Archive for agosto \29\UTC 2010

Ipanema 1970

29 de agosto de 2010

Praia de Ipanema, julho de 1970

Acabáramos de vencer a Copa de 70.  O Rio de Janeiro vivia uma época de franco desenvolvimento na esteira do milagre brasileiro e a praia de  Ipanema era o que mais perto podíamos imaginar do paraíso.  A exposição de brinquedos de plástico nas esquinas dava um colorido especial à orla do Rio.

Na fria tarde de inverno há 40  anos, a menina veste um modelito de “couro molhado”, bem na moda da época. 

Não havia tanta gente na cidade e a segurança ainda não era um problema.  Lá atrás o morro  Dois Irmãos estava longe de ser totalmente tomado pela favela. 

Enquando o austero Aero-Willys desfila tranquilo pela avenida Vieira Souto, não podia faltar o toque de esculhambação tradicional da cidade;  estacionandos com duas rodas na calçada estão um karman-Ghia e uma Variant.

Se quiser um visual ainda mais antigo da Praia de Ipanema pode recuar até 1950, na foto disponível no Saudades do Rio, neste link.

Foto: Praia de Ipanema 1970, (acervo pessoal Cariocadorio, proibido a reprodução sem autorização prévia)

Praia de Ibicuí em 3 tempos

29 de agosto de 2010

Praia de Ibicuí, Fev. 2010

Praia de Ibicuí, Fev. 1960

Praia de Ibicuí, Fev. 1985

De volta a Ibicuí, temos oportunidade de ver o que acontece com o passar do tempo. O que faz o aumento da população e as marcas que deixam os homens onde se instalam. O local continua lindo, graças à sua geografia previlegiada e a força da natureza.  Além disso, tem mais casas mas também tem mais árvores nos morros.

Castelinho

Mas observam um detalhe.  Algumas coisas insistem em vencer o tempo.  A casa que desde pequeno conheço como “o castelinho” e a “pedra- rachada” continuam no mesmo lugar da praia.

As fotos de 2010 e 1960 estão praticamente no mesmo enquadramento.  A de 85 está um pouco mais à esquerda. 
Da primeira à última, apenas 50 anos se passaram.

Fotos: Praia de Ibicuí, Fev.2010 (by cariocadorio), Praia de Ibicuí, Fev.1985 (by cariocadorio), Praia de Ibicuí, Fev.1960  (Acervo pessoal Cariocadorio, proibida a reprodução sem autorização prévia).

Ficha Limpa

27 de agosto de 2010

A campanha política e os acontecimentos que em seu redor orbitam são de fazer perder a esperança.  Não falo de Serras, Dilmas e Marinas mas da classe política e do legislativo brasileiro. 

Mais de um milhão de assinaturas foram entregues ao presidente da Câmara Michel Temer A lei “Ficha Limpa”, uma iniciativa popular, parecia impor certa ordem mas é de difícil aplicação.  Pior, tornou-se mote de campanha. Particularmente por aqueles que tem na vida pública uma folha corrida de participações pouco éticas ou mal explicadas.   

Em São Paulo, Maluf se diz ficha limpa enquanto seus advogados procuram garantir sua candidatura.  No Rio, em situação semelhante, Garotinho parece sofrer uma perseguição política implacável e quase chora diante das câmaras.  E um ex-presidente do Vasco estampa em seus cartazes o selo “Ficha Limpa“. Outros vão pelo mesmo caminho. 

O que seria um pré-requisito essencial para qualquer cidadão de bem tornou-se uma mal usada credencial de campanha. Dos famigerados “rouba mas faz” e “é dando que se recebe” chegamos ao vote em mim porque “roubo mas não provam”.  Quem é honesto e tem  ficha limpa de verdade não precisa fazer campanha para prová-lo.   

Enquanto isso alguns partidos propõe o confronto racial e entre classes socias em suas campanhas. O que mais seriam cartazes do tipo “não existe capitalismo sem racismo”? É razoável ter acesso gratuito aos meios de comunicação para incitar o confronto? 

Tudo isso pode.  Mas fazer o humor com políticos está proibido sob pena de punição (artigo 45 da lei 9.504 sob o pretexto de proibir a sabotagem e os prejuízos à imagem dos candidatos durante o processo eleitoral).  Está censurado, como nos tempos da ditadura.    

