Archive for março \20\UTC 2011

Invasão de espaço aéreo

20 de março de 2011

Helicópteros do Obama e o Corcovado

Não é de hoje que o espaço aéreo dos moradores do Humaitá é invadido sem pedir licença.  Esta invasão não seria problema se não fosse acompanhada do barulho desagradável das máquinas e dos hélices dos helicópteros.  A coisa começa cedo, acorda o pessoal e vai até de noite atrapalhando novelas e notíciários. Fora isso, se eles não caírem nas nossas cabeças e respeitarem os biguás no seu ir e vir diário, tudo bem.

Muito barulho

Com a visita do presidente que trouxe mulher, filhas, sogra e madrinha para passar o fim de semana no Rio a coisa ficou pior.  Nunca vi tanto barulho pr’um cara ir à praia.  Dobraram os vôos e dobraram o número de hilicópteros que por sua vez tinham o dobro de hélices.  Fazendo uma matemática simples tivemos oito vezes mais barulho este fim de semana.  

Em protesto, o Cristo redentor passou todo o dia encoberto, deixando o céu em tonalidades de cinza.

Não bastasse isso, invadiram o nosso espaço terrestre também, e olha que o Humaitá nem estava no roteiro. Só que na noite de domingo fecharam o túnel Rebouças por conta do ilustre visitante.  Já dá pra entender o que aconteceu com o nosso direito de ir e vir.

Independente do Barak Obama, o tráfego diário de helicópteros pelo bairro precisa ser revisto. Isto é um ruidoso abuso com os moradores. Deixem os céus só para vôo dos biguás.

O ir e vir dos biguás

Fotos by Cariocadorio (20/03/11)

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Fórmula 1, GP da Espanha 1990

19 de março de 2011

Chegada ao Circuito de Jerez

Na Espanha pouco se falava de fórmula 1 naquela época.  Pesquisei como faria para chegar em Jerez e alguém me contou que um brasileiro, dono de uma agência de viagens em Madrid, vendia entradas para o GP da Espanha.  Como eu, outros foram até ele e assim formou-se aquele heterogêneo grupo de brazucas. 

O eficiente agente de viagens preparou um ótimo pacote para irmos até Jerez de la Frontera.    De Madrid a Sevilha fomos de trem e lá alugamos um Citroen BX, versão esportiva. Dividi a direção com a Mércia, uma publicitária que conhecia fórmula 1 a fundo, fã incondicional do Senna.  Eu preferia o Piquet, de quem era fã desde os tempos de Super Vê nos anos 70. 

Citroen BX no posto CEPSA

O Citroen, muito rápido e silencioso, era novidade para quem estava acostumado com as carroças brasileiras e com um ultrapassado, ainda que muito confortável, Peugeot 505.

Rubens lidera no europeu de F3

Torcida brasileira

A turma era tão versada em automobilismo que, terminada a preliminar de F3, o arquiteto baiano perguntou um tanto surpreso e decepcionado: 

   “Só isso? Já acabou?…”

O vencedor desta prova foi um brasileiro que, para o bem e para o mau, viria a ser muito conhecido e até hoje detem uma vaga na Fórmula 1.  Terceiro colocado nesta prova, outro brasileiro foi posteriormente parar em terras norte americanas.  Rubens Barrichedlo e Gil de Ferran representam bastante bem o automobilismo brasileiro.  Há controvérsias, é bem verdade.  

Senna lidera Prost e Mansel

Com Senna na pole position a corrida começou bem do nosso jeito.  Com a famosa McLaren ele saltou na ponta e liderou as Ferraris de Prost e Mansel nas primeiras voltas.  Um problema no radiador o fez perder posições e abandonar mais tarde.  

Senna, frustração

Na hora dos pit stops, ainda vimos uma liderança efêmera do Piquet.

No final tive que aturar o Alan Prost vencendo novamente assim como fizera na última vez que estive em um autódromo vendo a fórmula 1 no Rio em 87. Depois dele, Mansel e Nannini, de Beneton, completaram o pódio.  

