente não posso ter certeza disso mas o certo é que o acidente ocorreu na Visconde de Albuquerque e que seu carro levava o numeral 32.   Clique na foto para ampliá-la e ver o número. Pesquisei na internet sem encontrar um intantâneo como este.  Portanto, esta foto pode ser um importante documento da história do automobilismo brasileiro.
A foto neste site mostra o carro de Irineu antes do acidente, com o numeral 32.
http://www.forix.com/8w/gavea/rio35-correa1.jpg  

Fica aqui o convite para que especialistas no assunto comentem e nos tirem as dúvidas.  

Foto: Acidente na Visconde de Albuquerque; (by Abel Lourenço dos Santos; 1935; acervo pessoal Cariocadorio, proibida a reprodução sem autorização prévia.

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27 Respostas to “Trampolim do Diabo”

  1. Luiz D´ Says:

    A fotografia é realmente impressionante. Não me lembro de tê-la visto anteriormente.
    Outra fotografia deste acidente, tirada por um fotógrafo amador como seu avô, foi publicada em http://fotolog.terra.com.br/luizd:1171

  2. Saloma Says:

    João, observando a imagem, reparei que a barata é de cor branca e rodas raiadas com calotas pretas. E a roupa do piloto está conforme Irineu usava…pode ser sim uma foto inédita e histórica do acidente. E revendo vídeo da Pasa Vídeos, como ele estava recuperando posições e o acidente foi no meio do pelotão na primeira volta.

  3. Saloma Says:

    Só tem mais um detalhe a ser obsrvado. Nas imagens do acidentes aparece uma árvore no canal, que sugere que ele a pegou a ntes de cair e na imagem, pelo menos eu, não vejo uma colisão com uma das árvores que rodeavam o canal. Posso estar enganado…mas a imagem é para se pesquisar com muita calma!

    • cariocadorio Says:

      Saloma,
      Virando a foto de cabeça para baixo e ampliando, o numeral 32 aparece claramente no radiador. Acho que esta é a melhor indicação. O local parece ser o mesmo pela foto postada pelo Luiz no link do comentário acima.

  4. Saloma Says:

    Sorry o erro…”observado”…

  5. cris coelho Says:

    Incrível esta foto!!! Deveria publicar em mais lugares!

  6. JBAN Says:

    A foto é ineditíssima e sensacional ! Temos tesouros em nossas casas. Seu avô Abel (Abel Moreira ??) foi muito feliz quando bateu a foto. Com certeza iria para o livro sobre o Circuito da Gavea se tivesse sido divulgada na época.

    Parabéns.

    • cariocadorio Says:

      JBAN,
      Bem-vindo ao Cariocadorio. Abel Lourenço dos Santos era o meu avô. Ele era exigente. Provavelmente achou a foto ruim sem se dar conta do flagrante especial. Realmente na foto (tenho duas, uma pequena e a outra ainda menor) mal se vê o carro que está na sombra da árvore. Naquele tempo ele não podia digitalizar e ampliar com facilidade…
      Saudações

  7. Rita (Mente) Says:

    Ôi amigo,

    Não se aborreça comigo, a minha postagem de hoje foi apenas uma tentativa de brincar um pouco para suavizar o peso de nossos dias marcados pela rotina…

    Nada tenho contra os homens e, aliás, creio que Kundera quando se referiu ao homem, fê-lo no sentido de ser humano ou Homo Sapiens, incluindo ai a mulher…

    Considero vocês homens verdadeira perfeição da natureza e só mesmo um homem para ter “saco” suficiente para aguentar os caprichos e mau humor de uma mulher. Vocês são fguras maravilhosas!

    Abraços e um ótimo final de semana.

    Rita

  8. Daniel Médici Says:

    Incrível! Nunca achei que um documento como esse pudesse existir. Só por curiosidade, seu avô fotografava com que máquina? Leica?

  9. Rui Amaral Jr Says:

    Cariocadorio, gostei do titulo, hoje quando os Cariocas e Paulistanos são de tantos lugares é uma referencia e tanto.
    Obrigado pela visita, a foto é no minimo ótima,vou dar uma bela olhada nela e como disse nosso amigo Luiz Salomão é para ser pesquisada com calma. Dá para se ver que a suspenção dianteira já vem quebrada e acima um outro carro já passa por ele. No canal algumas peças jogadas já movimentam a agua, pode ser da batida na arvore.
    Pode ter certeza que vou olhar mais atentamente.

    Um abraço

    Rui

  10. Cariocadorio, Ano I « Cariocadorio's Blog Says:

    […] mais importante: As velhas fotos trouxeram o artigo mais importante: Trampolim do Diabo, com uma foto inédita tirada pelo meu avô em 1935.  Mostra o trágico acidente que vitimou […]

  11. Thomaz Correa G. da Cunha Says:

    Olá a todos, me encaminharam este blog e fiquei realmente chocado… sou bisneto do Irineu e vê-lo nessa imagem, não foi exatamente a foto mais bacana que eu já vi na net…inclusive, sou fotografo, por acaso, ou ironia… Ë um grande contraste com as fotos que eu já vi dele, de multidões o carregando nos braços, porém, é uma foto de um fato e ponto.

    e como as fotos devem ser vistas…. vou buscar algumas do acervo da família e postar para vcs. o que acham??

    abrçs.

