Posts Tagged ‘Carros Antigos’

A Vemaguete

13 de julho de 2018

O Cariocadorio na Vemaguete:  Carnaval de 66

Esta Vemaguete foi o primeiro carro da minha família.  Nessa época os automóveis reinavam sozinhos como objetos de consumo dos adultos e da fantasia das crianças.  Não havia a concorrência dos computadores, celulares nem mesmo do gravador cassete à época. Rádios de pilha e  vitrolas não eram concorrentes à altura. As crianças disputavam que sabia mais sobre automóveis.

A nossa Vemaguete é do início de 1964.  Não era ainda o modelo 1001, lançado logo após,  que tinha como característica as portas abrindo pra frente como os demais carros.  A cor era azul clara, exigência do velho que não gostava do saia e blusa comum na época.  O estofamento era vermelho.

Naquele ano o Rio de Janeiro viveu momentos de tensão com o golpe de 64. A Vemaguete teve lá a sua participação.  Morávamos na Pinheiro Machado e a rua ficou bloqueada com barricadas em frente ao Palácio Guanabara.  Carros do exército tomaram a rua e a família achou melhor sair dali.  Pegamos a rua Paissandu, onde em alguns lugares tivemos que passar por cima da calçada.  Carros da prefeitura, cinza com listra amarela, bloqueavam a rua. Numa dessas, o para-lama direito da Vemaguete novinha raspou na parede.  Na Presidente Vargas cruzamos com vários blindados mas o caminho até o Lins foi tranquilo.

Na foto a Vemaguete aparece no Lins de Vasconcelos, pilotada por este Cariocadorio fantasiado de índio.  Era o carnaval de 1966. Na grade dianteira, a inicial do sobrenome da família personalizava o carango.

Foto: Vemaguete 64 (Fev. 66) Acervo pessoal Cariocadorio.  Proibida a reprodução sem autorização prévia. 

 

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Rio – Brasília, 1960

11 de janeiro de 2014
Aluisio e o Palácio da Alvorada

Aluisio e o Palácio da Alvorada

Inaugurada em 21 de abril de 1960, Brasília era o símbolo do progresso da nação brasileira.  Junto com a nova capital, o presidente Juscelino Kubitscheck  construiu estradas e viabilizou a emergente indústria automobilística brasileira.

Aluisio e Chico no Senado

Aluisio e Chico no Senado

Neste novo cenário econômico e social do país teriam participação relevante três amigos, parceiros de aventuras e empreendimentos:
Aluizio Lemos, Chico Brentar e Roberto Rombauer.

Os três fizeram uma épica viagem para participar da inauguração de Brasília.  A estrela do companhia não era um dos modernos VW ou DKW construídos no Brasil mas sim um belo Mercedes 170S, 1950, que pertencia ao Chico Brentar.

Consertando a Mercedes

Consertando a Mercedes

Apesar da marca famosa, não foram poucas as dificuldades encontradas pelo carrinho e pelos intrépidos aventureiros para chegar em Brasília.  A novíssima BR-3 (atual B4-040) não tinha postos de gasolina suficientes para cobrir longos percursos particularmente para atender à autonomia do carro que era pequena.

Aluisio Lemos no posto com o Mercedes

Aluisio Lemos no posto com o Mercedes

Pane seca na BR-3

Pane seca na BR-3

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Apreciando o cerrado

Fotos e história pertencentes a Gustavo Lemos, filho do Aluisio Lemos, a quem agradecemos a gentiliza de autorizar a publicação deste post.   Brasília (1960).

Petrópolis Golf Clube, em 2 tempos

28 de dezembro de 2013

Fundado em 1938, o Petrópolis Golf Clube está localizado em Nogueira, a 25 Km do centro de Petrópolis e a 90 Km da Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro.  A beleza natural e o clima ameno da região fazem do clube um paraíso para jogadores de golfe e uma ótima opção para aqueles que pretendem começar no esporte.

Este belíssimo clube serve de plataforma para mostrar os contrastes que o tempo traz.

PGC, Estacionamento em 2013

Petrópolis Golf Clube – 2013

Petrópolis Golf Clube - circa 1950

Petrópolis Golf Clube – 1953

Sede do PGC, 2013

Sede do PGC, 2013

Sede do Clube, 1953

Sede do Clube, 1953

Fotos antigas obtidas no site do clube (aqui):  
Fotos atuais by Cariocadorio.

