Archive for dezembro \27\UTC 2009

Da Pavuna a Ipanema

27 de dezembro de 2009

     

Ligação Direta

Finalmente uma obra de porte no Rio de Janeiro.  Há muito tempo não se via uma dessas.   Quer dizer que o momento é para se parabenizar o Estado, não é?  Infelizmente não.  A linha elevada do metrô ao longo da Radial Oeste e da Praça da Bandeira até que ficou imponente.  Mas precisava esse monstrengo de viaduto na entrada da Rua Francisco Bicalho?      

Além de tudo ainda iluminam de noite como se fosse uma obra de arte.   Do ponto de vista de engenharia, não encontro justificativas para este monstro.  Muito menos  do ponto de vista arquitetônico.  Fica a impressão de que o governo quis fazer mais uma obra para aparecer.  Como tudo que se faz atualmente, o importante não é o resultado prático, o benefício para a população ou a beleza da cidade.  O objetivo é capitalizar em cima do que se está fazendo.  Por isso é que saneamento básico perde para iluminação, fazer hospital é melhor do que colocar médicos para atender e as escolas que se constróem não têm professores ou merenda.  O negócio é aparecer.     

Além disso os especialistas dizem que é uma obra pela metade.  O projeto original considerava uma passagem em dois níveis no Estácio seguindo até o Largo da Carioca.  A nova linha utiliza os mesmos trilhos existentes. O resultado é um aumento no tempo entre trens de cada linha e uma capacidade muito menor que o projeto original.      

Pra que tudo isso?

O início de operação está sendo bastante tumultuado mostrando que, no mínimo, o planejamento foi mal feito. Só nos resta torcer para que seja apenas uma questão de ajustes para que tudo dê certo.     

Que em 2010 o metrô “Da Pavuna a Ipanema”  faça a população do Rio tão feliz quanto nos fez  o Tim Maia  “Do Leme ao Pontal”.    

 Fotos by Cariocadorio: Ligação Direta; Truss; Pra que tudo isso?  (24/12/2009)

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Autódromo do Rio

26 de dezembro de 2009

3 horas de Velocidade - Julho 1969

O antigo Autódromo Internacional do Rio de Janeiro (AIR), construído no mesmo lugar do atual “Nelson Piquet” que hoje agoniza,  foi palco de corridas memoráveis.   Eram tempos em que o automobilismo de autódromo era pouco mais que uma extensão das corridas nas ruas da Barra.  O público tinha acesso a locais perigosos, aos boxes e era praticamente impossível controlar.  No final dos anos 60 víamos passar pertinho os famosos da época.  O belíssimo protótipo Fitti-Porsche, que era rápido mas não terminava a corrida, os Mark I e Mark II (o famoso Bino) da Willys, Alfas Giullia e GTA,  BMWs, diversos fuscas, reminiscentes DKW, o Patinho-Feio, berlinetas Interlagos e tantos outros eram os  heróicos protagonistas.  No Rio de Janeiro eram famosos o Malzoni do Norman Casari e a Alfa vermelha do Mario Olivetti.  Houve até uma rara aparição da antiga carretera do Camilo Christófaro.

F.Ford, Fev 69; Emerson lidera, Allen, Luizinho e Ashley

Eram tempos de leitura obrigatória das AUTOESPORTE (a revista que acelera as emoções).  Não importava de que mês/ano.  Elas nos levavam à fórmula 1 distante, ao campeonato de marcas (Ferraris 512, Porsches 908 e os imbatíveis 917) e a série Can-Am.  Emerson Fittipaldi era apenas um jovem piloto que corria junto com Wilson, Luis Pereira Bueno, José Carlos Pace, Alex Dias Ribeiro e vários outros. 

F.Ford, Fev.69; Valentino Museti

A gente achava que Dennis Hulme, Jim Clark, Jack Brabham e Graham Hill eram mitos sobre-humanos.  Não sabíamos que muito em breve aquela trupe tupiniquim provaria que não tinha nada a dever aos gringos.   Melhor dizendo, faltava grana, coisa que eles tiveram que superar para chegar onde todos sabem. 

Em 1969, Emerson, recém-chegado de uma vistoriosa temporada na Inglaterra, participou da temporada brasileira de fórmula Ford.  Aqueles pequenos monopostos foram o início do caminho de vários pilotos brasileiros para a fórmula 1 e do própiro GP do Brasil da categoria. 