Ao contrário das tantas idas a Interlagos e ao autódromo do Rio para ver a fórmula 1 de perto, esta foi uma viagem muito tranquila. Nada do tumulto e dos problemas tradicionais em solo brasileiro. O trânsito insuportável, o achaque dos flanelinhas para estacionar, a briga para arranjar um bom lugar na arquibancada e outras mazelas conhecidas.
A Espanha ainda não tinha um ídolo como o asturiano da Ferrari que leva multidões de espanhóis aos autódromos.  Aliás, a Espanha passou de mero coadjuvante a um país de ponta em vários esportes.  Até futebol, quem diria? 

Em 1990 a Espanha se preparava para ser uma nação européia de verdade.  As obras de infra-estrutura culminaram com a Olimpíada de Barcelona em 92 e a exposição de Sevilha. As gerações seguintes são fruto de um trabalho incansável por todos os esportes, uma paixão espanhola.  

Se o Brasil e o Rio de Janeiro conseguirem tirar da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 50%  do proveito que teve Espanha  em seu desenvolvimento teremos progredido enormemente após estes eventos.   

O passeio a Jerez de La Frontera e Sevilla, cidade formidável com uma história riquíssima,  foi muito divertido. 

Sevilha e sua herança árabe

Fotos by Cariocadorio (29 e 30 de setembro de 1990); exceto “Senna, frustação” que saiu de alguma reportagem em uma revista da época.

Ken Tyrrell, Rio 1978

12 de março de 2011

Ken Tyrrell no Autódromo do Rio

Este é um nome que não se ouve mais no noticiário da Fórmula 1.
Ken Tyrrell não tinha o carisma de um Colin Chapman nem sua equipe o poder midiático da Ferrari ou mesmo da Lotus com quem competiu e venceu várias vezes no início da sua carreira na fórmula 1. Uma característica que o distinguia era a de considerar sua palavra como o mais contundente dos contratos. 
Fato pouco comum nos homens da categoria.

Para mim a Tyrrell marcou uma época na Fórmula 1. No final dos anos sessenta comecei a me interessar por automobilismo e lá estavam Jackie Stewart e Ken Tyrrell.  

Esta parceria foi tão emblemática quanto a de Jim Clark com a Lotus pouco antes.  Em 1968 Ken Tyrrel levou a Matra para a fórmula 1 e em 1969 Stewart ganhou com um Matra-Ford o seu primeiro campeonato. Em 1971, no primeiro ano do Tyrrel-Ford, nova vitória de Stewart. 

Aquela que foi a melhor temporada da Tyrrel foi também a de maior tristeza.  Jackie Stewart conquistava seu terceiro título em 1973 quando François Cevert, o segundo piloto da equipe, faleceu no GP dos EUA.

Depois do tão bem sucedido início, seu momento de maior projeção na mídia foi em 1976 quando lançou o revolucionário carro de 6 rodas, o Tyrrel P34, projeto de Derek Gardner, que chegou a vencer uma corrida.

Jody Scheckter no Tyrel-Ford P34 de 6 rodas

No ano da foto no  Rio de Janeiro, 1978, Ken tyrrel trouxe dois carros para Patrick Depailer e Didier Pironi, que chegou em sexto neste GP do Brasil.  A Tyrrel não voltaria a conquistar um campeonato e, apesar de diversas fases difíceis, ainda teve bons momentos com Jody Scheckter, Michele Alboreto e Jean Alesi. Em 1997 Ken Tyrrel vendeu a equipe e abandonou a categoria. Mais um sinal do fim dos tempos românticos da Fórmula 1.  

Em agosto de 2001 Ken Tyrrel juntou-se a Colin Chapman e, de algum lugar improvável, vê a McLaren, cujo fundador Bruce Mclaren começou junto com ele na F1,  brigar com as eternas Ferraris e alguns novos entrantes pela supremacia da categoria máxima do automobilismo.    De vez em quando se pergunta o que outro contemporâneo seu, Frank Williams, ainda está fazendo ali.  