Autódromo do Rio, últimos suspiros

15 de julho de 2012

No final da década de 70, após muita politicagem e enganação, foi inaugurado o novo Autódromo do Rio do Janeiro, em Jacarepaguá, no mesmo lugar do antigo AIR.  A vitória da Alan Khodair na Stock Car de hoje marca o último suspiro do Autódromo Nelson Piquet. 

F1, Largada em 1987

Copersucar F5A, Rio 1978

César Maia, o Prefeito da Obras Mal-vindas, assinou sua sentença de morte em sua primeira administração quando deixou que a Fórmula 1 fosse para São Paulo.  Na segunda, mutilou o autódromo com algumas mal acabadas arenas de esporte.    
Curiosamente, as últimas administrações da cidade têm o estranho prazer de destruir o que está feito. O autódromo, o recente velódromo, o Maracanã (onde se gastou fortunas em reformas nas administrações Garotinho e Garotinha) e a Perimetral são bons exemplos.

Em vez de criar infra-estrutura para horizontalizar a cidade por novas áreas, com as óbvias vantagens que isto oferece, os governos preferem a opção pelas áreas mais valorizadas.  Sabe-se lá qual o critério.
O espaço do autódromo permite que a cidade respire um pouco sem a opressão de prédios e shoppings.  No projeto para a região haverá um adensamento após a realização das Olimpíadas. Já imaginou a zona sul sem Jardim Botânico, Parque Lage e Jóquei Club?

Fitti-Porsche, um ícone no AIR

O prometido novo autódromo do Rio, em Deodoro, continua derrapando nas ensaboadas curvas do circuito político-ambiental.  A primeira localização anunciada pela prefeitura parou no pit-stop do INEA.  Assim como nos carros da equipe do Andrea Matheis na corrida de hoje, os fiscais identificaram irregularidades e os mandaram pro fim da fila. Só que nos trâmites ambientais isto significa zerar o relógio do prazo de aprovação que o próprio órgão gestor se outorga.

Como o que interessa mesmo são as Olimpíadas, pouco  importa às autoridades se haverá ou não um autódromo no Rio de Janeiro. Autódromo não rende voto nem ajuda na especulação imobiliária.  Exceto quando se trata de destruí-lo, é claro.

Fotos: Fitti-Porsche no AIR circa 1969 (obtida no site obvio), F1 no Rio, 1978 e 1987 (acervo Cariocadorio).   

Cariocadorio, Ano I

3 de outubro de 2010

“Por que você não faz um blog?”,  perguntou-me  Aventoe

Celebremos

Celebremos

Eu tinha todas as razões do mundo para não fazer um blog.  A primeira delas era não saber exatamente o que era um blog e muito menos como começar um.  E tinha ainda aquela má vontade por conta de um tal político que gastava mais tempo factoideando em um blog do que cuidando do Rio de Janeiro. 

Um dia depois eu já tinha um blog com nome e tudo:
Cariocadorio – cheguei ao nome após um toró de palpites pessoal.  Não sei bem como foi.  Gostei e ficou.

O primeiro post foi Olimpíadas 2016, Esperanças e Preocupações . Importante por ser a primeira aventura de escrever alguma coisa que poderia ser lida por qualquer pessoa. O importante  era escrever. A vontade de que alguém lesse veio depois. E, depois ainda, querer saber quantos leram cada artigo, se comentaram etc.

E assim, 86 artigos publicados e mais de 27.000 acessos depois,  passou este primeiro ano de Cariocadorio. Quisera poder me concentrar mais no tema Rio de Janeiro, com mais críticas e análises sobre a cidade.  Mas isso é  difícil, coisa para profissionais.  A política nacional e local  não ajudam. Quem pode manter a esperança com tanta desordem e corrupção? 
Se não quero ficar calado também já estou muito rodado para ficar malhando em ferro frio.

Enseada da Botafogo

Ao mesmo tempo virei freguês dos fotologs do Rio antigo que me incentivaram a buscar inspiração nos baús de fotos da família.  E a família virou tema. O automóvel e o esporte foram inevitáveis na sequencia.   Alguns temas incidentais apareceram mas o acorde principal se manteve.

O mais importante:
As velhas fotos trouxeram o artigo mais importante: Trampolim do Diabo, com uma foto inédita tirada pelo meu avô em 1935.  Mostra o trágico acidente que vitimou Irineu Correa no tradicional circuito da Gávea no Rio de Janeiro.