    • cariocadorio Says:

      Thomaz,
      No automobilismo daquele tempo havia os que praticavam o esporte apenas pelo glamour, outros pela competição. Estes eram os heróis do esporte, os que buscavam a perfeição e a vitória no automobilismo de competição. Eram também os que corriam os grandes riscos de um esporte prigosíssimo até os anos 70. Destaque entre estes, o seu bisavô, a quem rendemos nossas homenagens.
      Suas fotos serão muito bem vindas.
      Saudações

  12. Thomaz Correa Says:

    Olá, tem um “detalhe” nessa lenda, que me intriga um pouco…. ouvi dizer uma vez, não me lembro de quem, que na época, era comum os carros andarem com o piloto e com um mecanico de emergência. E nesse papo, falaram que o Irineu, havia pedido para o mecanico dele não subir, pois ele queria ir sozinho…. de fato, ele estava sozinho no acidente… esse fato dos mecanicos andarem junto, procede?? ou é somente lenda??

    • cariocadorio Says:

      Thomaz,
      Era comum o piloto ser acompanhado pelo mecânico naquele tempo. Na própria foto vc verá um carro passando atrás do acidente onde se pode notar o piloto e o mecânico.
      Só não sei se naquele dia o Irineu Correa pediu para o mecânico não subir.
      Saudações

  13. Thomaz CorrÊa Says:

    Olá Carioca do Rio , tudo bem? sou o bisneto do Irineu Corrêa… prometi algumas fotos do nosso acervo familiar..como faço para postar algumas? e vc possui outras fotos do seu avô, do circuito da gávea, em 34 e 35?
    abraços.
    Thomaz Corrêa.

  14. cariocadorio Says:

    Olá Thomaz,

    Obrigado pela visita ao Cariocadorio.

    Posso escrever um post e colocar as suas fotos no Cariocadorio. Incluirei alguma coisa que você quiser informar a respeito e colocarei o seu nome.
    Não consegui passar email para você, retornou a mensagem.
    Eu tenho mais umas duas fotos daquela época mas elas não são boas e não têm nenhuma referência. Não estão digitalizadas.
    Mas tem muito material da época na internet. Não é difícil achar:
    Sugiro que você veja a ótima descrição no site óbvio.
    http://www.obvio.ind.br/Autodromos%20do%20Rio%20de%20Janeiro%20-%20as%20primeiras%20corridas%20do%20Brasil.htm

  15. Rogério Ferraresi Says:

    Bom dia. Gostaria de utilizar esta foto em uma reportagem sobre Irineu Correia. O senhor cederia o uso da mesma? Naturalmente citarei a fonte, como sendo de seu avô ou do acervo de sua família, bem como o seu site.

  16. Rogério Ferraresi Says:

    Perdão, Irineu CORRÊA…

  17. Rodrigo Says:

    Boa tarde:

    Impressionante a imagem!
    Para ver que naquela época já havia acidentes…
    Quando criança: adorava tal canal, inclusive o do JARDIM DE ALAH_achava o máximo ver (e saber do) o mar entrando (e também coisas tipo COMPORTAS/AFINS!)…
    Não resido mais no RJ há tempos; moro na capital gaúcha – e lembro e como do bairro (estudei em algumas escolas no LEBLON)_sendo que a última situava-se junto ao tal canal (final da década de 80/até meados da de 90), e tal já apresentava problemas: lembro da temida chuva de 1988 onde parece que O CANAL TRANSBORDOU!
    Essa parte do bairro é linda mesmo – ainda mais na mais alta; pelos lados da Rua Sambaíba… Até tive parentes que moraram aí pelos lados da Visconde e se desfizeram do apartamento_e era uma edificação antiga/bem bonita! Acho que se ‘arrependimento matasse’ nem “teriam nascido” (risos).
    O RIO; apesar dos problemas (aqui no RS há e como!) – tem seus encantos: vida cultural/bons estabelecimentos de ensino_estudo mesmo.
    As pessoas daqui do Estado, quando vim morar aqui: viviam me perguntando sobre a cidade – até coisas INIMAGINÁVEIS; tipo se “haveria shoppings para pobre e para rico”, se ‘fazia 50 graus aqui’: só rindo mesmo.

    Saudações cariúchas,
    Rodrigo Rosa

    * Achei o site pela tal imagem.

  18. O campineiro voador !!! | Taiadaweb – Jornal Eletrônico de Caçapava e Região Says:

    […] preparação própria.  A tragédia de Irineu Correa. Foto histórica do blog Carioca do Rio. https://cariocadorio.wordpress.com/2010/04/12/trampolim-do-diabo/ Seu Ford V8 de 1935. Apesar da corrida ter iniciado com uma tragédia, a morte de Irineu […]

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