A verdadeira Palhaçada Nota de fim de post do site UOL/Folha:  O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto suspendeu na noite desta quinta-feira a legislação que proíbe programas de humor de fazerem piadas com os candidatos que disputarão as eleições de outubro.  Melhor, apesar de tudo, esperança precisa ser a última que morre.

Ilustrações obtidas do blog Espaço 2:
http://espacodois.blogspot.com/

Colin Chapman, Rio 1978

23 de agosto de 2010

Em 1978,  durante os treinos do primeiro GP do Brasil de Fórmula 1 no Rio de Janeiro, um curioso Colin Chapman observa, de passagem, os segredos da Ferrari 312 B. 

Colin Chapman observa a Ferrari 312 B

O mago da Lotus deixou a Fórmula 1 cedo demais, em 1982, aos 54 anos de idade.
O gênio criativo de Colin Chapman parecia inesgotável.  Foi  o criador do chassis monocoque, do primeiro carro com radiadores laterais, o Lotus 72, e dos fabulosos carros asa que foram um divisor de águas na história da F1

Em 1978, Chapman lançou o belíssimo Lotus 79 substituindo, a partir da Bélgica, o modelo  78 que já havia vencido na temporada.  O carro com efeito solo (ground effect) não deu chance para os rivais.   Enquanto as outras equipes se viravam para copiar-lhe, Mário Andretti levava a Lotus ao título com facilidade.  

Copersucar Fittipaldi F5A

Nesta prova no Autódromo do Rio aconteceu um lance dos mais emocinantes da F1. Emerson Fittipaldi, ao volante do Copersucar, ultrapassou a Lotus 78 de Ronnie Peterson no final do retão, para delírio dos torcedores que lotavam as arquibancadas.  O segundo lugar no Rio foi o melhor de um Copersucar.

No cockpit das Lotus de Colin Chapman estiveram alguns dos grandes pilotos da história da F1: o imbatível Jim Clark, Graham Hill, Jochen Rindt, o nosso Emerson Fittipaldi, o sueco Ronnie Peterson e outros. 

O prazer de ver o boné de Chapman voar nas  vitórias do Emerson deixou saudades, assim como já deixa saudades o nosso Autódromo do Rio, covarde e desnecessariamente destruído por um arremedo de Jogos Panamericanos. 

Fotos by Cariocadorio:  GP do Brasil de Fórmula 1, Rio de Janeiro, 27 a 29 de janeiro de 1978. 

São Lourenço em 3 tempos

16 de agosto de 2010

Hotel Guanabara, 2010

Busquei na internet o Hotel Guanabara de São Lourenço.  Encontrei-o muito diferente do que ficara na minha memória.  Não, eu não queria aquele hotel moderno e sim o da minha infância. Prefiri ir para outro lugar e, uma vez em São Lourenço, buscar o que dele restou.  Para minha surpresa o Guanabara moderno era um novo prédio mas o antigo permanecia quase como antes.  
Ao registrar imagens parecidas  com o passado constatei o inevitável. Mudava o preto e branco da foto, a modernidade do carro ainda que com as mesmas quatro rodas, pneus  e o volante para dirigí-lo.  O prédio e os paralelepípedos do calçamento eram quase os mesmos.

Hotel Guanabara 1964

O contraste está nas transformações e nas perspectivas do tempo.  Do  eterno futuro  à certeza de tê-lo muito mais no passado.  Resta o previlégio de ter viajado com ele  e de seguir por seu caminho enquanto nos couber fazê-lo.  

Do Guanabara fui ver o Granada que de memória só tinha as fotos das gerações passadas.

Hotel Granada, 1948

Hotel Granada, 2010

Alguns insistem em mostrar-se  sempre da mesma forma.  Adaptando-se ao inevitável processo que lhes impõe o  tempo, mantêm sua postura de sempre.  De que cor seria o verde do Hotel Granada de 1948?

Fotos: Hotel Guanabara, 2010 e Hotel Granada, 2010 (by Cariocadorio);  Hotel Guanabara, 1964 e Hotel Granada, 1948 (Acervo Cariocadorio, favor não reproduzir sem autorização prévia).