Meus favoritos:

Vemag em Ibicuí, 1959

Alguns deram muito trabalho, outros mais satisfação e tem aqueles que eu não precisava ter escrito que felizmente são poucos.  Alguns, por algum que outro motivo, são os que eu gosto mais.
O Guarda Livros, sobre uma foto de 1910.
Barra da Tijuca 2017, uma preocupação que começa a ficar menor.
O Homem e sua Próstata, uma preocupação de tantos.
A Cigana Rica, muito especial.
Copa de 82, Espanha, baseado em um fato quase real.
A Porta do Elevador, pra quem sabe o que é isso.
Ibicuí, pelo que representa e pela foto.
Autódromo do Rio, uma paixão de longa data.

Campeões de audiência: 

Veleiros no Píer Mauá

Em fevereiro os veleiros das armadas nacionais atracaram no Pier Mauá.  Com mais de 840 acessos,  este foi o artigo mais acessado.  Grandes Veleiros no Pier Mauá foi ponto fora da curva nos gráficos das estatísticas.

Outras fotos, estas de 1950, mostram o Estádio do Maracanã ainda incompleto.  Representante maior do esporte favorito do Brasil, o Maracanã não poderia deixar de ser dos mais acessados no blog.  Com mais de 830 hits, logo chegará ao topo. 

Uma série de artigos sobre as copas do mundo de 1950 a 1986 (faltou tempo para continuar) aumentaram a audiência. Para minha surpresa a copa de 62 superou as de 58 e 70 nos acessos.  A série acaba com Maradunga, triste conclusão da copa deste ano.

O Estádio do Fluminense, mostra a abertura da Pinheiro Machado para atender ao Túnel Sta. Bárbara.  A procura tem crescido com a ascensão do Fluminense.  

Acidente em Ipanema e Aeroporto do Galeão completam a lista de mais votados com mais de 370 acessos.

Enfim, um balanço positivo que me anima a continuar este passatempo com o qual espero, de carona,  contribuir um pouco com o Rio de Janeiro e manter próximos relacionamentos distantes.

Aos que por aqui apreceram e contribuiram, obrigado pela visita e pelos comentários, mesmo os que discordam do Cariocadorio.  Voltem sempre.  

Parque das Águas de São Lourenço

Fotos by Cariocadorio:  Celebremos (Fev 2010); Enseada de Botafogo (Out 2009); Veleiros no Píer mauá (Fev 2010); Parque das Águas de São Lourenço (Jul 2010); Vemag em Ibicuí, 1959 (Acervo Cariocadorio, proibida a reprodução sem autorização prévia)

Rio – São Lourenço, 1949

19 de setembro de 2010

Resende, parada para o almoço

O ônibus era um Mack, americano, uma marca até hoje importante em terras do Tio Sam mas que não teve muito sucesso por aqui.  Surpreendeu-me vê-lo pela primeira vez no Brasil. Primeira e última.  Depois disso, não vi mais um Mack por aqui.  

A viagem era longa até São Lourenço.  Paramos pela primeira vez em Resende, para o almoço.  Seguimos pela estreita rodovia Rio-São Paulo e depois partimos para terras mineiras.  Difícil a subida pela estrada cheia de curvas.  Chegando no alto da serra, e que serra, tivemos que dar uma paradinha para recuperar o fôlego.  

Alto da serra

Achei interessantísssima esta bomba de gasolina, parecia que estávamos no século passado.  Tomamos um cafezinho bem mineiro e seguimos  para São Lourenço.  Parecia um nunca chegar.  Mas, quem se importava?  A viagem estava ótima e tempo não era problema.   

São Lourenço foi uma grande surpresa, o Parque das Águas muito melhor do que se esperava.  
Saindo da Capital, a gente não imagina um lugar tão bonito e bem cuidado neste interior de Brasil. 

A patroa resolveu fazer pose.  
Poxa, não é que ela ficou muito bem na foto, com esse jeitão Hollywoodiano.  

Estes dias de novembro de 1949 ficarão para sempre na nossa memória.  Voltaremos certamente.  Quem sabe poderemos trazer as crianças na próxima vez. 

Fotos: Viagem a São Lourenço, Novembro de 1949 (Acervo pessoal Cariocadorio.  Proibida a reprodução sem autorização prévia.)