José Carlos Pace na Alfa P-33

Pouco depois o Rio de Janeiro viu as 3 horas de velocidade. Uma Alfa Romeu P-33, uma Lola T-70,  um protótipo nacional AC-1 que depois faria história, fizeram a primeira fila do grid.  Carros inacreditáveis no Rio de Janeiro.  Fiquei preocupado.  Poderão brasileiros pilotar estes carros?  Tolo coplexo de vira-lata…Ninguem menos que o saudoso José Carlos Pace levou a Alfa P 33 à vitória com facilidade.  

A construção do novo autódromo foi esperada com ansiedade pelo grupo de amigos aficcionados em automobilismo.  Este mesmo autódromo que o prefeito César Maia começou a destruir quando decidiu que a fórmula 1 não interessava ao Rio  em 1990 e decretou sua morte ao construir arenas do Pan no espaço do Autódromo (clique aqui para ver Barra da Tijuca 2017).

Este artigo saudosista nas últimas voltas de 2009 procura lembrar que centenas de jovens cariocas, como meus amigos nos tempos pré-Emerson Fittipaldi, em breve estarão órfãos de autódromo no Rio de Janeiro.  Espero que se cumpram as promessas de um novo autódromo em Deodoro ou onde seja.  Não precisa ser o melhor do mundo, nada de megalomania, apenas algum lugar decente e seguro para a prática do esporte no Rio de Janeiro.

 Fotos by Cariocadorio:  Fórmula Ford no Rio de Janeiro, Fev. 69;  Três Horas de Velocidade, AIR, Jun 69.

A gata de Natal

23 de dezembro de 2009

Gato é gato, gata é gata.  Cada gato é um gato, cada gata é diferente. E por falar em gatos, cada gata no seu galho, eu não me canso de falar.  De galho em galho, a gata enche o gato, como se lhe fosse quebrar um galho.  Um galho de fim de dezembro, dessa árvore de dezembro, um dezembro que ainda fica entre janeiro e novembro. Embora  já não se façam dezembros como antigamente, dezembro ainda é mês de Natal.  Pois seja esta uma árvore de Natal, de uma gata carioca, uma gata de Natal.     

A gata de Natal

 Foto: A Gata de Natal (by Cariocadorio, 19/12/09)

Árvore de Natal da Lagoa

20 de dezembro de 2009

Queria mandar uma mensagem de Natal com uma imagem da árvore da lagoa. Tive preguiça de andar até lá mas fiquei na dúvida se valia a pena ir de carro.  Sabe como é, o trânsito fica horrível por causa da árvore. 

Estacionei fácil a uma certa distãncia como planejado. Sem problemas andei pela “ciclovia” onde conheço bem as distâncias, os buracos e as árvores de onde os mergulhões cospem na gente.  A medida que eu andava ia aumentando o número de pessoas.  De todos os tipos, de todos os lugares, de todas as torcidas.  Tinha vascaíno, criança, adulto , barraca de milho verde, flamenguistas vários, camisa do botafogo, casais de namorados, casais casados ou não, torcedor do fluminense, de outros menos votados (até do Remo de Belém, afinal foi lá que Jesus nasceu), espada florescente, meninas brejeiras, tapioca recheada, camarada sarado, pipoqueiro, senhoras idosas…  Alguém disse que era hora de voltar pra casa e outro comentou o longo caminho até São Gonçalo. O trânsito, apesar de lento, fluía bem.  Os flanelinhas, antipáticos personagens urbano-cariocas, atuavam livremente mas longe da curva do calombo, a zona do agrião da árvore de Natal.   

Todos queriam uma imagem com a árvore.  Câmeras, celulares, flashes pra todo lado.  Pensei como ficariam desapontados com as fotos tremidas, com as pessoas sem a árvore ou a árvore sem as pessoas.  Composição difícil esta.    Vi todas as nuances da iluminação e tirei as fotos que quis.  Este ano a árvore está particularmente bonita.  Só lamento que não consigam fazer com que fique bonita de dia também.  Com a missão cumprida mas convencido que o melhor era pegar uma  foto na internet comecei a voltar.  

