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APO, CPO, RDC e a gastança olímpica

26 de junho de 2011

Quando anunciaram o nome de Henrique Meireles para ser o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), senti aquela vã esperança de que a gastança olímpica poderia ser controlada.  Esta semana a presidente Dilma indicou o ex-ministro das Cidades para ser o responsável pela APO.  Diferente da austeridade do ex-presidente do Banco Central, Marcio Fortes é apenas um político cuja participação no governo Lula resumiu-se a ocupar um cargo político. 

Márcio Fortes

Suas primeiras declarações dão bem conta do que ele entende da posição que vai exercer.

“Tem um negócio que ninguém fala. As perguntas são sempre sobre obras. Eu quero ganhar as medalhas. O Brasil está se preparando pra isso também. Eu vejo uma oportunidade de a gente se afirmar no esporte. Vamos ganhar o máximo de medalhas. Estamos esquecendo disso. O objetivo da olimpíada qual é? A vitória. Claro que pelo espírito olímpico o importante é participar. Mas é muito melhor participar vencendo.”

Vamos e venhamos, isto nada tem a haver com a sua responsabilidade na APO que é controlar recursos e cronogramas físico e financeiro das obras.  Além disso, Fortes teria dito que “o Rio de Janeiro tem uma experiência muito boa quanto à realização dos eventos esportivos. Os Jogos Pan-Americanos não foram uma prévia das Olimpíadas? E qual foi a avaliação desse evento? O melhor Pan-Americano que já houve.”

Isso demonstra que o ex-Ministro das Cidades não tem a menor idéia do que foram os malditos Pan-Americanos para o Rio de Janeiro.  Não sobrou nada que prestasse para a cidade e a utilização política dos ingressos para os eventos foi uma vergonha digna da administração do Pan e desta cidade, nas mãos de Cesar Maia na época.  Só o Maracanã está sendo totalmente reformado para a Copa de 2014 ao custo de R$1 bilhão após ter sido, por duas vezes, reformado nos governos Garotinho e Garotinha para os tais Pan-Americanos.

É bem verdade que Fortes também declarou que seguirá com cuidado o cronograma das obras e rechaçou as comparações com a organização da Copa do Mundo de 2014, que preocupa pelas reiteradas demoras.

A APO estará subordinada a outro novo órgão público, o Conselho Público Olímpico (CPO). Henrique Meireles foi indicado por Dilma para ser o representante da União neste órgão. Junto com ele o governador do estado e o prefeito do Rio de Janeiro.  Os arranjos políticos mais uma vez venceram a austeridade gerencial da Presidente.  

O CPO é mais um órgão público para gastar dinheiro do nosso bolso com um sem número de empregos para acomodar indicações políticas. Não creio que Meireles tenha a menor chance de exercer sua capacidade técnica e administrativa neste meio.  É provável que saia do circuito muito antes de 2016.

Assim como já está claro que o mau uso do dinheiro público (leia-se “roubalheira”) será a tônica da organização da Copa do Mundo de 2014, são poucas as esperanças de uma Olimpíada no Rio de Janeiro que não nos leve à falência.  

Como se isso fosse pouco, o governo põe em campo suas novas damas (Ideli Salvatti e Gleise Hoffmann) para manter o Regime Diferenciado de Contratações (RDC), aprovado na Câmara, que determina o sigilo de orçamentos para obras da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.  Se com o sistema de licitações transparentes acontecem as maiores falcatruas imagina a farra que será este sigiloso RDC.   

Pelo Brasil afora vamos continuar vendo bilhões gastos com estádios super faturados que servirão para manter os mesmos que há tanto tempo controlam o mercado do futebol no Brasil.

Posso debulhar lágrimas de tristeza ou de raiva sobre o teclado mas isto não fará a menor diferença .  Colocar este texto na rede tampouco ajudará a resolver o problema.  Talvez algumas gerações adiante se a propaganda da coca-cola estiver certa…

Fontes: reportagem de Claudia Andrade no Terra.com e do Globo.com de 21 de junho de 2011.  Fotos obtidas na internet.

Rio de Janeiro, 1970

5 de junho de 2011

Praia Vermelha

Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 1970

 Querida Madrinha Ana,

Semana passada o Papai pegou o carro novo, que ele comprou de um moço lá do prédio, e nos levou para passear pelo Rio de Janeiro. O dia não estava bonito mas mesmo assim deu pra ver como a cidade é moderna.

Praia de ipanema

Primeiro fomos na Praia Vermelha, de onde se pega o bondinho para o Pão de Açúcar.  Como tinha muitas nuvens a gente não subiu lá.  Uma pena mas fica para a próxima vez.  

A praia de Copacabana é muito legal mas Ipanema parece mais chique.  São praias enormes, muito maiores que as do Guarujá.  É engraçado como aqui no Rio de janeiro todo mundo estaciona o carro em cima da calçada. 

Almoçamos em São Conrado, churrasquinho com batata frita no restaurante Bar Bem.  Mas antes desci num escorrega enorme que chamam de tobogã.  Depois fomos pra Barra da Tijuca. 

Tobogã em São Conrado

Papai parou no Joá e lá de cima deu pra ver uma estrada de dois andares que eles estão construindo junto do mar. Eu só não entendi porque lá na Barra tem uma praia enorme, maior ainda do que Copacabana, mas tirando uma cidadezinha no início, é tudo muito deserto.  Não sei pra que uma estrada de dois andares.

Estrada de dois andares do Joá

Eu sinto saudades da casa do Ibirapuera mas acho que eu vou gostar de morar aqui.  Não se preocupe que eu logo vou visitar a senhora aí em Jundiaí.  Manda um beijo pra Cidinha e vê se qualquer dia desses vem aqui me visitar.  Mamãe falou que o apartamento tem um quarto só pra quem vier passar o fim de semana.

Beijos
Vitorinha 

PS.  Seguem as fotos que a gente tirou no passeio

Transcrição da carta da menina Vitorinha à sua madrinha Ana.
Fotos: arquivo pessoal Cariocadorio (Setembro de 1970).  Proibida a reprodução sem autorização prévia.