São Lourenço em 3 tempos

16 de agosto de 2010

Hotel Guanabara, 2010

Busquei na internet o Hotel Guanabara de São Lourenço.  Encontrei-o muito diferente do que ficara na minha memória.  Não, eu não queria aquele hotel moderno e sim o da minha infância. Prefiri ir para outro lugar e, uma vez em São Lourenço, buscar o que dele restou.  Para minha surpresa o Guanabara moderno era um novo prédio mas o antigo permanecia quase como antes.  
Ao registrar imagens parecidas  com o passado constatei o inevitável. Mudava o preto e branco da foto, a modernidade do carro ainda que com as mesmas quatro rodas, pneus  e o volante para dirigí-lo.  O prédio e os paralelepípedos do calçamento eram quase os mesmos.

Hotel Guanabara 1964

O contraste está nas transformações e nas perspectivas do tempo.  Do  eterno futuro  à certeza de tê-lo muito mais no passado.  Resta o previlégio de ter viajado com ele  e de seguir por seu caminho enquanto nos couber fazê-lo.  

Do Guanabara fui ver o Granada que de memória só tinha as fotos das gerações passadas.

Hotel Granada, 1948

Hotel Granada, 2010

Alguns insistem em mostrar-se  sempre da mesma forma.  Adaptando-se ao inevitável processo que lhes impõe o  tempo, mantêm sua postura de sempre.  De que cor seria o verde do Hotel Granada de 1948?

Fotos: Hotel Guanabara, 2010 e Hotel Granada, 2010 (by Cariocadorio);  Hotel Guanabara, 1964 e Hotel Granada, 1948 (Acervo Cariocadorio, favor não reproduzir sem autorização prévia). 

Trampolim do Diabo

12 de abril de 2010

Acidente na Visconde de Albuquerque

Dos primeiros passos do automobilismo no Brasil a mais famosa pista de corridas é o Circuito da Gávea no Rio de Janeiro.  As dezesseis provas neste incrível circuito, entre 1933 e 1954, levaram o Brasil às páginas da imprensa internacional. O circuito estendia-se por 11,6 km, passando pela Viscionde de Albuquerque, Rocinha e Av. Niemayer.  Além do desafio de pisos variados, curvas de todos os tipos e sua beleza natural, este circuito tinha o perigo como uma de suas principais características. Daí o nome de Trampolim do Diabo.  

Nesta pista correram os primeiros ídolos do automobilismo brasileiro como Manuel de Tefé, Irineu Corrêa e Chico Landi.  Participaram vários estrangeiros famosos como o italiano Carlo Pintacuda, o alemão Hans Stuck e os argentinos Froilán Conzales e o grande Juan Manuel Fangio.  A francesa Helle-Nice, misto de piloto e dançarina, também ficou famosa no Brasil por correr no circutio.  

Uma ótima descrição do que foi o Circuito da Gávea pode ser vista no site Óbvio (clique aqui) de onde retiro este pequeno trecho sobre o piloto brasileiro Irineu Corrêa.
“O fato mais marcante foi na corrida de 1935 quando Irineu Corrêa, que vencera no ano anterior, morreu ainda na primeira volta após se chocar com uma árvore e cair no canal do Leblon. Um dos pilotos mais talentosos que este País já teve, Irineu se destacava também em provas na Argentina e chegou a vencer uma corrida nos Estados Unidos, provavelmente a primeira vitória de um brasileiro no Exterior. Sua morte chocou o público da então Capital Federal.”   

Detalhe

Mas o importante aqui é a foto acima. Eu era garoto quando a vi pela primeira vez.  Ela pertencia ao meu avô Abel. Entendo que tenha sido tirada por ele mesmo e que retrata o acidente que tirou a vida de Irineu Corrêa.  Infelizmente não posso ter certeza disso mas o certo é que o acidente ocorreu na Visconde de Albuquerque e que seu carro levava o numeral 32.   Clique na foto para ampliá-la e ver o número. Pesquisei na internet sem encontrar um intantâneo como este.  Portanto, esta foto pode ser um importante documento da história do automobilismo brasileiro.
A foto neste site mostra o carro de Irineu antes do acidente, com o numeral 32.
http://www.forix.com/8w/gavea/rio35-correa1.jpg  

Fica aqui o convite para que especialistas no assunto comentem e nos tirem as dúvidas.  