Tinha muita gente chegando, de todos os tipos, tamanhos e medidas mas com o mesmo ar de frequentador apenas casual da lagoa. Certa vez correndo por ali escutei um vendedor de qualquer coisa dizer pro outro:  “esse pessoal daqui não gosta da gente não”.  Era verdade, embora não fosse nada pessoal… aquele movimento todo na pistinha estreita, sem dúvida, atrapalha o exercício e perturba o cotidiano.  E tem o engarrafamento e a sujeira que fica pro dia seguinte…que chatice ficarem invadindo a nossa praia.  Há alguns anos penso no incômodo que causa essa árvore de Natal da lagoa. 

Penso também no que mais uma vez vi nesta noite de sábado.  Uma festa que custa quase nada pra tanta gente e transmite bem o sentimento desta época do ano.  Nesta noite, como todos os anos, vi alegria e paz nos rostos das pessoas que foram apreciar a árvore.  O tal incômodo não é nada comparado à felicidade de tantos.  Afinal de contas,  é Natal!!!

 Fotos:  Árvore de Natal da Lagoa (by Guto Costa);  Árvore de dia (19/12/09, by Cariocadorio); Feliz 2010 (19/12/09, by Cariocadorio) 

O Plymouth

12 de dezembro de 2009

O Plymouth, Jo e Vin

Este artigo é especialmente dedicado às gerações mais novas da família, espalhados por este enorme Brasil.  Particularmente aqueles que moram em Sampa, Niterói, Grajaú, Tijuca e adjacências.

Nesta foto de 195…e pouco, os meus tios Jo e Vin posam ao lado do belíssimo Plymouth modelo 19…e quase cinquenta.  Os especialistas poderão dizer exatamente qual é o modelo e ano de fabricação. Talvez os mais rodados possam saber o local e a data exata da foto. 

Interessante que eu nunca tinha ouvido falar deste carro.  Espero que alguem possa identificar de quem era.  Lembro-me do Studbaker que só vi em fotos e do famoso Chevrolet 37 que aparece de raspão (um dia ele vem com tudo) na foto abaixo.  Aliás a tia Je está muito charmosa no cavalo. 

Tia Je a cavalo

Em fotos deste passeio aparecem também o vovô Bel e a vovó Bel, posando ao lado do Plymouth.  Mas eles voltarão em outras oportunidades com ou sem o DKW Vemag Belcar que já foi mostrado aqui.   

Um detalhe interessante é que a placa do carro branco ao lado é de 4 dígitos e a do Plymouth, de 6 dígitos.  Imagino que aqueles seriam tempos de aumento da frota de automóveis da Capital Federal.

Fotos: O Plymouth (circa 1950); Tia Jê a cavalo (circa 1950); acervo pessoal Cariocadorio. Proibidada a reprodução sem autorização prévia.

Antipatias Cariocas

11 de dezembro de 2009

(13/01/2010:  edição revista e aumentada com os comentários dos navegantes.  Texto completo nos comentários de acada um)

O Rio tem algumas coisas antipáticas.  Não falo do caos urbano, da guerra do tráfico nem da poluição.  Estas são tragédias cariocas.  Antipatias são coisas pessoais, cada um sente as suas, às vezes nem dá pra explicar.  Gostaria que este fosse um artigo de todos.  Vamos falar do que é antipático no nosso Rio de janeiro.