Fotos: Ken Tyrrell no autódromo do Rio (28/01/78 ) by Cariocadorio; Jody Schekter no Tyrrel-Ford P34 (31/07/1976), Wikimedia Commons. 

As 7 vidas do Gato Angorá

6 de março de 2011

O Rio de Janeiro nunca foi afeito a bons governantes. Além disso, desde os tempos da Guanabara, mantinha uma tradição de ter governadores eleitos contrários ao governo federal.  Fazia parte do espírito pseudo-contestador do carioca. Com a fusão veio Faria Lima nomeado por Brasília e depois, eleitos, Chagas Freitas e Brizola. 

Em 1982 eu achava que era hora de o Rio de Janeiro se alinhar com o governo federal para ver se sobrava alguma verba porque a coisa aqui estava muito ruim. O candidato era casado com a filha do Amaral Peixoto, velho cacique que há anos dominava o combalido estado do Rio. Apesar de sua ligação com o eterno poder estabelecido, votei no tal de Moreira Franco. 

Após aquela lambança que foram as eleições (caso Proconsult, roubo de votos etc) o cara foi eleito.  Prometeu acabar com a criminalidade, fez desfile de patrulhinhas e parou por aí. Conseguiu até brigar com Brasília e se isolar politicamente.  O Rio de Janeiro nunca sofreu tanto no maior desgoverno até então.   O Brizola teve uma volta triunfal na eleição seguinte.

Anos depois Moreira Franco se candidatou a prefeito de Niterói e foi para o segundo turno (como se vota mal neste país).  Em total falta de respeito com o eleitorado, Moreira Franco desistiu do segundo turno.  Nada é mais vergonhoso do que abandonar a eleição e os eleitores no meio do caminho por saber que perderia o segundo turno.

E ainda assim este senhor ocupou cargos nos governos FHC e Lula.  Finalmente, agora no governo Dilma ele é guindado ao cargo de ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), seja lá o que se faça por lá.  É amigo pessoal do vice Michel Temer que fez questão de nomeá-lo.  Terá sido pela sua capacidade administrativa?

Que tipo de força se deposita em certas pessoas para que se mantenham por tanto tempo no poder mesmo que nada do que tenham feito seja proveitoso para a sociedade?  O jogo do poder político que mantém os Moreiras e Sarneys da vida no controle há tanto tempo não é mesmo para o cidadão entender.

Quanto mais se sabe menos se entende.

Fotos obtidas na internet:  animais.blogmaneiro.com ; caixa.gov.br

Carnaval e fantasias

5 de março de 2011

Durante muito tempo tempo o carnaval se resumia a “três dias de folia e  brincadeira” como na marchinha de Zé Queti. 

Carnaval de 1946

Carnaval em família, 1945

A  expectativa era grande e a preparação idem. Na família o grande barato era inventar e confeccionar as fantasias, cuidando para não gastar demais.  A preparação era em casa mesmo porque afinal, naquele tempo, toda mulher prendada sabia costurar e máquina de costura era equipamento tão importante como um computrador hoje em dia. E que belas fantasias: ciganas, melindrosas, princesas de alhures e até onde ia a imaginação.

1957, Carnaval da nova geração

O tempo foi passando e carnaval seguia coisa séria na família.  Em Ibicuí a nova geração se incorporou à tradição e foram vários carnvais de alegria pelas ruas e no clube da cidade.  Quantas histórias. 

Quando eu cheguei nas paradas o ritmo já era outro.  Ainda tivemos alguns carnavais em família, alguns bailes no ,na Tijuca. Cheguei a frequentar um destes e registrei no ano passado em “outros carnavais”, aqui

R. Pinheiro Machado, Carnaval de 1966

Fantasias usei poucas. Mas para que os amigos possam se divertir com o tema, aqui está:  coisa de índio também. 

Fotos: Carnaval de 45, 46, 57  e 66 (acervo pessoal Cariocadorio, proibida reprodução sem autorização prévia).