Foto: Acidente na Visconde de Albuquerque; (by Abel Lourenço dos Santos; 1935; acervo pessoal Cariocadorio, proibida a reprodução sem autorização prévia.

Stock Car

29 de março de 2010

No mesmo dia em que Jenson Button venceu uma das mais eletrizantes corridas de F1 dos últimos tempos, o experiente Max Wilson conquistou a primeira etapa da Stock Car, a melhor categoria do calendário brasileiro. Mas peraí!!! Há controvérsias sobre ser a melhor.   A mais importante? Talvez.    

Largada para a Stock Car brasileira; Interlagos 1972

A TV Globo, mais uma vez, transmitiu apenas pedaços de corrida.  Por que não colocam a stock na SporTV?  Quem quiser vê a corrida inteira. Ou não, como diria Caetano. 
Deixemos a polêmica para os blogs especializados e falemos de história.   O que vemos na foto acima é a primeira bandeirada de largada da stock car no Brasil.  Na verdade foi mais uma exibição. Algumas voltas pelo saudoso anel externo de Interlagos.  A categoria só viria a se estabelecer anos mais tarde. A foto pode servir também como um desafio aos aficcionados em automobilismo brasileiro.  Lembro que o Gil (não o DeFerran)  era um dos pilotos.  Quais os demais?  Quem souber, favor comentar.

Porsche 910; 500 Km de Interlagos

A exibição aconteceu como preliminar dos 500 Km de Interlagos de 1972, corrida que reuniu carros de categoria internacional como Ferrari 512, Porsches 908, um protótipo Berta argentino (os hermanos entendem deste esporte), Avalones e outros.  Na outra foto o Porsche 910 recém incorporado pela Equipe Hollywood se encaminha para os boxes.  Chegou rodando ao autódromo?

Esquadrilha da Fumaça

Este foi um grande dia de automobilismo. Lá estava eu com meu parceiro Geraldo.  A festa contou com a esquadrilha da fumaça.  Eram bons aqueles tempos de automobilismo, curso Bahiense, praia e diversão.  Aos dezessete,  tudo é muito bom.   

Fotos by Cariocadorio: Stock car largando em Interlagos, 1972; Porsche 910 a caminho dos boxes. Interlagos 1972; Esqudrilha da Fumaça, 1972.

Fórmula 1, mais uma vez

8 de março de 2010

No Bahrein, no próximo domingo, inicia-se mais uma temporada de fórmula 1.  E me perguntei há quanto tempo eu acompanho a fórmula 1 e por que durante tanto tempo eu “perdi o meu tempo” lendo a respeito, vendo corridas e buscando informações para saber mais. Certamente de longa data, uns quarenta anos pelo menos.  O porque, sei lá.   

Jim Clark, vencedor do GP dos EUA, 1966

A coisa começou com DKWs, Berlinetas, Binos e Fitti-Porsches.  Fórmula 1 era uma ficção trazida pelas AutoEsportes, lidos e relidos os textos detalhados das corridas, devoradas as estatísticas de voltas mais rápidas, vencedores de corridas e campeões …  Um mundo mágico de um  Jim Clark que a fórmula 2, que ironia, logo nos levaria.  Anos mais tarde aprendi que  “um simples canalha mata o rei em menos de um segundo”.  Dennis Hulme era o campeão.  Como podia aquela figura de anti-herói, um neo-zelandês, ser o campeão?  Como podia um carro chamado Brabham ser campeão?  Então não era uma Ferrari, Lotus, Mercedes, Alfa Romeu? Não, o campeão era um homem mais velho, na verdade Dennis Hulme apenas tinha cara de velho, sempre teve cara de velho, em um carro que levava o nome de um piloto australiano, Jack Brabham.  Um ano antes, o próprio Jack havia conseguido seu terceiro título, desta vez com seu próprio carro. 

Dennis Hulme, McLaren Can-Am

O grande Dennis Hulme partiu para a novata McLaren e continuou vencendo corridas de F1 e campeonatos na série canadense-americana, a Can-Am, com enormes carros com motores de 7 litros.  Na Europa, em esporte protótipos, os Porsches eram a grande atração.  Por muito tempo não teve pra mais ninguem.  Só dava Porsche modelos 907, 908, 917, enquanto as Ferraris estavam em uma má fase, não viam a cor da bola.  