  • Garçon do Bar Lagoa,  a maioria conhece.  Faz parte do folclore e alguns acham que está bom assim mesmo.    
  • Estacionamento do Botafogo Plaza Shopping, que tal? Você chega e vê aquele espaço todo vazio mas vaga só no andar de cima. Porque ali em baixo, no lugar fácil, só se você pagar o “valetiparquin”.  Tenho má vontade em ir lá por causa disso, atrapalha até a imagem do shopping. 
  • Aeroporto do Galeão.  Depois de uma viagem recente resolvi dar prioridade ao nosso aeroporto e fazer um artigo a parte.  Veja clicando aqui. Isso tá mais pra anarquia do que antipatia carioca.
  • Ruas e calçadas.  Péssima conservação. Onde passamos, temos sempre grande possibilidade de cair em algum buraco ou cratera.  E quando chove … (por Wagner e apoiado por muitos, reforçado por Isabel depois que um buraco na rua rasgou o pneu)
  • Na praia. O loteamento e a gritaria dos vendedores.  (por Denise)
  • Falta de educação. No trânsito, os péssimos motoristas de ônibus, vans e táxis,  a mania de falar alto em lugares públicos, os celulares no cinema…dá pra fazer um blog só disso. (por Denise)
  • Falta de banheiros públicos.  Algo irritante. Não tente ir ao banheiro quando estiver no centro da cidade, senão terás sérios problemas. Por que não colocar banheiros públicos em pontos estratégicos da cidade? (por Claudio)
  • Lixo nas ruas e nas praias.  É algo impressionante. Eu fui a Praia de Ipanema (eu costumo chegar por volta das 8:00 h e caminhar até o Leblon) e o lixo assustava tanto que cheguei a conversar sobre a falta de educação das pessoas com dois garis. Por que não fazer uma campanha publicitária agressiva sobre o assunto e usar agentes para repreender as pessoas? (por Claudio)
  • Flanelinhas e mendigos.  presença irritante nas ruas.  E a Guarda municipal só multa os carros.. (por Claudio).
  • Camelôs nas calçadas. Os camelôs nas calçadas, principalmente aqueles que estendem as capas de inúmeros softwares pirata reduzindo a passagem na calçada, é outro ponto irritante. (por Claudio)
  • Taxa de iluminação.  A previsão de cobrança pela precária iluminação pública é outro ponto irritante na nossa querida cidade e deste prefeito. (por Claudio)
  • Desmatamento e balões. Os morros estão ficando carecas.  Balões causam queimadas. Quem mora em casa é que sabe como é o inferno quando um balao cai em seu quintal ou telhado e um bando de loucos invade sua casa durante a noite apenas para recuperar os restos mortais de um balao caido. (por Roberto)
  • Televisão nos bares e restaurantes.  Televisões ligadas em quase todos os bares e restaurantes da cidade, não solicitamos isso e está sendo imposto!  As pessoas não se olham,  não batem papo, mas assistem TV caladas, lado a lado, nas mesas de bar! (por Evelyn)
  • Falar no rádio Nextel em lugar público.  As pessoas  usam os seus aparelhos de Nextel (rádios) no viva voz, obrigando a todos que estão em volta, seja no onibus, na rua, no elevador, enfim, em qualquer lugar público, participar do que esta sendo discutido.  E o “alerta” também perturba todo mundo. (por Isabel)
  • Mijões dos blocos de carnaval.  Já comentaram aqui sobre a falta de banheiros públicos, concordo, mas nada justfica a porcaria desses camaradas (por Andreia).
  • Transporte marítimo Rio-Niterói. O Governo do Estado do Rio de Janeiro, em conluio com a iniciativa privada, consegui transformar o prazer enorme que era a travessia Rio/Niterói, pelas saudosas barcas, num tormento inenarrável. Com dijanelas altas e diminutas, verdadeiras escotilhas, retirou-se a visão relaxante da paisagem e o frescor da brisa marinha, agora substituídos pelo pelo calor sufocante proporcionado pelo inexistente sistema de ar condicionado, tão anunciado pela imprensa à época da construção dos novos mausoléus flutuantes. (Por Galdino)

Agora que você já sabe qual é a idéia, vamos fazer uma lista. Em “deixar um comentário”, descreva o que você acha antípático no Rio.  Vale qualquer coisa, é pra desabafar.  Se der certo eu compilo os comentários e atualizo o artigo.  Aí ponho uma foto bem antipática também.

Alegria Carioca!!!

6 de dezembro de 2009

Há muito tempo o futebol carioca não vivia um dia tão glorioso.

Mas este Cariocadorio, que hoje está feliz por todo o Rio de Janeiro, ainda não pode crer na felicidade maior que proporcionou o Mengão.  Que improvável hexa-campeonato levantou o Flamengo este ano.  Depois de um início titubeante, o  Mengão arrancou no final ao comando da humildade de um Andrade histórico.  Mais que Adriano e Petkovic, este é o nome da conquista. Andrade…o maior campeão da história dos brasileiros chama-se Andrade, o Tromba.  Um sujeito simples, de declarações humildes porém firmes e decisivas.     Sem marra, sem estrelismo, sem vedetismo, Andrade foi só trabalho e competência.  Na reta final, sob o seu comando o Flamengo bateu os adversários diretos e foi mais que merecedor deste título.  Obrigado, Andrade!

Torcedor do América (1956)

Que campanha fez o Fluminense se mantendo na primeira divisão quando há muito tempo já o haviam condenado à segundona.

O Botafogo, um time até então meio frouxo nas horas H, escapou no último jogo ao vencer no Engenhão o Parmera, time do tri-Murici, mantendo-se na primeira pra 2010.

Vasco, campeão da segundona, volta com força total no ano que vem. 