Graham Hill, Monaco 1968

Na F1 tinhamos Graham Hill, o esteriótipo de um aristocrata inglês, talvez o último romântico da categoria, que também venceu em Indianápolis e Le Mans e  Jackie Stewart, o escocês que levou um carro francês a ser campeão do mundo em uma equipe inglêsa. 

Stewart, Matra-Ford: GP Holanda, 1969

Pedro Rodriguez, Jacky Ickx, o azarado Amon, Bruce McLaren (seus carros ganham até hoje), Beltoise, Cevert, John Surtees, campeão das categorias máximas sobre duas e quatro rodas (acho que foi  o único?),  Redman, Siffert, Pescarolo… 
Muitos ficaram pelo caminho, a F1 matava muita gente.  No ano em que o Brasil foi tri no México, Jochen Rindt foi campeão post morten.    

Quando o Emerson Fittipaldi ganhou as páginas de esportes dos jornais com uma vitória na F-Ford inglêsa eu já torcia por ele há muito tempo.   Anos depois, em 72,  um colega no cursinho de vestibular me fazia descrever a carreira do ídolo…na primeira pessoa.  Eu assinava contratos, explicava o que acontecera na corrida, como fiz certa ultrapassagem e, tão comum no início dos anos 70, qual foi o defeito que me tirou da prova .  A gente se divertia com isso, ajudando a diminuir a tensão do vestibular.  Naquele ano “eu ganhei cinco GPs e fui campeão mundial”.  Tive também o primeiro gostinho de ver as baratas da F1 acelerando em Interlagos.  A corrida foi muito ruim, não valia pelo campeonato e logo de início vários pararam.   No ano seguinte, 1973, Interlagos tinha o seu primeiro GP pra valer, com direito a vitória do Rato e boné do Colin Chapman voando. 

Interlagos, 1° GP do Brasil 1973

A presença de Emerson na fórmula 1 fez o Brasil despertar novamente para corridas de automóveis.  O locutor de rádio, acostumado com o futebol, lançou a seguinte pérola no auge de seu entusiasmo: ” e lá vão eles para a última volta do ponteiro“.  A telivisão passou a mostrar corridas e até o meu pai, que antes só reclamava da minha paixão incondicional, passou a ser fã das manhãs de domingos com  F1 na TV.  Torcemos muito pelos brasileiros. Por sinal, saudades do José Carlos Pace.

Não tenho o mesmo entusiasmo mas ainda gosto de ver corridas.  Dependendo do GP assisto ao vivo, apesar do chatíssimo narrador oficial e seu comentarista que  parece preferir servir-lhe apenas de escada.   Ou no VT a noite, quando invariavelmente durmo antes do final. Mas na primeira do ano estarei de cara para a TV, torcendo pelos brasileiros de sempre e pelos recém chegados.  Aliás, temo que esta turma nova não vai vingar. Torcer para o Rubinho também?  Claro que sim. E mais torceria se ele falasse menos.  Barrichelo é um exemplo de trabalhador.   Depois de tanto tempo ainda tem um empregão,  que muitos gostariam de ter.   

Jenson Button

Agora há muita informação disponível.   Mas certamente haverá garotos que , como eu no final dos anos 60, vão estranhar que um inglês quase  obscuro, esse tal de Jenson Button, seja o atual campeão pilotando uma Brawn.  E que diabos é uma Brawn?  O que???  Não tem mais Brawn esse ano??? Calma, você vai ter explicação pra tudo.  E daqui a quarenta anos vai lembrar mais disso do que das corridas de 2049.  

Eu ía falar das mazelas de um esporte corrompido por tramóias, espionagens, trapaças e comercialização sem limite.  
Como no futebol falou mais alto a paixão.  As novidades deste ano prometem.  Tenham todos uma ótima temporada. 

PS. Links para artigos relacionados:
Autódromo do Rio
Ídolos

Fotos: Jim Clark no GP EUA, 1966 (by Diskmix, Flickr Creative Commons); Dennis Hulme com McLaren Can-Am  (by Diskmix, Flickr Creative Commons); Graham Hill no GP de Monaco , 1968 (by Prorallypix, Flickr Creative Commons); Jackie Stewart no GP da Holanda, 1969 (by Prorallypix, Flickr Creative Commons); Grid em Interlagos GP do Brasil, 1973 (by Cariocadorio); Jenson Button (by Martin Baldwin, Flickr Creative Commons)