E o América, que ainda conta com muitos torcedores como este  da foto posando de Pompéia, volta à primeira divisão do Carioca. 

Parabéns Cariocas, parabéns Mengão, o  mais carioca dos cariocas!!!!!!

Ano que vem a rivalidade está de volta… hoje vamos comemorar juntos a volta por cima do futebol do Rio de Janeiro.  Que seja um bom presságio para a nossa cidade.

Flamengo, Campeão Brasileiro de 2010

           Mengoooooooooooooooo!!!!!

Foto: Pequeno torcedor do América (1956), acervo pessoal Cariocadorio, proibida a reprodução sem autorização prévia.

Aeroporto do Galeão

5 de dezembro de 2009

Torre de Controle

No maior aeroporto do Rio de Janeiro, chegar e partir são só dois lados da mesma anarquia. 

Você desce do táxi e já te esperam uns engraxates com um jeito estranho.  Entra rápido pra se sentir menos inseguro. No saguão do aeroporto, em pleno pré-verão do Rio, o ar condicionado funciona muito mal. Você logo nota que as reformas em andamento são uma maquiagem de segunda classe. Os novos “telões” sobre os postos de check-in são tão pequenos que não dá pra identificar a companhia aérea.  Você responde a uma série de perguntas idiotas da companhia aérea americana (só aqui, lá eles não fazem isso). Tudo bem, isso não é culpa da Infraero.  

Feito o check-in, vem a longuíssima fila pra passar na imigração.  Depois a fila pra passar no raio-x e finalmente você está do lado dos portões de embarque.  A escada rolante pro andar de cima não funciona. O calor continua… Azar seu que colocam três vôos internacionais em portões consecutivos, 11 ao 13.  Logo aqueles em reforma e espremidos ao lado do raio-x, enquanto do  5 ao 10 está tudo vazio.  Claro que não há espaço pra todo mundo e o calor aumenta mais ainda.  Você aguardou a sua vez e passou pelo gate. Responde novamente às perguntas idiotas e finalmente embarca com apenas 15 minutos de atraso.  Que maravilha, está tudo pronto para o vôo sair na hora marcada.  

O Comandante pede desculpa mas tem que esperar outro vôo. Depois diz que o seu avião é o sétimo da fila de decolagem e que tem ainda que esperar dois que estão aterrisando.  Com uma hora de atraso você está no ar.  

"Waiting For" (filas no aeroporto)

Mesmo que o trabalho ou as férias tenham sido ótimos sempre é bom voltar pra casa.  Tudo certo e você aterrisa  no Antonio Carlos Jobim.  Que sacanagem fazer isto com um cara que tanto fez pelo nosso orgulho-de-ser-brasileiro.  Graças a Deus todo mundo continua chamando de Galeão esse aeroporto medieval.   

Agora é hora de passar na imigração e depois lutar naquele espaço espremido para pegar as malas na esteira lentíssima. Parada básica no free shop, a única parte do aeroporto que parece reformada (por que será?), e você está pronto pra enfrentar a alfândega.  Só que o pessoal da alfândega resolveu trabalhar sério e … operação padrão.  Mais de uma hora na fila.

Você venceu, passou no verde levando o celular de $1350 com tecnologia do fala-escreve do George Orwel, só que em doze idiomas, mais o estado da arte em comunicação. Serve até como telefone.    Feliz da vida, você encara uma daquelas mulheres atraentes das empresas de táxi. Pode escolher qualquer uma porque o preço agora é tabelado. Isso mesmo, o rádio-taxi (branco) passou a cobrar o mesmo da antiga máfia do aeroporto (carros azuis e vinho). O mesmo assalto pra todos os “especiais”.  Na saída o carregador / cambista (isso até que melhorou) tenta te abordar, a rapaziada oferece um táxi e é melhor você se mandar logo.  Se não quis o táxi “especial” no preço tabelado você pode arriscar um amarelinho lá fora.  Mas aí já sabe, do lado de fora você está ainda mais exposto que do lado de dentro.   

Bem-vindo ao Rio de janeiro.   Tudo bem, pra Copa vai estar tudo resolvido e pras Olimpíadas melhor ainda.  Depois …    

Fotos: “Torre de Controle” by Bruno S. Lessa (Flickr, Creative Commons, 4/2/08); “Waiting For” by Santa Rosa (Flickr, Creative Commons, 24/9/05);